Alcaraz retorna a Roland Garros com novo status
Por Mario Sérgio Cruz
maio 21, 2022 às 9:49 pm

No ano passado, Alcaraz havia disputado o quali em Paris. Agora, entra no torneio como número 6 do mundo. (Foto: Corinne Dubreuil/FFT)

A segunda participação de Carlos Alcaraz em Roland Garros acontece em um contexto muito diferente em comparação com a edição passada do Grand Slam francês. Se em 2021, o espanhol disputava apenas seu segundo Slam como profissional e precisou passar pelo quali, o retorno a Paris em 2022 é na condição de candidato ao título. Número 6 do mundo, Alcaraz estreia neste domingo, diante do argentino Juan Ignacio Londero, ex-top 50 e atual 141º do ranking.

Alcaraz chega para Roland Garros carregando uma invencibilidade de dez jogos e dois títulos importantes no saibro, o ATP 500 de Barcelona e o Masters 1000 de Madri. E na capital espanhola, conseguiu a façanha de superar Rafael Nadal, Novak Djokovic e Alexander Zverev em dias consecutivos para vencer seu quarto título na temporada e o segundo Masters 1000.

Em 31 jogos disputados na temporada de 2022, Alcaraz venceu 28 no total. Entre as três derrotas no ano, duas foram em jogos equilibradíssimos contra adversários do top 10, Matteo Berrettini no tiebreak do quinto set no Australian Open e Rafael Nadal em partida com 3h12 na semifinal de Indian Wells. A outra derrota foi para o norte-americano Sebastian Korda no Masters 1000 de Monte Carlo e que impediu Alcaraz de chegar a Paris invicto no saibro. Também campeão do Rio Open, em fevereiro, ele tem 16 vitórias e apenas uma derrota no piso em 2021.

Como Alcaraz estava no ano passado
Para efeito de comparação, Alcaraz era apenas o número 97 do mundo quando disputou a edição passada de Roland Garros. O espanhol fez boa campanha, tendo superado Lukas Lacko, Andrea Pellegrino e Alejandro Tabilo em sets diretos durante o quali, e depois ainda passou por Bernabe Zapata Miralles e pelo então 31º do ranking Nikoloz Basilashvili na chave principal, antes de cair diante do alemão Jan-Lennard Struff na terceira rodada em Paris. Semanas antes, ele havia disputado uma semifinal de ATP em Marbella e vencido um challenger em Oeiras. Além de ter duelo com o ídolo Nadal no Masters de Madri, no dia de seu 18º aniversário.

Chave dura para o espanhol em Paris
Caso passe pela estreia contra Londero, que entrou na chave como lucky-loser, Alcaraz pode ter um duelo espanhol contra Albert Ramos, canhoto de 34 anos e 42º do ranking, ou encarar o australiano Thanasi Kokkinakis, 85º colocado. Ele venceu nas duas vezes que enfrentou Ramos, enquanto Kokkinakis é um rival inédito em sua carreira. Existe a possibilidade de um reencontro com Korda, seu único algoz em toda a temporada de saibro, já na terceira rodada. E nas oitavas, o jovem espanhol pode enfrentar o britânico Cameron Norrie, que neste sábado venceu o ATP de Lyon. Mas Alcaraz já o derrotou duas vezes no ano. Há ainda a chance de encontrar nomes como Dominic Thiem ou Karen Khachanov.

O quadrante e o lado de Alcaraz na chave estão muito fortes. Caso alcance as quartas de final de um Grand Slam pela segunda vez na carreira, repetindo a façanha do último US Open, o espanhol pode reencontrar Alexander Zverev. E o semifinalista provavelmente enfrentará uma lenda do tênis, já que o treze vezes campeão Rafael Nadal e o número 1 do mundo e bicampeão Novak Djokovic estão no outro quadrante deste lado da chave.

Para tentar fazer sua melhor campanha em um Grand Slam na carreira, Alcaraz terá que fazer algo que se acostumou a fazer nos últimos meses, brilhar nos grandes palcos, contra grandes jogadores. Oito das onze vitórias do espanhol contra jogadores do top 10 foram conquistadas neste ano. Além da trinca sobre Zverev, Nadal e Djokovic em Madri, ele já venceu Stefanos Tsitsipas duas vezes no ano, superou Casper Ruud na final do Masters 1000 de Miami, e também já conquistou grandes vitórias sobre Hubert Hurkacz e Matteo Berrettini.

‘Acho que tenho ainda que melhorar em tudo’
Após a recente conquista em Madri, Alcaraz falou sobre sua excelente fase no circuito. “Acho que estou jogando muito bem e os números falam por si só. Acho que estou indo muito bem no saibro agora. Como eu disse em Monte Carlo, você aprende muito com as derrotas e aquele foi um exemplo claro. Perdi na primeira rodada de Monte Carlo, aprendi com aquela derrota e comecei a treinar para Barcelona e Madrid. Considero que estou jogando muito, muito bem, e acho que sou um adversário difícil para os outros jogadores”.

“Acho que tenho ainda que melhorar em tudo, e sempre digo isso. Você nunca atinge um limite. Veja Rafa, Djokovic, Federer… Todos eles melhoram e têm coisas a melhorar. Por isso são tão bons. Não é porque eu ganhei em Barcelona e venci o Djokovic e o Rafa em Madri, não que me considero o melhor jogador do mundo. Hoje sou o número 6, então ainda tenho cinco jogadores pela frente para ser o melhor”.

Campeã juvenil de RG fura o quali e disputa 1º Slam
Por Mario Sérgio Cruz
maio 19, 2022 às 7:24 pm

Noskova é a jogadora mais jovem a furar o quali de Paris desde 2009 (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Uma temporada depois de conquistar o torneio juvenil de Roland Garros, a tcheca de 17 anos Linda Noskova disputará seu primeiro Grand Slam como profissional, novamente em Paris. A atual 185ª do ranking da WTA conseguiu passar pelas três rodadas do qualificatório e garantir vaga na chave principal.

Depois de ter passado pela russa Anna Blinkova, 120ª do mundo e pela experiente suíça de 31 anos Conny Perrin nas fases iniciais do quali, Noskova superou nesta quinta-feira a tcheca Rebecca Sramkova, de 25 anos e 179ª colocada, por 6/3 e 6/2. Ela agora espera o término do quali, nesta sexta-feira, para saber quem será sua primeira adversária na chave principal.

“É muito bom, eu não esperava. Não vim aqui com muita prática ou muitas partidas, então não estava muito preparada”, afirmou Noskova. “Lembro-me de ter perdido há quatro ou cinco anos na primeira rodada do quali do torneio juvenil. Disse a mim mesma que teria que jogar aqui um dia. Tenho ótimas lembranças do circuito juvenil, dos momentos com a torcida. Adoro o ambiente daqui”.

Noskova, que terá 17 anos e 186 dias no primeiro dia da chave principal, é a jogadora tcheca mais jovem a competir em um Grand Slam desde Nicole Vaidisova (17 anos e 127 dias) no US Open de 2006. Ela também é a tenista mais jovem a furar o quali de Roland Garros desde Michelle Larcher de Brito (16 anos e 128 dias) em 2009.

