Como a República Tcheca se tornou uma fábrica de tenistas
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 20, 2022 às 12:25 am

Linda Fruhvirtova conquistou seu primeiro WTA aos 17 anos e chegou ao 75º lugar do ranking (Foto: Chennai Open WTA)

O título de Linda Fruhvirtova no WTA 250 de Chennai no último domingo e atualização no ranking da WTA desta segunda-feira dão mostras sobre o quanto a República Tcheca tem tratado muito bem sua nova geração de jogadoras. O top 200 tem quatro jogadoras tchecas com menos de 18 anos, Linda Fruhvirtova é agora a 75ª do mundo, seguida por Linda Noskova no 101º lugar, Brenda Fruhvirtova ocupa a 163ª posição e a Sara Beljek é a 194ª colocada.

Além disso, o país venceu as edições mais recentes dos Mundais de 14 e 16 anos e frequentemente forma jogadoras que chegam longe em chaves juvenis de Grand Slam e fazem rápida transição ao tênis profissional. São vários os fatores que fazem da República Tcheca uma fábrica de tenistas, especialmente quando se fala em circuito feminino. Isso passa pelo trabalho feito na base, integração frequente com jogadoras profissionais de alto nível, realização de torneios, e participação de ex-jogadores no processo de formação.

Ambiente de convivência com as melhores
A história da ex-número 2 do mundo Barbora Krejcikova, campeã de Roland Garros em simples no ano passado, e dona de um Career Slam nas duplas com Katerina Siniakova, serve como exemplo. Quando era juvenil, teve uma campeã de Slam, Jana Novotna, como mentora que a acompanhava nos torneios. E há pouco mais de dois anos, sequer aparecia entre as 100 melhores do mundo na WTA e o circuito estava parado por conta da pandemia e dificuldade de realizar viagens internacionais. Quando os protocolos de segurança foram flexibilizados, uma das soluções encontradas para manter as jogadoras em atividade foi a realização de vários torneios internos no país e que despertaram em Krejcikova a mentalidade de que poderia competir com as melhores.

“Acho que foi muito importante porque joguei com todas as melhores meninas. A República Tcheca tem muitas jogadoras boas e tive a oportunidade de jogar contra elas, ver como elas treinam, ver como elas se preparam para as partidas e tudo mais”, disse Krejcikova durante a campanha para o título em Paris no ano passado. “Eu estava fora do top 100, mas senti que realmente conseguia jogar contra todas essas garotas, mas meu ranking ainda não estava lá. Então eu acho que todos esses torneios realmente me ajudaram, porque eu tive a oportunidade de jogar contra as melhores”.

A tcheca também falou a TenisBrasil no ano passado sobre o bom relacionamento entre as jogadoras tchecas e a cultura de apoio ao tênis no país. “Eu acho que no geral elas são realmente solidárias. Quando vamos jogar a Fed Cup, temos um espírito de equipe muito bom. Elas estão sempre nos apoiando, nos enviando tantas mensagens, vindo nos ver e torcendo por nós. No geral, acho que a República Tcheca é realmente um país que gosta de tênis. E é um país esportivo. Eles gostam de todos os esportes e apoiam muito. Isso muito bom. E nós jogadoras sempre torcemos uma pela outra. Eu recebo muitas mensagens das meninas e realmente aprecio e quero agradecê-las. É muito bom podermos permanecer como um bom grupo e como uma boa equipe”.

Nos torneios internos que eram feitos na República Tcheca, a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova também pôde conviver de perto com Linda Fruhvirtova. “Ano passado, quando não tínhamos torneios, fizemos algumas exibições por equipes na República Tcheca e ela estava no meu time. E ela era muito legal e sempre conseguia jogar. Como capitã da equipe, sempre tinha a chance de vê-la jogar e treinei com ela um pouco e sei que é uma jogadora muito talentosa”, disse a TenisBrasil, durante o WTA 500 de Stuttgart do ano passado.

“Na República Tcheca, todo mundo a conhece há bastante tempo, assim como a irmã. As duas são talentosas e podem jogar muito bem. Espero que ela ainda esteja bem de saúde, possa jogar e se concentrar totalmente nisso. Até agora, acho que ela realmente não tem nenhum problema e desejo-lhe boa sorte na carreira. Com certeza será difícil, porque ela ainda é muito jovem e tudo é novo para ela nessa fase, mas espero que ela permaneça no circuito por bastante tempo”.

A experiente jogadora de 32 anos também falou no US Open sobre a nova geração do país, especialmente depois que três jovens tenistas furaram o quali. “Provavelmente há algo na água… Eu conheço a Linda Fruhvirtova há bastante tempo, porque ela estava treinando no mesmo clube que eu. A Linda é meio nova para mim, para ser honesta. Eu meio que comecei a observá-la um pouco em Roland Garros, quando ela teve uma semana incrível, e ela jogou uma grande partida com Raducanu. A Bejlek ainda não conheci, mas sei que ela também é canhota. Acho que todas elas são muito talentosas, muito jovens, já jogam na chave principal. Sim, é um futuro muito promissor”.

Inspiração em Kvitova 
Kvitova é citada como exemplo por muitas jogadoras mais novas como Linda Noskova, e Lucie Havlickova, que indicam a atual 18ª do ranking como fonte de inspiração. “Não há apenas uma pessoa em quem me inspiro, mas gosto muito da Petra. Eu a conheço pessoalmente. Nós treinamos juntas às vezes e gosto muito do jogo dela. Ela é uma jogadora agressiva e eu também sou assim. Mas também me inspiro na Barbora Krejcikova, que tem muitos dropshots e variabilidade em seu jogo, então isso é algo que eu gostaria de fazer algum dia. Então, todas elas são incríveis. Quero dizer, são as melhores jogadoras. Tenho que aprender tudo com elas porque são melhores do que eu em todos os níveis”, disse Havlickova, depois de vencer o torneio juvenil de Roland Garros neste ano.

Linda Noskova, de 17 anos, foi campeã juvenil de Roland Garros no ano passado e ocupa o 101º lugar na WTA (Foto: Livesport Prague Open)

Noskova, que recentemente debutou no top 100 do ranking profissional, falou sobre seu início no tênis e suas principais referências: “Petra Kvitova é uma heroína nacional e sempre será. Eu também admiro a Barbora Strycova, que foi uma grande lutadora. Apesar de ter terminado a carreira, acho que ela foi uma das maiores tenistas do nosso país”.

“Eu comecei a jogar quando eu tinha uns sete anos, mas mesmo antes disso eu só usava fraldas, e meus pais jogavam tênis. Então eu ficava brincando acertar a bola. Comecei aos sete anos e tentei treinar o máximo que pude, porque gostava muito de estar na quadra. Eu tinha uma hora por dia com o treinador e com outras três jogadoras. E mais duas ou três horas com meu pai”, acrescentou a jogadora de 17 anos.

Irmãs Fruhvirtova convivem com expectativas desde cedo
Depois de vencer seu primeiro título de WTA em Chennai, Linda Fruhvirtova falou sobre as expectativas que teve para o torneio e sobre o quanto ela e a irmã mais nova, Brenda, foram acostumadas a lidar com os olhares externos desde muito jovens.

“Eu estava me sentindo bem no meu jogo e sabia que poderia fazer um bom resultado aqui, mas foi muito melhor do que todos nós provavelmente esperávamos. Sinto que é um ótimo começo”, disse a jogadora mais jovem do atual top 100. “Desde muito jovem, sempre tivemos muita atenção, mesmo que fosse o torneio nacional sub-10. Estou acostumada com as pessoas me observando. No entanto, no tênis, quando você perde duas partidas, as pessoas dizem: ‘Ah, ela está caindo’ e então você ganha duas partidas e eles dizem ‘Ela é uma estrela’. Você não pode realmente se concentrar no que as outras pessoas estão dizendo. Não é aí que meu foco está indo.”

“Acho que ainda não estou em posição de pensar que tenho que estar no top 50 ou no top 60 até o final da temporada. Eu realmente gostaria de estar em uma posição onde eu possa jogar os principais torneios na chave principal. E quero ficar mais forte e continuar melhorando”, afirmou a tcheca, que foi perguntada na entrevista coletiva sobre as chances de ganhar um Grand Slam. “Podemos ver que é possível ganhar um título, mas não acho que seja possível dominar o circuito e vencer muitos títulos aos 15 ou 16 anos, como era no passado. Claro, você quer ganhar um Grand Slam o mais rápido possível, mas não me importo se eu ganhar um quando estiver em 19 ou 20. Vou apenas tentar o meu melhor”.

Falando da boa fase da irmã, que vem escalando o ranking em torneios menores, Linda diz que mal pode esperar para viajar ao lado de Brenda para os mesmos torneios. “Sempre foi o objetivo. Nós realmente queremos ir a torneios juntos. E parece que vamos juntas para a Austrália, o que seria incrível. Ela tem jogado incrivelmente bem e é uma adversária muito difícil para qualquer jogadora. Acho que ela ficará bem mesmo nos torneios maiores”.

