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Wimbledon é cancelado. E o tiro no pé da ATP
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 1, 2020 às 5:19 pm

Como já era de se esperar o torneio de Wimbledon foi mesmo cancelado. Uma série de motivos levaram o All England Club a tomar essa decisão, mas a principal delas foi a superfície de grama. Com a crise do coronavirus e o consequente isolamento social, não haveria tempo hábil de as quadras estarem em condições de jogo na data prevista. Além disso, Londres vive um estado de calamidade e não se sabe até quando vai durar esse pesadelo.

Um adiamento também já tinha sido descartado, pois não se poderia garantir o bom nível do piso e, consequentemente, do jogo e até mesmo colocando em risco os tenistas, sob ameaça de lesões. Um fato curioso é que a grama foi a superfície de três dos quatro torneios do Grand Slam.

De uma certa forma o acontecido com Wimbledon foi o mesmo que se passou com Roland Garros. Se em Londres não haveria tempo para colocar a quadra em ordem, em Paris – também em isolamento social – não daria para cumprir o cronograma de obras do complexo.

Em Roland Garros sendo mesmo realizado em setembro, como prevê a nova data,, a ATP deveria rever seus conceitos e ameaças, como a de não dar pontos no ranking para o Grand Slam francês. Como associação de classe precisaria olha para seus integrantes e não apenas focar nos jogadores milionários que podem passar meses e meses sem jogar. A grande maioria dos tenistas precisa trabalhar. E se não houver mais a necessidade do isolamento social, situação óbvia para a realização do torneio, não se deveria tirar o incentivo dos jogadores em disputar Paris, lembrando que o prêmio de primeira rodada é de 50 mil euros. Este valor não fará qualquer diferença para astros como Novak Djokovic, Rafael Nadal ou Roger Federer, entre outros, mas pode salvar a temporada de muitos e muitos que estão parados atualmente.

Em tese, o circuito poderá voltar em 13 de julho, segundo anunciou a ATP em comunicado conjunto com a WTA. Curiosamente, seria na semana do ATP 500 no saibro de Hamburgo. Uma época do ano em que as superfícies se misturam muito.

Assim haveria tempo para preparação tanto para Roland Garros, como para o US Open. O Grand Slam americano ainda não se pronunciou sobre um possível adiamento ou cancelamento. O complexo de tênis batizado de Billie Jean King, hoje transformou-se num imenso hospital de campanha.

 

 

Coronavirus deixa tênis em pé de guerra
Por Chiquinho Leite Moreira
março 20, 2020 às 6:15 pm

Tudo começou com a rápida e ousada decisão de Roland Garros em anunciar uma nova data para a realização do torneio. O mundo do tênis acusou os franceses de decisão unilateral e reagiu suspendendo o circuito até o dia 8 de junho, ou seja, um dia após o término do Grand Slam francês no calendário original.

A atitude mais provocativa  e que deixa o tênis em pé de guerra veio num recente comunicado sobre a decisão de mudar a volta do tour de 27 de abril para 8 de junho, em razão da pandemia. Um detalhe deixa bem claro a indignação com o franceses. Afinal, o documento é assinado pela ITF (Federação Internacional de Tênis), AELTC  ( o All England Club, organizador de Wimbledon), a USTA (faz o US Open), Tennis Austrália, WTA e ATP e só não tinha o aval da FFT (a Federação Francesa de Tênis).

A decisão de adiar Roland Garros foi tomada de maneira muito rápida, pois já se tinha uma certeza: não daria para cumprir o cronograma de obras no novo complexo e da Philippe Chatrier, em razão da proibição do governo francês de reunir 500 operários nas obras por causa do coronavirus.

Embora o presidente da FFT, Bernardo Giudicelli, tenha afirmado que escolheu uma quinzena tranquila – de 20 de setembro a 4 de outubro -na realidade o Grand Slam parisiense atropelaria uma série de outros eventos. Entre eles, a badalada Laver Cup, de Roger Federer. O dirigente francês reconhece que não consultou o tenista suíço, mas falou com seu agente Tony Godsick. Enfim, criou-se mais uma intriga. Afinal, Federer estaria disposto a jogar o US Open, mas não iria a Paris duas semanas depois.

