Djokovic sente a pressão e cogita não jogar mais em 21
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2021 às 3:37 pm

Primeiro foi a Noami Osaka, que resolveu dar um tempo, tirar um pouco a pressão e tratar da saúde mental. Fora da quadra brilhou no Met Gala, em Nova York, com modelo e penteado que causaram. A parte física já tirou Roger Federer, Rafael Nadal e Dominic Thiem da temporada. Agora, vem Novak Djokovic revelar não ter planos para este ano e deixa em aberto a possibilidade de não jogar mais, mesmo com Indian Wells, Paris e Finals pela frente. Talvez tudo não passe do calor do pós jogos, com uma derrota dura para Daniil Medvedev por triplo 64, aliás merecidíssima.

Sobrenatural, com as conquistas do Aberto da Austrália, Roland e Wimbledon, o tenista sérvio mostrou seu lado mais humano na final do US Open. Ao desabar em lágrimas, deixou claro todo o peso que estava sentindo com a possibilidade de entrar para a história como o terceiro homem a conquistar os quatro Grand Slams no mesmo ano, repetindo os feitos de Rod Laver e Don Budge.

Curiosamente confesso que jamais tinha visto Novak Djokovic tão conformado com uma derrota, como aconteceu em Nova York. Possível que o fato de ter contado com intenso apoio da torcida tenha servido de alento para um atleta que tem dificuldades para ver reconhecido seu talento e conquistas.

Os próximos dias podem confirmar o futuro de Djokovic nesta temporada. Mas só fato de cogitar uma pausa já evidencia toda pressão que o tênis exige, em especial aos grandes astros. Forte mentalmente, o sérvio não fez uma boa apresentação na decisão em Nova York. Mas, mesmo que tivesse jogado o seu melhor, Medvedev poderia sim vencer, como fez com muita competência.

Com mais esse capítulo, o tênis masculino deixa muitas incertezas. Djokovic pode só voltar em 2022. O espanhol Rafael Nadal enfrenta novamente problemas físicos e nesta temporada tomou decisões difíceis, como não ir aos Jogos Olímpicos, não disputar Wimbledon e ver que não tinha condições de estar no US Open. Roger Federer vive uma situação parecida. A desconfiança é de que o suíço possa estar sim preparando uma turnê de despedida para o ano que vem.

Neste cenário o tênis já começa a experimentar vida fora do Big 3. Assim como Medvedev há muitos outros jogadores com boas perspectivas para os Slams. E uma prova disso veio com o feminino, com duas inéditas finalistas em Nova York. Emma Raducanu e Leilah Fernandez representam o futuro de uma modalidade que teve um forte domínio de Serena Williams, mas hoje bem mais entusiasmada com seu sucesso também fora das quadras.

Nova York: onde tudo acontece
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2021 às 2:41 pm

Com a volta do público, o US Open confirmou sua fama de ser o torneio mais eletrizante dos quatro do Grand Slam. Só que desta vez pode marcar o início de uma nova era. O aparecimento de nomes até então pouco conhecidos, a jovialidade de diversas jogadoras e os recentes resultados de uma maneira geral definem um divisor de águas no tênis. E, de uma certa forma, já era mesmo de esperar pelas ausências de estrelas como Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Williams. Enfim, Nova York, a cidade que nunca dorme, revela um torneio onde tudo acontece, com polêmicas, novidades e, sobretudo, muita emoção.

Se estamos prestes a viver novos ares, com o provável esvaziamento do Big 3, o US Open mostrou que há a necessidade de adequações. Os atos de Stefano Tsitsipas, que o levaram de herói a vilão, mostram que é preciso conter os abusos. Não que o grego tenha cometido alguma infração, mas não ficou bonito, e mereceu severas críticas de nomes como Andy Murray. No feminino, infelizmente, não foi diferente, com Barbora Krejcikova usando do recurso de atendimento médico para conter a reação de Garbine Muguruza.

Este tipo de comportamento não é novidade. Não há como negar que Novak Djokovic já tenha ido ao vestiário para reencontrar o seu jogo em diversas oportunidades. E, por isso, o experiente treinador Toni Nadal ao comentar o acontecido com Tsitsipas no US Open afirmou que Nadal e Federer jamais fariam a mesma coisa.