Participação de ex-jogadores
A participação de ex-jogadores profissionais na formação de tenistas também merece destaque. No último Mundial de 14 anos, realizado em Prostejov, a equipe tcheca teve a companhia da ex-top 30 Petra Cetkovska, que pôde transferir muito de sua experiência no circuito para as mais jovens. “Esta é uma competição muito importante para as jogadoras dessa idade. Jogar aqui mostrou que eu poderia competir com as melhores do mundo”, disse Cetkovska ao site da ITF “Isso me deu motivação extra para trabalhar e melhorar a cada dia. O mesmo se aplica às meninas de hoje e estou tentando usar meus 20 anos de experiência e transferir meu conhecimento. Nessa idade elas entendem e também ouvem”.

“Estou orgulhosa delas. Como equipe, eles passaram por alguns períodos difíceis, mas foram incrivelmente profissionais e continuaram lutando”, comenta a capitã, sobre o título conquistado por Laura Samsonova, Alena Kovackova e Eliska Forejtkova. “Elas merecem este sucesso. E o título também mostra mais uma vez a força do tênis tcheco, as meninas são especialmente fortes, e espero que isso continue por muito tempo. É ótimo para a nossa nação”.

A ex-top 30 Petra Cetkovska foi capitã da equipe tcheca no Mundial de 14 anos

No mesmo tom, falou David Skoch, capitão da equipe tcheca campeã da Copa Billie Jean King Júnior, Mundial de 16 anos, de 2021. O time contou com Brenda Fruhvirtova, Sara Bejlek e Nikola Bartunkova. “Ganhar este torneio e se tornar o melhor time do mundo é uma grande motivação para elas. Mas elas têm que trabalhar muito duro o tempo todo e veremos o que o futuro traz. Dito isso, todas as três garotas são muito boas e acho que terão uma boa chance de subir muito no ranking da WTA. Vamos torcer para que eles façam isso muito em breve. Estou muito orgulhoso porque minhas meninas não estavam se sentindo 100% durante o torneio. Elas tiveram algumas lesões, mas lutaram muito e conseguiram”.

Quem também se manifestou recentemente foi Radek Stepanek, ex-número 8 do mundo, que falou aos jornalistas tchecos durante o WTA 250 de Praga sobre os prognósticos para a nova geração, especialmente para Lucie Havlickova, já que tem boa relação com a equipe dela. “Lucie é ajudada pelo meu preparador físico de longa data Marek Vseticek. Eu a vi aqui pela primeira vez há um ano e meio. Ela é uma jogadora impulsiva, seu estilo é baseado na agressividade, o que significa uma chance maior de sucesso. Sua vantagem é que ela não comete muitos erros”

“Estou muito satisfeito com a forma como ela melhorou em termos de condicionamento físico e na quadra. Terei todo o gosto em aconselhá-la de vez em quando, com opiniões e observações, mas o trabalho do dia-a-dia é feito por outras pessoas”, referiu-se principalmente ao treinador, Lukas Dlouhe. O bicampeão da Copa Davis ainda acrescentou: “As jogadoras estão crescendo como cogumelos depois da chuva, o que é muito bonito de se ver e é ótimo para o tênis tcheco. Eu mantenho meus dedos cruzados para todas elas. Estou curioso para saber qual delas será a melhor”.

US Open consagra os jovens com as conquistas de Iga e Alcaraz
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 13, 2022 às 12:59 am

Carlos Alcaraz conquistou seu primeiro Grand Slam e se torna o número 1 mais jovem da história da ATP (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

O fim-de-semana decisivo do US Open consagrou dois jovens campeões no Arthur Ashe Stadium. No sábado, a número 1 do mundo Iga Swiatek comemorou seu terceiro Grand Slam e um título inédito em sua carreira aos 21 anos. No dia seguinte, foi a vez de Carlos Alcaraz conquistar seu primeiro Slam aos 19 anos e, consequentemente, assumir a liderança do ranking masculino. Ele se tornou o número 1 mais jovem da história da ATP.

Swiatek chegou a Nova York menos dominante do que foi no primeiro set cercada de dúvidas. Vinda de eliminações precoces nos WTA 1000 preparatórios, a polonesa não se sentia tão à vontade com as condições do torneio. Sua principal preocupação era com a bola utilizada no torneio feminino, considerada por ela muito leve e difícil de controlar com seu estilo agressivo. Ela chegou a solicitar para a WTA para que fosse utilizado o mesmo modelo do torneio masculino.

Mas o primeiro sinal positivo sobre uma evolução da número 1 do mundo foi a vitória em sets diretos sobre Sloane Stephens, campeã em 2017, na segunda rodada. Duas semanas antes, em Cincinnati, a polonesa havia tido bem mais dificuldade para enfrentar a mesma jogadora em condições parecidas. Ainda assim, Swiatek precisou de duas viradas, contra Jule Niemeier nas oitavas e Aryna Sabalenka na semifinal, e passou por oscilações nos games de saque contra Jessica Pegula nas quartas. Na decisão diante de Ons Jabeur, a número 1 do mundo teve que subir o nível e venceu sua décima final da carreira. A sequência de vitórias deu-lhe confiança e tempo para se adaptar e corrigir os pontos fracos. Após a partida de sábado, ela comentou sobre seu poder de adaptação e comemorou o fato de ter controlado bem as emoções.

“Sinto que posso me ajustar a qualquer coisa. Eu sinto isso. Com certeza eu precisava de mais tempo. E é por isso que Toronto e Cincinnati provavelmente não funcionaram. Mas após o último ponto, fiquei aliviada por não termos ido para o terceiro set”, disse após a vitória por 6/2 e 7/6 (7-5) sobre Jabeur. “Sei que também joguei algumas partidas mais intensas. Em uma final, é um sentimento diferente e é mais difícil para o corpo. Fiquei aliviada por ter terminado no segundo set”.

“No começo dessa gira de torneios, eu tive que me forçar muito a fazer alguns ajustes técnicos. Às vezes, temos muitas coisas em que pensar na quadra. Às vezes eu não era capaz de fazer isso, então eu estava cometendo muitos erros. Mas aceitei que vou cometer esses erros. Aceitei que aqui não vai ser como em uma quadra lenta onde eu posso construir um rali. Então eu aceitei isso. Eu também não precisei pensar sobre essas coisas técnicas no final porque já fiz isso por quatro semanas, então ficou um pouco mais natural. Isso foi o que realmente me permitiu ser mais livre”.

“Antes, as minhas emoções estavam tomando conta e eu ficava um pouco em pânico quando estava perdendo. Cresci e aprendi muito. E o trabalho que fizemos com Daria [Abramowicz, sua psicóloga] com certeza ajudou. Agora é apenas mais fácil para mim pensar logicamente no que posso mudar. Estou muito feliz que isso mudou porque acho que isso é basicamente a coisa mais importante no mais alto nível”.

‘Quero estar no topo por muitas semanas’, diz Alcaraz

O domingo foi de coroação para Carlos Alcaraz, ratificando todos os prognósticos com os quais conviveu desde muito jovem. Ao longo de toda sua evolução, ele conviveu com rótulos como “jovem promessa”, “futuro número 1″. As dúvidas sobre até onde ele poderia chegar aos poucos se tornaram sobre “quando ele chegaria”. Há um ano, quando chegou às quartas de final do US Open, o espanhol debutava no top 50. E no início da temporada, ocupava o 32º lugar do ranking. Desde então, conquistou mais títulos, incluindo dois Masters 1000 em Miami e Madri, até viver o grande momento da carreira em Nova York.

“Nunca pensei que conseguiria algo assim aos 19 anos. Tudo é veio muito rápido. Ganhar um Grand Slam que sonho desde criança, desde que comecei a jogar tênis. Claro, levantar este troféu hoje é incrível para mim”, comentou após a vitória sobre o norueguês Casper Ruud na final por 6/4, 2/6, 7/6 (7-1) e 6/3. Na campanha para o título, superou três batalhas de cinco sets seguidas, contra Marin Cilic, Jannik Sinner e Frances Tiafoe. E até por isso, tornou-se o jogador que mais tempo passou em quadra em um Grand Slam, com 23 horas e 39 minutos.

“Desde que ganhei o Masters 1000 de Miami, pensei que poderia ter um Grand Slam em minhas mãos. Antes, eu pensava que ainda tinha que crescer. Achava que poderia fazer bons resultados em um Grand Slam, mas não ser campeão. Mas eu diria que depois que ganhei grandes partidas seguidas, eu passei a acreditar que era possível. Agora estou curtindo o momento. Estou gostando de ter o troféu em minhas mãos, mas estou com fome de mais. E quero estar no topo por muitas semanas. Espero que por muitos anos. Vou trabalhar duro novamente depois desta semana, essas duas semanas incríveis. Eu vou lutar para ter mais disso”.