Apesar deste clima, o cenário ainda é muito incerto. Nem sequer sabe-se se o Tour vai mesmo poder voltar dia 8 de junho. Nem mesmo o que vai acontecer com a Olimpíada, que achataria ainda mais o já complicado calendário do tênis. Mas uma coisa é certa: quem tinha Roland Garros nos planos, sabe que pode pedir o reembolso dos ingressos ou trocá-los para a nova data. Refazer os planos ou desistir de vez.

Indian Wells dá o sinal de alerta
Por Chiquinho Leite Moreira
março 9, 2020 às 3:22 pm

O cancelamento do ATP 1000 de Indian Wells não pegou apenas jogadores de surpresa. A decisão foi drástica e tomada sob pressão. A organização do torneio já havia anunciado diversas medidas preventivas, como o uso de luvas pelos pegadores de bola e a proibição dos boleirinhos de tocar nas toalhas dos tenistas. Chegou-se até mesmo a se cogitar a disputa da competição sem público, apenas com transmissões de TV. Mas, nem tudo isso foi suficiente. E, embora o discurso seja de “não pânico”, o sinal de alerta está acionado.

A expectativa fica agora para o Masters de Miami.  Segundo os twitters disparados pela rede internacional de notícias de tênis há muito mais casos confirmados de Coronavírus na Flórida, do que propriamente na Califórnia.

Diante da eminente possibilidade de não poderem trabalhar, os tenistas espernearam. A primeira reclamação foi a de que não foram avisados com a devida antecedência. Mas ganharam apenas o direito de utilizarem as instalações de Indian Wells para treinamentos. Ainda não oficial, mas os jogadores da chave principal de simples podem receber prêmio de primeira rodada, US$ 18,155, enquanto os outros terão mais alguns dias de acomodações pagas.

E neste clima de incertezas, enquanto Rafael Nadal usa as redes sociais para mandar mensagens otimistas, como a de que espera por soluções breves, jogadores menos afortunados correm para competições menores para seguir exercendo a profissão..

Não há dúvidas que o início do calendário de 2020 para a série dos torneios Masters 1000 está seriamente ameaçada. Mas também o ATP 500 do tradicional Torneio Conde de Godó, já se manifestou ao cancelar a apresentação à imprensa da competição. A Espanha, até a manhã desta segunda feira, dia 9 de março, contabilizava 999 casos de Corona Vírus, com a maior parte em Madri. Mas Barcelona também vive estas preocupações com eventos que reúnem milhares de pessoas.

Há situações consideradas piores. Os dois maiores exemplos são Monte Carlo, devido a proximidade com a Itália, e, é claro, o Aberto de Roma, no Foro Itálico.

A esperança para eventos como a Olimpíada de Tóquio,  segundo um amigo jornalista japonês, Kaoru Takeda, fluente em português, é a de que com a chegada do verão a situação melhore. Ele adverte que no período dos Jogos as temperaturas são muito altas no Japão. Por isso, mantém-se o clima de expectativa, acompanhado, é claro, por incertezas.

 

 

 

Wild está entre os destaques da semana da ATP
Por Chiquinho Leite Moreira
março 2, 2020 às 5:48 pm

Será que já é hora de colocar tanta pressão em Thiago Wild?Particularmente não gosto de comparações, como o primeiro brasileiro desde Guga a… o mais jovem desde Nadal … Mas, por outro lado, os fatos são inevitáveis. E a ATP diante das conquistas da semana no circuito colocou Wild entre os destaques e, como não poderia deixar de ser, ao lado dos títulos de Novak Djokovic, cinco vezes campeão em Dubai, e de Rafael Nadal, com o terceiro troféu em Acapulco.

Certa vez, uma revista de grande circulação no Brasil convidou-me para escrever uma reportagem sobre uma promissora tenista, a Bia Haddad. De primeira recusei. Não queria correr o risco de eventualmente estragar a carreira de uma jovem tenista de enorme potencial. Mas, aos poucos, fui convencido de que seria inevitável. E lá fui eu para o Clube Pinheiros exercer meu trabalho.

