Blockx é o terceiro belga a vencer um Slam no juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2023 às 9:32 am

 

Adversários na final de duplas do torneio juvenil do Australian Open, o belga Alexander Blockx e o norte-americano Learner Tien voltaram a se enfrentar na madrugada deste sábado, pela final de simples. E depois de uma derrota no dia anterior, Blockx deu o troco e conquistou o título ao vnecer a partida por 6/1, 2/6 e 7/6 (11-9) em 2h09 de partida.

Parceiro de João Fonseca nas duplas, e algoz do brasileiro nas quartas de final de simples, Blockx é o terceiro juvenil belga a conquistar um título de Grand Slam no tênis masculino. Ele se junta a Jacques Brichant e Kimmer Coppejans, campeões de Roland Garros em 1947 e 2012. Na Austrália, o país já havia comemorado um título no feminino, com An-Sophie Mestach em 2011. Ano passado, Sofia Costoulas ficou com o vice.

Terceiro cabeça de chave Melbourne e décimo colocado no ranking da ITF, Blockx recebe mil pontos pelo título de simples e mais 525 pela final de duplas. Dessa forma, ele certamente irá superar essa marca e ter seu recorde pessoal. Para a composição do ranking, são considerados os seis melhores resultados em simples e mais 25% das seis melhores pontuações de duplas.

“Consegui jogar melhor a cada dia no torneio. Hoje foi uma partida louca. Eu lutei muito e foi uma das minhas maiores vitórias da minha vida. Contra o Learner você tem que ser agressivo, porque senão vocês viram o que aconteceu no segundo set”, disse Blockx. “Não estava conseguindo fazer nada porque ele é um jogador inacreditável e um dos mais habilidosos que eu já vi”.

O belga fez sua estreia no tênis profissional em agosto de 2021 e disputou 8 eventos entre os adultos. Ele tem no total 4 vitórias em partidas profissionais até o momento e está atualmente no 1306º lugar do ranking da ATP. “Ouvi dizer que o vencedor do Australian Open juvenil recebe um convite para o quali do profissional no próximo ano”, comentou sobre sua motivação.

O belga também recordou a difícil vitória sobre Fonseca nas quartas, em que venceu por 6/7 (7-9), 7/6 (7-5) e 6/3. “Ele é um jogador incrível. Eu poderia ter perdido por 7/6 e 7/6 naquele jogo. Ele errou um voleio muito importante 5/5 que me ajudou a ganhar confiança. Conheço o Fonseca há um ano e ele evoluiu muito bem”.

Com jogo agressivo e muito peso de bola, Blockx terminou a partida com 44 winners e cometeu 43 erros não-forçados, contra 31 bolas vencedoras e 30 erros do rival norte-americano. O belga disparou 10 aces na partida, conseguiu três quebras e criou quatro break-points. Além disso, teve o serviço ameaçado sete vezes, mas só perdeu dois games de saque.

O primeiro set foi amplamente dominado por Blockx, que conseguiu três quebras e não enfrentou break-points. Na parcial seguinte, Tien deu o troco, quebrando duas vezes o serviço do belga e perdendo apenas quatro pontos com o próprio saque. Mais equilibrado, o terceiro set foi inteiramente sem quebras, apesar de o campeão ter escapado de mais quatro break-points. No tiebreak, o belga esteve o tempo todo à frente no placar, mas precisou de três match-points para vencer o jogo.

Korneeva, de 15 anos, luta por 3h e vence o Australian Open juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2023 às 8:45 am

Alina Korneeva apostou em variações táticas para superar a mais agressiva Mirra Andreeva na final (Foto: Tennis Australia)

Em uma final entre duas adolescentes de 15 anos, Alina Korneeva surpreendeu a favorita Mirra Andreeva e conquistou o título do torneio juvenil do Australian Open. Ela precisou lutar por 3h18 e marcou as parciais de 6/7 (2-7), 6/4 e 7/5.

Embora a distância no ranking juvenil seja mínima entre elas, Korneeva é a 15ª e a rival ocupa o 14º lugar, existe uma diferença considerável no currículo profissional entre elas. Andreeva já está no top 300 da WTA e tem quatro títulos de ITF, enquanto Korneeva ocupa o 553º lugar, com um título de ITF.

“Em primeiro lugar, quero dizer que no segundo set, eu pensei em desistir por dores no estômago e uma uma lesão na perna. Não consegui fazer o meu jogo e mostrar o meu melhor”, admitiu a campeã. “Mas acho que a partida de hoje dependia da minha mentalidade, de como eu estava mentalmente preparada. Não consegui correr muito, mas foi uma partida mentalmente boa”.