Ferrero: ‘Não é uma surpresa, conheço o nível dele’

Técnico e mentor de Alcaraz, o ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero não se sente surpreso por ver um título rápido de Grand Slam: “Conheço o nível dele. É uma surpresa para todos, exceto talvez para mim, porque treinei com ele todos os dias e sei o que ele é capaz de jogar em quadra. Eu tinha quase certeza de que talvez não fosse este ano, poderia ser no próximo. Então no final foi esse. Estou muito feliz com isso”, disse Ferrero. Ele ainda aponta que os resultados poderiam aparecer ainda mais cedo se não fosse a pandemia. “Poderia ser. Ele estava prestes a jogar em Indian Wells e em Miami, alguns dos torneios grandes. Tivemos que parar por quase três meses e depois fomos jogar challengers”.

“Como digo a ele, acho que Carlos está em 60% do seu jogo. Ele pode melhorar muitas coisas. Ele sabe e eu sei que temos que continuar trabalhando. Quando você chega ao número 1, você tem que continuar trabalhando, continuar jogando em alto nível para continuar ganhando. Ele sabe disso e eu sei disso. Os jogadores agora vão estar muito motivados contra ele. Agora ele é o número 1. Os jogos serão como os clássicos de Real Madrid e Barcelona, ​​uma rivalidade que te faz subir de nível. É o que vai acontecer com ele contra seus oponentes. Ele precisa estar pronto”.

Jade brilha e faz história para o tênis brasileiro

Jade Lanai conquistou os títulos de simples e duplas na categoria juvenil do torneio de tênis em cadeira de rodas (Foto: USTA)

O US Open também foi histórico para o Brasil pela conquista de Jade Lanai, brasiliense de 17 anos, na categoria juvenil do torneio de tênis em cadeira de rodas em Nova York. Ela foi campeã de simples e também de duplas, ao lado da norte-americana Maylee Phelps. As conquistas de Jade foram as primeiras do Brasil em Grand Slam na modalidade. “Estou muito feliz por estar aqui no US Open, é um torneio que sempre acompanhei. Então, conquistar esse título é um sonho tornado realidade para mim. É um momento muito especial para mim e meu país. Tive que ser muito forte mentalmente e estou muito feliz por isso”, comentou na entrevista coletiva.

Ela também falou ao canal SporTV sobre os planos para o futuro e tem como meta a vaga nos Jogos Paralímpicos de 2024, em Paris. “Terminar o ciclo juvenil dessa forma, nem nos meus melhores sonhos imaginei. Estou muito orgulhosa do resultado que obtive esta semana. Os Jogos de Paris estão logo aí, e é uma das metas. Mas ainda temos o Para Pan no ano que vem”.

Esta foi a primeira que um Grand Slam tem uma categoria juvenil no torneio de tênis em cadeira de rodas. Mas o Brasil já esteve em duas finais de Grand Slam na modalidade, ambas com o catarinense Ymanitu Silva no saibro de Roland Garros. Ymanitu esteve nas finais de duplas em 2019 e 2022 na divisão Quad, destinada aos jogadores com deficiência em pelo menos um membro superior.

Conquista espanhola também no juvenil, Eala é a primeira filipina campeã

Além da conquista de Alcaraz, outro nome da nova geração espanhola a comemorar um título no US Open foi Martin Landaluce, de 16 anos e vencedor do torneio juvenil, com vitória por 7/6 (7-3), 5/7 e 6/3 sobre o belga Gilles Arnaud Bailly. É a segunda vez seguida que um espanhol conquista o troféu. E na entrevista coletiva, ele destacou a mentalidade da formação dos tenistas no país.

“Acho que [o sucesso] em parte é vem da mentalidade que temos no país. Somos lutadores. Tivemos Rafa Nadal, que é uma das melhores pessoas e um dos melhores exemplos de gestão esportiva. Ele é ótimo, é meu ídolo desde que eu comecei a jogar. Para muitas pessoas ele é uma inspiração. Somos muito lutadores e tentamos vencer em todas as partidas, em todos os momentos. Nadal é o melhor exemplo disso. Ter ele, e agora Carlos, é ótimo”.

Apesar de ainda poder jogar o circuito juvenil por mais dois anos, Landaluce já mira a transição para o profissional. “Estou deixando o juvenil. Estou me voltando para os torneios profissionais e vou jogar futures depois disso. Quando eu for para Madri, vou descansar um pouco e então tentar jogar esses torneios e vero que vamos fazer no futuro”.

No feminino, a filipina Alexandra Eala fez história como a primeira campeã de Grand Slam de seu país. A tenista de 17 anos venceu a tcheca Lucie Havlickova por 6/2 e 6/4. Eala treina na academia de Rafael Nadal em Mallorca, mesmo palco de seu primeiro título profissional, no início do ano passado. Até por isso, pode conviver com o ídolo de perto.

“Meu ídolo obviamente é o Rafa, mas não estou dizendo isso só porque estou na academia dele. Ele é um exemplo muito bom, algo que muitas pessoas deveriam idolatrar e tentar ser. Ganhei um torneio há alguns anos na França e a academia procurou meus pais. Depois de um tempo, longas discussões, decidimos que eu ficaria lá. A maior coisa que noto no Rafa é como ele luta até o fim e como seus pensamentos são tão claros. Ele é muito calmo, mas ao mesmo tempo é animado. Isso também é o que eu tentei mostrar. Tentei canalizar essa energia durante toda essa semana e não agir irracionalmente”.

Campeã juvenil de Roland Garros vai em busca do 2º Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2022 às 1:08 am

Lucie Havlickova está nas finais de simples e duplas no US Open juvenil (Foto: Mike Lawrence/USTA)

Atual campeã juvenil de Roland Garros, a tcheca de 17 anos Lucie Havlickova tem a chance de conquistar mais um título de Grand Slam. Ela garantiu nesta sexta-feira um lugar na final do US Open de sua categoria, ao vencer a semifinal contra a russa de 18 anos Diana Shnaider por duplo 6/4.

Havlickova é atual número 3 do ranking juvenil. Além da conquista de Roland Garros, ela também esteve no Brasil no início da temporada e venceu o Banana Bowl em Criciúma. Entre as profissionais, a tcheca ocupa o 451º lugar do ranking e conseguiu recentemente sua primeira vitória na WTA em Praga, antes de ser superada por Anett Kontaveit na fase seguinte.

A outra finalista em Nova York é a filipina Alexandra Eala, canhota de 17 anos e ex-número 2 juvenil, que venceu a canadense Victoria Mboko por 6/1 e 7/6 (7-5). Eala já tem dois títulos no circuito profissional da ITF, um deles na Rafa Nadal Academy, em Mallorca, e também já venceu um jogo em chave principal de WTA em Cluj-Napoca, na Romênia.

A última tcheca a vencer o US Open juvenil foi Marie Bouzkova em 2014. A final de duplas também terá Havlickova em quadra. Ela e Shnaider enfrentam as alemãs Carolina Kuhl e Ella Seidel.

A decisão da chave feminina de simples do torneio juvenil do US Open começa às 13h (de Brasília) deste sábado. A final masculina será na sequência. Os jogos acontecem na quadra 11.

Espanhol elimina o número 1 do ranking masculino
Líder do ranking mundial juvenil, o paraguaio de 18 anos Daniel Vallejo foi eliminado na semifinal em Nova York. Ele foi superado pelo espanhol Martin Landaluce, cabeça 5 do evento e número 10 do ranking. Landaluce de 16 anos marcou as parciais de 6/3 e 6/2. Ele pode se tornar o segundo espanhol seguido a vencer o torneio, repetindo a conquista de Daniel Rincón no ano passado.

Na outra semifinal, o belga Gilles Arnaud Bailly, segundo cabeça de chave e quinto do ranking, alcançou sua segunda final de Slam. O atual vice-campeão de Roland Garros passou pelo cabeça 9 Coleman Wong, de Hong Kong, por 3/6, 6/3 e 6/3. O belga de 16 anos pode ser o segundo tenista de seu país a ganhar um título juvenil do US Open, o primeiro no masculino. Kirsten Flipkens já venceu a competição em 2003.

Destaque em competições no Brasil no início do ano, com títulos do Banana Bowl em Criciuma da Brasil Juniors Cup em Porto Alegre, o norte-americano Nishesh Basavareddy está na final de duplas do US Open, ao lado de Ozan Baris. Eles enfrentam o suíço Dylan Dietrich e o boliviano Juan Carlos Prado Angelo.

Favorito, paraguaio lidera semis do US Open juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 8, 2022 às 11:30 pm

O paraguaio de 18 anos Daniel Vallejo é o atual líder do ranking mundial juvenil (Foto: Sergio Llamera/ITF)

Líder do ranking mundial juvenil, o paraguaio Daniel Vallejo segue em busca de um título de Grand Slam e está na semifinal do US Open da categoria. O jogador de 18 anos venceu seu confronto das quartas nesta quinta-feira contra o tcheco Hynek Barton por 6/4 e 6/2.

