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Teliana recupera a alegria e quer seguir na Espanha
03/03/2018 às 08h30

Teliana fez mudanças na equipe e pretende treinar mais vezes em Barcelona

Foto: Eric Visintainer/Divulgação
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - A temporada de 2018 marca o recomeço para Teliana Pereira. Aos 29 anos, a pernambucana radicada em Curitiba fez uma longa pausa na carreira de tenista profissional em junho do ano passado para tratar de assuntos pessoais e de uma lesão no cotovelo direito. Nesse intervalo, também se casou com o parceiro de longa data Alexandre Zornig e viu o crescimento projeto do irmão e seu ex-técnico Renato Pereira, que tem a própria academia em Curitiba.

Na preparação para sua volta às quadras, que aconteceu na última quarta-feira durante o Torneio Internacional Feminino em São Paulo, Teliana fez um mês de pré-temporada em Barcelona sob a supervisão do técnico brasileiro Leo Azevedo. A ex-número 43 do mundo reitera o desejo de seguir treinando na Espanha, e de viajar com Leo, além de tornar Barcelona sua base durante as longas séries de torneios no saibro europeu. Disposta a fazer diferente, ela trouxe novos integrantes para a equipe, o preparador físico Felipe Rabelo e o fisioterapeuta Lucas Rafael.

"Quando eu decidi voltar a jogar, eu decidi que iria fazer algo novo. Para mim não fazia sentido voltar com tudo igual", disse Teliana Pereira ao TenisBrasil. "Eu queria fazer tudo diferente então comecei a trabalhar com fisioterapeuta novo e preparador físico novo. Está tudo encaixadinho. Agora é questão de tempo e paciência".

Teliana, que aparece atualmente apenas no 441º lugar do ranking, é bastante positiva quanto ao retorno às quadras. Com histórico de lesões no joelho, a ex-top 50 e vencedora de dois torneios da WTA, em Bogotá e Florianópolis, conhece o caminho para escalar o ranking em busca dos principais torneios do circuito. Mais importante que isso, recuperou a alegria de jogar tênis, principal razão pela qual quer continuar se dedicando ao esporte que tanto ama.

Confira a entrevista com Teliana Pereira.

Como é a sensação de voltar ao circuito e ao clima de competição depois de tanto tempo?
Eu tô feliz por ter tomado a decisão de voltar. Acho que o mais importante nesses primeiros torneios é me familiarizar de novo com o circuito e, principalmente, me sentir leve e me sentir feliz. É o que está acontecendo. Eu voltei para sentir esse clima dos torneios, das viagens e das emoções. Não só pelo lado bom, mas também pelo lado não tão bom.

Está com vontade de competir?
Eu tô com muita vontade, senti bastante falta da emoção que o tênis proporciona. Tanto as emoções boas quanto as emoções ruins, porque a gente aprende todo dia e em todo esse tempo que eu fiquei parada eu simplesmente não tinha e senti falta isso.

E sobre aquele momento em que você estava estafada, precisando de um tempo para você, como surgiu a decisão de fazer uma pausa na carreira?
Essa decisão não surgiu do dia para a noite. Eu já estava me sentindo muito cansada da rotina e de ter que viajar. Mesmo de treinar e competir. Eu sentia que eu já não tinha a mesma felicidade quando entrava em quadra e para mim isso sempre foi o essencial. Era o mais importante entrar em quadra e me sentir feliz para ter força para correr atrás da bolinha. No momento que eu já não tinha essa força eu pensei que não havia motivo mais para estar fazendo isso. O tênis é um esporte tão bonito, tão bom, não tem por que fazer dele uma coisa ruim. Era o que estava acontecendo. Foi aí que eu decidi descansar um pouco, ficar com a família e fazer as coisas de uma pessoa normal. Mas chegou uma hora que eu já não aguentava mais.

Foi um momento que você até pensou em parar de jogar?
Fisicamente também pesou bastante. Eu já tive problema no joelho, no cotovelo, sempre tive problema no ombro. É claro que o atleta nunca vai estar 100%, mas isso me chateava e aí juntou com o cansaço mental e era melhor dar um tempo. Foi a melhor decisão que eu tomei e não me arrependo. E agora eu voltei e quero curtir.

Como surgiu a ideia de fazer a pré-temporada na Espanha?
Quando eu decidi voltar a jogar, eu decidi que iria fazer algo novo. Para mim não fazia sentido voltar com tudo igual. Uma coisa que eu nunca tinha feito e eu sempre tive vontade era treinar fora. A princípio, eu queria ir para a França, mas como lá estava muito frio e eu teria que treinar em quadras rápidas e cobertas, eu conversei com o Márcio [Torres], meu empresário e ele me comentou do Leo. Eu já conhecia o Leo e achei uma boa, primeiro por ele ser brasileiro e porque todas as pessoas que eu conversei me falam super bem dele. Barcelona é uma cidade incrível e eu estava muito aberta para aprender coisas novas.

Fiquei apenas um mês, uma pena, acho que eu precisava de um pouquinho mais de tempo, mas foi muito especial e quero voltar mais vezes. Quero ter lá como uma base para não ter que voltar para o Brasil toda hora. Essas viagens são muito caras e cansativas. Então eu vou tentar ficar o máximo possível, jogo algumas semanas e treino em outras, já que lá tudo é perto. Esse é o objetivo durante esse ano.