“Estou muito orgulhosa de mim mesmo, porque não acredito que poderia vencer com esses problemas. É meu primeiro Grand Slam e espero que não seja o último. Espero que no próximo ano eu já jogue a final do profissional e vencê-la”, acrescenta a confiante tenista.

No início da partida, Andreeva teve mais iniciativa durante os ralis de fundo, enquanto Korneeva tentava quebrar o ritmo com diferentes tipos de slices, tanto com forehand quanto com o backhand, e também utilizando algumas bolas curtas. Mas via de regra, ambas vinham disputando longos ralis durante toda a partida.

O primeiro set teve duas quebras para cada lado, antes que Andreeva vencesse a parcial, com ótimo desempenho nas devoluções. Já a segunda parcial teve games muito longos e oportunidades para os dois lados. Korneeva salvou quatro break-points antes de conseguir a quebra no sétimo game. Ela cedeu o empate, mas voltaria a quebrar no game seguinte.

Korneeva aproveitou o melhor momento na partida e abriu 4/1 no terceiro set, mas a rival foi buscar o empate no oitavo game. Quebrada com uma dupla falta, Andreeva deu a Korneeva a chance de sacar para o jogo, mas salvou um match-point e empatou o placar por 5/5. Ainda assim, Korneeva recuperou a vantagem para chegar à vitória.

Campeã consolou a vice ainda em quadra

As jovens jogadoras são nascidas na Rússia, mas atuam no circuito sob bandeira neutra desde o ano passado, por conta da guerra na Ucrânia. No fim da partida, a campeã consolou a vice ainda em quadra.

“Mirra é uma jogadora muito boa e sei que faremos muitas partidas no futuro. Eu sei que às vezes ela vai ganhar. É normal, é a vida. Eu disse a ela para não chorar, porque foi uma batalha muito dura, muitos pontos bons. Ela mostrou o seu melhor. Mostrei o melhor que pude e parabéns a ela porque foi uma boa semana para ela”.

Parceiro de Fonseca, Blockx é finalista do juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2023 às 2:14 pm

Alexander Blockx tenta ser o terceiro belga a vencer um Grand Slam juvenil no tênis masculino (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

As finais de simples no torneio juvenil estão marcadas para o fim de noite desta sexta-feira e avançam durante a madrugada em Melbourne. Seguindo a tradição do torneio, os jogos acontecem na principal quadra do complexo, a Rod Laver Arena, a partir das 22h (de Brasília).

Entre os destaques está o belga Alexander Blockx, parceiro do brasileiro João Fonseca na campanha até o vice-campeonato de duplas, e algoz do próprio Fonseca nas quartas. Blockx superou na semifinal o chinês Yi Zhou por 6/4 e 6/1. Ele tenta se tornar o terceiro jogador belga a vencer um Grand Slam juvenil em simples, o primeiro desde 2012. Também faz o melhor resultado do país entre os juvenis no masculino em Melbourne.

O adversário de Blockx será o norte-americano Learner Tien, que busca uma dobradinha em Melbourne. Na final de duplas, Tien e o compatriota Cooper Williams venceram Fonseca e o belga por duplo 6/4. O norte-americano de 17 anos pode ser o 12º segundo jogador de seu país a conquistar o título em sua categoria, e ser o 29º tenista juvenil a ganhar em simples e duplas na Austrália.

Jogadoras de 15 anos abrem a rodada às 22h
A rodada começa com a final feminina entre Mirra Andreeva and Alina Korneeva, ambas de 15 anos. As jovens jogadoras são nascidas na Rússia, mas atuam no circuito sob bandeira neutra desde o ano passado, por conta da guerra na Ucrânia.

Andreeva já tem quatro títulos no circuito profissional da ITF e ocupa o 292º do ranking da WTA. Ao vencer a semifinal desta sexta contra a britânica Ranah Akua Stoiber por 6/3 e 6/2, ela já iguala a marca da irmã mais velha, Erika, finalista do torneio juvenil de Roland Garros em 2021. Já Korneeva tem um título de ITF e ocupa a 553ª posição na WTA. Ela bateu a japonesa Sayaka Ishii por 2/6, 6/4 e 6/2.

O título de duplas ficou com a italiana Federica Urgesi e a eslovaca Renata Jamrichova, que bateram as japonesas Hayu Kinoshita e Sara Saito por 7/6 (7-5), 1/6 e 10-7.