Em busca de uma vaga na final, Vallejo enfrentará o espanhol Martin Landaluce, cabeça 5 do evento e número 10 do ranking. Landaluce, de 16 anos, bateu o belga Alexander Blockx por 6/1, 3/6 e 6/2.

+ Juvenil de 14 anos busca virada incrível no US Open

Na outra semifinal, o belga Gilles Arnaud Bailly, segundo cabeça de chave e quinto do ranking, passou pelo norte-americano Kyle Kang por 6/4, 3/6 e 6/1. Ele enfrenta o cabeça 9 Coleman Wong, de Hong Kong, que bateu o suíço Kilian Feldbausch por 6/2, 6/7 (4-7) e 6/4.

Campeã de Roland Garros luta pelo 2º Slam
No feminino, a campeã de Roland Garros Lucie Havlickova busca seu segundo Grand Slam como juvenil. Ela venceu recentemente seu primeiro jogo na WTA, atuando em Praga. A tcheca de 17 anos e vice-líder no ranking da categoria bateu a norte-americana Clervie Ngounoue por 6/4 e 6/2.

A adversária de Havlickova na semifinal será a russa de 18 anos Diana Shnaider, que venceu a britânica Ranah Akua Stoiber por 6/4 e 6/3. Shnaider é a atual nona colocada no ranking juvenil e já aparece na 246ª posição da WTA.

Do outro lado da chave, a filipina Alexandra Eala venceu a russa Mirra Andreeva por 6/4 e 6/0. Canhota de 17 anos e ex-número 2 juvenil, Eala já tem dois títulos no circuito profissional da ITF e até mesmo vitória em chave principal de WTA. A filipina enfrenta a canadense Victoria Mboko, de 16 anos e 15ª do ranking, que derrotou a suíça Celine Naef por 7/5, 2/6 e 7/5. Mboko tem um título profissional na ITF.

Dominante, Serena mudou o tênis e deixa legado inestimável
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 3, 2022 às 2:31 am

Serena Williams adaptou seu jogo ao longo de toda a carreira e dominante contra diferentes gerações do circuito (Foto: USTA)

Em uma noite histórica no Arthur Ashe Stadium, Serena Williams encerrou nesta sexta-feira sua vitoriosa trajetória como tenista profissional, aos 40 anos. Multicampeã no esporte, Serena foi dominante em diferentes fases de sua carreira e mudou o tênis em diversos aspectos, a começar por seu estilo de jogo agressivo. Porém seu legado e a contribuição para o esporte vão muito além. Ela influenciou novas gerações de jogadoras, especialmente as jovens negras que a viam como fonte de inspiração e seguiram carreira no tênis, e se tornou uma peça fundamental em mudanças no perfil do público consumidor do esporte, não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

“Eu particularmente não gosto de pensar no meu legado. Recebo muitas perguntas sobre isso e nunca sei exatamente o que responder. Mas eu gostaria de pensar que, graças às oportunidades oferecidas a mim, as atletas sentem que podem ser elas mesmas na quadra. Elas podem jogar com agressividade e ser mais vibrantes, e também podem vestir e dizer o que quiserem”, disse Serena à revista Vogue, em seu anúncio de aposentadoria. “Ao longo dos anos, espero que as pessoas pensem em mim como um símbolo de algo maior que o tênis. Admiro a Billie Jean King porque ela transcendeu o esporte. E gostaria de ser vista assim”.

Despedida no US Open com grandes vitórias
Seis vezes campeã do US Open, Serena recebeu justas homenagens desde sua partida de estreia no Grand Slam nova-iorquino. Todos os seus jogos na semana foram marcados para o horário nobre, nas sessões noturnas do Arthur Ashe Stadium, diante de aproximadamente 24 mil pessoas. Na entrada em quadra, foi anunciada como “A Maior de Todos os Tempos”, e grandes nomes do esporte como Billie Jean King e Mary Joe Fernandez tiveram a oportunidade de entrevistá-la em quadra.

Serena mais uma vez lançou moda, com um vestido inspirado nas patinadoras do gelo, com diamantes espalhados pela roupa, calçados e cabelos da tenista. Já sua filha Olympia, que completou 5 anos na última quinta-feira, usava contas no cabelo, no mesmo estilo que foi consagrado pelas irmãs Williams no começo de suas trajetórias no tênis.

Em sua partida de estreia, venceu a montenegrina Danka Kovinic, 80ª do ranking, por duplo 6/3. Na segunda rodada, conseguiu uma vitória ainda mais expressiva, superando a número 2 do mundo Anett Kontaveit por 7/6 (7-4), 2/6 e 6/2 em 2h26 de disputa. A caminhada chegou ao fim com a derrota para a australiana Ajla Tomljanovic, 46ª colocada, que venceu uma batalha com 3h06 de duração por 7/5, 6/7 (4-7) e 6/1. Serena se recusava a entregar os pontos e chegoua a salvar cinco match points.

Os números da carreira
Com mais de duas décadas de dedicação ao tênis, Serena Williams acumulou números superlativos. São 23 títulos de Grand Slam em simples, que fazem dela a recordista na Era Aberta entre homens e mulheres. A conquista mais recente foi no Australian Open de 2017, derrotando na final a irmã mais velha, Venus Williams. Na ocasião, Serena estava grávida. Em tom de brincadeira, Venus costuma dizer que foi uma final injusta, pois eram duas jogando contra uma. Desde que se tornou mãe, a ex-número 1 esteve ainda em outras quatro finais de Grand Slam, duas em Wimbledon e duas no US Open em 2018 e 2019, além de mais duas semis.

Por duas vezes, completou o chamado Serena Slam, ao vencer os quatro torneios do Grand Slam de forma consecutiva. A primeira série começou por Roland Garros em 2002 e terminou no Australian Open do ano seguinte. A segunda foi entre o US Open de 2014 e Wimbledon em 2015. Há sete temporadas, teve a chance inédita de fechar o Grand Slam e chegou como ampla favorita ao US Open, mas acabou sendo superada pela italiana Roberta Vinci na semi e viu a também italiana Flavia Pennetta conquistar o troféu.

Venus e Serena Williams também fizeram sucesso nas duplas, com 14 Grand Slam juntas e três ouros olímpicos, em Sydney, Atenas e Londres. Nos Jogos de 2012, também foi medalhista de ouro em simples. A norte-americana tem ainda mais dois troféus nas duplas mistas, conquistados ao lado de Max Mirnyi em 1998. As irmãs Williams jogaram juntas neste US Open, no que pode ter sido o último jogo da parceira, e foram superadas na última quinta-feira pelas tchecas Lucie Hradecka e Linda Noskova.

No ranking, Serena acumula 319 semanas como número 1 do mundo, em oito passagens diferentes pela liderança, a última em 2017. Ela é a terceira dessa lista, atrás de Steffi Graf, com 377, e Martina Navratilova, com 332. Serena e Graf estão empatadas em número de semanas consecutivas no topo do ranking, 186 para cada uma, mas a alemã terminou mais temporadas como número 1, foram 8 contra 5 da norte-americana. Serena também liderou o ranking de duplas, ao lado de Venus, por oito semanas em 2010.

Ao longo de sua vitoriosa carreira, Serena conquistou 73 títulos de simples no circuito da WTA, o mais recente em janeiro de 2020 em Auckland, e contabilizou 856 vitórias, sendo 365 só em Grand Slam e 106 no US Open. Nas duplas, venceu 23 torneios, sempre ao lado de Venus. Com tantas conquistas em uma Era em que se distribui cada vez mais dinheiro no tênis profissional, ela lidera com folga a estatística de jogadoras com maior premiação acumulada da carreira, com mais US$ 94,6 milhões. Venus aparece em segundo lugar na lista, com US$ 42,3 milhões.

Início em quadras públicas
Mas para chegar às cifras milionárias que acumulam atualmente, Serena e Venus traçaram um caminho improvável. Os primeiros treinos eram comandados pelo pai, Richard Williams, em quadras públicas de Compton, na Califórnia. Mesmo sem ter uma formação técnica no esporte ou uma grande quantidade de dinheiro, o pai afirma ter traçado planos para as filhas mesmo antes de elas nascerem e ansiava por uma oportunidade com os grandes treinadores da época.

No filme King Richard, lançado no ano passado e que rendeu a Will Smith o Oscar de melhor ator, além de outras cinco indicações, são retratados os métodos pouco convencionais do pai, como os treinos na chuva, as filmagens amadoras do início da década de 90, o improviso de materiais e até mesmo sua curiosa e divertida insistência para que elas jogassem com as bases mais abertas. Mas também ficam evidentes as muitas barreiras que a família teve que enfrentar no início da trajetória das meninas. Em um dos diálogos, o pai diz às filhas: “Ninguém respeita Richard Williams, mas todos vão respeitar vocês duas”.