Niemeier é mais uma jovem a garantir vaga, Vekic também fura quali
A jovem alemã de 22 anos Jule Niemeier, 103ª do ranking, também furou o quali de Paris e disputará o primeiro Grand Slam de sua carreira profissional. Cabeça 2 do quali, ela venceu nesta quinta-feira a japonesa Moyuka Uchijima por 6/0 e 6/1. Ano passado, Niemeier não jogou o quali em Paris porque fez uma ótima campanha até a semifinal do WTA de Estrasburgo. Já nesta semana em Roland Garros, venceu seus três jogos sem perder sets, tendo passado pela romena Alexandra Cadantu e pela francesa Jessika Ponchet.

A ex-top 20 Donna Vekic, atual 101ª do ranking aos 25 anos, também furou o quali em Paris. Ela venceu nesta quinta-feira a russa Anastasia Gasanova por 4/6, 6/2 e 6/2. Vekic tem nove participações em Roland Garros, tendo chegado às oitavas em 2019. Já a alemã Laura Siegemund perdeu na fase final do quali. A veterana de 34 anos e ex-top 30 perdeu para a espanhola Cristina Bucsa por 4/6, 6/3 e 6/1.

Em duas semanas, Boscardin salta 180 posições
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2022 às 10:14 pm

Boscardin fez suas duas melhores campanhas em challenger nas últimas semanas e ganhou 180 posições no ranking (Foto: Luiz Candido/CBT)

Os resultados positivos nas duas últimas semanas tiveram impacto direto no ranking para Pedro Boscardin. Ele venceu sete dos últimos nove jogos que disputou. E depois de chegar às quartas de final em Salvador e de alcançar a primeira final de challenger da carreira em Coquimbo, no Chile, o jovem jogador de 19 anos ultrapassou 180 jogadores no ranking.

Antes do torneio de Salvador, Boscardin era apenas o 526º do ranking. Ele recebeu 20 pontos pela campanha do quali até as quartas de final e saltou para o 452º lugar. Na sequência, venceu mais quatro jogos em Coquimbo e recebeu mais 50 pontos, que o levaram à 346ª posição, a melhor marca da carreira. Nono melhor brasileiro no ranking da ATP, o catarinense é mais jovem que todos os demais atletas nacionais que estão à frente dele.

“Foi uma semana muito boa de evolução e aprendizado. Já venho trabalhando há bastante tempo. Alguns jogos vinham escapando nas outras semanas, mas desde semana passada reencontramos o caminho das vitórias, venho jogando muito bem”, disse Boscardin, avaliando a semana no torneio chileno. Ele se tornou o primeiro sul-americano nascido em 2003 a jogar uma final de challenger e o quarto no mundo junto com Carlos Alcaraz, Holger Rune e Luca Nardi.

“Semana passada fiz quartas, com muita chance de ir à semi, mas essa semana veio uma consolidação. Fico feliz com a melhora no ranking, podendo entrar mais nos challengers e não ficar na dúvida se entrou ou não”, acrescentou o catarinense destacando o aumento no número de torneios na América do Sul. “Esse circuito na América do Sul é muito importante, ainda mais para mim que estou começando a jogar como profissional, saindo do juvenil. Então, isso está me ajudando bastante a fazer os pontos nessa fase de transição. Então, está sendo uma salvação para todos nós”.

Ex-top 10 do ranking juvenil, Boscardin conquistou seu primeiro título profissional no ano passado, quando venceu um ITF M25 em Rio do Sul, Santa Catarina. Já em fevereiro deste ano, ganhou um ITF M15 nos Estados Unidos, em Naples, na Flórida. Convidado para jogar no Chile, Boscardin passou por dois brasileiros nas primeiras rodadas, o carioca Wilson Leite e o paulista Gustavo Heide. Ele também passou pelo peruano Arklon Huertas nas quartas e pelo argentino Juan Bautista Torres na semifinal. Já na final do último sábado, ele foi superado pelo argentino Facundo Diaz Acosta por 7/5 e 7/6 (7-4) em 1h53 de partida. “A final foi bem dura. O Facundo jogou muito bem, e eu também estava confiante”, avaliou.

Com o salto no ranking, Boscardin retorna ao Brasil e avalia o calendário para as próximas semanas. De acordo com a equipe do tenista, ele seguirá para torneios na Europa no fim do mês. “Agora é seguir firme, levar todas as coisas boas, as principais, energia positiva, a confiança. É descansar duas semanas agora e voltar para os campeonatos”.

Baez e Rune traçam caminhos distintos até títulos inéditos
Por Mario Sérgio Cruz
maio 2, 2022 às 12:40 am

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro e confirmou a evolução quando começou a entrar em torneios maiores (Foto: Millennium Estoril Open)

Vencedores dos torneios ATP 250 disputados na última semana, em quadras de saibro na Europa, Sebastian Baez e Holger Rune acumulam algumas coincidências. Ambos ex-líderes do ranking mundial juvenil, o argentino e o dinamarquês chegaram às suas primeiras conquistas na elite do circuito no mesmo dia. Eles estarão bem próximos no ranking da ATP, Baez será 40º do mundo e Rune no 45º lugar e têm estatísticas parecidas no tênis profissional. Mas trilharam caminhos distintos até os troféus deste domingo e que acentuam a diferença entre ser um jovem promissor europeu ou sul-americano.

Baez, de 21 anos, conquistou o ATP 250 do Estoril em Portugal depois de vencer a final contra o norte-americano Frances Tiafoe por 6/3 e 6/2. O título consolida a evolução consistente que o jovem jogador argentino trilhou nas quadras de saibro nos últimos anos. Novo integrante do top 40, Baez tem 18 vitórias em nível ATP, sendo 13 no saibro. O argentino tem ainda seis títulos de challenger, com 49 vitórias neste nível e venceu cinco torneios no circuito da ITF.

Baez escalou o ranking jogando challengers no saibro
No início de 2021, Baez aparecia apenas no 309º lugar do ranking da ATP. Ele organizou seu calendário priorizando challengers no saibro, atuando neste nível e neste piso durante praticamente um ano inteiro. A estratégia deu resultado. O argentino venceu seis torneios (dois em Santiago, um em Concepcion, além de Buenos Aires, Campinas e Zagreb), ficou com mais três vices, e terminou o ano no top 100, ocupando o 97º lugar.

Havia dúvidas sobre como ele reagiria em dois novos cenários: Atuar no piso duro e enfrentar adversários de primeira linha. As primeiras impressões de Baez nas quadras sintéticas foram positivas, durante o Next Gen ATP Finals em Milão, no fim do ano passado. A evolução continuou neste ano, com boas campanhas na gira australiana. E a consolidação de Baez como um candidato a ir longe nos torneios veio em seu piso favorito: Oitavas no Rio Open, vindo do quali, quartas em Córdoba, final em Santiago e agora o título no Estoril.

“Estou apenas entrando no circuito. Jogar com rivais que via pela TV é raro, mas eu me apoiei no meu time e tentei dar o meu melhor”, disse Baez após a conquista em Portugal. “Quero curtir e continuar trabalhando para alcançar o máximo que posso. Tenho que continuar sonhando e continuar ao lado das pessoas que mais amo. É o que me impulsiona a seguir em frente”.