Fonseca tenta se tornar o 9º juvenil brasileiro a vencer um Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 26, 2023 às 3:13 pm

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Em uma rodada com três finais para o tênis brasileiro no Australian Open, o carioca de 16 anos João Fonseca tem a chance de se tornar o nono tenista juvenil do país a conquistar um torneio do Grand Slam. Fonseca disputa a final de duplas no Australian Open de sua categoria ao lado do belga Alexander Blockx. Principais cabeças de chave, eles enfrentam os norte-americanos Learner Tien e Cooper Williams por volta de 1h (de Brasília) desta sexta-feira.

Carioca de 16 anos e atual 23º colocado no ranking mundial da ITF de sua categoria, João Fonseca tenta ser o segundo brasileiro a vencer o torneio juvenil do Australian Open, juntando-se ao alagoano Tiago Fernandes, campeão de simples em 2010.

O alagoano Tiago Fernnades foi campeão juvenil do Australian Open em 2010

Outros sete tenistas brasileiros já conquistaram títulos de Grand Slam na categoria juvenil. O primeiro foi Gustavo Kuerten, no saibro de Roland Garros. Guga foi campeão de duplas ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti em 1994. Três anos mais tarde, conquistaria o primeiro de seus três títulos como profissional em Paris. Também na capital francesa, o paulista Matheus Pucinelli foi campeão de duplas em 2019 junto do argentino Thiago Tirante.

Na grama de Wimbledon, a parceria brasileira do gaúcho Orlando Luz com o paulista Marcelo Zormann conquistou o título em 2014. Eles foram os únicos juvenis do país a vencer o mais tradicional torneio de tênis do mundo, apesar de Ivo Ribeiro e Ronald Barnes terem disputado as finais de simples na década de 1950, enquanto Ricardo Schlachter jogou uma final de duplas em 1994.

O US Open é o Grand Slam de maior sucesso recente para os juvenis brasileiros. A lista de campeões começou com o paulista Felipe Meligeni, vencedor nas duplas ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar em 2016. Dois anos mais tarde, foi a vez de o paranaense Thiago Wild ficar com o título de simples, vencendo o italiano Lorenzo Musetti na final. Além deles, a brasiliense Jade Lanai venceu no ano passado em simples e duplas a primeira edição juvenil do torneio de tênis em cadeira de rodas do US Open.

Relembre outros juvenis brasileiros que chegaram às finais de Slam

Beatriz Haddad Maia já disputou duas finais de Roland Garros como juvenil. Em uma delas, enfrentou as tchecas Krejcikova e Siniakova

A lista de brasileiros que já disputaram finais de Grand Slam no circuito juvenil inclui ainda mais nomes. A atual número 1 do país Beatriz Haddad Maia, por exemplo, já esteve em duas finais de Roland Garros nas duplas. Em 2012, com a paraguaia Montserrat Gonzalez, foi superada pela então parceria russa de Daria Gavrilova (hoje Daria Saville, representando a Austrália) e Irina Khromacheva. No ano seguinte, Bia e a equatoriana Domenica Gonzalez perderam a final para as tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova, que jogam até hoje juntas.

Nomes como Edison Mandarino, Thomaz Koch e Luis Felipe Tavares jogaram finais de simples em Roland Garros entre as décadas de 1950 e 1960. Nas duplas, os gaúchos Guilherme Clezar e Orlando Luz disputaram finais nos anos de 2009 e 2016, respectivamente. Já a parceria do mineiro Bruno Oliveira com o baiano Natan Rodrigues foi vice em Paris em 2020. Outra parceria nacional em uma final de Slam como juvenil foi de Rafael Matos e João Menezes no US Open de 2014.

Victoria se despede após partida de 3h na França
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 24, 2023 às 3:37 pm

A potiguar Victoria Barros fez jogo equilibrado nesta terça-feira na França (Foto: Les Petits As)

Representante brasileira na chave feminina do Les Petits As, um dos principais torneios juvenis do mundo na categoria 14 anos, Victoria Barros se despediu da competição após um duelo bastante equilibrado e com quase 3h de duração nesta terça-feira. A potiguar, que completou 13 anos em dezembro, perdeu para a francesa Laura Valentine Pop por 2/6, 6/3 e 7/6 (7-2).

Victoria teve um bom início de partida, ao sustentar bem as trocas de fundo e ter boas intervenções nas subidas à rede. A rival francesa jogava de forma agressiva, batendo reto na bola. E seu estilo de jogo era bem adequado às condições do torneio em quadras duras e cobertas. Já no terceiro set, Pop chegou a liderar por 4/1, mas Victoria buscou o empate e utilizou bolas mais altas para tentar quebrar o ritmo e ainda teve break points no 4/4, mas a tenista da casa conseguiu definir a disputa no tiebreak decisivo. Algoz da brasileira, Pop enfrentará a ucraniana Sofia Kryvoruchko.

