
Miami (EUA) - Acabou a paciência da norte-americana Serena Williams com as agências antidoping. No dia 14 de junho, um membro da Agência Norte-americana Antidoping (USADA) bateu à porta da ex-número 1 do mundo por volta das 8h30 para realizar o quinto exame da tenista neste ano. Como ela não estava lá no momento, ele permaneceu no local e disse que só sairia quando o teste fosse feito.
De acordo com reportagem do Deadspin, a caçula das irmãs Williams então ligou para Steve Simon, presidente da WTA, para reclamar do assunto. "Recebi uma mensagem de Serena, liguei para ela de volta e deixei uma mensagem. Ela dividiu comigo algumas preocupações e questões sobre os testes fora de competição", contou o dirigente da entidade que comanda o circuito feminino.
"Não é algo fora do comum receber ligações questionando a forma como é realizado o antidoping. Não é algo que acontece todo dia, mas às vezes sim. Sempre há questões sobre regras e o processo de educação aos atletas é algo constante. Tentamos sempre facilitar as coisas", complementou Simon.
Durante o ocorrido com Serena, o presidente da WTA colocou a tenista em contato com Travis Tygart, responsável por comandar a USADA. "Liguei para ele e disse: 'Acho que você deveria falar com ela'. Foi o que ele fez depois", revelou Simon.
O que não agrada à ex-líder do ranking é a frequência com que vem sendo testada, chegando a se sentir perseguida, uma vez que o controle sobre ela tem sido maior do que sobre as demais tenistas norteamericanas. De acordo com a base de dados da USADA, Sloane Stephens foi testada uma vez, Venus Williams foi testada duas vezes, Madison Keys apenas uma. Coco Vandeweghe duas e nomes como Danielle Colins, Alison Riske, Bernarda Pera e Taylor Townsend não foram testadas uma vez sequer.
"Durante os 23 anos de carreira, Serena Williams nunca testou positivo para qualquer substância ilegal, mesmo sendo constantemente colocada à prova, mais do que qualquer outro tenista do país, seja homem ou mulher. Na verdade, quatro vezes mais do que a maioria dos seus pares. Ela sempre apoiou a USADA e continuará apoiando, mas não vê motivos para ser tratada como um alvo", disse comunicado da assessoria da atleta.
Em sua defesa, a Agência Norte-americana Antidoping garantiu que não há motivos para que se suspeitem de Serena e que a frequência dos exames é baseada em padrões internacionais. "Nunca iremos conduzir testes de maneira injusta. Estamos abertos aos atletas para discutir qualquer coisa que os preocupe", falou Brad Horn, diretor de comunicação da USADA.