Instrução | Equipamento
Qual a melhor tensão para o encordoamento?
Por Fabrizio Tivolli
03/08/2018 às 23h30
instrucao/instrucao/fabrizio_tivolli_AusOpen.jpg

Fabrizio Tivolli em ação no Aberto da Austrália de 2017.


Foto: Arquivo

Olá, amantes do tênis, como estão? Falamos muito aqui na coluna sobre os equipamentos e tecnologias que os envolvem, mas o uso adequado e particular dentro da realidade de cada tenista é imprescindível. Por isso, desta vez, irei abordar um tema de extrema importância para o jogo de todos nós, algo essencial e que ajuda e soma ainda mais, ou compromete um bom kit de raquete + corda: a tensão a ser usada nas cordas.  

A tensão das cordas a ser usada em sua raquete parece algo bem simples de se definir. Em geral, o fabricante faz a recomendação da corda e tensão a ser utilizada em cada raquete e basta ficar naquele intervalo que você estará dentro do correto, certo? Não; não é bem assim!  Esse tema merece uma atenção especial, se você quer extrair o máximo de seu equipamento e também evitar/prevenir focos de possíveis lesões que nenhum tenista quer ter.

Qual a tensão ideal que devo usar em minha raquete? A resposta a esta pergunta é totalmente particular e bate de frente com os objetivos de cada jogador, de onde ele quer chegar. Existem alguns fatores que você deve levar em consideração na hora de, juntamente com seu encordoador de confiança, escolher a tensão adequada. São eles:

- Seu foco é potência ou controle? A regra básica do encordoamento é esta: maior tensão = maior firmeza e controle, mas você terá que bater mais; menor tensão = maior potência e conforto, mas você terá que controlar mais os golpes; lembrando que potência, nesse caso, significa sua bola passar da rede e chegar ao fundo com maior facilidade, diferente de "peso de bola" onde a bola chega agressiva à quadra adversária, mas dependendo mais de sua batida e não, necessariamente, da tensão das cordas. Assim sendo, tenha claro que direção quer para seu jogo ou a deficiência que quer melhorar!

- Modelo de corda - Atualmente existem as cordas mais macias e confortáveis (multifilamentos), as mais firmes e de controle (monofilamentos) e ainda há a possibilidade (cada vez mais comum) de se misturar esses 2 tipos de cordas em encordoamentos híbridos, que já abordamos em matérias anteriores. O natural, no caso de cordas multi, é poder (não necessariamente dever) usar mais tensão, pois tendem a perder tensão e assim parte da precisão. No caso dos mono, que são cordas "duras", não é recomendado que se usem tensões muito elevadas (apesar de não ser obrigatório), pois isso resulta em um encordoamento mais desconfortável e "duro";  a menos que o objetivo seja o máximo de controle e também dependerá do modelo da raquete, como veremos a seguir. Outro fator de grande importância a se atentar é a espessura das cordas, o que poderá colaborar ainda mais para sua sensibilidade e sucesso na escolha de um novo conjunto de corda e tensão.

- Número de cordas x tamanho da cabeça da raquete - Existem raquetes com cabeça tradicional ou menores, que possuem uma furação bem elevada, como 18 x 20, 16 x 20, etc. Isso faz com que as cordas fiquem bem próximas umas das outras, o que deixa a tensão mais concentrada e consequentemente mais dura. Nesses modelos, há um cuidado em geral de se usar tensões menores. Uma raquete com cabeça maior e com menor furação (16 x 19, 16 x 18, etc.), faz o efeito contrário, podendo se utilizar uma tensão mais elevada.

 - Diferentes tensões dentro do mesmo encordoamento - Podemos também, dentro do mesmo encordoamento, usar diferentes tensões na vertical e na horizontal. Em geral, usa-se mais tensão na vertical (em torno de 2 libras), principalmente por termos maior perda de tensão nas verticais (mains) pelo espaço ser maior do que nas horizontais (crosses), mas isso não é uma regra. Diversos tenistas (inclusive profissionais) usam o mesmo padrão de libras em toda a raquete e outros usam mais nas horizontais, seja por usarem cordas híbridas e em geral, nas horizontais se usar cordas mais macias, ou por preferências de jogo.

- Modelo da raquete - Se sua raquete já for uma raquete de configurações de controle e que solta pouco a bola, provavelmente você não precisará de uma corda de controle com alta tensão. Até por isso, os tenistas profissionais (que usam raquetes desse perfil) têm usado tensões cada vez mais baixas, em geral, abaixo das 55 libras. Se sua raquete for de um modelo que solte bem a bola, você poderá usar tensões mais elevadas. Mais uma vez afirmo: não se trata de uma regra e depende muito da fase que você está fisicamente e dentro do próprio jogo.

Notem que há uma "equação" para se chegar à tensão ideal para seu jogo. Por isso, o primeiro passo é ter definido qual seu principal objetivo, pois no tênis e, principalmente nos equipamentos, quando ganhamos em uma área perdemos proporcionalmente em outra. O segundo passo é fazer alguns testes para sentir na prática como as diferenças poderão afetar positivamente (ou não) dentro de quadra, assim você terá a bagagem necessária para achar a melhor tensão dentro do seu kit de equipamentos. Como atualmente há uma enorme variedade de raquetes e cordas disponível no mercado, é muito recomendável que de fato teste algumas configurações diferentes, tendo como ponto de partida seus objetivos e preferências/deficiências específicas. Apesar de parecer algo complexo, nada como uma pequena conversa com um profissional de confiança na área, que te dará facilmente uma boa indicação para começar.

Lembre-se: mesmo que você encordoe sua raquete e não jogue, a tensão será perdida! Algumas cordas mais rapidamente, outras menos. Mas a interferência do tempo e clima, além do próprio jogo, fazem as cordas perderem tensão naturalmente. Sendo assim, não deixe as cordas mais do que 4 meses em sua raquete, caso queira um melhor aproveitamento!

Grande abraço e até a próxima!

Um dos mais renomados especialistas em equipamentos para tênis do Brasil, com quase duas décadas de experiência. Encordoador oficial do Australian Open 2017; encordoador oficial do Brasil Open em 3 oportunidades além de outros torneios ATP nível Challenger. Certificado pelo francês Lucién Nogues durante a convenção Babolat Brasil. Esteve presente em Roland Garros 2017, convidado para acompanhar a sala de encordoamento do torneio e últimas tendências do circuíto. Autor de dezenas de matérias sobre equipamentos de tênis nos maiores veículos de comunicação do esporte. Proprietário e responsável pela área de tênis no grupo Tivolli Sports/Raquetemania, em Alphaville -SP.

fabrizio@raquetemania.com.br
Comentários
Loja TenisBrasil
Mundo Tênis