
Londres (Inglaterra) - A ex-jogadora norte-americana Pam Shriver relatou nesta quarta-feira, em entrevista ao jornal britânico Telegraph, que teve um relacionamento abusivo com o ex-treinador Don Candy. Shriver foi número 3 do mundo em simples e número 1 de duplas, modalidade em que conquistou cinco títulos de Wimbledon.
Ela comenta que começou a fazer terapia durante o período de isolamento forçado pela pandemia e que finalmente se sentiu segura para falar abertamente sobre o assunto depois de tantos anos. Seu principal objetivo é alertar para o fato de que casos como o dela continuam acontecendo no tênis profissional.
"Quando a pandemia reduziu meus horários de trabalho no ano passado, percebi que não poderia adiar mais. Finalmente encontrei coragem para visitar um terapeuta e falar sobre minhas experiências como jovem tenista. Agora, mais um ano depois, decidi compartilhar minha história publicamente", relatou Shriver.
This is not an easy story for me to tell, but it is time.
— Pam Shriver (@PHShriver) April 20, 2022
You can listen to my story on the @TennisPodcast - https://t.co/81m3Ryfwr4
You can read my story @TelegraphSport - https://t.co/ckvTF4SSQQ pic.twitter.com/ZRHJMxPTjg
"O resumo desta história é que eu tive um relacionamento inadequado e prejudicial com meu treinador muito mais velho, que começou quando eu tinha 17 anos. Isso durou pouco mais de cinco anos. Não foi fácil entender o que aconteceu, mas acredito que essa é uma questão importante e que precisa ser trazida à tona", acrescentou a ex-jogadora profissional, hoje com 59 anos.
"Minha principal motivação é que as pessoas saibam que isso ainda acontece e muito. Relacionamentos abusivos entre atletas e treinadores são assustadoramente comuns no esporte como um todo. No tênis, testemunhei dezenas de casos em minhas quatro décadas e meia como jogadora e comentarista. Toda vez que ouço sobre uma jogadora que está namorando seu treinador, ou quando vejo um fisioterapeuta homem trabalhando em um corpo feminino na academia, meu alarme toca".
"Meu relacionamento com Don foi uma experiência traumática para mim. Os efeitos posteriores duraram muito além do tempo que passamos juntos. Fizemos praticamente tudo o que duas pessoas que se sentem atraídas podem fazer. Don nunca me abusou sexualmente, mas eu diria que houve abuso emocional. E isso moldou toda a minha experiência de vida romântica", explica a vencedora de 21 títulos de Grand Slam nas duplas.
"Minha sensibilidade para essas questões só está crescendo à medida que meus três filhos chegam ao final da adolescência. Eu adoraria protegê-los, assim como a outros jovens da mesma geração, do trauma de relacionamentos tóxicos. E, portanto, de precisar do tipo de terapia que fiz no ano passado".