Um detalhe que me chamou atenção foi que o Tsitsipas, em especial, no jogo contra Murray ficou muito mais tempo no vestiário do que no encontro contra Carlos Alcaraz, o que demonstra que o grego percebeu que estava havendo um exagero. Então, o que poderia ser usado a seu favor, transformou-se em obstáculo, pois passou a ter torcida contra.

Apesar desses momentos nada agradáveis, esta reta final do US Open promete vir repleta de emoções. No masculino, Novak Djokovic vem enfrentando desafios incríveis, embora siga com o favoritismo. No feminino haverá uma campeã inédita em Nova York, com apenas uma jogadora já detentora de título de outro Slam, como Barbora Krejcikova, em Roland Garros. E na modalidade a se lamentar a situação de Naomi Osaka. Sem dúvida uma estrela de grande brilho que tomou uma decisão difícil, mas vai fazer falta ao tênis.

É chegada a hora de mudanças
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 24, 2021 às 3:36 pm

Determinado a estabelecer novo recorde de títulos de Grand Slam, Novak Djokovic aterrissou em Nova York, sorrateiro e discreto. Sem alardes já foi treinar em Flushing Meadows, num cenário bem diferente do que foi nos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde o sérvio era o rei das selfies. Se fosse ele continuaria assim… longe dos holofotes.

Em contraponto e curiosamente, o US Open foi o torneio onde Djokovic apareceu como um jovem tenista promissor e divertido. Numa das sessões noturnas da Arthur Ashe ele fez suas imitações com as performances de Maria Sharapova e Rafael Nadal. Um show, sem dúvida, engraçado, mas que não se repete mais.

Enquanto Djokovic se prepara para o US Open, os outros dois integrantes do Big 3, Nadal e Roger Federer, estão fora de combate, assim como Dominic Thiem. Dos atuais top ten, três tenistas não devem jogar mais neste ano. Por isso, com o fim do ranking da pandemia é chegada a hora de mudanças no tênis. E parece até que o mundo adaptou-se rapidamente às alterações. Tanto é que as semifinais de Cincinnati foram definidas como o novo Big 4, com Daniil Medeved, número 2, Stefano Tsitsipas, 3; Alexander Zverev, 4; e Rublev apenas o 7, mas entre os quatro melhores em ação no torneio.

Na atual temporada, Nadal deve permanecer entre os dez primeiros, mas tanto Federer como Thiem irão sair desse grupo. E a perspectiva é que jogadores como Zverev, depois do título importante em Cincy, deva ganhar confiança para brigar pelos campeonatos. Já o russo, Medvedev tem inclusive chances de se transformar no novo líder do ranking, enquanto Tsitsipas, em especial, e Rublev podem aparecer nas finais do Grand Slam americano.

Para o tênis brasileiro, Luisa Stefani volta a nos dar boas noticias. Pela primeira vez na carreira ocupa um lugar entre as 20 primeiras do ranking de duplas da WTA, criado em 1975. Mas devemos fazer justiça na lista dos jogadores que também estiveram nesse grupo. Muita gente esqueceu de citar os nomes de Carlos Kirmayr e Cássio Motta, que ocuparam um lugar entre os 5, assim como Marcelo Melo e Bruno Soares. Agora, citar Maria Esther Bueno como fora desse grupo causa-me um grande desconforto. Afinal em 1960, ela ganhou os quatro torneios do Grand Slam em duplas. Ora, com esses títulos não há dúvidas de que terminaria a temporada na liderança. Em 1964 fez final de Roland Garros em simples, foi campeã de Wimbledon e do US Open: lógico a número 1. Parabéns Luisa, a culpa não é sua, mas não podemos apagar a história de tantos tenistas do País, que também brilharam nas quadras.

 

Big 3 em xeque: peça importante, Federer, está fora de combate
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 16, 2021 às 3:57 pm

Como num jogo de xadrez o Big 3 está em xeque. Ainda não é um xeque-mate, mas vai exigir de Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer uma defesa ou um bom planejamento para um contra-ataque. Peça importante nesse tabuleiro, o tenista suíço está fora de combate. Com mais uma cirurgia não jogará o US Open, nem tem previsão de volta, nem de aposentadoria.