Foi de Richard também a decisão de não deixar que Venus e Serena seguissem caminho no circuito mundial juvenil. Segundo ele, o ambiente daqueles torneios e convivência com os pais de outras jogadoras seriam elementos nocivos para suas filhas. Afirmava que elas deveriam ser “crianças normais”. Ainda com Venus e Serena adolescentes, a família cruzou os Estados Unidos e se mudou da Califórnia para a Flórida, para que elas treinassem com Rick Macci, mentor da ex-número 1 Jennifer Capriati.

A estreia de Serena no tênis profissional se deu em 28 de outubro de 1995, quando ela tinha apenas 14 anos e entrou como convidada para o quali do WTA de Québec. Superada pela então 149ª do ranking Annie Miller por duplo 6/1, ela só voltaria a jogar novamente no circuito em março de 1997 em Indian Wells. Já em novembro daquele ano, recebeu convite para jogar em Chicago e teve seu primeiro resultado de destaque ao derrotar nomes de peso como Mary Pierce e Monica Seles, antes de perder para Lindsay Davenport na semifinal. Foram três jogos seguidos contra adversárias do top 10.

O primeiro Grand Slam disputado foi o Australian Open de 1998. Já o primeiro título viria no US Open do ano seguinte, superando a então número 1 do mundo Martina Hingis na final. Sua chegada ao topo do ranking aconteceria em 8 de julho de 2002.

Mudanças no jogo e domínio no circuito

Serena foi dominante contra diferentes gerações do circuito e aprimorou sua técnica conforme o esporte evoluía. Embora tenha sido conhecida pela potência de seu saque e dos golpes de fundo, não se pode resumir o sucesso da Serena à diferença física ou no peso de bola. Ninguém poderia ficar tanto tempo no alto nível contra adversárias de diferentes estilos sem que tivesse que incluir elementos o tempo todo. “Mudamos o jogo de tênis. Nós mudamos a forma como as pessoas jogam e ponto final”, disse Serena à revista Time. “As pessoas nunca atacavam. As pessoas nunca pegavam tão cedo na bolas. As pessoas nunca sacavam assim. As pessoas nunca tiveram que jogar tão duro para vencer duas garotas negras de Compton”.

Serena tinha slice, jogo de rede, e aprendeu meios de se defender e fazer a transição para o ataque. Como não se lembrar dos famosos espacates e das passadas na corrida? As devoluções também intimidavam. Se as adversárias iam para o segundo serviço, ela logo se posicionava com um ou dois passos à frente da linha de base e atacava já na primeira bola. Em seus melhores anos, a estratégia agressiva sempre rendia pontos importantes.

Uma das figuras fundamentais para esse crescimento foi o técnico francês Patrick Mouratoglou, que chegou à equipe logo depois da derrota na primeira rodada do US Open de 2012 e permaneceu por dez anos no time. Antes de Mouratoglou, Serena tinha 13 Grand Slam e 41 títulos no circuito, com 523 na carreira. Logo de cara, a parceria rendeu  Wimbledon, US Open e o ouro olímpico em 2012 e a volta ao topo do ranking no ano seguinte. Ao lado do francês, foram 10 títulos de Grand Slam em simples, 32 no circuito da WTA e mais de 300 vitórias.

A norte-americana enfrentou jogadoras contemporâneas ou um pouco mais velhas no fim dos anos 90 e início da década de 2000 como Venus, Arantxa Sanchez, Lindsay Davenport e Martina Hingis. Veio depois a geração das belgas Kim Clijsters e Justine Henin, com técnica muito apurada, e também surgiram as primeiras jogadoras que tentavam equilibrar a pancadaria, como Maria Sharapova ou Ana Ivanovic, também sem sucesso contra a norte-americana, com raras exceções.

Um pouco mais tarde, chegaram jogadoras em média dez anos mais novas, como Victoria Azarenka, Caroline Wozniacki, Agnieszka Radwanska e as canhotas Petra Kvitova e Angelique Kerber, com estilos diferentes entre si, mas que também tiveram poucos triunfos contra ela, ainda que proporcionassem jogos mais equilibrados. Em muitos casos, a experiência e a mentalidade vencedora de Serena a ajudou a conquistar grandes viradas. Sua longevidade foi tão grande que ela chegou a disputar finais de Grand Slam contra tenistas quase 20 anos mais novas, como Naomi Osaka e Bianca Andreescu.

Por conta de tudo isso, Serena esteve dos dois lados de uma moeda: Enfrentou as jogadoras que admirava e hoje joga contra tenistas que nela se espelhavam. “É uma posição interessante para se estar, porque eu já estive nessa situação também e joguei contra pessoas que eu admirava muito. Mas ao mesmo tempo eu queria vencer as partidas”, disse Serena a TenisBrasil, durante o torneio de Roland Garros no ano passado. “O quadro se inverteu agora. Sinto que é a mesma situação, mas elas querem me vencer. Então, elas vão jogar soltas, sem nada a perder. Elas são agressivas e buscam as linhas. Você só tem que perceber que pode ser agressiva também”.

Racismo sentido na pele e a inclusão de jogadoras negras
Em um esporte majoritariamente branco, Serena Williams sofreu com racismo mesmo depois de já ter seu nome consolidado como uma lenda do tênis. Os insultos que recebeu do público na final de Indian Wells em 2002 fizeram com que ela e irmã Venus boicotassem o torneio por mais de uma década. Serena retornaria ao evento apenas em 2015 e se emocionou com a recepção calorosa e os aplausos do público.

Além disso, ouviu declarações discriminatórias por parte de dirigentes e analistas. Também aconteceram tentativas de masculinizarem-na. O dirigente russo Shamil Tarpishchev chegou a chamar Serena e Venus de “Williams brothers”. Outra discussão pública sobre a questão racial foi com o empresário e promotor de torneios Ion Tiriac, antigo detentor da data do Aberto de Madri.

Outro drama pessoal vivido pela família Williams foi a morte de Yetunde Price, irmã mais velha de Serena e Venus, assassinada aos 31 anos, em dezembro de 2003. O autor dos disparos foi liberado em 2018. “Eu não conseguia tirar isso da minha cabeça”, disse à revista Time há quatro anos. “Foi muito difícil, porque eu pensei nos filhos dela, no que eles significam para mim. E no quanto eu os amo”. Quando Yetunde foi morta a tiros, seus três filhos tinham cinco, nove e onze anos. “A Bíblia fala sobre perdão. Devo perdoar o assassino? Ainda não consigo. Eu gostaria de praticar o que eu prego e ensinar isso a Olympia [sua filha] também. Eu quero perdoar, tenho que chegar lá e vou conseguir”.

Mas Serena também foi uma voz atuante na luta por igualdade de direitos e premiações para homens e mulheres no circuito, bandeira lançada por Billie Jean King e as pioneiras do tênis feminino profissional, e também muito defendida por Venus. Ela também esteve ao lado de Victoria Azarenka no Conselho de Jogadoras para aprovar maiores benefícios para as tenistas que já são mães.

O sucesso das irmãs Williams influenciou uma nova geração de jogadoras negras, entre as quais Naomi Osaka, Sloane Stephens, Madison Keys e Coco Gauff foram as de maior sucesso nos anos subsequentes. Elas destacam a importância a importância de Serena e Venus, que as fizeram acreditar ainda mais que poderiam chegar longe.

“Eu cresci assistindo aos jogos dela. Essa é a razão pela qual eu jogo tênis”, disse Coco Gauff, de 18 anos e já número 11 do mundo, durante o WTA 1000 de Cincinnati há duas semanas. “O tênis é um esporte predominantemente branco e ver alguém parecida comigo dominando o circuito me ajudou muito. Isso me fez acreditar que eu poderia dominar também”.

“Acho que toda a história das irmãs Williams, não apenas da Serena, com o Sr. Williams e tudo o que ele fez por ela e pela Venus inspirou o meu pai a continuar me treinando e me ajudando. Mesmo que ele não tivesse muita experiência no tênis. Mas ele pensava: ‘Se o Sr. Williams conseguiu fazer isso, então eu também posso'”, acrescenta a atual vice-campeã de Roland Garros.

Naomi Osaka, que tem quatro títulos de Grand Slam, destaca também o fato de Serena ter sido importante para mudar o perfil das jogadoras e do público consumidor do tênis. “Eu acho que o legado dela é tão grande que você não consegue nem descrever em palavras. Ela mudou muito o esporte e introduziu pessoas que nunca ouviram falar de tênis. Acho que sou um produto do que ela fez. Eu não estaria aqui sem Serena, Venus e toda a sua família. Sou muito grata a ela. Eu honestamente acho que ela é a maior força no esporte. E isso não é tentar diminuir Federer ou Nadal. Eu apenas acho que ela é o maior nome que já existiu no esporte”. 

De olho no futuro, é cada vez mais frequente ver jogadoras negras, de dentro ou fora dos Estados Unidos, começando a se destacar em competições de base e tendo Serena como modelo. Isso acontece até mesmo no Brasil, na caso da juvenil potiguar Victoria Barros. “A minha inspiração sempre foi e sempre será Serena Willians, meu maior sonho é poder bater bola com ela”, disse Victoria a TenisBrasil em junho. A jovem tenista também já treinou com Patrick Mouratoglou. “Foi uma experiência incrível estar ao lado de uma pessoa que só fala de tênis e que vive o esporte dentro e fora de quadra. Aproveitei ao máximo e escutei o que precisava melhorar. Foi um momento único estar ao lado dele”.

