Rei Carlos é coroado no US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 12, 2022 às 12:25 am

O cenário não poderia ser melhor. O palco mais estrondoso do tênis mundial, o Arthur Ashe Stadium coroou Carlos Alcaraz como novo rei da modalidade. Por coincidência, dessas difíceis de se entender, é também Rei Carlos. E, por curiosidade, quando esteve no Rio Open – torneio em que também foi campeão – afirmou que gosta muito de ser chamado de Carlitos, mas quando se refere a ele próprio muitas vezes diz Charlie, ou Charles.

Ainda no Rio Open, Alcaraz revelou, numa divertida entrevista ao BandSports, que entre seus objetivos estaria ganhar um Grand Slam e ser o número um do mundo. Falou sem arrogância. Nenhuma prepotência, mas, sem dúvida, a realização de seu sonho veio muito cedo. É o mais jovem líder do ranking mundial da história. Mas acredito que veio para ficar. Preparou-se para todo esse sucesso e demonstra uma maturidade fora do normal. Não à toa, o mais festejado comentarista da TV americana, o ex-campeão John McEnroe aceitou prontamente a honra de entregar o troféu para o jovem vencedor do Aberto dos Estados Unidos.

A vitória veio depois de verdadeiras batalhas. Fez jogos incríveis diante de Marin Cilic e nem se fala da épica partida diante de Jannik Sinner, ou ainda Frances Tiafoe. Duelos que devem persistir pelos próximos anos, enchendo os olhos de todos os amantes de um bom tênis.

Aliás, essa novíssima geração deixa a perspectiva de que, enfim, a tão esperada ‘troca da guarda’, esteja acontecendo. Mas, só o tempo dirá. Novak Djokovic ainda está em plena forma. Rafael Nadal vai precisar dar um tempo para a família e para o corpo, mas não é a primeira vez que enfrenta este tipo de desafio. E até mesmo Roger Federer diz estar disposto a viver bons momentos em 2023. É isso mesmo li um artigo de um amigo jornalista suíço, em que o tenista, apesar da idade e do tempo parado, tem esperanças de voltar a jogar em alto nível. Bem… vamos dar tempo ao tempo. Mas não podemos também desperdiçar essa nova geração, repleta de talento, carisma e bons duelos como foi a final do US Open entre Alcaraz e Casper Ruud.

 

 

O fim de uma Era e o reconhecimento do ‘GOAT’
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 3, 2022 às 2:58 pm

A USTA anunciou, o público incorporou e Serena Williams assumiu. Dona de 23 títulos de Grand Slam, a tenista norte-americana foi declarada como ‘GOAT’, Greatest of All Time, ou seja a melhor de todos os tempos. Não sem merecimentos, para um verdadeiro ícone do esporte, não apenas do tênis, por sua história, personalidade e o grande domínio nas quadras de todo o planeta, dividido em algum tempo com sua irmã Venus.

Não há como deixar de reconhecer a brilhante Era das Williams, com Serena desde o filme ‘King Richard’ recebendo a indicação de que seria mesmo a melhor jogadora do tênis em todos os tempos. Ela é influenciadora de uma nova geração de tenistas, participa ativamente de uma vida social e elevou o nível da modalidade.

O justo reconhecimento a Serena Williams leva a uma discussão. Para muitos, o GOAT é o jogador que conquistou mais títulos de Grand Slam. E, nesse caso, a australiana Margareth Court é a líder, com 24 conquistas. Em 1970, já na Open Era, ela transformou-se na primeira mulher a ganhar os quatro troféus de Slam, num mesmo ano. Na época, porém, diziam que alguns dos 11 títulos vencidos no Australian Open foram facilitados pelo fato de nem todos os jogadores mostrarem-se dispostos a enfrentar longas viagens nos últimos dias da temporada, pois a competição era disputada em dezembro.

Para completar, Margareth Court tornou-se uma ministra pentecostal e é dona de frases fortes, a ponto de ter surgido uma campanha para que seu nome fosse retirado da segunda quadra em importância do complexo australiano. Mas aos 80 anos de idade, acredito que ela mereceria, pelo menos, uma menção, embora isso pudesse estragar o clima da festa para Serena.

E por falar em festa reafirmo que o US Open é, sem dúvida, a Disney dos amantes do tênis, dos esportes e dos grandes espetáculos. O clima já normalmente eletrizante das sessões noturnas do Arthu Ashe Stadium ganhou ainda mais brilho com um desfile de celebridades e emocionantes shows nas apresentações de Serena Williams, vestida de gala para a ocasião. E fica então o agradecimento “obrigado Serena”.