Na chave de duplas, Victoria e a tcheca Sofie Hettlerova foram superadas na estreia diante da italiana Angelica Sara e a eslovaca Kali Supova por 6/3 e 6/1.

Já o brasiliense Felipe Mamede disputou a chave masculina, mas abandonou a partida de estreia contra o turco Samin Filiz quando perdia o set inicial por 2/0. Nas duplas, Mamede e o australiano Cooper Kose foram superados pelo turco Mustafa Ege Sik e o russo Savva Rybakin por 6/3, 5/7 e 10-3.

Premiada pela Tennis Europe como a melhor juvenil estrangeira em 2022, Victoria Barros conquistou cinco títulos no circuito de 14 anos na última temporada, três na América do Sul, e mais dois no saibro europeu, o primeiro em Paris e o segundo na cidade de Waiblingen, na Alemanha. Ela se mudou recentemente para a França e começou a treinar na academia de Patrick Mouratoglou.

Torneio francês revelou grandes talentos
Realizado desde 1983, o evento francês tem a tradição de revelar grandes talentos. Sua galeria de campeões inclui Rafael Nadal, Martina Hingis e Kim Clijsters, além de nomes recentes que também viriam a se tornar campeãs de Grand Slam, como Bianca Andreescu e Jelena Ostapenko.

Nomes como Roger Federer, Novak Djokovic, Andy Murray, Carlos Alcaraz, Justine Henin, Caroline Wozniacki, Simona Halep e Garbiñe Muguruza também disputaram o evento. Recentemente, as irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova venceram edições consecutivas do torneio em 2019 e 2020.

Juvenis brasileiros disputam o tradicional Les Petits As
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 22, 2023 às 9:34 pm

Victoria Barros atua no tradicional torneio Les Petits As, na França

Depois de se mudar para a França e começar a treinar na academia de Patrick Mouratoglou, a juvenil potiguar Victoria Barros disputará um dos principais torneios do mundo na categoria 14 anos. Ela atua no tradicional Les Petits As, jogado em quadras duras e cobertas na cidade de Tarbes, na França.

Premiada pela Tennis Europe como a melhor juvenil estrangeira em 2022, Victoria Barros completou 13 anos em dezembro e ganhou três títulos de simples no circuito Sul-Americano da Cosat, no Paraguai, Chile e Argentina, e mais dois títulos conquistados na Europa, o Open Stade Fraçais em Paris e mais um torneio na cidade de Waiblingen, na Alemanha.

A estreia de Victoria será contra a francesa Laura Valentine Pop. Se vencer, ela pode enfrentar a tcheca Sofie Hettlerova ou a ucraniana Sofia Kryvoruchko. O tênis brasileiro também tem representante na chave masculina, o brasiliense Felipe Mamede. Ele estreia contra o turco Samim Filiz. Se vencer, pode enfrentar o eslovaco Samuel Sykora ou o francês Jules Nicolas Rimbaud.

Nas duplas, Victoria e a tcheca Sofie Hettlerova estreiam contra a italiana Angelica Sara e a eslovaca Kali Supova. Já Felipe Mamede e o australiano Cooper Kose encaram o turco Mustafa Ege Sik e o russo Savva Rybakin.

Torneio francês já revelou grandes nomes
Realizado desde 1983, o evento francês tem a tradição de revelar grandes talentos. Sua galeria de campeões inclui Rafael Nadal, Martina Hingis e Kim Clijsters, além de nomes recentes que também viriam a se tornar campeãs de Grand Slam, como Bianca Andreescu e Jelena Ostapenko.

E o hall da fama de jogadores que disputaram o torneio, mesmo sem o título, tem ainda mais peso, incluindo nomes como Roger Federer, Novak Djokovic, Andy Murray, o atual número 1 do mundo Carlos Alcaraz, além de nomes como Justine Henin, Caroline Wozniacki, Simona Halep e Garbiñe Muguruza. Recentemente, as irmãs tchecas Linda e Brenda Fruhvirtova venceram edições consecutivas do torneio em 2019 e 2020.

Oitavas de final em Melbourne terão 7 estreantes
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 21, 2023 às 4:06 pm

O tcheco de 21 anos Jiri Lehecka venceu dois cabeças de chave, Coric e Norrie, na primeira semana do torneio (Foto: Tennis Australia)

Com o fim da primeira semana de jogos do Australian Open e a definição dos confrontos das oitavas de final, sete tenistas fazem as melhores campanhas de suas carreiras em Grand Slam. O torneio masculino conta com quatro estreantes nas oitavas, o japonês Yoshihito Nishioka, o tcheco Jiri Lehecka, e também os norte-americanos Ben Shelton e J.J. Wolf, que se enfrentam por vaga nas quartas. Na chave feminina, as novidades ficam por conta da jovem tcheca de 17 anos Linda Fruhvirtova e de jogadoras mais experientes, a chinesa Lin Zhu e a polonesa Magda Linette.