O fato mais dramático é que pela primeira vez em 20 anos, o Big 3 está fora de ação dos preparatórios para o US Open: os Masters do Canadá e Cincinnati. Isso não acontecia desde 2001, quando Federer sentiu uma lesão na virilha e não participou da temporada norte-americana de quadras duras. Desde então, pelo menos um dos três sempre jogou no Canadá ou em Cincy.

A situação é preocupante. Afinal, também Rafael Nadal deixou a América e viajou para a Espanha com objetivo de consultar-se com seu médico, Ángel Ruiz Cotorro. Ficou sem sequer treinar por 3 semanas após sua eliminação em Roland Garros. Abriu mão das participações em Wimbledon e dos Jogos de Tóquio. Tentou voltar em Washington, perdeu na segunda rodada, viajou para Toronto, mas não jogou. Sua volta é incerta. Mas mesmo que aconteça entraria num Grand Slam sem uma devida preparação. Além disso, o espanhol não disputa qualquer competição sem ter a certeza de que pode lutar pelo título. Jogar uma ou duas rodadas, não é com ele.

A situação de Novak Djokovic, ao meu ver, é estranha. No início do ano conquistou o  9° título do Aberto da Austrália, levou a segunda Taça dos Mosqueteiros em Roland Garros e brilhou também em Wimbledon, pela sexta vez na carreira. Mas em busca de uma medalha de ouro inédita na Olimpíada deixou a desejar. Não só saiu de mãos abanando de Tóquio, como colocou dúvidas para sua volta ainda marcada para o US Open. O sérvio terá a chance de fechar o Callendar Year Grand Slam e igualar os feitos do australiano Rod Laver (por duas vezes) e do norte-americano Don Budge.

Além de toda essa pressão, Djokovic está vendo Daniil Medvev ameaçar a sua liderança no ranking. Em função das alterações provocadas pela pandemia, agora nessas semanas irão cair pontos ganhos em 2019 e 2020. Por isso, o sérvio depende apenas dele para manter a posição de número 1 do mundo, mas já avista o segundo colocado no retrovisor.

Enfim, estamos diante de novos tempos. Por sorte temos uma nova geração de muito talento e carisma. Mas não me arrisco a dizer que chegou a hora da troca da guarda.

 

Big 3 enfrenta uma nova era de desafios
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 9, 2021 às 3:24 pm

Trio de maior sucesso da história do tênis, o chamado Big 3 entra numa era agora repleta de imensos desafios. Novak Djokovic amargou resultados negativos na recente participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio e deixa dúvidas de como irá digerir esta situação. Roger Federer comemorou 40 anos, mas o peso da idade apareceu. Com duas cirurgias no joelho e poucas jogos oficiais segue fora das quadras. Rafael Nadal voltou, depois de dois meses. Revelou que sentiu muitas dores numa lesão no pé esquerdo, desistiu de Toronto e coloca dúvidas sobre seu futuro na temporada norte americana.

Já Djokovic admitiu, segundo o site TennisWorldUSA, que não teve nenhum arrependimento de ter viajado a Tóquio. Disse que se sentiu bem ao interagir com atletas de outras modalidades na Vila Olímpica. Porém, informou que sentiu problemas físicos no Japão, mas não buscou essa justificativa para suas derrotas nos Jogos.Superar frustrações faz parte da vida de qualquer tenista profissional. Afinal, como diz o genial John McEnroe “o tênis é um esporte de perdedor. A semana que você não perde é campeão”. Só que não parece ser tão simples assim. Algumas derrotas doem mais e deixam profundas cicatrizes. Este parece ser o caso dos Jogos de Tóquio. Tanto é que o desânimo bateu na porta do sérvio, a ponto de colocar em dúvida até mesmo sua participação no US Open, o que não acredito.Enfim, o número 1 do mundo ainda tem tempo e tranquilidade para o US Open. O Grand Slam norte-americano dá ainda algumas semanas para o sérvio e Djokovic segue com um bom saldo a liderança do tênis masculino.