 

 

Começa o maior espetáculo (de tênis) da terra
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 28, 2022 às 10:52 pm

Respeitável público, sem exageros, o US Open é o maior torneio de tênis do planeta. É disparado o melhor dos quatro Grand Slam, embora muitos prefiram o charme de Roland Garros, a tradição de Wimbledon ou mesmo a tranquilidade do Australian Open. Mas na Nova York que nunca dorme as inovações acontecem com intensidade a cada edição.

É claro que a principal reclamação vem com o veto a Novak Djokovic. É realmente de se lamentar a ausência do tenista sérvio. E, por isso, vale lembrar a declaração de Mats Wilander, de que a briga pelo título de GOAT vai ficar prejudicada pelos reflexos da pandemia, pelo menos para quem acredita que o melhor de todos os tempos será aquele que conquistar mais títulos de Slam. Mas ao mesmo tempo vou plagiar Rafael Nadal. Para o espanhol o tênis é maior do que qualquer jogador e irá prevalecer mesmo depois do fim do big 3.

Essa é uma verdade absoluta e acreditando nesta grandeza da modalidade a USTA, a toda poderosa associação de tênis norte-americana, prepara uma edição para deixar qualquer fã de boca aberta. O US Open já tem uma característica das mais interessantes para os torcedores, que é a garantir divertimento para qualquer um. Costumo dizer que é a Disneylândia dos tenistas ou amantes deste esporte. Afinal, mesmo que não tenha ingresso para as show courts, existe a opção de ver jogos nas quadras secundárias praticamente debruçado no alambrado. Dá para sentir bem de perto a emoção de cada raquetada.

E para quem tem entrada para a Arthur Ashe a recomendação é de que se participe, pelo menos uma vez, da sessão noturna. Não há atmosfera mais eletrizante do que esses jogos no US Open. Aliás, um outra qualidade do torneio é que existe sim a possibilidade se comprar ingressos no próprio site oficial, com o recurso de virtualmente ver qual o seu assento na central.

Aliás este ano o estádio Arthur Ashe está completando 25 anos. E como curiosidade para nos brasileiros, Gustavo Kuerten foi o primeiro tenista a oficialmente treinar nesta quadra. Lembro bem, pois a gente estava no torneio de Long Island, quando Larri Passos resolveu pegar um carros e ir treinar no US Open (são poucos quilômetros de distância). Aproveitei peguei a carona e além de entrar na quadra, conheci também os vestiários e tudo mais.

Antes o estádio principal era o Louis Armstrong, que tinha capacidade para 21 mil pessoas, e muitos brasileiros como Jaiminho Oncins brilharam neste palco. Na mesma época da inauguração do Arthur Ashe, a capacidade deste local foi reduzida e ganhou uma bela reforma.

Para muitos o tamanho de uma competição esportiva está ligado a sua premiação. E neste aspecto o US Open não esconde seu gigantismo. Este ano serão distribuídos 60 milhões de dólares. Só para entrar na chave o jogador tem a garantia de 80 mil e o campeão vai embolsar 2,6 milhões. Não é o maior prêmio já pago ao vencedor, mas a atual ideia e aumentar os valores para as primeiras rodadas.

Não é só em prêmios que o US Open anda na frente. Com as exigências da pandemia, a USTA inovou de forma revolucionária. Por exemplo, no caso de jornalistas credenciados recebemos uma série de novos recursos. A começar por um grupo exclusivo de WhatsApp, com informações em tempo real. Há detalhes como a escala de entrevistas coletivas e quem não tiver pergunta para fazer ou não quiser entrar numa sala cheia de gente, existe a opção de acompanhar tudo de forma remota.

Mas não há prazer maior do que estar no local. E entre as novidades da Disneylândia do tênis o Eately será um restaurantes instalados no complexo. O cardápio sugerido coloca em destaque Tagliatelle Alla Bolognese, Caprese, Prosciutto Curdo e Parmigiano e pizza Rossopomodoro. Quem quiser sofisticar tem o The Crabby Schack, com a conhecida e saborosa Lobster.

 

 

 

 

Bia: enfim o sucesso chegou
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 15, 2022 às 2:21 pm

De menina prodígio ao sucesso nas quadras, a vida de Bia Haddad Maia não foi sempre um mar de rosas. Enfrentou muitos obstáculos, desafios e provações. Mas com muita garra, resiliência e apoio da família seguiu em frente e se consolida como uma das principais personagens do tênis brasileiro.

