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Primeiro Slam coroa parceria de Wozniacki com o pai
29/01/2018 às 17h30

As maiores conquistas de Wozniacki foram junto de seu pai, Piotr

Foto: Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

O primeiro troféu de Grand Slam de Caroline Wozniacki e sua consequente volta à liderança do ranking mundial coroa a longa parceria estabelecida com seu pai, Piotr. Embora já tenha passado por diversos treinadores com currículo respeitável no circuito, foi a solução caseira que garantiu os maiores momentos na carreira da dinamarquesa de 27 anos.

Como reforçou durante a cerimônia de premiação em Melbourne, Wozniacki treina com o pai desde os sete anos. Piotr nunca jogou tênis profissionalmente e fez carreira no futebol, esporte que motivou sua mudança da Polônia para Odense, na Dinamarca, cidade onde a tenista nasceu em 1990. A mãe de Wozniacki, Anna, também foi atleta profissional e fez parte da seleção nacional de vôlei na Polônia. Até por conta da origem estrangeira, ela é chamada de "Karolina" por seus pais.

A dinamarquesa foi introduzida ao esporte treinando de três a quatro horas por dia contra o paredão, o que ajuda a explicar sua consistência defensiva e a predileção por pontos mais longos. Em uma família de atletas, suas primeiras competições foram contra o irmão, Patrick, quatro anos mais velho e que mais tarde optaria pelo futebol. Em seu país, Wozniacki foi se acostumando a jogar contra meninos, contra meninas mais velhas e até com mulheres adultas. Assim, venceu o campeonato nacional feminino da Dinamarca com apenas 14 anos.

Acompanhada pelo comitê olímpico de seu país desde os onze anos, Wozniacki chamou atenção de Sven Groeneveld, técnico do programa de desenvolvimento de talentos da Adidas, em 2006, pouco depois de ser campeã juvenil de Wimbledon. Groeneveld foi apenas um dos grandes técnicos com breves passagens pela carreira da dinamarquesa.

Já estiveram com Wozniacki, nomes como o espanhol Ricardo Sanchez, os suecos Thomas Johansson e Thomas Hogstedt, o compatriota Michael Mortensen, a espanhola e ex-número 1 do mundo Arantxa Sanchez e o tcheco David Kotyza. Todos tiveram passagens breves, permancendo por poucos torneios no cargo. Títulos vieram apenas com Johansson e Hogstedt, em New Haven-2012 e Luxemburgo-2013. Destaque também para uma final no saibro de Stuttgart em 2015 sob o comando de Arantxa, quando até incorporou uma faixa testa para celebrar a carreira de sua treinadora.

Quando treinou com Arantxa Sanchez, em 2015, Wozniacki até incorporou o visual da espanhola.

O sucesso da eficiência da parceria entre Wozniacki e Piotr é evidente nos números. Sejam eles os 26 dos 28 títulos conquistados pela dinamarquesa na elite do circuito ou as dez temporadas seguidas terminadas no top 20 do ranking mundial. Ao vencer o Australian Open de 2018, Wozniacki também garantiu o 11º anos seguido com pelo menos um título na WTA, algo que apenas outras sete mulheres conseguiram na história.

Top 10 aos 18 anos, em maio de 2009, e finalista do US Open na mesma temporada, Wozniacki assumiria a liderança do ranking mundial no dia 11 de outubro de 2010. Ela perderia o lugar para Kim Clijsters por uma semana em fevereiro do ano seguinte, mas rapidamente retomou a posição e lá permaneceu por mais 49 semanas, totalizando 67 em duas passagens pelo número 1. Nos dois melhores anos de sua carreira, em 2010 e 2011, foram doze títulos no circuito, com destaque para torneios grandes como Indian Wells, Pequim, Dubai, Tóquio e Montréal.

Wozniacki assumiu a liderança do ranking pela primeira vez em outubro de 2010, durante a campanha para o título do WTA Premier de Pequim.

