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Após 'choque de realidade', Carol tenta ser agressiva
02/03/2018 às 08h45

Carol Meligeni Alves treina na Argentina desde o ano passado

Foto: Eric Visintainer/Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - O atual momento do circuito feminino dominado por jogadoras de estilo mais agressivo fez com que Carolina Meligeni Alves buscasse mudanças em seu tênis. A jovem jogadora de 21 anos vem treinando com o ex-top 40 argentino Hernan Gumy, em Buenos Aires, desde o segundo semestre do ano passado e fez adaptações significativas em seu jogo durante a pré-temporada.

"A gente está trabalhando bastante na minha agressividade e já senti bastante a diferença. Agora na pré-temporada já mudei minha empunhadura para ser mais agressiva, porque hoje em dia a mulherada está batendo muito forte e com a empunhadura que eu jogava eu tinha um teto que eu atingi, mas precisava mudar para crescer ainda mais", disse Carol Meligeni Alves ao TenisBrasil, durante o Torneio Internacional Feminino, disputado no clube Pinheiros, em São Paulo.

"Vi que do jeito que eu estava jogando eu não iria conseguir ir muito além do que eu já tinha. Eu precisava mudar algumas coisas. Então na pré-temporada eu consegui fazer a mudança mais drástica que foi a da empunhadura para ser mais agressiva que é para onde o tênis está caminhando", explicou a jogadora que ocupa o 519º lugar do ranking e atingiu sua melhor marca em outubro último, quando foi a 425ª colocada.

A motivação para mudar o estilo de jogo e até mesmo sua mudança para a Argentina se deu após a experiência negativa no primeiro semestre do ano passado. Depois de vencer seus dois primeiros títulos profissionais de simples na Tunísia, em 2016, ela tentou a sorte em torneios maiores no saibro da Espanha e da Itália.

"Tentei todos os qualis, furei alguns, mas tomei muita porrada por causa do meu estilo de jogo. Foi um choque de realidade, tanto que quando eu voltei a gente tomou a decisão de ir para Buenos Aires e mudar o saque, a movimentação e aprender a deslizar", explicou a jovem paulista. "Eu corria e jogava para cima quando me pressionavam e nos torneios de 25 mil e 50 mil que eu joguei na Europa, as meninas vinham e davam swing-volley o tempo todo. Então não dava para jogar daquele jeito".

Apesar de haver jogadoras jovens não tão agressivas como Daria Kasatkina e Ashleigh Barty chegando ao top 20 ou mesmo as veteranas italianas Sara Errani e Francesca Schiavone conseguindo alguns bons resultados ainda hoje, Carol Meligeni sabe que esses casos são cada vez mais raros. "Tem algumas que são assim ainda, igual a Errani e a Schiavone que jogam mais com rosca e mais defendendo. Mas você é a minoria disparada que joga assim. Não estou falando que eu vou jogar igual a Kerber, porque não tenho nem a força e nem o perfil de jogar desse jeito, mas o mais agressivo que eu puder dentro das minhas características faz diferença para não ficar só correndo. Era o que aconteceia".

Carol Meligeni Alves não fará mais séries de torneios tão longas, como as que fez na Tunísia e na Turquia nos últimos anos. (Foto Eric Visintainer/Divulgação)

Nos últimos dois anos, Carol fez algumas séries de torneios muito longas. A rotina vai mudar a partir de 2018. "Acabaram as giras intermináveis de quinze semanas, meu treinador falou que no máximo seis. Fiz treze semanas na Tunísia, doze na Itália e Espanha e agora onze na Turquia. É duríssimo, mais ainda quando você fica tomando porrada igual eu tomei nos torneios de 25 mil".

"Quando você está ganhando, você está embalada, é cabeça de chave toda hora e começa a pegar chaves boas. Nesses torneios de resort você fica as treze semanas no mesmo lugar e no mesmo quarto. Joga contra as mesmas pessoas e com os mesmos árbitros. No final você não aguenta mais", acrescentou a campineira. "Mas é um processo que você tem que passar. Tem que viver a realidade do seu nível e do seu ranking".

"Não vou reclamar porque eu fui muito bem na Turquia e na Tunísia, mas não é o ideal. Mentalmente é duro e também fisicamente você acaba perdendo. Mesmo que você esteja ganhando muitos jogos, tem que dar uma treinada e fazer um físico mais duro e nem sempre dá tempo se você estiver jogando todo dia. Então decidiram que só vou fazer giras menores".

Apesar da pouca idade, Carol já está em sua segunda experiência no exterior. Ela já treinou com o uruguaio Enrique 'Bebe' Perez durante sua carreira juvenil e comparou as duas experiências. "Era muito diferente porque eu era muito nova. Fui com 15 anos, fiquei quatro anos, e cresci muito como pessoa. Amadureci em morar sozinha tão nova fora do Brasil, mas foi uma experiência incrível. Agora é outra etapa por ser mais voltada ao tênis profissional".

"Foram dois grandes treinadores, o 'Bebe' treinou muitos jogadores que foram top 100 e o Hernan já jogou e foi 40 do mundo. São dois técnicos incríveis em momentos diferentes da minha carreira", avalia. "De repente o que eu precisava naquela época já não é mais tão importante agora. Antes eu tinha que arrumar muito a técnica, mas agora é muito mais a parte tática".

Ela também comenta sobre a boa relação entre os treinadores argentinos facilita seu desenvolvimento. "Nossos treinadores estão sempre em contato com os outros e são sempre eles mesmos que arrumam os treinos. Outro dia eu estava lá e meu técnico me mandou a mensagem num domingo: 'Carol, amanhã você vai treinar com tal pessoa, terça com tal, quarta com tal...'. Eles conversam entre eles e não têm nenhum drama de uma treinar com outra ou no clube da outra. O importante é jogar com pessoas diferentes e de níveis diferentes para evoluir".

Depois de disputar torneios em Curitiba e São Paulo, a jovem jogadora de 21 anos ainda jogará em Campinas e São José dos Campos antes de voltar para a Argentina, onde irá treinar. Depois ela ainda avalia se jogará dois torneios lá ou se irá direto para os torneios europeus. Ela não estabelece meta para a temporada. "A gente está numa fase de adaptação a todas as mudanças que eu tenho feito. Então é mais eu conseguir aplicar isso cada vez mais nos jogos, sem voltar ao que era antes para ficar uma coisa mais automática e conseguir os resultados".

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