Lesões, luta contra o próprio corpo e o futuro de Serena
A trajetória de Serena Williams também foi marcada por muitas lesões e problemas de saúde, alguns que demandavam um longo período de recuperação. Ela já ficou mais de um ano sem jogar por lesões no joelho esquerdo em 2006, pé direito em 2010, e perna direita no ano passado. Também já foi diagnosticada com embolia pulmonar em 2011 e sua primeira gravidez foi risco. Um de seus maiores sonhos é aumentar a família.

“Olympia diz muito isso, mesmo quando sabe que estou ouvindo. Às vezes, antes de dormir, ela ora a Jeová para que lhe traga uma irmãzinha. Ela não quer um menino! Eu nunca quis ter que escolher entre o tênis e uma família. Não acho justo”, disse à Vogue. “No ano passado, Alexis e eu estávamos tentando ter outro filho, e recentemente recebemos algumas informações do meu médico que me tranquilizaram e me fizeram sentir que, quando estivermos prontos, podemos aumentar nossa família. Mas não quero estar grávida novamente como atleta. Eu preciso estar longe do tênis”.

Serena influenciou na moda dentro e fora da quadras e tem suas próprias linhas de roupas, acessórios e até de joias. Também entrou para o mercado financeiro, lançando a empresa de capital de risco Serena Ventures. Em recente visita ao Brasil, falando a investidores em São Paulo, afirmou que espera atrair mais mulheres para o mundo dos investimentos. Seu portfolio conta com 68% de empresas de mulheres e pessoas negras. “A única forma de mudar as estatísticas é com mulheres como eu investindo”.

Uma das maiores inspirações de Serena é Maya Angelou, escritora negra e criada no Sul dos Estados Unidos pela avó paterna e que conviveu com o racismo e a segregação, mas encontrou a libertação ao expor suas dores em forma de poesia e na autobiografia ‘Eu sei por que o pássaro canta na gaiola’. O poema favorito da tenista é “Eu me levanto”, usado por ela para simbolizar seus inúmeros recomeços.

Pode me atirar palavras afiadas, Dilacerar-me com seu olhar. Você pode me matar em nome do ódio, Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Iga, Emma, Coco e Alcaraz: O que esperar dos jovens?
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 26, 2022 às 9:00 pm

Raducanu tenta defender o título conquistado no ano passado em Nova York (Foto: Pete Staples/USTA)

Quatro representantes da nova geração do tênis chegam para o US Open cercados de grandes expectativas. A lista é encabeçada pela número 1 do mundo Iga Swiatek e pela atual campeã Emma Raducanu. Mas também é importante ficar de olho em Coco Gauff, cada vez mais consolidada como candidata a grandes conquistas e já finalista de Grand Slam, e Carlos Alcaraz, que pode terminar a competição na liderança do ranking masculino.

Swiatek tenta retomar domínio do circuito
Swiatek dominou o circuito durante o primeiro semestre da temporada, com seis títulos e 37 vitórias seguidas. A polonesa de 21 anos foi campeã dos WTA 1000 de Doha, Indian Wells, Miami e Roma, além do WTA 500 de Stuttgart e de conquistar Roland Garros pela segunda vez. Com 50 vitórias na temporada, ela lidera o ranking feminino com grande vantagem sobre a segunda colocada Anett Kontaveit, mas vem de eliminações nas oitavas em Toronto e Cincinnati nas últimas semanas.

Um dos fatores de preocupação para Swiatek é a adaptação à bola utilizada nos torneios femininos da temporada norte-americana de quadras duras. Em Cincinnati, afirmou que considera o modelo muito leve e difícil de controlar, levando a um número maior de erros, e sugeriu que as jogadoras utilizassem a mesma bola do torneio masculino. Já em Nova York, a polonesa reitera que não gosta da bola, mas que todas as jogadoras terão que se adaptar.

“Eu sinto que em Cincinnati eu disse todas as coisas que eu queria. Com certeza, não gosto dessas bolas. Mas, por outro lado, estou aqui para competir e jogar meu melhor tênis. E todas têm as mesmas condições. Também estou ao mesmo tempo tentando ajustar e aprender a jogar com elas. Eu não quero focar nisso agora porque o torneio está chegando, e eu quero fazer o meu melhor para me ajustar e aprender, porque é isso que os tenistas têm que fazer”, disse Swiatek na entrevista coletiva desta sexta-feira.

Iga luta por um título inédito no US Open. Sua melhor campanha em Nova York foi no ano passado, quando chegou às oitavas. A polonesa estreia contra a italiana Jasmine Paolini e depois pode cruzar o caminho da norte-americana Sloane Stephens, campeã em 2017 e que enfrenta a belga Greet Minnen. A cabeça de chave mais próxima é a russa Ekaterina Alexandrova. Entre as possíveis rivais de Swiatek nas oitavas de final em Nova York estão a letã Jelena Ostapenko e a norte-americana Amanda Anisimova.

Raducanu e a pressão pela defesa do título
Campeã no ano passado em Nova York, Emma Raducanu surpreendeu o mundo com uma campanha perfeita. Foram dez vitórias desde o quali e nenhum set perdido. Desde então, a britânica de 19 anos não conseguiu novos títulos no circuito, passou por várias mudanças de treinador e sofreu algumas lesões, especialmente nas mãos e no quadril. Entre as melhores campanhas no ano estão as quartas de final em Stuttgart e Washington. Mas na semana passada, em Cincinnati, conseguiu vencer as ex-líderes do ranking Serena Williams e Victoria Azarenka de forma categórica. Ela também vai recuperando a confiança desde que começou a treinar com Dmitry Tursunov.

“É muito bom estar de volta a Nova York, é ótimo estar aqui depois de um ano no circuito, tendo jogado a maioria dos torneios. Obviamente, tenho memórias incríveis e este é um dos meus torneios favoritos. Estou feliz por estar de volta à cidade também”, disse a britânica que estreia contra a francesa Alizé Cornet e pode cruzar o caminho de outra campeã, Naomi Osaka, já na terceira rodada. Uma campanha ruim para a tenista que tem 2.040 pontos a defender pode significar uma queda significativa no ranking para fora do top 80.

“Acho que vocês [jornalistas] estão pensando provavelmente mais sobre pressão e ranking do que eu. Acho que defender um título é apenas algo que a imprensa cria. Estou apenas pensando em um jogo de cada vez. Tipo, cada jogador é muito capaz neste torneio. Só me concentro no que estou fazendo, na minha própria trajetória”.

Gauff perto do top 10 e candidata ao título
Uma das esperanças de título para a torcida norte-americana é Coco Gauff, número 12 do mundo e finalista de Roland Garros. Embora tenha apenas 18 anos, Gauff já faz sua quarta participação seguida na chave principal do US Open, mas nunca passou da terceira rodada. Ela estreia contra uma jogadora do quali e tem no caminho nomes como a australiana Daria Saville, a norte-americana Madison Keys e a ucraniana Dayana Yastremska.

Nova número 1 do ranking de duplas, depois de conquistar o título ao lado de Jessica Pegula em Toronto, Gauff abandonou a estreia de Cincinnati por lesão no tornozelo, mas já se sente melhor: “Estou bem, o mundo não está acabando”, escreveu a jovem tenista em suas redes sociais. “Fiz exames e os médicos disseram que provavelmente é uma entorse muito pequena, então devo estar curada muito em breve”.

Gauff assumiu a liderança no ranking de duplas após título no Canadá (Reprodução/Twitter)

Bastante inspirada por Serena Williams desde a infância, Gauff também comentou sobre a iminente despedida das quadras da vencedora de 23 títulos de Grand Slam. “Ela ganhou seu primeiro US Open anos antes de eu nascer e eu acompanhei a carreira dela por toda a minha vida. Acho difícil dominar o esporte por várias gerações, mas ela fez isso. E é por isso que para mim ela sempre será considerada a maior de todos os tempos. Ela não dominou só uma geração ou duas gerações. Ela dominou por mais de três gerações. Acho que ninguém mais fez isso. É por isso que é triste vê-la sair, mas ao mesmo tempo ela vai fazer um monte de coisas incríveis fora da quadra”.

Alcaraz mira o 1º Slam e o número 1 do ranking

Número 4 da ATP e terceiro cabeça de chave em Nova York, o espanhol Carlos Alcaraz pode chegar ao topo do ranking mundial caso conquiste seu primeiro Grand Slam daqui a duas semanas. O jovem jogador de 19 anos já fez uma grande campanha até as quartas na última temporada e quer ir além. Ele estreia contra o argentino Sebastian Baez e pode enfrentar o também argentino Federico Coria ou o holandês Tallon Griekspoor na segunda rodada. O cabeça de chave mais próximo é o croata Borna Coric, que acabou de conquistar seu primeiro Masters 1000 em Cincinnati. O quadrante de Alcaraz aainda tem outros ótimos nomes como Marin Cilic, Jannik Sinner e Hubert Hurkacz.