Hoje surge o Thiago Wild. Já não é a primeira grande conquista deste jovem paranaense. Afinal, ele tem um título de Grand Slam, na chave juvenil do US Open. E agora, aos 19 anos, ganha o seu primeiro troféu da ATP, em Santiago. Subiu 69 posições no ranking, para ser o número 113, e torna-se inevitável, mais uma vez, que não se dê o devido destaque para esta conquista histórica.

Apesar de Wild já ocupar um lugar entre os melhores da chamada Next Gen, a verdade é que a rotina de títulos de Djokovic e Nadal segue firme e forte. A única novidade é que o “Big 3″ perde o seu número três, com Roger Federer cedendo o seu lugar para Dominic Thiem.

Djokovic, para mim, é o que está em mais impressionante forma. Tem o melhor começo de temporada desde 2011, quando obteve 41 vitórias. Atualmente tem 20 seguidas e 18 no ano. Mas o que realmente merece especial atenção é seu desempenho impecável, apenas arranhado na semifinal contra Gael Monfils, em que salvou 3 match points. Mas esta foi uma virada daquelas da série “eu já sabia”.

O sérvio também mostrou incrível confiança ao revelar na entrevista pós jogo que seu objetivo é ser imbatível na temporada. Entre ser uma ironia ou brincadeira, o certo é que está jogando um tênis de altíssimo nível, acompanhado de sua já conhecida força mental.

Nadal não deixa para trás. Se Djokovic conquistou o 79. título, o espanhol levantou o 85. troféu. E ao colocar, uma vez mais, o ‘sombrero’ mexicano em Acapulco, deixou a quadra com uma frase marcante: “não poderia estar mais feliz”. Enfim, como já disse por aqui, o ano promete…

 

Nem só o glamou conta a história de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 26, 2020 às 8:10 pm

Por trás do glamour das vitórias, do  sucesso, da fama e fortuna, a vida de Maria Sharapova conta uma história de superação, sacrifícios e muita luta. Aos 32 anos, com 28 dedicados ao tênis, ela deixa as quadras, mas jamais deixará de existir como uma grande campeã, uma vencedora em todos os aspectos.

Tive a sorte e o privilégio de acompanhar por alguns bons anos a carreira de Maria. E um dos momentos mais marcantes aconteceu já há muito tempo no torneio de Miami. Ela surpreendeu a todos ao abrir seu coração e  contar fatos de sua luta solitária para vencer no esporte e os episódios quase que diários de perseguição e discriminação.

Tudo começou muito cedo. E a cena é daquelas de filmes em que uma criança é deixada numa cesta à porta de uma família para ser criada. Com seis para sete anos, Maria embarcou com seu pai, Yuri, para a América. Ambos chegaram a Flórida em um ônibus da famosa companhia de transportes rodoviários Greyhound e foram a uma das mais conceituadas academias de tênis dos Estados Unidos. Sem falarem inglês e com apenas 700 dólares no bolso, pai e filha convenceram Nick Bolletieri e treinar a garota magrela, desengonçada, mas com apelos talentosos. Em outros tempos, a menina russa não foi bem recebida e iniciou um longo período longe da família.

Para quem começou a jogar com apenas 4 anos, com uma raquete quase do tamanho da garota, o sucesso de Maria veio precoce. Aos 17 anos, ela celebrou o primeiro dos 5 títulos de Grand Slam, em Wimbledon 2004. Sem entender muito bem a magnitude do que havia conquistado, a jovem campeã quebrou o protocolo do conservador All England Club, pegou um celular e ligou para sua mãe Yelena, a quem há muito nem sequer via. Já na época, a cena foi interpretada como uma jogada de marketing. Verdade ou não, meses depois a tenista russa assinou contrato de patrocínio com uma marca de celulares, que inclusive disponibilizou aparelho com toques de chamadas com os gritinhos típicos de Sharapova nas quadras.