Já contei esse caso por aqui, mas vale relembrar. Quando Bia tinha apenas 12 anos fui, meio contrariado, convocado para fazer uma entrevista para revista de grande circulação no País, a Época. Não queria colocar pressão na menina. Mas eu sim fui pressionado, pois muitos já viam Bia com um tênis de enorme potencial e que poderia fazer grande sucesso. E ao chegar no Clube Pinheiros para a reportagem percebi que a família, na figura de sua mãe, Lais, (também tenista) estava disposta a dar todo apoio e incentivo.

Outro episódio marcante e que já revelava a grande expectativa sobre a carreira da tenista brasileira aconteceu em 2012, em Roland Garros. Bia foi para a final de duplas no juvenil. O jogo realizou-se na quadra 2, que fica ao lado, quase à sombra, da Philippe Chatrier. Guga Kuerten assistia a partida. E um pouco atrás dele estava o saudoso Antônio Carlos de Almeira Braga, o Braguinha, um grande incentivador do esporte nacional. Num dos intervalos do encontro, ele perguntou ao tricampeão em Paris, o que achava de jovem brasileira. A resposta: “Braga… ela veio para brilhar alí”, disse Kuerten apontando para a quadra central.

Mesmo diante de tantas expectativas e o recente sucesso, Bia mantém-se com os pés no chão. Deixou isso bem claro numa entrevista dada em Toronto, no Canadá, logo após sua final com Simona Halep. A brasileira disse que é muito especial para o Brasil ter Maria Esther Bueno e Guga Kuerten. Mas ela não se compara a nenhum dos dois e define ambos como ‘fenômenos’. Também falou do prazer e orgulho de ser brasileira e sul americana.

Apesar de toda humildade, Bia Haddad Maia já entrou para a história do tênis brasileiro. E se não conquistou o título em Toronto fez uma campanha para guardar em um lugar especial de sua memória, superando adversárias de peso. Segue agora para novos desafios, mas como lá quando Bia tinha 12 anos, sem colocar pressão, afinal o tênis é um esporte muito difícil e merece respeito.

 

O esperado adeus de uma supercampeã
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 9, 2022 às 6:53 pm

Como já se desconfiava, a supercampeã Serena Williams deverá mesmo dizer adeus à sua brilhante carreira no próximo US Open. O palco é perfeito, num cenário agradável e diante de uma sempre entusiasmada torcida. Não há torneio no planeta que tenha uma atmosfera tão eletrizante quanto o Aberto do Estados Unidos.

É claro que Serena Williams gostaria de repetir os gestos de Pete Sampras e Flavia Penetta que anunciaram suas despedidas com o troféu nas mãos. Mas às vésperas de celebrar 41 anos de idade, sem participar de muitas competições, depois da maternidade, ela sabe que a missão é quase impossível. Mas, é claro, com o perfil de vencedora irá sim tentar o 24.º troféu de Grand Slam.

Desde muito novas Serena, e também Venus, revelaram serem prodigiosas. Hoje em dia basta ver o filme “King Richard”. Mas à época fui alertado pelo técnico brasileiro Marcelo Meyer. Depois de uma viagem aos Estados Unidos, ele ligou-me entusiasmadíssimo para contar que as duas irmãs iriam em breve brigar pela liderança do ranking da WTA. Acertou na mosca né.

Nem tudo foram flores na carreira de Serena e Venus. Em 2001, acompanhando Guga Kuerten em Indian Wells, presenciei uma das cenas mais tristes da história do tênis. Richard e Venus, ao entrarem para o player box e acompanhar a final entre Serena e Kim Clijsters, foram severamente vaiados. É que numa das semifinais, apenas alguns minutos antes do jogo entre as irmãs, Venus desistiu da partida, com problemas no joelho, e Richard foi acusado de manipular resultados para favorecer a mais nova, que entraria descansada na decisão. Serena ganhou em três sets. Mas Indian Wells viu as Williams boicotarem o evento por muitos e muitos anos. E o pior é que a cena repetiu-se semanas depois, apenas para o pai, no Miami Open, só que sem a mesma intensidade e repercussão.

Os brasileiros puderam conhecer de perto Serena. Ela esteve no Brasil por diversas vezes. No desafio Gilette, jogado no Ginásio do Ibirapuera, causou furor ao revelar que tinha comprado um “Brazilian swinsuit”. Já demonstrava seu interesse pelo mundo da moda.