Na transição saindo do tênis juvenil, recebeu oito convites, sendo o primeiro de nível ATP apenas neste ano em Buenos Aires. Seus quatro primeiros convites como tenista profissional foram para qualis de future na Argentina em 2016. Só em 2017 e 2019, ele teve oportunidades em challengers em Buenos Aires, sem conseguir avançar uma rodada sequer. E apenas na atual temporada, já aos 21 anos recebeu um convite para uma chave de ATP, também na capital argentina.

Convites ajudaram Rune a ganhar experiência no alto nível

Rune recebeu convites e conviveu com a elite do circuito desde muito novo (Foto: BMW Open)


O processo de formação de Holger Rune foi diferente. Campeão juvenil de Roland Garros em 2019 e líder do ranking mundial da categoria no mesmo ano, o dinamarquês já havia tido a oportunidade de treinar com Patrick Mouratoglou e recebeu uma série de convites em torneios de primeira linha.

Nos primeiros dois meses após o título de Roland Garros como juvenil, Rune foi convidado para quatro challengers, em Blois, Amersfoort, Manerbio e Istambul. Antes disso, só havia disputado uma partida como profissional, na Copa Davis de 2018. O dinamarquês aproveitou algumas dessas chances, avançou rodadas em dois desses quatro torneios e somou seus primeiros pontos.

A primeira oportunidade em um torneio da ATP veio ainda aos 16 anos, com ele ocupando apenas o 1.019º lugar no ranking profissional, mas recebendo um convite para o quali de Auckland em 2020. Durante a paralisação do circuito na fase mais restritiva da pandemia, também participou de exibições pela Europa com jogadores mais experimentados na elite do circuito.

Quando o circuito foi retomado no segundo semestre de 2020, Rune jogou torneios menores, mas com a experiência de quem já enfrentou adversários muito mais fortes. Venceu três eventos da ITF e escalou o ranking até o 474º lugar. Já no ano de 2021, o dinamarquês ganhou mais um ITF e venceu seus quatro primeiros challengers na Itália, em Biella, San Marino, Verona e Bérgmo. Mas chama atenção também a quantidade de convites para torneios da ATP.

Rune foi indicado por organizadores dos torneios de Buenos Aires, Santiago, Marbella, Monte Carlo, Barcelona, Bastad, Umag e Indian Wells. O dinamarquês soube aproveitar suas oportunidades, treinou e jogou com os melhores desde cedo. Experimentou a rotina da elite do circuito e lapidou seu jogo em torneios grandes. Quando havia necessidade de buscar pontos em competições menores, conseguia se impor. Ao todo, já tem 19 convites na carreira.

Nesta semana em Munique, venceu a primeira contra top 10, superando o número 3 do mundo Alexander Zverev nas oitavas. Ele não se deixou abalar pela vitória expressiva e jogou como favorito contra Emil Ruusuvuori nas quartas e Oscar Otte na semi. A final contra Botic van de Zandschulp foi abreviada. O holandês sentiu dores no peito e dificuldades para respirar, e com isso a partida só durou sete games.

“Essa é provavelmente a pior maneira de vencer uma final. Eu esperava um jogo duro e ele vinha muito forte no torneio, mas aconteceu alguma coisa com ele. Desejo tudo de bom na recuperação e espero vê-lo em quadra em breve”, disse Rune, que não perdeu sets no torneio. “Mas se eu pensar na semana que eu tive, estou super feliz, joguei um tênis incrível e consegui o meu primeiro título aqui em Munique diante de um estádio lotado. Eu não poderia querer mais do que isso”.

Rune está com 19 anos e tem agora 20 vitórias no circuito da ATP, sendo 11 no saibro e nove no piso duro. O dinamarquês já venceu cinco torneios de nível challenger, um deles este ano, com 46 vitórias na carreira. Já nos eventos da ITF, acumula quatro títulos. Ele é o novo 45º do mundo com a atualização do ranking.

 

Tênis e WTA ganham muito com a rivalidade entre Iga e Emma
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2022 às 12:45 am

Swiatek e Raducanu se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira em Stuttgart (Foto: Jimmie48/WTA)

O confronto entre Iga Swiatek e Emma Raducanu foi o destaque na rodada das quartas de final do WTA 500 de Stuttgart. Ambas muito jovens e já campeãs de Grand Slam, elas se enfrentaram pela primeira vez nesta sexta-feira. Líder do ranking mundial e vivendo a melhor fase da carreira, Swiatek confirmou o favoritismo e venceu por duplo 6/4, marcando sua 21ª vitória consecutiva no circuito.

Já Raducanu, que fez seu melhor torneio na temporada, também deixou boas impressões e vai aos poucos reencontrando seu alto nível de tênis. E isso é uma ótima notícia, pensando em cada vez mais confrontos entre elas no futuro e em uma sadia rivalidade que pode ser muito benéfica para o circuito feminino e para o tênis de um modo geral.

Como foi a partida desta sexta-feira
Em quadra, o duelo entre Swiatek e Raducanu já começou com uma quebra a favor da polonesa logo no game de abertura. Ela usou devoluções no corpo e jogou próxima da linha de base, mandando nos pontos, até que a britânica cometesse seus primeiros erros. Depois disso, Raducanu passou a confirmar os games de serviço sem tantos riscos, em geral apostando em saques abertos, mas ficou atrás no placar o tempo todo, já que Swiatek só perdeu três pontos no saque em todo o set.

Aos poucos, Swiatek pegou o tempo das devoluções também para os saques abertos de Raducanu e passou a atacar as paralelas com o forehand. Já havia forçado um game mais longo no fim do primeiro set e conseguiu uma quebra no início do segundo. A britânica devolveu a quebra, mas voltaria a perder o saque na sequência. Raducanu pediu tempo médico de três minutos fora da quadra por um desconforto no quadril. A britânica chegou a ter um break-point no oitavo game, mas não conseguiu buscar o empate. A número 1 do mundo ainda escapou de um 15-40 quando sacava para o jogo, mas definiu a partida em seu serviço.

Tênis quer renovar sua audiência
Swiatek, de 20 anos, e Raducanu, de 19, têm grande potencial para atrair espectadores mais jovens para o tênis. Renovar a audiência do esporte é uma preocupação de dirigentes, tanto que uma série da Netflix com os bastidores do circuito mundial está sendo produzida nos mesmos moldes da premiada produção Drive to Survive, responsável por atrair o interesse de um público mais jovem para as corridas de Fórmula 1, além de fazer com que os fãs conhecessem mais e se interessassem por diferentes pilotos do grid.

Em uma era com um volume enorme de informação circulando, escolher um atleta para torcer pode levar em consideração variáveis que vão além dos resultados e estilos de jogo. Cada vez mais as pessoas vão ter como se identificar com um ídolo por sua personalidade, atitudes, estilos de vida e causas que defende. Uma relação ídolo e fã que tende a ficar cada vez mais forte.

Há ainda clara identificação pela idade que pode fazer os mais jovens torcerem por elas, e que acontece em diferentes gerações do esporte, além do fato de que alguns nomes que fizeram sucesso no passado recente estarem na reta final da carreira, fazendo com que os fãs mais antigos comecem a procurar novos nomes para torcer e continuar se emocionando com o tênis. São dois processos naturais e que muitos fãs de tênis já passaram por isso.