Enfim, para uma garota que ainda tinha como uma de suas maiores preferências a coleção de selos, o sucesso estava garantido com o troféu de Wimbledon. Mas não parou por aí. Seguiu ganhando títulos e inclusive completou o Slam de carreira, com conquistas nos quatro maiores torneios do planeta.

Seu sucesso incomodou. Por muitos anos faturou muito mais fora das quadras, em publicidade e licenciamentos, do que com a  premiação dos vários torneios. As vitórias seguiam até surgir o primeiro grande impacto: a punição por doping. Aliado a isso, uma série de lesões. A primeira cirurgia foi ainda em 2008 e último no ano passado. Foram incontáveis os meses que passou em sessões de fisioterapia.

A consequência chegou agora aos 32 anos de idade. Maria Sharapova pede perdão ao tênis, mas anunciou o fim de sua carreira. Garante que tem outras montanhas íngremes a escalar, mas sem mais uma raquete na mão.

 

Emoções da temporada 2020 chegam ao Brasil com Rio Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 16, 2020 às 10:24 pm

O ano de 2020 começou como uma das mais vibrantes temporadas do tênis. O ATP Cup deu novas cores e, sem dúvida, é um evento que veio para ficar. Novak Djokovic aumentou seu domínio e com o 17. troféu de Grand Slam deixa ainda mais impressionante a lista dos maiores campeões, em que Rafael Nadal aproximou-se de Roger Federer, com o título do US Open. O Big 3 continua big.

Em praticamente todos os torneios até agora sobraram emoções. A nova geração ainda não conquistou nenhum Grand Slam, mas não se pode negar que são tenistas talentosos e carismáticos. E um dos principais representantes do chamado Next Gen, Dominic Thiem, está no Rio em busca do segundo título deste torneio.

Porém, o sorteio da chave do Rio Open pode não ter sido muito generoso aos organizadores, pelo menos ao meu ver. Ter o Thiem na primeira rodada com Felipe Meligeni pode, por um lado, ser uma boa experiência para o nosso ex-juvenil, mas, por outro, não lhe dá muitas esperanças de seguir na competição.

Os outros brasileiros na competição também irão encarar grandes desafios, aliás o que é comum em torneios da série ATP 500. Thiago Monteiro enfrenta o argentino Guido Pella, em duelo de canhotos. O convidado Thiago Wild vai ter pela frente um revelação da Espanha Alejandro Fokina. Mas se o brasileiro jogar tudo que sabe tem boas chances de avançar no torneio.

Vejo que o sorteio também não coloca outro wild card com muitas chances. É o caso Carlos Alcaraz, considerado um futuro grande campeão. Só que terá pela frente um jogador experiente e perigoso como Albert Ramos Vinolas.

Outro duelo que vai tirar um grande nome logo na primeira rodada reúne o cabeça de chave número 2 Dusan Lajovic e Marco Cecchinato. O também italiano Lorenzo Sonego fará um encontro difícil contra Leonardo Mayer.

A emoção da atual temporada também tomou conta do feminino. Sofia Kenin foi mais uma inédita campeã de Grand Slam, na Austrália, vinda depois de Bianca Andrescu, Ashleigh Barty e Naomi Osaka. A modalidade também verá nesta semana a volta de uma grande campeã, a belga Kim Clijsters. Sem jogar desde 2012, ela estreou no WTA de Dubai diante de Garbiñe Muguruza e perdeu em dois sets, mas levando o segundo para o tie break. O ano promete.

Next Gen dá as caras, mas falta um Grand Slam
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 19, 2019 às 1:31 pm

É claro que esta nova geração é bem vinda. Ainda mais com tenistas de grande talento e de um tênis bonito, como apresentaram Stefano Tsitsipas e Dominic Thiem, nesta decisão do ATP Finals de Londres. Mas em uma recente análise às repercussões da mídia internacional, ainda é forte a cobrança por um título de Grand Slam da chamada Next Gen.