Apesar da consistência no alto nível, Wozniacki conviveu com críticas por ser uma número 1 do mundo sem título de Grand Slam e por ter um estilo de jogo cada vez menos usual em um circuito dominado por jogadoras mais altas, mais fortes e mais agressivas. Perdeu o primeiro lugar do ranking em janeiro de 2012 e teve idas e vindas no top 10. Uma vitória sobre Serena Williams em Miami foi a maior glória em um período com poucos feitos de destaque. Ainda assim, continuava beliscando um título por ano, quase sempre na Ásia.

Parecia que retomada viria no segundo semestre de 2014, quando ela foi vice-campeã do US Open e se classificou de novo para o WTA Finals depois de duas ausências seguidas e até voltou ao top 5 em um 2015 sem muito brilho. Com o sonho de disputar as Olimpíadas no Rio de Janeiro, aceitou disputar a quinta divisão da Fed Cup em condições muito modestas. Já em 2016, viveu seu pior momento. Uma lesão no tornozelo direito durante um treino a tirou de quadra durante toda a temporada de saibro. Na volta, maus resultados e uma lesão no punho a derrubaram para o 74º lugar do ranking.

Já se falava em uma possível aposentadoria precoce para Wozniacki, com apenas 26 anos, quando ela conseguiu uma improvável campanha até a semifinal do US Open. As duas semanas mágicas em Nova York, que só pararam na então número 1 do mundo Angelique Kerber, afastaram os pensamentos negativos da dinamarquesa. Ela terminaria o ano com dois títulos, em Tóquio e Hong Kong, algo que não conseguia desde 2012, e ganhou confiança para 2017.

Disposta a voltar a ser protagonista, Wozniacki trouxe o rebatedor Sascha Bajin, que já trabalhou com Serena Williams e Victoria Azarenka, e engatou logo de cara as finais de Doha, Dubai e Miami, além de chegar às quartas em Indian Wells. Ao longo do último ano, a dinamarquesa foi recordista de vitórias com 60 no total, disputou oito finais e terminou a temporada com o maior título da carreira até então ao vencer o WTA Finals em Cingapura. Em uma quadra que favorecia seu estilo de jogo, classificou-se em segundo lugar num grupo com Elina Svitolina, Simona Halep e Caroline Garcia, para quem sofreu sua única derrota, e fez um final de semana perfeito com vitórias sobre Karolina Pliskova e Venus Williams em sets diretos. A parceria com Sascha chegou ao fim junto com a temporada e o alemão investiu na carreira de técnico para trabalhar com a japonesa Naomi Osaka a partir deste ano.

Título do último WTA Finals era o maior de sua carreira até então. Ela terminaria a temporada passada na terceira posição do ranking mundial.

O incômodo retrospecto recente em finais daria novamente as caras na primeira semana de 2018 com o vice-campeonato em Auckland para Julia Goerges. Mas o sorteio do Australian Open foi generoso com a dinamarquesa ao tirar de seu caminho adversárias de perfil extremamente agressivo e que a impedem de propor o jogo. Talvez quem mais se assemelhasse a esse modo de jogar seja a croata Jana Fett, que levou Wozniacki ao limite logo na segunda rodada, quando salvou dois match points. No mais, vitórias convincentes sobre Mihaela Buzarnescu, Kiki Bertens, Magdalena Rybarikova, Carla Suárez Navarro e Elise Mertens.

Com muita coisa em jogo na final contra Simona Halep, que valia o primeiro título de Grand Slam e a volta à liderança do ranking, Wozniacki foi a jogadora mais agressiva nos primeiros games e liderou o placar durante praticamente o tempo todo. Mesmo quando perdia o último set com quebra atrás, não baixou a intensidade. Do outro lado, Halep compensou a limitação por estar fora de suas condições físicas com muito espírito de luta, o que só abrilhantou ainda mais a conquista de Wozniacki e sua volta ao número 1. Nos exatos seis anos entre a perda e a retomada da liderança do ranking, sem dúvida os 518 dias entre o 74º lugar e o topo da lista foram os mais intensos e gratificantes. 

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