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Halep supera desconfiança para se tornar número 1
09/10/2017 às 16h29

Halep esteve por três vezes a uma vitória de chegar à liderança do ranking este ano e conseguiu a façanha em sua quarta oportunidade

Foto: Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

Depois de bater na trave três vezes este ano, Simona Halep pôde enfim comemorar nesta segunda-feira sua chegada à liderança do ranking mundial. A romena, que completou 26 anos há menos de duas semanas, é a primeira de seu país a se tornar número 1 do mundo e a 25ª mulher a ocupar a posição de honra desde a criação do ranking em 1975.

Com apenas 1,68m, a jogadora mais baixa do atual top 10 superou a desconfiança em diversos momentos na carreira. Foi assim após as derrotas em suas três primeiras finais de WTA ou em cada eliminação em Grand Slam, já que ainda não possui um troféu deste porte apesar de ter disputado duas finais de Roland Garros. Já este ano, a pressão ficava ainda maior a cada oportunidade perdida de chegar ao topo do ranking até a coroação e o alívio no último sábado em Pequim.

Nascida na cidade de Constanta em 27 de setembro de 1991, Simona Halep começou a jogar tênis aos quatro anos para seguir os passos de seu irmão mais velho e sua rotina diária de treinamento foi iniciada com apenas seis anos. Já aos 16, mudou-se para Bucareste, capital de seu país, onde deu continuidade ao sonho de se tornar uma jogadora profissional.

Halep teve uma carreira juvenil promissora e chegou à liderança do ranking mundial da categoria em 2008, ano em que foi campeã júnior de Roland Garros e semifinalista no Australian Open. Naquela idade, a romena também já acumulava cinco títulos profissionais em torneios de pequeno porte, com premiações de US$ 10 mil e US$ 25 mil.

Perto de completar 18 anos, Halep passou por uma mamoplastia redutora, cirurgia para dimunir o tamanho dos seios. À época, a romena explicava que o volume e o peso causavam-lhe dores nas costas e reduziam sua mobilidade em quadra, ao prejudicar seu tempo de resposta. O desconforto era tanto que ela admite que faria a cirurgia mesmo se não tivesse seguido a carreira no esporte.

Temporada de 2013 foi um divisor de águas na carreira da romena, que saltou do 47º para o 11º lugar (Foto: Paul Zimmer/ITF)

A chegada de Halep ao top 100 se deu em julho de 2010, antes de completar 19 anos e o top 50 veio no dia 12 de setembro de 2011, a poucos dias de seu vigésimo aniversário. Em suas três primeiras finais de WTA, a romena acumulou três vice-campeonatos, dois deles em Fes e um em Bruxelas. O primeiro título viria em 2013, no saibro alemão de Nuremberg. O troféu na elite do circuito tirou um peso das costas de Halep em finais. Ainda em 2013, ela conquistou os torneios de s-Hertogenbosch, Budapeste, New Haven, Moscou e Sofia. O ano espetacular a fez saltar do 47º para o 11º lugar no ranking ao final da temporada.

A campanha até as quartas de final do Australian Open de 2014 rendeu a entrada no grupo das primeiras do ranking. Já a chegada ao top 5 em março fez dela a melhor romena do ranking na história, superando Irina Spirlea que foi a sétima colocada em 1997. Cada vez mais estabelecida entre as melhores do mundo, Halep disputou sua primeira final de Grand Slam em Roland Garros, mas perdeu para Maria Sharapova, ocupou a vice-liderança do ranking em agosto e terminaria a temporada no terceiro lugar após a derrota para Serena Williams na decisão do WTA Finals.

Halep disputou sua primeira final de Grand Slam em 2014, quando foi vice em Roland Garros (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Com a responsabilidade de jogar como favorita contra quase todas as adversárias, Halep se manteve no top 10 e venceu três títulos em 2015 e outros três em 2016, ano em que não disputou as Olimpíadas por opção. Entretanto, a romena não via outras chances de voltar a uma final de Grand Slam ou de disputar a liderança do ranking.

As oportunidades viriam em 2017. Apesar de ter vencido apenas um torneio na temporada, no saibro de Madri, Halep faz um ano consistente ao disputar outras quatro finais. Em um momento em que Serena Williams está afastada por conta da gravidez e nascimento de sua primeira filha, e que Angelique Kerber não repete as boas atuações que a levaram ao número 1 no ano pssado, a romena entrou para o grupo de postulantes ao topo do ranking.

Por três vezes, Halep esteve a uma vitória de se tornar a melhor do mundo. Mas ela sofreu viradas na final de Roland Garros para Jelena Ostapenko e nas quartas em Wimbledon contra Johanna Konta e jogou mal na final de Cincinnati contra Garbiñe Muguruza, quando terminou a semana a apenas cinco pontos da então número 1 Karolina Pliskova. Ela ainda teve uma chance na grama de Eastbourne, onde precisava ser finalista, mas caiu para Caroline Wozniacki nas quartas.

Final de Roland Garros foi uma das chances que a romena teve para assumir o topo do ranking (Foto P. Montigny/FFT)

A romena persistiu. Treinada pelo renomado Darren Cahill, Halep passou a contar com a colaboração do compatriota Andrei Pavel para as vezes em que está em seu país e também durante algumas viagens no circuito. Também conversou com a ex-número 1 Kim Clijsters, que perdeu as quatro primeiras finais de Slam que disputou, após a derrota em Roland Garros.

Halep trabalhou o saque e o lado mental e fez grandes partidas em Pequim. Contra Maria Sharapova, a primeira vitória em oito duelos, seguida pela revanche contra Daria Kasatkina para quem havia perdido na semana anterior e uma atuação de gala diante de Jelena Ostapenko para devolver a derrota de Roland Garros e ser a nova número 1 do mundo. O título na capital chinesa não veio, mas ela termina a fase asiática da temporada com a sensação de dever cumprido.

Números: Na carreira, Halep acumula 15 títulos de WTA em 27 finais disputadas. A romena de 26 anos venceu 403 partidas, sendo 26 contra top 10 e oito diante de top 5, e sofreu apenas 184 derrotas na carreira. Com uma premiação acumulada de US$ 19.832.015, ela é a 16ª jogadora que mais recebeu dinheiro como tenista profissional.

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