“Estou mais forte e mais preparado do que no ano passado. Também fiz quartas de final em Roland Garros. Joguei partidas longas, é claro, partidas difíceis este ano contra os melhores jogadores. Acho que estou mais preparado neste torneio do que no ano passado”, garante Alcaraz, que já tem cinco títulos no circuito, quatro deles neste ano. “Acho que em Montreal senti a pressão, mas tento não pensar nisso, apenas curtir o momento. Minha pressão aqui será por aproveitar cada partida, mostrar o meu melhor jogo. Obviamente, quero um bom resultados aqui. É um torneio muito importante para mim. Mas quero desfrutar o momento. Acho que se eu fizer isso, terei um bom resultado”.

Invicto, Brasil conquista o Sul-Americano de 16 anos
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 13, 2022 às 9:02 pm

Brasileiros venceram todos os 12 jogos da semana em simples e duplas e perderam apenas um set (Foto: Omar Erre)

Um dia depois de garantir sua vaga na Copa Davis Júnior, o Brasil fechou de forma invicta sua campanha no Sul-Americano de 16 anos masculino e conquistou o título da competição disputada nas quadras de saibro de Tucuman, na Argentina. Os brasileiros venceram a final deste sábado contra contra o Paraguai por 2 a 0.

No primeiro jogo da série, o paranaense Gustavo de Almeida derrotou Alex Nuñez por 6/1 e 6/0. Pouco depois, foi a vez de o carioca João Fonseca vencer a partida que decidiu o título. Ele marcou 6/1 e 6/0 contra Thiago Drozdowski.

Durante a semana, o Brasil venceu todos os confrontos por 3 a 0 e liderou com folga o Grupo A da competição. A equipe do capitão Rodrigo Ferreiro ainda contou com Pedro Rodrigues. Os brasileiros haviam passado por Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina na fase de grupos do torneio.

Além de vencerem todas as 12 partidas da semana, os tenistas brasileiros perderam apenas um set em 25 disputados na competição. Fonseca venceu quatro jogos em simples e três nas duplas, Almeida venceu quatro partidas de simples e uma na dupla, enquanto Rodrigues venceu dois jogos de simples e mais quatro em duplas.

“Viemos para o Sul-Americano com um time forte e competitivo, mas jogar na Argentina é sempre muito difícil e ainda caímos no mesmo grupo que eles. No nosso primeiro confronto contra o Chile, tivemos um pouco de dificuldade no início e, desse jogo em diante, os meninos conseguiram se adaptar bem às condições. Depois, enfrentamos a Bolívia, uma vitória tranquila, e o Uruguai, também sem intercorrências”, explicou o capitão Rodrigo Ferreiro.

“O jogo-chave para garantir a vaga antecipada para o Mundial foi justamente contra a Argentina. Fomos com força máxima para esse confronto e o placar não diz o quão difícil foi. Na final contra o Paraguai, os meninos estavam concentrados e motivados e ganhamos com tranquilidade. Fomos merecedores desse título, terminamos invictos e carimbamos com autoridade o nosso passaporte para a Turquia”, completou Ferreiro.

Meninas ficam em 4º lugar no Sul-Americano
A equipe feminina do Brasil não conseguiu a classificação para a Copa Billie Jean King Júnior. As meninas ficaram em quarto lugar no Sul-Americano, que dava três vagas no Mundial da categoria, que será disputado em novembro na Turquia.

As brasileiras perderam neste sábado para a Colômbia por 2 a 1. A série começou com uma partida de 3h13, em que a colombiana Valentina Mediorreal derrotou Cecilia Costa por 5/7, 7/6 (11-9) e 7/5. Coube a Olivia Carneiro empatar a série para o Brasil, vencendo Mariapaz Ospina por 6/3 e 6/2. Nas duplas, Mediorreal e Ospina derrotaram Costa e Carneiro por 6/4 e 6/3.

Durante a fase de grupos, as brasileiras ficaram em segundo lugar do Grupo A. Elas venceram por 3 a 0 os confrontos contra Peru, Equador e Uruguai, e perderam para a Argentina por 2 a 1. O time brasileiro ainda contou com Sthefany de Lima e o capitão Flávio Rosa.

Classificaram-se para o Mundial masculino as equipes do Brasil, Paraguai e Argentina. Já no feminino, a Argentina conquistou o título, com Colômbia e Chile ficando com as outras duas vagas.

Brasil vence Argentina e se classifica para Davis Júnior
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 12, 2022 às 8:24 pm

Equipes com Gustavo de Almeida, Pedro Rodrigues e João Fonseca está na final do Sul-Americano de 16 anos (Foto: Omar Erre)

Com uma campanha invicta ao longo da semana, o Brasil se classificou para a final do Sul-Americano de 16 anos masculino e garantiu uma vaga na Copa Davis Júnior, que será disputada em novembro, na Turquia. O time brasileiro venceu nesta sexta-feira a anfitriã Argentina por 3 a 0 na cidade de Tucuman.

O duelo entre Brasil e Argentina começou com a vitória do paranaense Gustavo de Almeida sobre Maximo Zeitune por 6/1 e 6/4. Logo na sequência, foi a vez de o carioca João Fonseca definir a série, vencendo Lucca Guercio por 6/1 e 6/3. Mesmo com a vaga já confirmada, Fonseca entrou em quadra para o jogo de duplas ao lado de Pedro Rodrigues. Os brasileiros venceram Zeitune e Guercio por 6/1 e 6/3.

Durante a semana, o Brasil venceu todos os confrontos por 3 a 0 e liderou com folga o Grupo A da competição. A equipe do capitão Rodrigo Ferreiro já havia passado por Chile, Bolívia e Uruguai na fase de grupos do torneio. A final será neste sábado, diante do Paraguai, líder do Grupo B.

Equipe feminina também tenta vaga no Mundial
A equipe feminina do Brasil ficou em segundo lugar do Grupo A do Sul-Americano e vai disputar o terceiro lugar geral, que vale a última vaga na Copa Billie Jean King Júnior. As brasileiras perderam nesta sexta-feira para a Argentina por 2 a 1 e enfrentarão a Colômbia no sábado.

A série começou com a argentina Luisina Giovannini vencendo Cecília Costa por 6/2 e 6/0. Logo na sequência, Olivia Carneiro empatou o confronto com uma difícil vitória sobre Lourdes Ayala por 6/3, 2/6 e 7/6 (7-4). Nas duplas, Ayala e Giovannini venceram Costa e Carneiro por 7/6 (14-12) e 6/4.

As brasileiras vinham de três vitórias por 3 a 0, diante das equipes do Peru, Equador e Uruguai. O time brasileiro ainda conta com Sthefany de Lima e o capitão Flávio Rosa. A final do Sul-Americano feminino será entre Argentina e Chile, ambas já classificadas para o Mundial da categoria.

Dominantes, tchecas conquistam Mundial de 14 anos, Brasil termina em 8º
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 7, 2022 às 2:26 am
Tchecas venceram todas as partidas de simples e duplas no Mundial de 14 anos (Foto:  World Junior Tennis Finals)

Tchecas venceram todas as partidas de simples e duplas no Mundial de 14 anos (Foto: World Junior Tennis Finals)

De forma absolutamente dominante, a República Tcheca conquistou em casa o título Mundial de 14 anos por equipes, disputado na cidade de Prostejov. Com uma equipe que conta com três das cinco melhores do mundo na categoria, de acordo com o ranking adotado pela Tennis Europe, as tchecas venceram todas as 16 partidas de simples ou duplas disputadas na semana, com 32 sets vencidos e apenas três perdidos. O título foi conquistado neste sábado, com vitória sobre a Alemanha por 3 a 0.

A série final diante das alemãs começou com a vitória de Laura Samsonova, 4ª no ranking da Tennis Europe, sobre Sonja Zhenikhova, 108ª, por 6/3 e 6/2. O título foi confirmado com Alena Kovackova, número 1 da categoria, vencendo Julia Stusek, 102ª, por 6/2 e 6/3. Mesmo com a série já definida, as tchecas também comemoraram uma vitória nas duplas. Eliska Forejtkova e Laura Samsonova venceram Michelle Khomich e Sonja Zhenikhov por 6/1 e 6/3.

Esta é a quinta vez que a equipe feminina tcheca conquista o Mundial da categoria, repetindo os títulos de 1991, 1998, 2003 e 2019. Lembrando ainda que as tchecas são as atuais campeãs da Copa Billie Jean King Júnior, o Mundial de 16 anos, que teve sua edição mais recente em outubro do ano passado. A equipe que foi a Prostejov teve o comando de Petra Cetkovska, ex-número 25 do mundo.