Personalidades parecidas, caminhos distintos
Pensando nas personalidades das duas jogadoras, há alguns traços em comum. Raducanu sempre se dedicou muito aos estudos e falava sobre a busca pelas notas mais altas no colégio durante sua campanha de destaque até as oitavas de final de Wimbledon no ano passado. Com pai romeno e mãe chinesa, aprender as duas línguas, mas sobre a cultura desses dois países. Quando disputou um WTA 250 na Romênia no fim do ano passado, já como campeã de Grand Slam, foi tratada como jogadora local pelos fãs e organizadores do evento.

Swiatek é uma devoradora de livros, fã de clássicos da literatura, mas também do Rock N’ Roll dos anos 80. A polonesa, que tem um trabalho de longo prazo com a psicóloga esportiva Daria Abramowicz, também levanta a bandeira da saúde mental no esporte e na vida, já arrecadou dinheiro para organizações que tratam do assunto e fala abertamente sobre o tema sempre que é perguntada. Já na atual temporada, após o início da guerra na Ucrânia, solidarizou-se de forma pública com as vítimas da guerra no país vizinho ao seu. Sinais de empatia e maturidade.

As trajetórias no esporte, entretanto, são distintas. Swiatek já se destacava nas competições juvenis há , primeiro com o título da Polônia na Fed Cup Júnior em 2016 e também com a conquista do torneio juvenil de Wimbledon em 2018. Naquele mesmo ano, terminaria a temporada no 174º lugar do ranking profissional, mas já entraria no top 50 na temporada seguinte. Seu grande salto, entretanto, foi com o título de Roland Garros em 2020, que a colocou na disputa pelas primeiras posições do ranking.

Já Raducanu era apenas a 150ª do mundo quando foi campeã do US Open e disputava só o Grand Slam da carreira. Até por isso, sabe que a polonesa tem muito mais experiência no alto nível, apesar da pouca diferença de idade. “Iga já joga tênis em tempo integral há anos”, disse a britânica ao site da WTA. “Ela estava no ITF Tour e estava no WTA Tour. Eu fiquei sem jogar durante 18 meses, enquanto estava estudando para os meus exames e não joguei tantos torneios. Eu estava treinando três vezes uma semana por 10 horas por semana no ano passado. Então é só agora que estou construindo robustez e jogando partidas semana após semana. Você não pode comparar as jornadas porque tivemos caminhos diferentes. Desde que ela venceu o Slam, ela se saiu muito bem e permaneceu consistente. Não tenho certeza de quando isso acontecerá para mim, mas tenho certeza que vou chegar lá.”

Interesse de grandes marcas e mais compromissos


As duas jogadoras também atraem o interesse de marcas importantes, inclusive no segmento de luxo, e que investem em peso no tênis. Raducanu é embaixadora de grifes como a DiorTiffany & Co. e recentemente também fechou parceria com a montadora Porsche, principal patrocinadora do torneio de Stuttgart e uma das maiores parceiras da WTA. Swiatek conta com apoio da Rolex e também da Red Bull, além de levar no uniforme a marca de seguradora polonesa PZU.

Com o interesse de tantas empresas de grande porte, há também a necessidade de administrar bem os compromissos extra-quadra. Swiatek abordou o assunto em recente entrevista ao site da WTA no fim do ano passado. “Estou conversando com a equipe que gerencia a minha carreira para que eu possa descansar mais quando estou em casa. Então, talvez no próximo ano eu consiga marcar todas as sessões de fotos e eventos com patrocinadores em blocos. Este ano, eu não pude fazer isso porque tudo era novo para nós e as parcerias são muito recentes. Então, agora, nos conhecemos melhor e acho que será mais fácil fazer isso”.

Com a chegada ao topo do ranking, a nova número 1 sabe que a preparação é cada vez mais importante. “No começo quando eu queria trabalhar com um psicólogo pensando nas coisas que estão acontecendo na quadra. Mas depois eu percebi que tudo que está acontecendo na minha vida realmente influencia no meu desempenho. Também achei muito bom trabalhar com a Daria. Eu me sinto muito confortável e que realmente posso confiar nela. Então, percebi que se eu também posso ter mais confiança fora da quadra, tenho uma saúde mental melhor e me se sinto mais calma na vida e satisfeita. Então, agora estamos trabalhando em tudo”.

Osaka e Andreescu também são ótimas opções
Outras duas campeãs de Grand Slam têm grande potencial para atrair o interesse de uma nova geração de fãs e construir rivalidades que vão trazer ainda mais olhares para o tênis. Naomi Osaka é um pouco mais velha, com 24 anos, mas tem quatro títulos de Slam no circuito e liderou o ranking, além de ser voz atuante nas lutas contra o racismo e a violência policial, e também pela causa da saúde mental no esporte. A japonesa é hoje a atleta mais bem paga do mundo, também com apoio de várias marcas de peso.

Bianca Andreescu, de 21 anos e vencedora do US Open em 2021, passou um ano sem jogar por conta de uma grave lesão no joelho e se afastou das competições por mais sete meses para cuidar da mente. A canadense reconhece que pensou em largar o tênis, mas decidiu voltar e carregar a missão de utilizar o tênis para ajudar a construir um mundo melhor.

A renovação do tênis feminino está em ótimas mãos, com jogadoras campeãs em quadra e que se expressam muito bem fora dela. Resta torcer para que esses confrontos se repitam cada vez mais e para que dirigentes e promotores do esporte saibam utilizar as personagens para ações positivas, sem sobrecarregá-las.

João Fonseca e Olivia Carneiro garantem vagas em Roland Garros juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
abril 10, 2022 às 9:07 pm

João Fonseca e Olivia Carneiro venceram a seletiva brasileira disputada no Rio de Janeiro (Foto: Marcello Zambrana/CBT)

O carioca João Fonseca e a paulista Olivia Carneiro conquistaram neste domingo os títulos do Roland Garros Junior Wild Card Series. Com isso, eles garantiram vagas na chave juvenil do Grand Slam francês, que será disputado em Paris em junho deste ano. A seletiva brasileira foi disputada nesta semana por tenistas de até 16 anos nas quadras de saibro do Rio de Janeiro Country Club.

Em uma final entre os dois principais cabeças de chave, João Fonseca derrotou o mineiro Pedro Rodrigues por 6/1 e 7/5. Único juvenil brasileiro no top 100 do ranking mundial, ocupando atualmente o 91º lugar, o carioca de 15 anos disputará seu primeiro Grand Slam.

“Já jogo com Pedro há muito tempo. Tive momentos delicados na partida, mas soube lidar com a pressão de estar atrás. Foi um torneio em que estive em boa forma e estou muito feliz por conquistar esse acesso. Um dos torneios mais marcantes”, comentou Fonseca, após a partida deste domingo. Já o vice-campeão Pedro Rodrigues está com 16 anos e ocupa o 409º lugar do ranking, vindo de dois títulos na Bolívia.

Já na final feminina, Olivia Carneiro derrotou a carioca Sthefany Lima por 6/4 e 6/3. “Estou muito feliz. Eu me preparei demais para isso, em busca da realização de um sonho. Conquistei! E agora é me preparar mais ainda. Foram jogos difíceis e soube lidar com a pressão e com as características diferentes das minhas adversárias”, afirmou Olivia Carneiro, que tem 15 anos e ocupa o 368º lugar do ranking. Ela segue para Salinas, no Equador, onde irá treinar com a equipe brasileira da Copa Billie Jean King. 