Serena, em certa época, mostrou interesse pelo Brasil. Certa vez, no players lounge do Australian Open, estava ao lado da assessora de imprensa do Guga, Diana Gabaniy, e ela aproximou-me para trocar algumas palavras em bom português. Sem dúvida uma pessoa simpática e que vai deixar saudades no tênis. Está chegando ao fim de uma era das mais promissoras.

 

Djokovic chega ao sétimo céu, mas não sem tributos
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 12, 2022 às 1:34 pm

Em alusão ao recente título no Torneio de Wimbledon, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) comemorou dizendo que Novak Djokovic chega ao sétimo céu (estado de prazer ou de grande felicidade), mas não sem ter de pagar altos tributos por suas escolhas. O sérvio vive, sem dúvida, um momento sublime. Revelou estar mentalmente e fisicamente muito forte. Além disso, entusiasmado com o 21.º troféu de Grand Slam, esteve amistoso e generoso em seu discurso na premiação do All England Club, com divertidos elogios a Nick Kyrgios e frases de efeito.

Genial em quadra é também ‘genioso’ em suas convicções. Recentemente, numa entrevista coletiva em Wimbledon, foi perguntado sobre sua situação para o US Open e que queria tempo suficiente para a vacinação. Mas confirmou, até com orgulho, que manterá sua decisão.

Por conta disso, Novak Djokovic está pagando um preço alto. Foi deportado da Austrália, no início da temporada, sob pena de não poder reentrar no país pelos próximos três anos. Em Paris viu Rafael Nadal reinar mais uma vez. E, agora, por uma ironia do destino, mesmo com o título em Londres seu ranking caiu para a 7.ª colocação.

É claro que é preciso respeitar opiniões, mas fico em dúvida se também não é uma falta de respeito não se vacinar e possivelmente colocar em risco outras pessoas. Eu, particularmente, tenho fortes motivos para tomar todas as doses disponíveis e aconselhadas. E fica a questão: Nole foi recebido como herói nacional em seu país. Milhares de torcedores foram as ruas para saudá-lo em Belgrado e não seria então o tenista um exemplo a ser seguido?

Para o US Open tudo leva a crer que as condições de entrada para o torneio serão bem rígidas. Apenas como exemplo, após ter a confirmação de meu credenciamento, recebi nesta segunda feira um e mail com novas condições para entrar em Flushing Meadows. São vários documentos, com numerosas linhas, e obrigatoriedade de concordância: “Notice regarding Covid 19”, “Covid 19 waiver”, “USTA credentialing system privacy policy” e “US Open media – terms and conditions”. Enfim, tudo isso leva a crer que mesmo com a diminuição nos casos dificilmente os Estados Unidos irão afrouxar suas regras de entrada no país.

É uma pena, pois é uma situação em que todos perdem. Djokovic pode desperdiçar mais uma oportunidade de igualar Nadal no número de Slams, o US Open também fica sem uma de suas maiores atrações, o público deixa de ver um forte candidato ao título na disputa e o tênis de uma maneira geral também perde.

 

Salve Bia: o tênis tem muito a ensinar
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 28, 2022 às 1:18 pm

O tênis é um esporte difícil. E eu costumo dizer que por muitas vezes é cruel. Criou-se muitas expectativas do que Bia Haddad Maia poderia conseguir no Torneio de Wimbledon. Teve até quem disse que ela era favorita. E, por isso, vou repetir uma frase que usei na coluna anterior aqui no Tênis.com Chiquinho: “Insisto é preciso ser cauteloso nas comparações e expectativas.”

Sinto que é preciso lembrar que a Bia vem de uma família de esportistas. Além disso, a vida já a ensinou a enfrentar obstáculos. Aos 26 anos sabe muito bem o que significa a palavra superação. Passou muito cedo pela alta expectativa de uma carreira brilhante e também viu de perto problemas físicos e outros que poderiam ter acabado com seus sonhos. Mas ela tem persistência e competência. Afinal, há poucos meses estava jogando torneios pequenos na Europa e hoje já ocupa uma posição entre as 30 melhores do mundo.

Por isso mesmo e por ela ter valor próprio as comparações me incomodam. São na verdade desnecessárias. O tênis já existia antes da criação do ranking, assim como os Grand Slams. Mas para os que não sabem a Bia ganhou recentemente dois torneios 250, enquanto Maria Esther Bueno foi campeã de, pelo menos, sete 2000. Não que a Bia não possa também chegar longe, mas esse tipo de pressão não ajuda em nada.

