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Jogar e estudar nos EUA: dica de quem já fez isso
20/07/2017 às 10h20
Karue Sell

Meu nome é Karue Sell (*). Eu passei os últimos quatro anos jogando tênis universitário pela UCLA (Universidade da Califórnia) nos Estados Unidos. Foi uma experiência incrível e eu acredito firmemente que as entidades do tênis brasileiro devem criar mais incentivos para que os nossos juniores se aventurem no tênis universitário americano. Quero ilustrar o por quê. 

Primeiramente, tenistas vindos do tênis universitário estão tendo cada vez mais sucesso no circuito profissional. Vejamos os números apenas nas últimas cinco semanas no circuito: 

- Semana 11/06/17: Titulos e finais - Simples (3/3); Duplas (7/6)

- Semana 18/06/17: Titulos e finais - Simples (6/5); Duplas (22/13)

- Semana 25/06/17: Titulos e finais - Simples (5/5); Duplas (25/15)

- Semana 02/07/17: Titulos e finais - Simples (4/4); Duplas (19/9)

- Semana 09/07/17: Titulos e finais - Simpes (2/2); Duplas (9/9) 

Esses números envolvem os dois circuitos, masculino e feminino. Temos um total de 20 títulos de simples e incríveis 82 títulos de duplas. Muitos desses títulos são de jogadores que ainda estão jogando tênis universitário, o que mostra o quão alto é o nível nos EUA. Recentemente, nomes de peso como John Isner, James Blake, Bob e Mike Bryant, Kevin Anderson e Steve Johnson jogaram College Tennis.  

Os números ilustram o desenvolvimento técnico no tênis universitário. Garotos brasileiros podem ter a chance de desenvolver o jogo de quadra rápida. Convenhamos, a maioria dos nossos jogadores deixa a desejar no piso sintético. Nos EUA, os juniores podem melhorar a movimentação de perna, saque, voleio, jogo de duplas (podemos ver o sucesso profissional em duplas nos numeros acima). Somando o desenvolvimento em quadras rápidas a evolução física e mental na faculdade, temos quatro anos apenas aumentando o potencial dos nossos atletas. 

Muita gente pode pensar:  “Tá, mas a CBT investe nos juniores e chega com 18 anos e eles vão para os EUA. Não é desperdício?” Não!!! Com os jogadores indo para o circuito universitário, a CBT garante até 4 anos de desenvolvimento gratis, totalmente pago pelas faculdades. Treinos em quadra, físicos, fisioterapeutas, nutrição, tudo disponível sem as entidades de tênis no Brasil gastarem um centavo. Para complementar, os garotos conseguem um diploma internacional, muitas vezes com mínimo ou nenhum custo para os pais. Isso sem falar em aprender outra língua e morar em outro país por um tempo. 

Lembrem-se: o período de transição do juvenil para o profissional está muito mais longo, 3, 4 anos pelo menos. Sempre temos jogadores no top 100, 50, 10 ITF. Até campeões de Grand Slam tivemos. Mas a expectativa para acharmos o “novo Guga” faz com que se crie muita pressão nos garotos. Com 18 anos, falta maturidade para lidar com tal pressão. Ao encarar a responsabilidade de ser um “student-athlete” (atleta e aluno), estudar, treinar, criar uma vida social além do tênis, nossos juniores terão um positivo crescimento pessoal que vai ajudá-los no circuito. 

Claro que há exceções. Fenômenos ou “the NEXT GEN” como diz a ATP. Mas muitos garotos se acham preparados para o circuito porque estão jogando Grand Slams e fazendo uma ou outra semi de future. A verdade é que eles não estão preparados e quando os resultados não aparecem, muitos desistem ou caem no esquecimento. A minha opinião: se você não está ganhando challengers com 18 anos, vá para os EUA. Lá, desenvolva seu tênis por dois, três, quatro anos, ganhe seu diploma e depois ataque o circuito profissional de frente.

*NR: Karue Sell, de Jaraguá do Sul (SC), treinou a partir dos 11 anos no Itamirim Clube de Campo, em Itajaí, com os técnicos Ivan Kley e Patricio Arnold e chegou a ser o 33º no ranking juvenil da Federação Internacional. Em 2012, foi para os Estados Unidos jogar e estudar na UCLA, em Los Angeles, tendo sido capitão do time nos dois últimos anos. No ano passado, concluiu seus estudos em Economia e Desenvolvimento Geográfico.

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