Roger Federer, o recordista de títulos de Grand Slam, confessou em recente entrevista, em Buenos Aires, que prevê uma próxima temporada bastante exigente. É claro que confia em mais um troféu. Esteve muito perto disso, em Wimbledon. Mas vê o amadurecimento da nova geração, como ficou evidente no Finals de Londres. Aos 38 anos e três meses, o suíço foi o representante do “Big 3″ nas semifinais.

Campeão do Finals, Tsitsipas tem opinião diferente dá de Federer. O jovem tenista grego diz que que o formato dos Slams, com jogos em melhor de cinco sets, favorece aos jogadores do Big 3. E neste aspecto ele tem razão. Afinal, são poucas as oportunidades atualmente de se disputar partidas nesta condição. Até mesmo a Copa Davis agora está em melhor de três.

Ainda assim, sou de opinião que um título de Slam para o Next Gen está muito próximo e pode acontecer em 2020. Recentemente, no US Open vi de perto Daniil Medvedev reagir a dois sets abaixo para sonhar com a vitória em Nova York. Rafael Nadal, como sempre, renasceu das cinzas e levantou mais um troféu, em emocionante decisão.

Não se pode esquecer também que Thiem esteve por duas vezes na decisão de Roland Garros. E jogadores da nova geração conseguiram em Londres resultados brilhantes, como, por exemplo, Alexander Zverev que marcou sua primeira vitória sobre Nadal. Tudo isso prova que este grupo de tenistas realiza uma transição de sucesso para o mais alto patamar do circuito profissional.

O ranking ainda reflete o domínio dos trintões. A lista dos top ten tem Nadal, Djokovic e Federer. A seguir aparecem Thiem, Medevev, Tsitsipas, Zverev, Matteo Berretini e o sempre bem vindo intruso Gael Monfils.

Não há dúvidas de 2020 promete ser um ano repleto de emoções. E talvez com boas novidades também nos torneios do Grand Slam. Por sorte temos o privilégio de sermos contemporâneo de Nadal, Djokovic e Federer e ainda ter a oportunidade de ver o aparecimento de uma nova geração de talento e carisma.

 

 

Nova façanha de Federer, outra virada de Nadal e Zverev joga de vilão
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 15, 2019 às 10:17 pm

Aos 38 anos, Roger Federer coloca-se como único representante do ‘Big 3′ nas semifinais do ATP Finals de Londres. Resultado de mais uma façanha do incrível tenista suíço. Derrotou o favorito Novak Djokovic colocando fim a uma duradoura série de insucessos diante do sérvio. E agora, o que para muitos é o GOAT, ou seja, o melhor de todos os tempos, irá desafiar um dos mais jovens promissores do tênis mundial, o grego Stefano Tsitsipas.

A classificação de Federer no Finals, depois de estrear com derrota diante de Dominic Thiem, responde a uma frequente questão dos atuais tempos: a aposentadoria. Tenho em mente que o pendurar das raquetes irá caminhar de acordo com os resultados. Enquanto ele conseguir vitórias brilhantes como esta sobre Djokovic, indo as semifinais de uma competição acirrada como esta de Londres, não faltará motivação, nem mesmo razões para deixar as quadras. Acredito sim, se, por acaso, Federer começar a parar em primeiras rodadas, não conseguir viver os grandes momentos, seria então a hora de pensar em deixar o tour profissional. Embora, o também genial Pete Sampras tenha mostrado o contrário. O norte americano passou praticamente dois anos sem resultados expressivos e então ao conquistar mais um título do US Open viu que era o momento de se despedir no auge.

Por isso, não sei se Federer vai dizer adeus na Olimpíada, se irá despedir-se com mais um título de Slam. Acho, sinceramente, que também ele pensa em deixar o tempo correr e os resultados irão determinar seu destino.

Café da manhã – Em um passeio pelo rio Tâmisa, a BBC de Londres reuniu o “Big 3″ para um breakfast. Um dos assuntos foi aposentadoria, com a reporter inglesa diante de três jogadores com mais de 30 anos. E a pergunta de quanto pendurar a raquete surgiu de primeira, com a apresentadora olhando direto para Novak Djokovic, o que surpreendeu. O sérvio saiu-se pela ala diplomática, correspondendo a uma hipótese que invadiu os corredores do tênis, em que ele teria ironizado ao falar que só deixaria as quadras depois de Federer e Nadal. Elegante, como sempre, o tenista suíço assumiu a postura de principal alvo da pergunta e tomou conta do assunto. Legal a forma como argumentou. Disse estar em novo momento. Viajar em família, viver grandes emoções no tênis são ingredientes que alimentam sua alma e o fazem estar motivado para seguir em frente.

