Rio de Janeiro (RJ) - A mineira Sofia Helena de Abreu, a primeira grande estrela do tênis feminino brasileiro, faleceu na madrugada desta sexta-feira de causas naturais, em seu apartamento grudado ao Rio de Janeiro Country Club. Ela havia acabado de completar 100 anos, no dia 29 de abril.
Nascida em Caxambu, Sofia começou a ter aulas de tênis em idade avançada, aos 16 anos, pelas mãos de Júlio de Abreu Filho, o Julinho, que acabaria por se tornar também seu marido. O casal então já morava no Rio. Com seu jogo totalmente inovador, apenas cinco anos depois entraria para a história ao conquistar o Campeonato Brasileiro de 1943.
"Aprendi muito cedo a jogar no ataque, na rede e o primeiro golpe que aprimorei foi o voleio, que não era muito usado naquela época pelas mulheres", afirmou ela, em recente entrevista ao jornalista Walmor Elias, publicada na ocasião de seu centenário.
Apesar do sucesso nos torneios nacionais, Sofia perdeu a oportunidade de jogar na Europa devido à Segunda Guerra e logo depois interrompeu a carreira para se dedicar ao casamento. "Poderia ter jogado melhor e mais tempo, mas o casamento e a Guerra me atrapalharam, e terminei viajando pouco. Quando fui a Europa, de navio, foi mais a passeio. Teria sido melhor eu ter jogado mais lá fora". Até 1951, Sofia totalizou seis títulos brasileiros de simples e os oito de duplas.
Alegre e atenciosa, revelou que acompanhava os grandes torneios pela TV e se disse impressionada com a força, o vigor, a potência do tênis feminino atual e a envergadura das tenistas. Admiradora de Roger Federer, ficou entusiasmada com o título do US Open da jovem britânica Emma Raducanu em 2021.
"O tênis me ensinou a ter disciplina, organização, objetivos e planejamento e, principalmente, que temos que fazer tudo com muito amor e uma grande paixão", frisou.