O ranking passa a ser uma preocupação a mais para Rafael Nadal. O tenista espanhol perdeu a terceira posição para Stefano Tsitsipas nesta semana. Mas, sinceramente, ser três ou quatro do mundo pouca diferença faz, na minha opinião. Para Flushing Meadows, por exemplo, se a lista de classificados seguir como está, Djokovic abre a chave e Daniil Medvedev fica na posição de número 128. Tsitsipas e Nadal vão a sorteio para saber que fica no quadro de cima ou de baixo. Recuperar o terceiro lugar funcionaria sim no aspecto de confiança, que sempre foi uma das maiores virtudes de Nadal. Com bons resultados nesta temporada norte-americana de quadras duras, o espanhol poderia chegar a Nova York em boas condições de defender o título de 2019. Digo defender, pois em função da pandemia, ele ainda tem os 2000 pontos referentes a vitória sobre Medvedev, que só irão cair no dia 13 de setembro.

Situação envolvida em muitas incertezas enfrenta Roger Federer. Era aposta certa que o suíço jogaria em Tóquio, não só pela importância do evento e conquistar uma medalha de ouro em simples, como pela relação com seu patrocinador. Mas nada disso aconteceu. Respeitou os pedidos do seu corpo e recentemente anunciou que não joga nem Toronto, nem Cincinnati.

Toda este cenário, aliado ao crescimento da nova geração, só cria ainda mais expectativas para o quarto e último Grand Slam do ano: o sempre eletrizante US Open.

Meninas do Brasil vivem um conto de fadas
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 2, 2021 às 5:39 pm

No clima agitado dos Jogos de Tóquio ainda há tempo para celebrar a histórica medalha de Luisa Stefani e Laura Pigossi. A façanha soou como um conto de fadas, com final feliz. Em um evento com tantas desistências, o espírito olímpico invadiu o coração das meninas brasileiras. E a conquista também premiou o esforço e insistência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), através das ações do seu diretor Eduardo Frick.

O título acima “meninas do Brasil” é uma forma também de homenagear o tênis feminino brasileiro, como enfatizou a jornalista Diana Gabaniy.  Em um post muito bem escrito nas mídias sociais, ela  exaltou o esforço e dedicação de todas as jogadoras do País que, de uma maneira ou de outra, também escreveram seus nomes na história.

Assim como muitos contos de fadas, o resultado final é improvável, mas revela a importância do imaginário no pensamento positivo. É acreditar sempre. Tanto Luisa como Laura estavam num caminho difícil, mas certeiro para obter sucesso na carreira, ou seja, buscando um lugar ao sol, fora do Brasil. Afinal, para os sul americanos jogarem tênis em nível competitivo as viagens são imperativas.

Os acontecimentos que levaram o Brasil a conquistar a sua primeira medalha no tênis já são conhecidos. Mas creio que nunca é demais enfatizar que Laura Pigossi estava no Cazaquistão e foi surpreendida pela notícia – depois de insistentes tentativas de contato por Frick -. Sem contar ainda com a corrida contra o tempo do diretor da CBT para acordar Luisa, nos Estados Unidos, e fechar a inscrição da dupla brasileira lá no último minuto.

O improvável começou já na estreia, com vitória sobre as cabeças de chave número 7, as canadenses Dabrowski e Fichman. Seguiu com um verdadeiro milagre nos quatro match points diante de Pliskova e Vandrousova. E depois de passarem por Mattek-Sands e Pegula, não desistiram após a derrota para Bencic e Golubic. A ponto de num entusiasmo de encher os olhos saíram de um buraco enorme, com desvantagem de 9 a 5 no match tie break para garantir um lugar no pódio depois de superarem Kudermetova e Vesnina.

Essa medalha representa o resultado de um esforço coletivo. O time brasileiro contou com a experiência e competência do capitão Jaime Oncins. Não se pode esquecer que Daniel Melo – irmão de treinador de Marcelo Melo – também colocou todos os seus conhecimentos para ajudar uma outra dupla e merecer também festejar com todos essa incrível conquista em Tóquio.

 

Tóquio revela desfalques, mas vale ouro
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 19, 2021 às 3:30 pm

Não é segredo para ninguém que os Jogos Olímpicos de Tóquio seriam diferentes, por conta dessa pandemia. O torneio de tênis não escapou de um número enorme de desfalques. Mas não tenho dúvidas de que para a grande maioria dos jogadores, um título de Grand Slam, ou até mesmo de um 1000 (ATP ou WTA) vale mais do que uma medalha. Nem todos pensam assim, mas é um sentimento comum entre muitos.