De repente, já que Federer falou em família, a reporter virou o assunto para Nadal, recém casado, e sobre a possibilidade de ser pai. Meio surpreso, o espanhol concordou que talvez agora seja um bom momento. Quem sabe um novo Nadalzinho ou Nadalzinha deva chegar em breve.

Em quadra “Daddy Rafa” certamente deixaria seus pimpolhos orgulhosos. Em mais uma virada sensacional no Finals de Londres, derrotou o grego Stefano Tsitsipas. Em clima de glória recebeu o troféu comemorativo por terminar o ano na liderança do ranking. Sentiu o peso desta façanha, ao recolocar o troféu no pedestal – é um pouco pesado demais, disse – e revelou o segredo de seu sucesso: muito trabalho.

Apesar dessa vitória, Nadal não ganhou vaga nas semifinais. E como deve ter sido duro para Alexander Zverev jogar de vilão. Seu adversário Daniil Medvedev até tentou tirar proveito desta situação, ao chamar a torcida para seu lado, em momentos vibrantes do jogo. Mas, ao final, prevaleceu o bom momento do alemão. E vamos combinar, Zverev mereceu este status. Em confronto direto com Nadal, ele venceu com categoria.

 

 

Outra vitória mágica de Nadal; e Tsitsipas brilha
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2019 às 9:57 pm

Certa vez o genial tenista, e hoje comentarista, John McEnroe viveu um momento de como queimar a língua. O sempre enfático norte-americano, conhecido falastrão, via da cabine do então estádio central do US Open, a quadra Louis Amstrong, o holandês Richard Krakicek sacando um tie break com vantagem de 5 a 0. Como se tratava de um dos maiores serviços da época, Big Mac não hesitou: “Se ele perder este tie break vou comentar o próximo jogo de cabeça para baixo”.

Antes da construção do estádio Arthur Ashe, a Amstrong era também um gigante. Mais de 20 mil lugares. Só que tudo cresceu ao gosto da necessidade e improviso. A media impressa – da qual fazia parte – sentava em banquinhos redondos e altos, destes de bar, com uma longa barra de madeira à frente. Eram apenas três fileiras com uma vista lá de cima, através de vidro, da quadra. Na mesma altura, sem barreiras ou portas, ficavam as cabines de TV. E não é que fomos ver McEnroe usando uma almofada para comentar alguns momentos de um jogo da rodada seginte de cabeça para baixo! Sem ironias, mas certamente, depois do que se viu nesta quarta feira, muitos teriam de ‘plantar bananeira’ depois do que fez Rafael Nadal diante de Daniil Medvedev.

Curioso, já não é a primeira vez que o russo sente o gostinho de uma vitória importante em cima de Nadal. A final deste ano do US Open caminhava sem muitas emoções, com os 2 sets a 0 a favor do espanhol. De repente, a atmosfera na Arthur Ashe ganhou cores emocionantes e de muita vibração. Em muitas trocas de bolas no quinto set vi Nadal nas cordas, a beira do nocaute. Só que como Fênix renasceu das cinzas e celebrou o título.

Incrível, mas pouco tempo depois repetiu a cena, agora de maneira ainda mais enfática. E vindo de derrota poderia imaginar-se que Nadal não teria condições de reagir. Chegou ao Finals como dúvida, em razão de uma lesão no abdômen. A ponto de viajar para Londres com o seu médico e da Real Federação Espanhola de Tênis, Angel Gottorro. Mas como sempre a gente gosta de lembrar no Ace BandSports, o espanhol certa vez desistiu da disputa de Roland Garros, na segunda rodada, quando ainda poderia jogar mais um pouco. Só que na entrevista coletiva ele afirmou que o este mesmo médico havia advertido que não suportaria mais cinco jogos – numero que faltava para ser campeão-. Por isso, desistiu. Então, se agora está em Londres é por acreditar que pode levantar o primeiro troféu do Masters de sua já tão brilhante carreira.