Shelton e Wolf: Renovação norte-americana
Mais jovem entre os quatro estreantes em oitavas masculinas, Ben Shelton disputa apenas o segundo Grand Slam de sua carreira profissional, depois de ter atuado também no último US Open. Vindo do tênis universitário e destaque em torneios de nível challenger no fim do ano passado, com três títulos e três vices, o canhoto de apenas 20 anos só começou a jogar fora dos Estados Unidos nesta temporada e já está no top 100, ocupando agora o 89º lugar.

Depois de estrear vencendo o chinês Zhizhen Zhang em cinco sets, ele passou pelo chileno Nicolas Jarry e pelo australiano Alexei Popyrin vencendo por 3 a 0. “Nos primeiros 12 ou 13 anos da minha vida, jurei que nunca jogaria tênis. Era coisa do meu pai. Mas eu então eu me apaixonei pelo esporte e espero poder fazer carreira aqui”, disse na entrevista em quadra. Seu adversário, J.J. Wolf, está com 24 anos e ocupa o 67º lugar do ranking. Ele só perdeu um set, diante do australiano Jordan Thompson na estreia, e depois derrotou Diego Schwartzman e Michael Mmoh. Wolf havia disputado o US Open nos dois últimos anos e caído na terceira rodada.

Lehecka já eliminou Coric e Norrie no torneio
Outro nome da nova geração nas oitavas é o tcheco Jiri Lehecka, de 21 anos e 71º do ranking. Ele já derrubou dois cabeças de chave, o croata Borna Coric e o britânico Cameron Norrie, além de também ter passado pelo norte-americano Christopher Eubanks. Lehecka disputa o quinto Grand Slam da carreira e não tinha nenhuma vitória em chaves principais antes da ótima semana na Austrália. Ele agora se prepara para enfrentar o canadense Felix Auger-Aliassime, número 7 do mundo e só um ano mais velho.

“Enfrentar todos esses caras é a razão pela qual eu jogo tênis. Sempre foi meu sonho vencer grandes partidas de um Grand Slam e ter a chance de atuar nos maiores palcos. Estar aqui em Melbourne com certeza é a realização de um sonho. Mas por outro lado, sei que tenho nível para vencer esses caras. Sei que meu jogo se encaixa bem para as condições daqui”, avaliou o tcheco, já projetando o duelo com Aliassime. “Ele é o favorito de novo, mas conheço os pontos fortes e fraquezas dele. Será um grande confronto”.

Nishioka enfim livre de lesões
Já o japonês Yoshihito Nishioka é o mais velho entre os quatro estreantes nas oitavas do masculino e chegou a Melbourne embalado por uma semifinal em Adelaide na primeira semana da temporada. Enfim livre de lesões, especialmente no já operado joelho esquerdo, o canhoto de 27 anos está com o melhor ranking da carreira, ocupando o 33º lugar, e aproveitou a queda precoce de Rafael Nadal para passar por Mikael Ymer, Dalibor Svrcina e Mackenzie McDonald sem perder sets. Ele desafia o ex-top 10 Karen Khachanov nas oitavas.

Fruhvirtova vive ‘semana surreal’ aos 17 anos

Na chave feminina, a caçula das oitavas é Linda Fruhvirtova, que disputa o segundo Slam da carreira aos 17 anos e 82ª do mundo. Depois de ter passado pelas convidadas locais Jaimee Fourlis e Kimberly Birrell em sets diretos, ela superou a ex-top 15 Marketa Vondrousova em três sets em duelo tcheco neste sábado e agora desafia um nome ainda mais experiente, a croata Donna Vekic. “É uma sensação incrível! Parace surreal! Ainda tenho 17 anos. É minha segunda aparição na chave principal em um Grand Slam e já cheguei à segunda semana em um torneio tão grande”.

Para Linette, campanha não é surpresa
A polonesa Magda Linette, de 30 anos e 45ª do ranking, mostrou um jogo inteligente em sua campanha até as oitavas. Diante da russa Ekaterina Alexandrova, conseguiu ser consistente do fundo, mas também varia alturas e pesos de bola para quebrar o ritmo da adversária muito agressiva e de golpes mais retos. A polonesa já havia vencido outra cabeça de chave, Anett Kontaveit, e agora desafia a número 4 do mundo Caroline Garcia.