“Estou muito orgulhosa delas e mais feliz do que as palavras podem descrever”, disse a capitã Cetkovska ao site da ITF. “Como equipe, elAs passaram por alguns períodos difíceis, mas foram incrivelmente profissionais e continuaram lutando. ElAs merecem este sucesso. O resultado também mostra mais uma vez a força do tênis tcheco, especialmente com as meninas, Espero que isso continue por muito tempo. É ótimo para a nossa nação”.

Durante a campanha para o título, as tchecas venceram por 3 a 0 os confrontos contra Canadá, Argentina e Coreia do Sul na fase de grupos. Líderes do grupo A, as anfitriãs derrotaram o Japão nas quartas de final e a Eslováquia na semi, ambos os confrontos terminados com 2 a 0.

Brasil termina na oitava posição

O Brasil foi representado por sua equipe feminina no Mundial de 14 anos e a equipe nacional terminou a competição em oitavo lugar. As brasileiras contaram com a potiguar Victoria Barros, a gaúcha Pietra Rivoli e a paulista Letícia Marangoni, sob o comando do capitão Santos Dumont. No encerramento da competição, o Brasil perdeu para o Japão por 2 a 0. Rira Kosaka venceu Pietra Rivoli por 6/1 e 6/4, enquanto Wakana Sonobe derrotou Victoria Barros por 6/3 e 6/1.

As brasileiras chegaram às quartas de final do Mundial, depois de ficarem na segunda posição do Grupo B. Elas venceram os confrontos contra Austrália e Tunísia, e perderam para a Eslováquia por 2 a 1. Nas quartas, foram superadas pelos Estados Unidos por 2 a 1. Já no playoff que define do 5º ao 8º lugar, as brasileiras foram superadas por Coreia do Sul e Japão.

Destaque da participação brasileira, Victoria Barros conseguiu quatro vitórias e sofreu apenas duas derrotas em simples. Já nas duplas, a potiguar teve 50% de aproveitamento em quatro jogos disputados. Ele teve o desempenho destacado pela pela capitã norte-americana Kathy Rinaldi. Pietra teve uma vitória em três jogos de simples e mais um triunfo nas duplas. Letícia disputou três partidas de simples, e venceu um jogo de duplas em quatro tentativas.

Suíça conquista o título masculino em Prostejov

Suíços superaram os alemães duas vezes na campanha para o título (Foto: World Junior Tennis Finals)

Suíços superaram os alemães duas vezes na campanha para o título (Foto: World Junior Tennis Finals)

A equipe que foi a Prostejov nesta temporada contou com Flynn Thomas, Thomas Gunzinger e Alex Bergomi, sob o comando do capitão Roberto Bresolin. Os suíços venceram a final contra a Alemanha por 2 a 1. Curiosamente as duas equipes já haviam se enfrentado na primeira fase, e os suíços também haviam levado a melhor. Suíços e alemães estavam no Grupo D ao lado de México e Colômbia. Os campeões também venceram a Argentina nas quartas e os Estados Unidos na semi.

A final do Mundial série começou com vantagem alemã, depois que Diego Palomero derrotou Alex Bergomi por 6/0 e 6/1. Flynn Thomas empatou o confronto ao vencer Niels McDonald por 6/0 e 6/4. Já na partida de duplas, Flynn Thomas e Thomas Gunzinger derrotaram Palomero e McDonald por 7/6 (7-5) e 6/2. Finalista nas chaves masculina e feminina, a Alemanha começou o dia tentando se tornar a primeira nação desde os Estados Unidos em 2008 a ganhar dois títulos no mesmo ano.

“Honestamente, eu não esperava, mas estou muito feliz pelos meninos”, disse o capitão suíço Roberto Bresolin ao site da ITF. “Vencer este torneio é um grande passo em direção ao futuro deles, mas ser campeão do Mundial de 14 anos não significa que você sempre será o melhor do mundo. Esse passo foi dado e é agora cabe aos meninos continuar trabalhando duro e melhorando. É um grande momento nas carreiras deles, que devem ganhar muita confiança com isso. Eles também aprenderam a gerenciar a tensão nesses momentos. Estamos juntos há 10 dias e tivemos que gerenciar muitas situações diferentes, especialmente fora da quadra, mas estamos dando um passo de cada vez”.

Brasil disputa Sul-Americano de 16 anos na Argentina
Na próxima semana, o Brasil disputa o Sul-Americano de 16 anos em Tucuman, na Argentina. O time masculino tem João Fonseca, Pedro Rodrigues e Gustavo de Almeida, enquanto a equipe feminina terá Olivia Carneiro, Sthefany de Lima e Cecilia Costa. Os meninos estão no Grupo A, ao lado de Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina. As meninas estão no Grupo A com Argentina, Uruguai, Equador e Peru. Os Mundiais da categoria serão entre os dias 1º e 6 de novembro.

Mundial de 14 define finalistas, Brasil disputa 7º lugar
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 6, 2022 às 5:23 am

A Alemanha está nas finais masculina e feminina do Mundial de 14 anos (Foto: Srdjan Stevanovic)

Os finalistas do Mundial de 14 anos por equipes foram conhecidos nesta sexta-feira, após a rodada de semifinais em Prostejov, na República Tcheca. As finais masculina estão marcadas para o sábado de manhã, a partir das 5h (de Brasília).

A torcida tcheca terá a oportunidade de acompanhar o time da casa na final feminina. As tchecas venceram a semifinal contra a Eslováquia por 2 a 0, Laura Samsonova derrotou Mia Pohankova por 6/3 e 7/6 (7-3), enquanto Alena Kovackova bateu Sona Depesova por 6/2 e 6/0. A República Tcheca já venceu a competição entre as meninas em 1991, 1998, 2003 e 2019.

A outra finalista é a Alemanha, que superou os Estados Unidos, também por 2 a 0. Sonja Zhenikhova abriu a série vencendo Capucine Jauffret por 6/1 e 6/4. Depois, Julia Stusek definiu o confronto ao superar Shannon Lam por 1/6, 6/4 e 6/0. As alemãs já venceram o evento em 1993 e 1994.

Capitãs se reencontram na final feminina

Capitãs das equipes tcheca e alemã, as ex-jogadoras profissionais Petra Cetkovska e Anna-Lena Groenefeld chegaram a se enfrentar pela competição em 1999. “Encontrei uma foto em casa do time daquela época, e foi muito divertido”, disse Groenefeld em entrevista ao site da ITF. “Então, quando cheguei aqui e entrei no refeitório, tive um flashback e eu estava me lembrando muito. Lembro que 1999 foi a primeira vez que vi a Su-Wei Hsieh jogar e foi uma coisa de outro mundo. Com ela usando um monte de slices todas nós estávamos pensando, ‘o que está acontecendo?’. Foi muito divertido estar aqui”.

Cetkovska também se recorda dos tempos de juvenil. “Jogar aqui mostrou que eu poderia competir com as melhores jogadoras do mundo. Isso me deu motivação extra para trabalhar e melhorar a cada dia. Esta é uma competição tão importante para os jogadores dessa idade. O mesmo se aplica às meninas de hoje e estou tentando usar meus 20 anos de experiência e transferir meu conhecimento. Nessa idade eles entendem e também ouvem”.

Alemanha tem chance de dobradinha
A final masculina será entre Alemanha e Suíça. Os alemães são bicampeões da competição, em 2001 e 2014, sendo que no primeiro título haviam vencido a Iugoslávia com Novak Djokovic na final, e em 2014 bateram o Canadá de Felix Auger-Aliassime. Já a Suíça tenta reconquistar o torneio depois de cinco temporadas, já que venceram em 2017.

Nas semifinais, os alemães venceram o Cazaquistão. Diego Palomero passou por Daniel Tazabekov por 6/4 e 6/1, e depois Niels McDonald derrotou Zangar Nurlanuly por 6/4 e 7/5. Já a Suíça derrotou os Estados Unidos por 2 a 1. O time norte-americano saiu na frente com a vitória de Jack Kennedy sobre Thomas Gunzinger por 6/3 e 6/4. Flynn Thomas empatou a série ao vencer Carel Ngounoue por 6/1, 4/6 e 6/3. Na dupla, melhor para os suíços, que venceram por 6/3, 3/6 e 10-2.

Brasil cai diante da Coréia e enfrenta o Japão
Depois de ter alcançado as quartas de final da chave feminina e de ser superado pelos Estados Unidos por 2 a 1 na última quinta-feira, o Brasil iniciou a disputa do playoff que vai do quinto ao oitavo lugar com derrota por 3 a 0 para a Coreia do Sul. Letícia Marangoni foi superada por Suh Lee por 6/2 e 6/3, Victoria Barros sofreu sua primeira derrota no torneio, duplo 6/3 para Heewon Ju. E na dupla, Leticia Marangoni e Pietra Rivoli sofreram 4/0 e 5/3 de Haeum Lee e Suh Lee. As brasileiras encerram a participação neste sábado, enfrentando o Japão pelo sétimo lugar.