Por falar em brilhantismo, Stefano Tsitsipas também tem duas vitórias no round robin, assim como Dominic Thiem. E os mais de 30, Novak Djokovic e Roger Federer jogam agora por uma vaga nas semifinais…

 

 

 

Next Gen brilha e 2 do big 3 tropeçam em Londres
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 11, 2019 às 10:59 pm

Nasceu uma nova estrela no Next Gen de Milão, o italiano Jannik Sinner. Com apenas 18 anos, recém completados, brilhou em quadra, mas ainda sem a mesma intensidade de outros jovens tenistas dos tempos de Boris Becker, Mats Wilander ou Maria Sharapova, que levaram troféus de Grand Slam na adolescência. Mas também não dá para menosprezar o enorme talento deste tenista italiano, dono de uma frieza e personalidade admiráveis.

Apesar do bem vindo aparecimento de Sinner, a pergunta que sempre se coloca é quem vai ser o primeiro a conquistar um Grand Slam, enquanto o ‘Big 3″ estiver em ação. Londres nestes primeiros dias apresentou dois resultados que frustram a maioria dos torcedores. Mas criam novas perspectivas para a modalidade. Dominic Thiem derrotou Roger Federer e Alexander Zverev bateu, com categoria, Rafael Nadal.

Mais uma vez sem menosprezar o novo, confesso que não lembro de ver Federer tão irregular e também Nadal com tantos erros. É claro que ambos podem se recuperar na competição, mas terão de reencontrar-se com o melhor nível técnico.

Apesar da derrota destes dois ídolos, este Finals está repleto de atrações. Novak Djokovic precisa chegar a decisão do título para ter chance de terminar o ano na liderança do ranking mundial. Esta 50a. edição conta pela primeira vez com oito tenistas europeus de diferentes países. Quatro jogadores têm menos de 23 anos: Stefano Tsitsipas, com 21, Alexander Zverev, 22, e Matteo Berrettini e Daniel Medvedev estão com com 23.

E o inusitado este ano não só pegou Federer e Nadal. Também Tsitsipas comemorou a primeira vitória sobre Medvedev tirando um retrospecto que estava engasgado na garganta do grego. Afinal, não é segredo para ninguém que estes dois tenistas quase saíram no braço no torneio de Miami.

Vale lembrar – Séries de derrotas para um mesmo adversário, como esta de Tsitsipas para Medvedev sempre nos leva a recordar um dos fatos mais hilariantes da história do tênis. Aconteceu no Masters de Nova York de 1979, que foi jogado em janeiro de 80. O boa praça e talentoso Vitas Gerulaitis estava entre os 8 melhores da temporada. Fez uma campanha incrível, inclusive com vitória sobre John McEnroe no round robin. Classificou-se como primeiro do seu grupo e na semifinal cruzaria com o segundo colocado do grupo liderado por Bjorn Borg, o norte-americano Jimmy Connors. Um detalhe marcava este encontro. Gerulaitis vinha de 16 derrotas seguidas para “Jimbo” apelido de Connors. Mas o norte-americano de origem lituana vivia numa semana mágica e, finalmente, venceu. Enfático entrou para a conferência de imprensa após o jogo e disparou uma das mais criativas frases já ouvidas no tênis.

“Let that be a lesson to you all”, disse Gerulaitis com uma garrafa de champanhe em uma das mãos. “Nobody beats Vitas Gerulaitis 17 times in a row”.

Talvez vitimado pelo campanhe e comemoração, Gerulaitis perdeu o título do Masters para Borg por duplo 6/2. Mas jamais deixou a fama de playboy do tênis. Desfilava nos torneios com um Rolls-Royce amarelo e lutou contra as drogas, até ter um final trágico. A história conta que morreu por causa de um vazamento de gás no apartamento.