É algo então que você pretende repetir mais vezes no meio da temporada para não jogar tantos torneios seguidos e acabar se desgastando ou forçando uma lesão.
Exato. Eu vou para a Europa no dia 21, vou para a Itália e jogo dois torneios. Depois pretendo jogar mais dois, ainda não defini onde, aí treino com o Leo durante duas semanas em Barcelona e volto a jogar. Essa praticidade é muito boa, porque às vezes você joga um torneio e sente alguma coisa. Só de você ter um lugar para ficar e onde você se sente bem faz uma diferença imensa.

O que mais você conseguiu aprender e trabalhar lá?
Acho que não trabalhei em nada especial, porque afinal das contas o tênis é só bater na bolinha. O trabalho que eu fazia com o meu irmão era maravilhoso e o Leo só deu uma reforçada naquilo que eu já vinha trabalhando que é tentar ser um pouco mais agressiva. É claro que o Leo falou coisas que eu já trabalhava, mas de maneira diferente e a gente acaba absorvendo mais. Mas no geral, o mais importante foi eu ter certeza de que queria voltar porque adorei a rotina de tenista novamente. O trabalho mental foi muito bom, o Leo tem uma cabeça super aberta e tem muito a acrescentar coisas novas e reforçar o que você já está treinando.

Teliana fez uma longa pausa na carreira para tratar de uma lesão no cotovelo e de assuntos pessoais (Foto: Eric Visintainer/Divulgação)

Muitos brasileiros estão treinando no exterior agora. Como você avalia esse momento?
O principal é a estrutura de treinamento. Eu vi que o Thomaz foi para os Estados Unidos e lá você tem toda a facilidade de ter outros atletas para treinar, o que é super importante. Eu, por exemplo, em Curitiba consigo fazer um bom treino com o meu irmão, mas quando eu tenho que jogar com meninas eu não consigo ter, porque não tem ninguém lá.
Lá fora você tem essa facilidade de poder organizar treinamentos. Isso faz com que você esteja treinando ao mesmo tempo que adquire ritmo de jogo. Eu gostei bastante disso e é uma coisa de que eu sempre senti falta, e tenho certeza que outros brasileiros também. Além disso, se você está fora, está mais perto dos torneios e é sempre bom fazer uma coisa diferente.

Uma vez eu entrevistei o Rogerinho, que treina na Argentina, e ele comentou que lá você encontra parceiros para treinar no nível future, no nível challenger e no nível ATP. É assim também no feminino, principalmente lá fora?
Com certeza. Em Barcelona eu posso combinar treino com qualquer menina de qualquer nível, posso escolher. No Brasil eu não posso cogitar essa ideia. Aqui, se eu quiser marcar um treino com a Bia [Haddad Maia], ou eu teria que ir para o Rio de Janeiro ou ela ir para Curitiba. A gente sabe que isso não é fácil e que no nosso calendário não encaixa. E lá é muito fácil. Isso é importantíssimo e a gente não tem no Brasil.

Seu irmão está mais envolvido com o projeto da academia própria. Como você tem viajado para os torneios agora sem ele?
Na verdade eu já não viajo mais com ele. É lógico que quando eu estou em Curitiba ele me ajuda, mas eu pretendo viajar com o Leo e realmente ficar em Barcelona. Meu irmão está com a academia, que está crescendo e precisam dele lá. E desde que ele resolveu ficar mais, as coisas estão melhorando bastante. A gente nunca sabe do futuro, mas no momento eu pretendo viajar com o Leo.

Em termos de torneio, você só marcou esses quatro por enquanto.
Sim, mas eu pretendo ficar bastante tempo. Eu vou no dia 21 de março e volto no final de junho. Pega toda a temporada europeia no saibro que é o que eu mais gosto, é o objetivo.

Para alguém que foi top 50 e ganhou dois WTA, como é remar tudo de novo?
Eu já passei por isso quando eu machuquei o joelho e fiquei um ano e meio parada. Acho que o que facilita é que como eu já passei por isso eu sei como tudo funciona. Sei que preciso ter paciência e que os resultados podem não vir tão rápido. O tênis é diário. Às vezes você joga bem e acaba perdendo, e às vezes você ganha jogando mal.

O fato de estar jogando no Brasil é legal porque estou em casa e tenho a torcida. É bem show, é positivo. Mas o fato de remar de novo não me incomoda. É claro que se você me perguntasse se eu preferiria estar jogando um WTA ou um challenger, você já saberia a resposta, mas isso também faz parte do processo e temos que encarar.

Uma coisa que sempre pergunto para você: Como está seu joelho?
Meu joelho está maravilhoso. Nunca mais me incomodou. Eu tenho um problema no cotovelo (direito) que eu já venho carregando desde o final de 2015 e nunca tinha parado para tratar de verdade. Acho que eu nunca tinha dado a importância que realmente precisava. Em Barcelona eu fui ao médico e fiz o procedimento para ajudar e desde o final do ano passado, quando eu decidi que ia voltar, eu já estava cuidando do meu cotovelo em Curitiba. Como eu te disse, eu queria fazer tudo diferente então comecei a trabalhar com fisioterapeuta novo e preparador físico novo. Está tudo encaixadinho. Agora é questão de tempo e paciência, e de trabalhar duro. Eu tô bem animada. Acho que o principal eu estou sentindo, que é a alegria em estar de volta.

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