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Mudanças à vista no circuito mundial senior em 2019
01/12/2018 às 22h12

O chileno Sergio Elias preside comissão dos seniors na ITF.

Foto: Gustavo Werneck

Porto Alegre (RS) - Disputando a 33ª edição do Seniors Internacional de Porto Alegre - Copa Yone Borba Dias, na Associação Leopoldina Juvenil, o chileno Sérgio Elias, que preside a comissão de seniors da Federação Internacional, garantiu que o circuito passará por reformulação na próxima temporada. Amadeu Façanha, oitavo do mundo e um dos líderes do circuito no Brasil, anunciou o calendário do primeiro semestre de 2019 e também novidades.

Elias informou que os membros da direção da ITF irão se reunir na próxima semana para discutir as reformas necessárias ao circuito que atualmente abriga cerca de 27 mil jogadores, dos 35 aos acima de 85. As mudanças vão atingir a pontuação dos torneios, dando mais ênfase aos eventos regionais (Sul-americano, Europeu, etc) e Grau A, como é a Copa Yone Borba Dias, diminuindo a distância para os Campeonatos Mundiais. Hoje o Mundial oferece 300 pontos, enquanto que os Regionais 240 e os eventos de maior Graduação, como o de Porto Alegre, 210.

"A quantidade maior de jogadores da ITF está no Seniors, mais que o juvenil e profissional e a meta é chegar aos 40 mil. Temos que melhorar os torneios, melhorar o sistema de pontuação para que os jogadores tenham maior interesse de disputar. Por exemplo, um jogador que joga o Mundial tem muita vantagem sobre quem não joga. Vamos nivelar um pouco. Estamos estudando uma escala de pontuação para que fique mais parelho", apontou Sergio, que além de disputar a competição, acompanha a esposa Leyla Musalem, finalista na categoria 70 anos feminino.

Outra mudança provável é o número de torneios onde cada jogador terá pontos contados para o ranking. Atualmente todo atleta joga quantos eventos quiser, mas somente os quatro melhores contabilizam. Para 2019, esse número deve crescer para seis. "Estamos estudando aumentar de 4 para 6 os torneios que contam para pontuação. Quem ganha o Mundial tem muita vantagem sobre o resto. Se você coloca seis torneios o jogador que ganha o Mundial precisa jogar mais uns dois eventos para manter-se no topo. A ideia é subir um pouco o número de torneios para aumentar o número de jogadores."

A terceira novidade será a extinção dos eventos Grau 5, o mais simples passará a ser Grau 4 e daí em diante para 3, 2, 1 e A. O que o circuito mundial seniors irá manter é o limite de cada país poder ter apenas um Grau A. Qualquer novo pedido de torneios a partir de 2019 terá que começar com Grau 4, mas dependendo do sucesso e número de inscritos cada organizador, em três anos, já poderia virar um Grau 1 como postula o Rio de Janeiro com seu evento.

Elias, que já foi presidente da Cosat (Confederação Sul-americana de tênis) entre 2005 e 2012 e desde agosto acumula cargo como presidente da Federação Chilena, elogiou o circuito seniors no Brasil. "O Brasil aumentou muito os torneios e a graduação. No ano passado, dois torneios que eram Grau 2 subiram ao Grau 1, são uns oito torneios no ano e Amadeu Façanha quer fazer mais torneios em distintas regiões, mais para a região Norte como Salvador, Fortaleza e outros. Seria muito bom para dar oportunidade aos atletas de lá, já que no Brasil viajar é muito caro."

Calendário definido para o primeiro semestre e novidades

O brasiliense Amadeu Façanha, oitavo do mundo na categoria 60 anos, é um dos pilares da organização do circuito seniors no Brasil. Ele confirmou o calendário para o primeiro semestre com algumas mudanças. Porto Alegre receberá torneio Grau 2 entre 1 e 6 de abril na Sogipa. Brasília receberá a segunda etapa, torneio Grau 1, entre 29 de abril e 4 de maio. O torneio do Rio de Janeiro, atualmente de Grau 2, mas que busca o aumento, mudará de setembro para maio, acontecendo a partir do dia 19. O Brasileirão foi confirmado para Fortaleza (CE) na Academia Cearense de Tênis, de 24 a 29 de junho. Goiânia será no dia 22 de julho. As etapas do segundo semestre serão confirmadas nos primeiros meses do próximo ano e Façanha vem buscando retornar com o evento Masters com os seis melhores do ano, que acontecia até poucos anos atrás.