Atualmente, Carneiro é a quinta melhor brasileira na classificação da ITF, mas a primeira com menos de 16 anos. Já Sthefany Lima está no 642º lugar.

Semana também foi de Sul-Americano Individual

Ana Candiotto disputou quartas em simples e semi de duplas no Sul-Americano em Lima

A última semana também foi de disputas pelo ITF JB1 de Lima, torneio Sul-Americano Individual, disputado nas quadras de saibro de Lima, no Peru. O evento vale 300 pontos no ranking mundial juvenil.

A paulista de 17 anos Ana Candiotto, 111ª do ranking, chegou às quartas de final de simples e mais a semifinal de duplas. Isso rende a ela 100 pontos individualmente, e mais 105 como duplista.

Para a composição do ranking, são considerados os seis melhores resultados em simples e mais 25% das seis melhores pontuações nas duplas. Candiotto tenta se firmar entre as cem melhores e subir ainda no ranking nas próximas semanas em busca de vagas em Roland Garros e Wimbledon.

Também em Lima, as catarinenses Maria Turchetto, 186ª do ranking, e Carolina Laydner, 243ª colocada, foram superadas nas quartas. Ambas recebem 100 pontos. Já Victor Tosetto, 236º no ranking masculino, parou nas oitavas e recebe 60 pontos. O torneio ainda contou com Maria Luisa Oliveira e Henrique de Brito, eliminados na estreia.

Argentino e Peruana conquistaram os títulos

O título da chave masculina de simples ficou com o argentino de 18 anos Lautaro Midon, 22º do ranking, que venceu o peruano Gonzalo Bueno, número 6 do mundo na categoria, por 6/1 e 6/3. No feminino, quem ganhou foi a peruana de 16 anos Lucciana Perez Alarcon, 69ª colocada, que derrotou a argentina Luciana Moyano, 48ª, por 7/5, 4/6 e 6/4. As campeãs nas duplas femininas são as paraguaias Leyla Britez Risso e Paulina Franco Martinessi. Já na dupla masculina, título para os peruanos Gonzalo Bueno e Ignacio Buse.

Pignaton cai na semi de simples e é vice nas duplas

O juvenil de 16 anos Lucca Pignaton, que já disputou competições nacionais pela Federação do Espírito Santo e treina atualmente nos Estados Unidos, vem de duas semifinais seguidas em torneios ITF J5 Tegucigalpa, em Honduras. Pignaton é o atual 797º do ranking mundial juvenil e também jogou a final de duplas na última semana.

Além de disputar os torneios do circuito mundial juvenil, tendo predileção pelas quadras de piso duro, ele já atuou como parceiro de treinos de nomes como Sloane Stephens, Shelby Rogers, Coco Gauff e Kevin Anderson. Há duas semanas, Pignaton ganhou um título de duplas em Porto Rico, em parceria nacional com Rafael Gracie.

Barty dá exemplo até na hora de se despedir do tênis
Por Mario Sérgio Cruz
março 23, 2022 às 11:36 pm

O anúncio feito por Ashleigh Barty, que decidiu encerrar sua carreira profissional nesta quarta-feira, surpreendeu a todos no mundo do tênis. Com apenas 25 anos, número 1 do mundo, e atual campeã de Wimbledon e do Australian Open, Barty teria totais condições de seguir competindo e acumulando conquistas. Ao mesmo tempo, quem acompanha a carreira e as declarações da australiana compreende perfeitamente os motivos que a levaram a tomar essa decisão.

Numa era que muitas das principais estrelas do tênis perseguem títulos e recordes o tempo todo, mesmo que para isso seja preciso sacrificar suas melhores condições físicas e psicológicas, Barty encarava o tênis com leveza, mas sem nunca deixar de lado seu absoluto profissionalismo e amor pelo esporte. Estabeleceu para si mesma as metas de ser a número 1 do mundo e conquistar os títulos de Wimbledon e do Australian Open. Ela cumpriu todos os objetivos e foi além, venceu três Grand Slam em simples, mais um nas duplas, e acumulou 121 semanas na liderança do ranking (que serão atingidas após o WTA 1000 de Miami). Sentiu, então, que é a hora de buscar novos ares.

No ano passado, Barty fez um grande sacrifício pelo tênis. Por conta do rígido controle da pandemia feito na Austrália, aceitou passar seis meses viajando. Foi assim desde o início de março até o US Open em setembro. Ela não poderia voltar para casa nas semanas sem competição, porque ficaria sujeita a uma quarentena de 15 dias, e disse ainda que não havia sequer estabelecido uma base fixa de treinamento. Quando conquistou Wimbledon, voltava de lesão no quadril e considerou o título um milagre. Após o último Grand Slam do ano, decidiu encerrar a temporada mais cedo, sem jogar em Indian Wells e nem o WTA Finals. A prioridade era se recuperar a parte física e mental para chegar voando na Austrália. E o final foi feliz.

A decisão de Barty é corajosa e não estamos acostumados a lidar com ela. Ainda mais em um período em que as carreiras no esporte são mais longas e os ídolos atravessam diferentes gerações, desafiando o próprio corpo e os limites por muito mais que uma década. Via de regra, as despedidas vêm acompanhadas de lesões e tratamentos muitos longos, seguidas por eventuais quedas de rendimento e eliminações precoces. Além das declarações com a voz embargada. A australiana mostra que é possível fazer diferente.

Barty, aliás, foi uma campeã que jogava diferente. Em um circuito que vinha sendo dominado por jogadoras cada vez mais altas e que tentavam se impor batendo muito forte na bola dos dois lados, a australiana encantou ao apresentar um estilo de jogo completo e versátil, capaz de utilizar com eficiência diferentes tipos de saque, executar drop-shots e slices com maestria e sua excelente atuação junto à rede. Sempre muito querida por suas colegas de circuito, Barty era uma inspiração para muitas tenistas. também por ser uma pessoa de ótimo trato, bastante respeitosa com jogadoras de diferentes gerações e com todos nos ambientes dos torneios. E isso inclui também os jornalistas.

Postura exemplar também nas entrevistas
A número 1 do mundo não se furtava a responder perguntas sobre temas de dentro ou fora da quadra. Falava de forma franca sobre planos de jogo e estratégias adotadas depois das vitórias, sem necessidade de esconder o jogo. Falava sempre na terceira pessoa. Todas as conquistas eram do time. Sua parceria com o técnico Craig Tyzzer foi vitoriosa e duradoura.

Nas derrotas, sempre dava o devido crédito às adversárias e até mesmo defendia as rivais em questões polêmicas. Quando perdeu para Karolina Muchova no Australian Open de 2021, foi perguntada se os pedidos de atendimento médico da tcheca interferiram no resultado. A australiana não apenas refutou a ideia, como se lembrou que ela própria já havia precisado do recurso em outras ocasiões e fez questão de valorizar a atuação de sua algoz.

No ano passado, quando as todas as entrevistas nos torneios da WTA aconteciam em formato virtual, por conta da fase mais restritiva da pandemia, pude participar de algumas entrevistas coletivas de Barty ao longo da temporada. Além das já habituais declarações pós-jogo, houve um pouco mais de abertura nas semanas de Stuttgart e Cincinnati, torneios em que ela foi campeã e pôde responder perguntas sobre outros temas conforme avançava na chave.