Inteligente e vinda de boa família, Bia reconheceu seus erros e culpou a falta de agressividade pela eliminação na primeira rodada de Wimbledon. Sem contar que um Grand Slam sempre tem suas naturais dificuldades. Após o jogo deu declarações francas, sinceras e verdadeiras. Sabe muito bem como o tênis é um esporte exigente. E, por isso, não restam dúvidas de que ainda tem muito pela frente e irá alcançar um sucesso ainda maior.. salve Bia.

 

 

 

E Bia segue trilhando seu caminho
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 14, 2022 às 6:46 pm

Não sem sacrifícios, Bia Haddad Maia deixa sua marca no circuito internacional. Jovem e talentosa, acreditava-se que ela pudesse alcançar o auge ainda mais nova, só que foram muitos os obstáculos que ela teve de superar. Vinda de uma família de esportistas – mãe, tia, avó, primos são tenistas e pai muito bom no basquete – o importante é que agora chega ao período de amadurecimento profissional.

Apesar de todo recente sucesso, com os títulos de simples e duplas em Nottingham e a vitória sobre Petra Kvitova, em Birmingham , ainda insisto que é preciso ser cauteloso nas comparações e expectativas. Não há dúvidas de que pode ir ainda mais longe, só que a vida já a ensinou a dar tempo ao tempo.

Os últimos bons resultados de Bia me remeteram a primeira reportagem que fiz com ela, quando tinha apenas 12 anos. Convidado pela Revista Época para a reportagem hesitei em aceitar. Não que não tivesse interesse em receber o cachê, ou mesmo ter a oportunidade de estar num grande veículo de imprensa, mas minha preocupação era a de não criar muitas expectativas e, eventualmente, prejudicar a carreira de uma menina super talentosa. E o legal é que o sucesso vem chegando. Se alguém tiver curiosidade na matéria segue o link Sociedade – NOTÍCIAS – Por que é tão difícil formar uma campeã (globo.com)

Essa história de sucesso precoce com Bia vem de longe. Quando ela tinha apenas 16 anos chegou a final de duplas da chave juvenil de Roland Garros, ao lado da paraguaia Montserrat Gonzalez. O jogo, na antiga configuração do complexo, foi na quadra 2, vizinha à central. Acompanhava a partida no media box. Algumas cadeiras ao lado, no players box, estava Guga Kuerten. Um pouco atrás, o saudoso Antônio Carlos de Almeida Braga. Num dos intervalos do jogo, Braguinha perguntou ao Guga, o que ele achava da jovem brasileira. E o tricampeão de Roland Garros olhou para trás, com o dedo indicador apontou para a Phillipe Chatrier e disse: “O lugar dela Braguinha é nessa quadra ao lado.”

E aos poucos, Bia Haddad Maia vai mesmo trilhando seu caminho de sucesso. Mas repito: nada de se fazer comparações e deixe que ela mesmo escreva sua história.

Nadal tem futuro incerto, mas é tenaz
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 8, 2022 às 2:09 pm

A frase na Phillippe Chatrier “The victory belongs to the most tenacious” (a vitória pertence ao mais tenaz) parece ter sido feita por encomenda para Rafael Nadal. Tenaz significa difícil de partir, resistente. E num futuro próximo o tenista espanhol irá mesmo ter de contar com essas suas características. A lesão no pé é mais um obstáculo na sua carreira, mas se depender de seu amor pelo tênis irá superar mais esse difícil adversário.

O problema é que, mais cedo ou mais tarde, a fatura sempre chega. Quais seriam as consequências de seguir jogando com um problema tão grave? Mas Nadal confia plenamente no médico da Real Federação Espanhola, Angel Gottorro, e acredita que um novo tratamento, através de rádio frequência, possa ser capaz de deixá-lo em condições de voltar a competir já em Wimbledon. Acho que tem pouco tempo, mas difícil duvidar de Nadal.

A eficiência das injeções anestésicas aplicadas durante Roland Garros levantaram suspeitas, mas na Espanha as notícias são de que Nadal não irá usá-las para jogar em Wimbledon. E sempre é bom lembrar que o tenista espanhol ganhou um processo contra a ex-ministra da saúde francesa, Roselyn Bachelot, que o tinha acusado de uso de substâncias proibidas para jogar em Paris.