Esta falta de interesse para Tóquio – é claro que agravada fortemente pela Covid-19 e as inúmeras restrições impostas aos participantes – já foi sentida, de certa forma, pelo Australian Open. A competição era jogada no final da temporada, na distante Melbourne. Tenistas estavam exaustos e não queriam atravessar o mundo, mesmo para um Grand Slam.

A diferença é que a Austrália melhorou e muito. Mudou de data, passou para o início da temporada, realizou reformas, construiu novas quadras cobertas e transformou-se num dos eventos mais atraentes para os tenistas de todo o mundo.

Enquanto isso, o torneio olímpico piorou em função de uma infeliz rivalidade entre a ITF (organizadora do evento) e as associações de classe, a ATP e a WTA. Em Londres, o campeão de simples recebia 700 pontos para o ranking, algo compensador, em se tratando de um torneio a mais. Só que para o Rio de Janeiro e agora também Tóquio, a competição segue sem pontuação.

É claro que participar de uma Olimpíada é uma experiência que qualquer atleta gostaria de viver. Mas, justamente, para o tênis o interesse sempre foi relativo. A modalidade fez parte desde os primeiros Jogos em 1896 e depois saiu em 1924. Por que cargas d’agua aconteceu isto? Só voltou em 1988 (quatro anos antes foi disputado como exibição) e com nova cara e relativo interesse. Mas, desde o Rio, deu um passo atrás.

A competição é grande. São 188 jogadores em cinco eventos. As chaves de simples e duplas, masculina e feminina começam dia 24. A final entre as mulheres está marcada para o dia 31 e entre os homens no dia primeiro de agosto. As mistas iniciam-se dia 28 e serão disputadas em quatro rodadas. Em todas as chaves os semifinalistas disputam bronze.

Os jogos serão em quadra dura no Ariake Coliseum, o mesmo estádio que recebe o Japan Open e o Pan Pacific Open. É um dos poucos lugares em que se orgulha de ter um teto retrátil, mas não poderá receber as dez mil pessoas de sua capacidade.

Dos últimos campeões, Andy Murray, Rafael Nadal,
Serena Williams e Monica Puig, apenas o britânico estará na chave a ser sorteada no dia 24.

Djokovic deixa tudo igual, mas diferente
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 11, 2021 às 6:13 pm

20/20/20 São os números de troféus de Grand Slam dos três maiores tenistas da história. Pela ordem de idade são Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Está tudo igual, mas diferente pelas perspectivas. O Sérvio de 34 anos está com fome e forma para alcançar outras conquistas. O espanhol, com 35, tem também boas chances. E o suíço, com 39 quase 40, vai precisar de muita sorte ou até mesmo um milagre, mas segue tendo a torcida de muitos para concretizar esta façanha.

Alguns analistas já foram mais duros ao revelar suas perspectivas. Um deles é o ex-campeão e hoje comentarista da tevê americana John McEnroe. Ele foi taxativo em dizer que Federer não ganha mais Slams, acrescentou que Nadal pode levar mais um, e Djokovic deve ganhar muitos outros.

A realidade está escrita com letras fortes. Dos 20 troféus de Grand Slam, Djokovic conquistou os últimos oito após completar 30 anos. O sérvio está em forma invejável e numa jornada que está longe de se encerrar.

Antes que comecem os gritos das rivalidades, gostei demasiadamente do discurso de Novak Djokovic a respeito do big 3. Disse com sinceridade que deve pagar um tributo ao que fizeram Federer e Nadal. A importância dessas lendas o motivaram e o fizeram um melhor jogador, em diversos aspectos. Reconhece ainda que ao chegar ao top 10 colecionava mais derrotas contra ambos do que vitórias. Aprendeu perdendo.

Aliás essa é uma característica louvável no comportamento de Novak Djokovic. Enfrentou dificuldades desde criança e, assim como aprendeu com Federer e Nadal, jamais desperdiçou oportunidades de se tornar o número 1 do mundo.

E o clima amistoso no big 3 levou até mesmo Roger Federer a declarar que se sente orgulhoso com a oportunidade de ter vivido com Djokovic uma era especial do tênis. E, sem dúvida, respeitando as preferências individuais uma verdade é que somos privilegiados por sermos contemporâneos de uma geração  de gênios da raquete como esta.