Na primeira ocasião, comentou sobre a difícil escolha de calendário que a obrigava a viajar o tempo todo. Falou também sobre ter recebido a vacina da Covid-19 durante o WTA 500 de Charleston, para proteger a si mesma e todos da equipe, mas com a preocupação também de não estar furando a fila de ninguém que precisasse mais do que ela naquele local.

Já na segunda entrevista, a tenista de ascendência aborígene falou sobre seu trabalho social de fomento ao tênis nas comunidades de nativos australianos. Por diversas vezes, ela expressou orgulho de suas origens e a admiração pela conterrânea Evonne Goolagong. Quando foi campeã de Wimbledon, escolheu um vestido que lembra o modelo utilizado por sua maior inspiração no esporte.

É possível se despedir com final feliz
Barty dá exemplo de que as despedidas não precisam ser acompanhadas de dores e da tristeza dos fãs. Seu último ato dentro da quadra, foi conquistando o Australian Open de forma brilhante, sem perder sets, e encerrando um jejum de 44 anos sem os títulos das jogadoras da casa. Na Rod Laver Arena, atuou diante do público de seu país, dos melhores amigos, e de suas principais referências, a grande amiga e parceira de duplas Casey Dellacqua, a inspiração e ex-número 1 do mundo Evonne Goolagong e a lenda do tênis Rod Laver. O cenário de festa não poderia ser melhor. Ainda mais para uma tenista que sempre valorizou muito a história do esporte que pratica.

Foi também a maneira perfeita de encerrar a trajetória de uma tenista que já havia passado por uma primeira despedida das quadras. Considerada um prodígio do esporte desde que conquistou o título juvenil de Wimbledon com apenas 15 anos, Barty conviveu desde muito cedo com a pressão e expectativas. No final daquele mesmo de 2011, ela também venceu um playoff contra jogadoras profissionais de seu país e conquistou, por méritos próprios, um convite para a chave principal do Australian Open. Não faltaram convites e oportunidades para a australiana, que se destacou primeiro nas duplas e jogou três finais de Grand Slam em 2013. Mas no ano seguinte, decidiu parar com o tênis e dedicar-se ao críquete. Nas palavras dela, considerava-se uma “vítima do próprio sucesso”.

A australiana voltaria ao tênis em 2016, aos 20 anos, disputando os torneios do menor nível profissional e recusou convites para torneios maiores para não queimar etapas. Escalou todos os degraus até chegar ao número 1 em junho de 2019, chegou a ser ultrapassada por Naomi Osaka por quatro semanas, mas logo retomou a posição para não sair mais de lá até o fim da carreira.

 

Iga pensa grande e tem motivos para isso
Por Mario Sérgio Cruz
março 21, 2022 às 10:09 pm

Swiatek conquistou dois WTA 1000 seguidos e é a nova número 2 do mundo (Foto: BNP Paribas Open)

Não há jogadora em melhor momento no circuito do que Iga Swiatek. Campeã dos dois primeiros WTA 1000 da temporada, em Doha e Indian Wells, a polonesa venceu onze jogos seguidos atuando só torneios grandes e escalou o ranking. Ela iniciou 2022 na nona colocação e já aparece na vice-liderança, atrás apenas de Ashleigh Barty, que está sem jogar desde o título do Australian Open.

Logo depois de conquistar na Califórnia seu quinto título no circuito e o terceiro WTA 1000, a jovem jogadora de 20 anos já deixou o recado: Quer ser a nova número 1 do mundo. E ela tem motivos para acreditar nisso, já que está conseguindo evoluir em nível de tênis e também no equilíbrio emocional.

A jovem tenista que surgiu no circuito batendo forte na bola, mas também exibindo um jogo inteligente e capaz de buscar variações quando atuava no saibro, vai se tornando cada vez mais completa. Ela sabe quando tem que ser mais agressiva e comandar os pontos ou quando tem que tirar o peso da bola e esperar pelos erros da adversária, como aconteceu na final do último domingo, com muito vento em quadra. A versão 2022 de Iga é capaz de jogar de diferentes formas, o que a ajuda a se sair bem no piso duro. Também é capaz de reverter situações adversas no placar e vencer adversárias contra quem o retrospecto era muito negativo.

“Quero ir mais alto porque sinto que conseguir o número 1 está cada vez mais perto”, disse Swiatek após a vitória sobre a grega Maria Sakkari por 6/4 e 6/1 na final de Indian Wells. “Com certeza, a Ash é uma das jogadoras que eu me inspiro. E vai ser uma experiência muito legal competir contra ela, que é uma das jogadoras mais completas da o circuito. Ela mostrou muita força mental e acho que vai ser muito emocionante disputar a liderança”.

A disputa pelo número 1 deve se intensificar nas próximas semanas. Apesar de a diferença hoje estar na casa de 2.200 pontos, Barty vai perder os mil de Miami do ano passado, enquanto a polonesa defende só 65 pontos, da terceira rodada de 2021. Já no início da temporada de saibro, a australiana tem quartas em Charleston, título de Stuttgart e vice-campeonato em Madri a defender, enquanto Swiatek defende o troféu de Roma e as oitavas de final em Madri. Talvez haja um confronto direto em Roland Garros, Grand Slam que as duas já venceram.

Swiatek disputou 23 jogos na temporada e venceu 20. Antes de suas 11 vitórias seguidas em WTA 1000, alcançou duas semifinais, em Adelaide e no Australian Open. Suas algozes foram Barty e Danielle Collins, campeã e vice do primeiro Grand Slam do ano. Sua única semana ruim foi em Dubai, onde perdeu na segunda rodada para a letã Jelena Ostapenko. Ainda assim, a polonesa chegou a ter um match-point, e a letã terminaria a semana com o título do torneio.

Novo técnico e jogo mais agressivo
Um dos fatores que contribuíram para a grande fase de Swiatek neste início de temporada foi uma mudança na equipe, e consequentemente em seu estilo de jogo. Ela se torna mais agressiva, especialmente nas devoluções de saque, e isso tem trazido bons resultados nas quadras de piso duro. Depois de encerrar uma parceria de cinco temporadas com Piotr Sierzputowski, técnico que a levou aos três primeiros títulos na carreira, incluindo dois troféus importantes no saibro, Roland Garros em 2020 e Roma no ano passado, Swiatek contratou Tomasz Wiktorowski, ex-técnico de Agnieszka Radwanska, e está feliz com os resultados.

“Ele me convenceu a mudar minha abordagem em relação ao meu tênis. Estou sendo mais agressiva e adorando isso. No começo eu não estava realmente convencida, mas agora quero dizer muito obrigada a ele por me mostrar essa perspectiva diferente”, disse Swiatek, na entrevista coletiva após a final de Doha. Já em Indian Wells, voltou a falar sobre o trabalho recém-iniciado com seu novo treinador e a mudança de mentalidade. “Estou muito feliz por equilibrar a agressividade e o controle. Essa é a coisa mais importante no tênis, porque posso bater muito forte na bola, mas tenho que escolher os momentos certos. E antes eu não sentia que estava escolhendo os momentos certos. Acho que isso também vem com um pouco de experiência. Então parece que tenho mais opções e mais habilidades”.