“Não é uma surpresa, porque já venci Anett e Ekaterina antes. Então eu sabia o que a chave seria difícil, mas que eu poderia vencer. Venho jogando muito bem no final do ano passado, e no início deste na United Cup fiz algumas partidas realmente sólidas. Portanto, não estou surpresa, mas muito feliz e orgulhosa por manter minha consistência. É ótimo porque quando você trabalha tão duro por tantos anos e chega tão perto tantas vezes, é incrível quando eventualmente você recebe essa recompensa. Já treinei algumas vezes com a Caroline e então eu a conheço muito bem. Ela teve um final de temporada incrível no ano passado e preciso ser muito consistente, porque ela não vai me dar nada de graça”.

Zhu revela que pensou em se aposentar
Com uma trajetória um pouco diferente, a chinesa Lin Zhu derrotou uma top 10 pela primeira vez na última sexta-feira, quando superou a número 6 do mundo Maria Sakkari em três sets. A jogadora de 28 anos e 87ª do ranking é a surpresa na parte de cima da chave, que ainda tem cinco campeãs de Grand Slam lutando por uma vaga na final. Sua próxima rival é Victoria Azarenka, ex-número 1 do mundo e bicampeã em Melbourne.

“Estou tão feliz. Não consigo descrever como me sinto. Foi uma partida muito, muito difícil. Não só fisicamente, mas também mentalmente. Eu demorei muito para chegar aqui. Tive muitos altos e baixos. Às vezes até pensava que talvez não fosse boa o suficiente para o tênis, pensei em me aposentar. Mas minha família e meus amigos, eles sempre acreditam que eu poderia ser uma jogadora melhor, então eles me ajudaram todos os dias para me tornar uma pessoa melhor. Sou muito grata a todos eles”.

Fonseca cabeça 10 na Austrália, Oliveira e Laydner também jogam
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 20, 2023 às 5:57 am

João Fonseca disputa o quarto Grand Slam de sua carreira juvenil aos 16 anos (Foto: Luiz Candido/CBT)

Três brasileiros estão na disputa do torneio juvenil do Australian Open, que sorteou a chave principal nesta sexta-feira e terá jogos a partir de sábado. O carioca João Fonseca, de 16 anos, será o décimo cabeça de chave na disputa. Já o também carioca Nicolas Oliveira e a catarinense Carolina Laydner receberam convites depois de vencerem um torneio classificatório disputado em dezembro no Rio de Janeiro, num acordo da CBT com a Tennis Australia.

Fonseca, que agora é o 21º do ranking, estreia contra o indiano de 17 anos e 44º colocado Aryan Shah. A partida será neste sábado, por volta de 1h30 da manhã (de Brasília), na quadra 16. Se vencer, o carioca enfrentará o convidado local Hugh Winter ou o tcheco Vit Kalina. O cabeça de chave mais próximo é o japonês de 16 anos Rei Sakamoto, sexto favorito e 16º do ranking, que pode enfrentar o brasileiro nas oitavas.

Na semana passada, Fonseca disputou um torneio preparatório em Tralagon, também na Austrália. Ele avançou duas rodadas e caiu nas oitavas de final. Ele fará sua quarta aparição em um Grand Slam juvenil, tendo alcançado as oitavas de Roland Garros no ano passado.

Nicolas Oliveira venceu seletiva nacional disputada em dezembro no Rio de Janeiro e joga o 1º Slam (Foto: Luiz Candido/CBT)

Também na chave masculina, Nicolas Oliveira disputa seu primeiro Grand Slam. O jogador de 16 anos e 204º do ranking desafia o tcheco Maxim Mrva, que tem apenas 15 anos, mas já é o 20º do ranking e cabeça 9 em Melbourne. O jogo acontecerá apenas no domingo. Os dois já se enfrentaram na semana passada em Tralagon, com vitória do tcheco em sets diretos. Quem passar pode enfrentar o japonês Reiya Hattori ou o russo Ruslan Tiukaev.

Na chave feminina, Carolina Laydner recebeu convite para disputar seu primeiro Grand Slam e enfrentará uma jogadora da casa. A catarinense de 17 anos e 144ª do ranking desafia a australiana Emerson Jones, 34ª colocada. Elas jogam na quadra 12, por volta de 3h da manhã deste sábado. Em caso de vitória, ela pode enfrentar a norte-americana Ariana Anazagasty-Pursoo ou a tcheca Tereza Valentova, cabeça 2 do torneio e número 6 do ranking com apenas 15 anos.