A decisão de Wimbledon também trouxe um novo finalista. Matteo Berretini deixou claro que esta derrota não é o fim, mas sim apenas o começo de uma carreira já brilhante.

BARTY: O título de Wimbledon ficou em boas mãos. É isso mesmo, acho que o tênis feminino cresceu com a conquista da tenista australiana. Ela acrescentou estilo à modalidade. Revela uma variação de golpes pouco comum entre as mulheres. E talvez isso sirva de inspiração para novas jogadoras, pois as atuais revelam um jogo muito parecido.

Também foi muito bonito e apropriado Asheigh Barty usar um uniforme em homenagem a última campeã australiana em Wimbledon, Evonne Goolagon, campeã em 1971 e em 1980.

 

Wimbledon chega à reta final com emoções e casa cheia
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 4, 2021 às 9:21 pm

O mais antigo torneio do planeta mantém sua tradição de competição emocionante e polêmica. A grama era a superfície de três dos quatro Grand Slams, mas hoje revela-se traiçoeira, escorregadia e cruel. Tirou de cena Adrian Mannarino, Serena Williams e puniu Stefano Tsitsipas, que subestimou sua preparação.

Agora, Wimbledon chega a reta final com perspectivas de duelos incríveis e uma atmosfera eletrizante. Afinal, a organização do All England Club já anunciou que a partir das quartas de final iremos ter casa lotada. Difícil entender esta atitude diante de uma pandemia, que sei lá se está sob controle. Nestes primeiros dias vimos arquibancadas bem cheias, com gente sentada lado a lado, sem máscara, mas com entrevistas pós jogo respeitando o distanciamento. Ora, se na arquibancada pode ficar tudo junto e misturado, por que não numa área livre como a quadra? Enfim, o melhor mesmo é ficar na torcida para nenhuma nova onda.

Em quadra, Novak Djokovic mantém seu favoritismo, mas ainda distante de seu melhor tênis. Segue vencendo, mas sem ser aplaudido como gostaria. O sérvio jamais esquece o fato de não contar com apoio da torcida. Acho bem curioso, pois é um gênio da raquete e vejo como um privilégio ser seu contemporâneo.

O queridinho da torcida – e não poderia mesmo ser diferente – Roger Federer chegou a seu objetivo declarado de ir a segunda semana. Só que o sonho seria um novo título para coroar sua brilhante carreira. O suíço tem uma chave bastante difícil e talvez tenha mesmo de se conformar em estar nas oitavas de final neste ano. Mas jamais devemos duvidar de um jogador como ele.

A chave masculina também revela um número dois do mundo, que saiu do buraco no seu último jogo. Perdia por 2 sets a 0 para Marin Cilic e ressurgiu com uma força assustadora. Ele tem ainda uma remota chance de terminar Wimbledon na liderança do ranking. Para isso precisa levantar o troféu de campeão, ou ir a final, desde que Djokovic seja eliminado nas rodadas anteriores, como lista o informativo da ITF desta segunda feira.

Confesso que no fundo hoje deu uma vontade de reviver os bons tempos em Wimbledon. Se estivesse lá não iria perder a chance de ver o jogo de Sebastian Korda contra Karen Khachanov. O tenista americano filho do campeão do Australian Open, Petr Korda, na sua primeira participação no Grand Slam inglês mostra um tênis de qualidades invejáveis e carrega no sangue o espírito vencedor.

Entre tantos bons duelos também não dá para perder o das campeãs de Roland Garros: Ashleih Barty e Barbora Krejcikova. A australiana, na minha opinião, tem o estilo mais apropriado à grama. Mas, até agora, não jogou seu melhor. Enquanto a tcheca é considerada versátil em qualquer superfície. Enfim, o ideal seria poder estar de olho em todas as quadras do All England Club. Um sonho para todos nós amantes do tênis…

 

Djokovic abre Wimbledon e vem com inédita preparação
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 26, 2021 às 9:41 pm

Como campeão do ano passado, Novak Djokovic tem a honra de abrir o Torneio de Wimbledon, numa tradição nem sempre possível. Depende, muitas vezes, dos defensores do título, que por vários motivos aceitáveis, como recuperação de lesão ou vindo de outra competição, pedem para estrear apenas na terça, ou mesmo na quarta feira. Mas Nole este ano fez, na minha opinião, a preparação dos sonhos para chegar ao AELTC em boa forma.