A polonesa manteve as outras duas pessoas do time, o preparador físico Maciej Ryszczuk e a psicóloga Daria Abramowicz. Ela prefere trabalhar com pessoas de seu próprio país, que acompanharam de perto a repercussão da conquista de seu primeiro Grand Slam, no saibro de Roland Garros em 2020. “Toda a minha equipe é da Polônia, então é muito conveniente e não há diferenças culturais. É mais fácil de se comunicar. O Tomasz sabe o que aconteceu depois que eu ganhei Roland Garros e entendeu o hype que estava lá. Foi uma conquista muito grande na Polônia. E acho que é mais fácil para ele entender minha situação, por causa disso. Acho que para eu ter um treinador de outro país, talvez eu tenha que ter mais experiência. Mas eu não quero mudar de treinador, honestamente, então espero que dê certo com Tomasz por muitos anos”.

Polonesa começou a trabalhar com Tomasz Wiktorowski e sente que evoluiu no piso duro (Foto: Jimmie48/WTA)

Melhora nas quadras duras
Dois dos primeiros três títulos de Swiatek foram conquistados no saibro. Depois de vencer o Grand Slam francês, ela também foi campeã no WTA 1000 de Roma no ano passado. Agora, a polonesa já se sente mais confortável e competitiva também nas quadras duras. “Dois anos atrás, sentia que não conseguiria fazer o meu jogo na quadra dura. Eu estava sempre me adaptando ao que as minhas adversárias estavam fazendo. Agora é diferente porque sinto que realmente me desenvolvi e posso jogar mais em quadra dura e posso ser mais livre. Estou bastante orgulhosa disso”, comentou durante o Australian Open.

Quando foi campeã em Doha, reconheceu que a evolução no piso duro veio antes do esperado. “Eu não esperava ter um nível tão alto na quadra dura. Sempre me considerei, como as pessoas realmente diziam, uma jogadora de saibro. Eu estava melhorando em quadra dura, mas com certeza nesta temporada meu progresso foi muito mais rápido. É muito bom ter esse tipo de jogo em que você não tem problemas em manter o ritmo e em permanecer agressiva. Eu realmente amo isso, porque está dando me muita confiança dentro e fora da quadra. Isso está tornando a minha vida em quadra mais fácil”.

Maior poder de reação
A campanha de Swiatek em Indian Wells começou com jogos duros. Ela buscou três viradas seguidas nas partidas contra a ucraniana Anhelina Kalinina, a dinamarquesa Clara Tauson e a alemã Angelique Kerber. Só então, passou a vencer seus jogos com maior tranquilidade, dominando a partida das quartas contra Madison Keys e superando também em sets diretos Simona Halep e Maria Sakkari nas rodadas decisivas. A polonesa também já havia mostrado poder de reação na Austrália, virando jogos contra Sorana Cirstea nas oitavas e Kaia Kanepi nas quartas. 

“Estou muito orgulhosa de mim mesma, porque virar o jogo depois de perder o primeiro set é uma coisa nova para mim”, disse Swiatek, durante o Australian Open “Essas duas partidas me mostraram que mesmo em momentos difíceis eu posso voltar para o jogo e que eu tenho habilidades para vencer partidas mesmo quando elas são muito duras. Eu não tenho uma boa estatística em termos de virar o jogo depois de perder o primeiro set. Mas é esse tipo de resultado me dá muita confiança para o futuro”.

E para conseguir viradas, é preciso estar bem preparada nos aspecto físico e mental do jogo, outros pontos que ela tem trabalhado com sucesso. A vitória sobre Kanepi na Austrália, em partida de 3h01 de duração, serve como exemplo. “Sei que estou fisicamente bem preparada e esperava que ela estivesse mais cansada no final. Na verdade, eu queria prolongar alguns pontos, para deixá-la mais cansada, porque, na verdade, confio muito em mim em termos de minha forma física”, revelou a polonesa de 20 anos, que também teve um bom trabalho de controle emocional. “Então, essa partida mostrou que é inteligente confiar em mim mesma nesse assunto. Fico feliz por encontrar soluções e realmente pensar mais na quadra sobre o que mudar no jogo. Sinto que é parte do trabalho que estamos fazendo com Daria [Abramowicz, sua psicóloga] para controlar minhas emoções e talvez focar em encontrar soluções”.

Adaptação às adversárias e nova mentalidade
Os últimos dois pontos a destacar sobre a evolução de Swiatek são a melhor adaptação aos estilos de jogo das adversárias e os ajustes em sua mentalidade. Até então, ela muitas vezes entrava como franco-atiradora, sem nada a perder. Agora, consolidada nas primeiras posições, precisa aprender a jogar como favorita e candidata a mais títulos importantes.

Só neste começo de ano, já são duas vitórias contra Maria Sakkari, adversária para quem havia perdido três vezes no ano passado. Também igualou os retrospectos negativos que tinha contra Simona Halep e Aryna Sabalenka. A vitória sobre Halep na última sexta-feira foi simbólica. Embora tenha sido a segunda em quatro jogos contra a romena, serve para exemplificar essa mudança de patamar.

“Nas minhas primeiras partidas contra a Simona, eu sempre sentia que não tinha nada a perder, porque eu não era a favorita. Mas agora o meu ranking é mais alto e eu venho jogando muito bem. Eu precisava ajustar a minha mentalidade para entrar em quadra”, avaliou a polonesa, que já havia derrotado Halep na campanha para o título de Roland Garros, mas perdido para a romena na Austrália no ano passado.

Mesmo quando eu joguei contra ela na Austrália, foi logo depois que eu ganhei Roland Garros, eu ainda me sentia como zebra. Era só o meu segundo torneio depois de vencer um Grand Slam, então basicamente eu ainda não me sentia como se já estivesse no top 10. Mas agora é um pouco diferente e sinto que tenho muito mais experiência, mas com isso também crescem as expectativas. Não sei se está mais fácil de lidar com isso. Honestamente, acho que foi um pouco mais difícil, mas também tenho que me acostumar a não ser mais a zebra. Então, eu queria mostrar o que eu aprendi”.

 

Número 1 juvenil vence 10 seguidas e fatura 2 títulos
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2022 às 3:20 pm

A croata de 16 anos Petra Marcinko venceu dois títulos de ITF seguidos na Turquia (Foto: Jimmie48/WTA)

Depois de começar a temporada com o título do torneio juvenil do Australian Open, a croata de 16 anos Petra Marcinko faz um ótimo início de transição para o tênis profissional. A número 1 no ranking de sua categoria viajou à Turquia para disputar dois ITF W25 nas quadras de saibro de Antalya e ganhou os dois torneios.

Marcinko superou na final deste domingo a italiana Elisabetta Cocciaretto, 242ª do ranking e que já foi 108ª do mundo, com parciais de 1/6, 6/4 e 6/4 em 2h34. Com isso, ela marcou sua décima vitória seguida no tênis profissional. Foi também a segunda vez que ela venceu Cocciaretto, repetindo o resultado das quartas de final da semana passada.

A croata também bateu a chinesa Yafan Wang, 185ª colocada, além de ter batido a israelense Nicole Khirin, a espanhola Irene Burillo Escorihuela e a japonesa Naho Sato. Já na semana passada, derrotou a francesa Carole Monnet na final e também passou pela turca Ipek Oz, pela francesa Leolia Jeanjean e pela croata Tena Lukas.