A catarinense Carolina Laydner é apenas a sétima brasileira a disputar o juvenil em Melbourne (Foto: Luiz Candido/CBT)

Na Austrália, o tênis brasileiro comemorou seu primeiro título de um Grand Slam juvenil, com o alagoano Tiago Fernandes em 2010. Naquele ano, o título feminino ficou com a tcheca Karolina Pliskova. Mas entre as meninas, o Brasil teve poucas representantes no torneio. Laydner será apenas a sétima participante, somando-se a Ana Candiotto que jogou no ano passado. Mas a última brasileira a vencer jogos em Melbourne como juvenil foi Luísa Stefani em 2015.

Suíço e japonesa lideram as chaves
O principal cabeça de chave do masculino é o suíço Kilian Feldbausch, que estreia contra o convidado local Thomas Nicholas Gadecki. Já o segundo favorito é o búlgaro Iliyan Radulov, que encara o japonês Yuta Tomida. Destaque ainda para o italiano Federico Cina, campeão em Tralagon, que enfrenta o sérvio Branko Djuric.

No feminino, a principal favorita é a japonesa Sara Saito, que enfrenta a convidada local Stefani Webb. Ela está no mesmo setor da chave que a turca Melisa Ercan, campeã em Tralagon, que enfrenta a cabeça 15 eslovaca Renata Jamrichova.

Fruhvirtova: ‘Nunca tentamos copiar outras tenistas’
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 19, 2023 às 4:22 pm

Linda Fruhvirtova chega à terceira rodada do Australian Open aos 17 anos (Foto: Tennis Australia)

Classificada para a terceira rodada do Australian Open, a tcheca de 17 anos Linda Fruhvirtova já faz sua melhor campanha em Grand Slam como profissional e ainda não perdeu sets no torneio. A atual 82ª do ranking passou pelas australianas Jaimee Fourlis e Kimberly Birrell nas fases iniciais e agora se prepara para o duelo contra a compatriota Marketa Vondrousova na próxima rodada.

Linda e sua irmã Brenda, que já é top 200 com 15 anos e chegou a furar o quali em Melbourne, atraem atenções de quem acompanha a nova geração do tênis desde o circuito juvenil. E apesar de ser de um país com excelente formação de jogadoras, a jovem tcheca garante que nunca tentou copiar outra tenista.

“Uma coisa que nunca fizemos, eu ou minha irmã, foi tentar copiar alguma outra jogadora. É claro que quando éramos pequenas, o nosso pai nos mostrava como algumas meninas trabalhavam duro e esse tipo de coisa. Você vê como elas estão lutando. Mas nunca queríamos copiar o forehand ou backswing delas. Nunca”, disse Fruhvirtova na entrevista coletiva.

“Estou muito orgulhosa da minha atitude em quadra e de meu espírito de luta. Sempre fui uma lutadora na quadra. Ainda sou muito nova no circuito, então tenho que adquirir algumas experiências contra essas jogadoras mais experientes e fortes. Elas são mais fortes fisicamente, então definitivamente ainda trabalho na minha forma física”, acrescentou a jogadora, que já tem um título de WTA, conquistado em Chennai.

Fruhvirtova foi perguntada sobre a comparação do circuito profissional com os anos de juvenil. “Acho que, como em todos os esportes, é o jogo mais rápido do que nos juvenil. Você não tem tantas chances. Eu diria o jogo está e continua ficando mais rápido, em comparação ao que era há dez anos, por exemplo”.

“É muito difícil subir de nível porque temos muitos limites de idade e não podemos jogar tantos torneios. Temos uma limitação dos convites. Acho que essas regras adicionam um pouco mais de pressão porque não é como se você perdesse na primeira rodada e dissesse: ‘tudo bem, posso jogar outro torneio na próxima semana'”.

“Fiz uma grande partida hoje. Havia muitas pessoas. Foi uma ótima atmosfera. Estou muito feliz com isso. Acho que saquei muito bem, principalmente quando precisei, fiquei calma e positiva”, comenta após vencer Birrell por 6/3 e 6/2. “Sempre há um pouco de pressão. Eu era meio favorita por causa do ranking e tudo, mas ela estava jogando em casa e conhece a quadra. Acreditei em mim mesma e que fiz tudo o que pude para ter um bom desempenho”.

Vondrousova destaca grande momento da compatriota
Adversária de Fruhvirtova na terceira rodada, a ex-top 15 Marketa Vondrousova destacou o grande momento de sua jovem rival. Apesar de nunca terem se enfrentado no circuito profissional, elas se cohecem há bastante tempo. Finalista de Roland Garros em 2019 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Vondrousova operou o punho em maio do ano passado e ficou seis meses sem jogar. Por isso, aparece atualmente no 86º lugar do ranking aos 23 anos.