"Nosso circuito começou sempre em março, agora será em abril. Daqui seguimos para Brasília um pouco na frente do que foi em 2018. Isso é bom pois para Porto Alegre sair do início de março para abril o clima é melhor. Em março ainda é bem quente aqui. Em Brasília é o mesmo, diminui a chuva, clima muito bom, sem secura. Teremos a antecipação do torneio do Rio para maio, clima bem melhor, chove menos nessa época. Em 2017, em setembro por conta de chuva o torneio nem acabou. Há solicitação do Marina Barra Clube para promover o evento para Graduação G1, seria muito importante, fortaleceria muito pois teríamos dois G1. Se a ITF conceder essa graduação em 2019, teremos muitos estrangeiros. No G2 já vem muitos estrangeiros; sendo G1 aumentaria mais, cidade turística. O Brasileiro em Fortaleza, os tenistas vão passar as festas juninas dançando quadrilha, fazendo festa", apontou Façanha.

"O Hotel Portobello Resort em Mangaratiba (RJ) se disponibilizou para fazer um grande evento lá, é um belíssimo lugar, já colocou à disposição a estrutura. Eles queriam fazer o Brasileiro lá, mas Fortaleza já havia pedido há algum tempo e confirmaram. Então Portobello pode entrar em nosso Master com os seis melhores ou então como um ITF ou para o Brasileiro de 2020. Tivemos o Master em anos anteriores, reunimos os seis melhores de cada categoria,. A ideia é que seja o evento para premiar quem se destaca ao longo do ano, com hospedagem e alimentação, como um prêmio pelo mérito. Tudo isso estamos trabalhando para 2019. Salvador realizou o Brasileirão em 2018, mas entraria como um evento novo, então, teria que entrar com a graduação mínima pelas regras da ITF."

Façanha contou também que a partir de 2019 o árbitro Felipe Muno passará a ajudar a Confederação Brasileira de Tênis e os organizadores de eventos na operacionalização. "Já foi aprovada a ideia junto ao árbitro geral da CBT, Ricardo Reis, e ao presidente Rafael Westrupp. A ideia de usá-lo para apoiar a CBT quanto aos Seniors, dou um exemplo aqui os Fact Sheets, a organização do torneio ele estará em cima cobrando providências, deixando as datas que precisam ser cumpridas com os organizadores dos torneios. A vinda do Muno para a parte operacional e apoiar a CBT e os organizadores dos eventos vai ser de suma importância. Isso vai melhorar muito, resolvendo as coisas muito rapidamente. No momento, temos uma pessoa cuidando de tudo e acaba que atrasa as coisas para o Seniors, o que é plenamente justificável,  pois tem outras atividades. O Muno vai deixar tudo pronto para a CBT levar para a ITF."

De acordo com Amadeu, a partir de 2019 a CBT não irá cobrar mais anuidade de atleta que disputar apenas um torneio. Isso somente ocorria para jogadores disputarem torneios em suas cidades. A partir do segundo evento ele terá que pagar a anuidade da entidade. "Agora qualquer pessoa de qualquer lugar pode jogar sem pagar a taxa da CBT. Ele paga a inscrição com percentual um pouco maior. Mas ele não pagando a anuidade, ele não conta ponto para o ranking nacional. Fica fora do ranking. A partir do segundo torneio, ele precisa pagar a anuidade", acrescenta.

Em 2019 haverá um evento de intercâmbio entre Brasil e Portugal no Seniors. Será um torneio no Recife ainda com detalhes por confirmar. "Falta definir o formato, como será a convocação, etc. Será tipo um duelo Brasil x Portugal e posteriormente o Brasil vai a Portugal completar o intercâmbio. As pessoas serão convocadas pelo ranking da CBT, então, vão se motivar para jogar os eventos da entidade", completa.

A 33ª edição do Seniors Internacional de tênis de Porto Alegre - Copa Yone Borba Dias - termina neste domingo, com jogos a partir de 9 horas, com entrada gratuita na ALJ.

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