Croata pode se aproximar do 400 lugar do ranking
Até então, os melhores resultados de Marcinko no circuito eram duas semifinais de ITF W15. Ela aparece atualmente apenas no 928º lugar do ranking profissional, mas com os 100 pontos das duas últimas semanas, 50 de cada torneio, deverá se aproximar das 400 melhores do mundo quando todos os pontos forem computados.

E como juvenil, a atual número 1 defende uma invencibilidade de 12 vitórias, já que também venceu o tradicional Orange Bowl no fim do ano passado. Dessa forma, acumula 22 triunfos consecutivos nos dois circuitos.

Alcaraz acumula façanhas e deixa lições ao circuito
Por Mario Sérgio Cruz
março 19, 2022 às 1:16 am

Alcaraz é o mais jovem semifinalista de Indian Wells desde 1988 e chegará ao top 15 do ranking com apenas 18 anos (Foto: Peter Staples/ATP Tour)

Jogador mais jovem no top 100 do ranking, Carlos Alcaraz tem acumulado façanhas neste início de temporada. Em 13 jogos disputados em 2022, o espanhol de 18 anos perdeu apenas um, a batalha de cinco sets contra Matteo Berrettini na terceira rodada do Australian Open. Nesses primeiros três meses do ano, já conquistou o maior título da carreira no Rio Open e faz sua melhor campanha em Masters 1000 ao atingir a semifinal de Indian Wells. Ele já é o mais jovem semifinalista do torneio desde Andre Agassi em 1988.

A sequência de bons resultados aparece no ranking. Alcaraz iniciou a temporada na 32ª posição e tinha como meta chegar ao top 15. Esse objetivo está muito próximo de ser alcançado. E dá para sonhar com top 10. Antes do torneio de Indian Wells, sua distância para o décimo colocado, o italiano Jannik Sinner, era de pouco mais de 1.400 pontos. O espanhol tem garantidos mais 360 pontos pela campanha na Califórnia, pode dobrar esse valor com mais uma vitória e até fazer mil pontos em caso de título. Já Sinner, que parou nas oitavas em Indian Wells, fez só 90 pontos no torneio.

Alcaraz não defende pontos no segundo Masters 1000 da temporada, em Miami, e nem no terceiro, em Monte Carlo. Durante a temporada de saibro, só tem a somar em torneios grandes como Roma e Barcelona e defende pontuações modestas de terceira rodada, em Madri e Roland Garros. É de se esperar que ele faça campanhas ainda melhores que as do ano passado, por ser mais experiente e entrar como cabeça de chave. Nesse cenário, uma chegada ao grupo dos dez melhores é muito provável, a menos que ele sofra com lesões ou tenha uma queda repentina de rendimento.

O jovem espanhol também tem deixado lições ao circuito. Uma vitória por 6/2 e 6/0 contra um top 15 consolidado como Roberto Bautista Agut ou o fato de ter levado o top 10 Berrettini ao tiebreak do quinto set em Melbourne são recados claros sobre o quanto será difícil eliminá-lo de um torneio. Apesar de toda sua formação espanhola e de muita solidez do fundo de quadra, que renderam suas primeiras conquistas no saibro em torneios juvenis e também no nível challenger, Alcaraz é um jogador para todos os pisos.

O pupilo do ex-número 1 Juan Carlos Ferrero é capaz de jogar um tênis moderno, agressivo, atuando em cima das linhas e comandando os pontos com um forehand muito potente. Também exibe um rico arsenal de golpes. Seus drop-shots fizeram sucesso durante o Rio Open e as jogadas de efeito e os reflexos rápidos junto à rede encantam a torcida em Indian Wells.

Duelo com Nadal na semifinal de Indian Wells
Na semifinal deste sábado, por volta de 19h, desafia o ídolo Rafael Nadal em um duelo de gerações do tênis espanhol. Será o segundo encontro entre eles. O primeiro foi no Masters 1000 de Madri do ano passado, no dia em que Alcaraz comemorava seu aniversário de 18 anos, e Nadal venceu com as tranquilas parciais de 6/1 e 6/2. O cenário atual prevê um duelo de maior equilíbrio, por mais que Nadal faça o melhor início de temporada da carreira aos 35 anos, com 19 vitórias seguidas. O campeão de 21 títulos de Grand Slam segue sendo favorito, mas a diferença hoje é muito menor do que a de dez meses atrás.

“É difícil jogar contra o Rafa, mas ao mesmo tempo vou curtir o momento e aproveitar a partida”, disse Alcaraz, depois de garantir seu lugar na semifinal. “Não é todo dia que você joga contra o seu ídolo. Mas estou focado agora para jogar o meu melhor contra ele e poder aproveitar minhas chances. Lembro que em Madri, eu estava muito nervoso. Mas agora eu já treinei com ele algumas vezes e sei mais como jogar contra ele. Acho que agora vai ser um pouco diferente nesta partida. Obviamente ele pode me destruir de novo, mas não sei o que vai acontecer”.

Nada de ‘Novo Nadal’
As comparações entre Alcaraz e Nadal podem ser muito frequentes e até o patrocinador comum entre os dois contribuiu indiretamente para isso, quando destinou camisetas regatas para o jovem espanhol usar na Austrália e no Rio de Janeiro. Alcaraz tem Nadal como um ídolo e um modelo a seguir por sua disciplina e espírito de luta e competitividade em quadra. Os estilos de jogo e execução dos golpes já não são tão parecidos, por mais que Nadal já tenha declarado diversas vezes que prefere condições mais rápidas quando joga na quadra dura para poder começar a controlar os pontos com o primeiro forehand depois do saque. Mas não acho certo chamá-lo de “Novo Nadal”.

Aliás, existem casos notórios de jogadores que receberam essa alcunha e não conseguiram cumprir as expectativas. Um nome bastante conhecido é o de Javier Martí, hoje com 30 anos, e que foi comparado a Nadal por seus resultados em torneios de nível challenger. Martí, que chegou ao 170º lugar do ranking, migrou para a carreira de treinador e chegou a trabalhar com Paula Badosa. No ano passado, pude perguntar a Badosa em uma entrevista coletiva durante Roland Garros sobre o quanto o trabalho com Martí a ajudava a lidar com a pressão as expectativas.

“Acho que ele está me ajudando muito a lidar com isso. Ele sabe o que é ter expectativas quando você é muito jovem e muito bom jogador, com um futuro brilhante pela frente. Acho que tivemos situações muito semelhantes quando éramos mais jovens”, disse Badosa a TenisBrasil. “Mentalmente foi um pouco difícil para mim lidar com isso, mas eu acho que gerenciei tudo muito bem e acho que ele tem um papel incrível, que tem me ajudado todos os dias”, comenta a espanhola, que atualmente treina com outro técnico, o também espanhol Jorge García.

Outro caso é o de Carlos Boluda, chamado de “Novo Nadal” por conta de feitos no circuito juvenil entre 2006 e 2007. Ele parou de jogar no início do ano passado, aos 27 anos, sem nunca ter chegado ao top 200. Ele revelou em entrevista ao site Punto de Break que o fim da carreira foi uma experiência libertadora.

“Passei um momento terrível. Precisei da ajuda de uma psicóloga. Talvez por toda a pressão que tive na carreira, pelas lesões, por todo o esforço que fiz para chegar ao 254º lugar”, comentou Boluda. “Tudo se juntou e eu desabei. Não sentia vontade de nada, nem de sair de casa. Dar este passo foi uma libertação”