“Ela já esteve comigo algumas vezes no time da Fed Cup. Então, eu a conheço bastante. Já treinamos juntas algumas vezes, mas nunca jogamos contra. Sei que ela bate muito forte na bola e que está jogando muito bem para a idade dela também, então vai ser uma partida difícil. Acho que ela não tem nada a perder”.

Gauff: ‘Pressão que Emma sofreu foi maior que minha’
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 16, 2023 às 6:21 pm

 

Gauff enfrentará a britânica Emma Raducanu na segunda rodada do Australian Open (Foto: Tennis Australia)

Adversárias na segunda rodada do Australian Open, Coco Gauff e Emma Raducanu são dois exemplos de jogadoras que tiveram que lidar com a pressão e grandes expectativas desde muito jovens. Gauff surgiu para o tênis com apenas 15 anos, quando fez uma boa campanha até as oitavas de final de Wimbledon em 2019. Já Raducanu foi além, conquistou o US Open em 2021, logo no segundo Grand Slam que disputou como profissional.

Em melhor momento no circuito, ocupando o sétimo lugar do ranking aos 18 anos, Gauff afirma que a rival conviveu com muito mais pressão do que ela. A norte-americana argumenta que Raducanu atrai todas as atenções do público e da imprensa britânica, enquanto a situação nos Estados Unidos é diferente, por conta do grande número de jogadoras de alto nível lutando por títulos importantes.

“Obviamente ela passou por muita pressão, provavelmente muito mais do que sofri”, disse Gauff, depois de vencer sua estreia em Melbourne sobre Katerina Siniakova por 6/4 e 6/1. “Sinto que por ela ser do Reino Unido, a primeira britânica a vencer em muito tempo, recebe muito mais pressão do que eu estou acostumada. Serena está aposentada agora, mas ela sempre foi a americana para quem as pessoas olhavam”.

“Há uma clara diferença entre vencer um Slam e chegar às oitavas. Obviamente, eu era muito mais jovem quando chamei a atenção, e acho que lidar com isso em uma idade mais avançada é um pouco mais fácil do que aos 15 anos. Mas ao mesmo tempo, eu não ganhei um Slam (sorrindo). Não sou britânica e não fui a primeira a vencer em não sei quantos anos, como que ela fez”, acrescenta a finalista de Roland Garros. “Como eu disse, por ser americana, nem sempre os holofotes estão sobre você. Temos ótimas jogadoras como a Jessica Pegula e a Maddie Keys. Os fãs sempre têm alguém para torcer. Já com britânicos, apenas ela chegou tão longe em um Slam”.

Gauff também projetou o confronto diante da britânica. “Nunca treinei com ela, mas obviamente já a vi jogar, especialmente durante o US Open. Acho que ela é uma jogadora muito agressivo e que gosta de atacar nas devoluções”, comentou. “Tenho que estar pronta e saber que ela vai fazer alguns winners de devolução. Mas acho que na maior parte do tempo, tenho apenas que continuo me concentrando no meu lado da quadra. Acho que vai ser um bom confronto para nós duas. Estou animada”.

Raducanu chegou ao top 10 em julho do ano passado, mas depois de não repetir a boa campanha em Nova York e viver uma temporada com lesões, trocas de treinador, e poucos resultados de expressão em 2022, aparece atualmente apenas no 77º lugar aos 20 anos. A britânica foi perguntada na entrevista coletiva sobre o que pode aprender com sua próxima adversária.

“Eu a conheço bem. Fora da quadra, a Coco é muito legal, amigável e muito pé no chão. Acho que ela é uma grande atleta. Depois que ela apareceu pela primeira vez em Wimbledon, demorou um pouco para se ajustar também, mas se recuperou. Ela está jogando tênis incrível e parece muito sólida agora. Será uma adversária difícil. Vai ser uma grande partida.”, comentou.

“Acho que posso aprender com todas, não é apenas com as melhores jogadoras. Claro que ela é alguém que também conquistou grandes coisas e é um bom modelo, mas quase todo mundo do circuito também é. Tem jogadoras que são 150 do mundo e estão se cuidando. Eu acho que muitas vezes isso é esquecido”.

Vinda de vitória sobre a alemã Tamara Korpatsch por 6/3 e 6/2 nesta segunda-feira, Raducanu também falou sobre a recuperação da lesão no tornozelo, sofrida durante o WTA 250 de Auckland há duas semanas. “Tudo o que fiz foi bastante controlado na última semana. Então, estou me acostumando com a situação de uma partida real e com a imprevisibilidade. Mas hoje eu me senti bem”.