Outro detalhe importante é que desde o escândalo do ciclismo, no Tour de France, o controle de todas as modalidades esportivas em território francês passaram a ser feitas por uma entidade oficial o “Comitê Anti Dopage do Governo” portanto, sem interferências da ATP ou ITF.

Sendo assim é de se acreditar que a preocupação de Nadal seria mesmo com o seu futuro. Não ficar com sequelas, que possam afetar sua mobilidade ao longo de toda sua vida. O espanhol, porém, já deu dicas do que pode acontecer. Em Roland Garros, numa das entrevistas coletivas, disse que qualquer partida poderia ser sua última em Roland Garros.

O tenista espanhol também revelou que não se importa com o número de Grand Slams conquistados, nem pelos prêmios ou posições no ranking e segue jogando pelo amor ao esporte. E, por isso, é de se esperar que Nadal siga jogando por mais tempo, mas sem comprometer sua saúde. É hora de dar tempo ao tempo.

 

 

Torcida francesa dá o tom de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 30, 2022 às 5:00 pm

Costumo dizer que uma das vantagens de Roland Garros é que nenhum outro torneio do Grand Slam tem Paris como sede. E este ano, com as bilheterias abertas e o menor temor ao Coronavirus, a torcida francesa também faz a diferença. Dá o tom festivo e, embora não seja tão eletrizante como as barulhentas sessões noturnas do US Open, o público demonstra profundo conhecimento do tênis. É claro que sempre há exceções, como o torcedor que abusou da má educação na partida da grega Maria Sakkari.

Pode parecer estranho entrar nesse assunto. Mas prefiro deixar os comentários sobre a vitória de Hoger Huger sobre Stefano Tsitsipas para o Zé Nilton. O dinamarquês é mais um do NN Gen – a New Next Generation – a brilhar neste torneio. Mas só não aguentei um detalhe: só vi duas marcações de foot fault (é claro que pode ter havido outras) e não é curioso que foram exatamente da mesma fiscal de linha. Para quem não lembra (e nessa vi que o Narck Rogrigues estava com a memória em dia) é simplesmente aquela juíza que esteve na confusão da Serena Williams no US Open. E para evitar intrigas esclareço que estou acompanhando as duas transmissões nos dois canais (SporTV e ESPN). Ambas muito boas, mas é a primeira vez em mais de 30 anos que vejo o torneio parisiense do sofá de casa.

Voltando aos bastidores, Roland Garros esse ano terá o seu ‘Mardi Grass’. A expressão, que em francês significa terça-feira gorda, marca uma das festas mais tradicionais de New Orleans, na Louisiana, Estados Unidos, cidade com forte influência da França. No Carnaval brasileiro também chegou-se a usar a palavra gorda, no sentido de cheia, repleta de atrações, para a véspera da quarta-feira de cinzas.

E não é que Roland Garros terá também uma terça-feira para lá de interessante? O duelo mais esperado do torneio até agora, Novak Djokovic vs Rafael Nadal, foi para a sessão noturna. Meus colegas em Paris discutiam nas últimas horas os motivos. A TV francesa, com maior audiência, tem os direitos para os jogos diurnos. A Amazon, que entrou com muita grana na a FFT, comprou exclusividade para a sessão noturna. Muita gente teria de pagar um extra no streaming para assistir ao jogo. Só que diante de tantas pressões, resolveram abrir o sinal também para não assinantes.

Outra versão sobre esse impasse diz que Carlitos Alcaraz já atuou por duas vezes na sessão noturna. E, por isso, a organização do torneio resolveu não atender ao pedido do 13 vezes campeão em Paris, que deixou claro preferir jogar durante o dia. Os mais fofoqueiros já insinuaram que a relação entre o espanhol a a FFT não anda boa. Não acredito.

Estabelecido os horário fica a expectativa sobre qual será o comportamento da torcida. Acho que para a sessão diurna Carlitos deve ganhar o coração da arquibancada no duelo contra Alex Zverev. Mas o clima deve esquentar mesmo nas noites normalmente frias em Paris.

Para quem reclamou que Djokovic vs Nadal será em jogo único na PC é bom lembrar que a programação faz jus a uma terça-feira gorda. Começa com a surpreendente italiana Martina Trevisan diante da vice-campeã do US Open Leylah Fernandes. E a seguir um duelo de gerações norte-americano, como Coco Gauff e Sloane Stephens.

Enfim, Roland Garros entra agora nos duelos mais fortes. Gosto muito da primeira semana. Mas não há como negar que este ano o Grand Slam francês guardou grandes momentos para esta reta final.