O torneio de Wimbledon, além de ser disputado numa superfície não muito comum nos dias de hoje, é infernal nesses primeiros dias. Não há muitas condições para treinos tranquilos. Algumas quadras estão fechadas e resta o Aorangi Park. Trata-se de um canto do All England Club reservado aos treinamentos. Já vi muitos astros do circuito tendo de dividir espaço. Ora uma dupla fica cruzando bola de direita. Depois combina com a outros dois jogadores e cruzam de esquerda. E para jogar um set então as dificuldades aumentam. Sem contar que nos dias de chuva ficam liberadas umas quadras de carpete num galpão do outro lado da rua. Por isso alguns tenistas, os mais abonados especialmente, chegam até a alugar casas nos arredores com quadra exclusiva.

Djokovic saiu de tudo isso na semana de preparação. Participou de um torneio – o que não é comum para jogadores que sonham com um título de Slam – mas apenas disputou a chave de duplas. A modalidade é muito boa para quem busca adaptação à grama. Treina-se o saque, a devolução e os voleios. Armas muito poderosas na superfície de Wimbledon.

Além disso, em Maiorca Djokovic fugiu do estresse e da tensão de Londres. É claro que como grande astro de uma competição menor, teve quadra livre a hora que quisesse. Vi até um vídeo dele batendo bola com seu filho. Entre outros detalhes também não perdeu. Apenas teve de abandonar a competição pois seu parceiro Carlos Gomes-Herrera sentiu uma lesão. O único fato que pode tirar o foco do número 1 é o reaparecimento dos comentários da sua associação a PTPA. Pelo que conheço da imprensa britânica, seja a séria ou a sensacionalista, este será um assunto em todas a suas coletivas.

Para seu jogo de estreia Djokovic vai precisar estar muito tranquilo e bem preparado. Seu adversário é pouco conhecido e nem tem um ranking dos melhores. Jack Draper é um inglês que nasceu nas quadras de grama e vem de vitórias importantes no torneio de Queen’s. Bateu Jannik Sinner e Alex Bublik. E a primeira rodada sempre é um pouco mais nervosa.

Se tudo correr como o esperado, Djokovic pode cruzar novamente com Stefano Tsitsipas. O duelo está longe ainda, mas, sem dúvida, seria um jogo de tirar o fôlego.

Chegar a segunda semana de Wimbledon é o sonho do super campeão Roger Federer. Para quem reinou muitos anos na grama sagrada de Wimbledon pode parecer pouco, mas a previsão é real. Nessas situações sempre lembro de Pete Sampras. O norte-americano ficou longo período sem títulos e, de repente, ganha o US Open, na sua despedida. Por isso, não arrisco palpites sobre o suíço, embora a situação seja claramente ruim.

A chave masculina de Wimbledon este ano, para alguns analistas, ficou boa para um lado, o de cima, onde está o número 1, Djokovic, e mais difícil no quadro inferior. Só que na grama, o jogo é muito peculiar. É uma superfície traiçoeira e rápida. Por isso, certamente nos primeiros dias vamos ter a impressão de que vários tenistas estariam batendo na bola ‘atrasados’, mas é resultado do solo escorregadio.

No lado da chave feminina, com Serena Williams distante de seu melhor tênis, fica tudo muito aberto. Mas há a expectativa de grandes duelos. Vejo Ashleigh Barty com estilo perfeito para a grama. Muita curiosidade sobre o que vai fazer a campeã de Roland Garros, Barbora Krejcikova. O mesmo sentimento para Bianca Andrescu, que não vem repetindo as boas atuações que a levaram a vencer o US Open. Também a espera do que podem jogar Aryna Sabalenka, Maria Sakkari, Garbine Muguruza entre outras como Jelena Ostapenko, que reapareceu em Eastbourne.

Enfim, já com saudades do Torneio de Wimbledon, que não foi disputado ano passado, a expectativa é de muitas emoções desde o primeiro dia. Afinal, dos quatro eventos do Grand Slam de tênis, três eram jogados na grama, agora só o do SW-19 em Londres.