Notícias | Dia a dia
Lembrar perda da irmã abalou Serena em San José
17/08/2018 às 18h39

Serena soube da libertação do homem que matou sua irmã pouco antes do jogo

Foto: Arquivo

Nova York (EUA) - Três semanas depois de Serena Williams ter sofrido uma dura derrota na estreia do WTA de San José, quando perdeu por 6/1 e 6/0 para a britânica Johanna Konta, e dar a entender após o jogo que passava por problemas pessoais naquele momento, uma justificativa para o desempenho aquém do esperado foi revelada em entrevista à tradicional revista Time.

Serena, que está na capa da mais nova edição da revista publicada desde 1923, falou à publicação apenas três dias depois daquela partida e relatou sobre o drama vivido minutos antes de entrar em quadra. A ex-número 1 estava na área reservada às jogadoras e olhava as notícias em seu celular e ficou sabendo que o homem que matou sua irmã Yetunde Price, em 2003, havia sido libertado do sistema prisional.

"Eu não conseguia tirar isso da minha cabeça", disse Serena, à Time. "Foi muito difícil, porque eu pensei nos filhos dela, no que eles significam para mim. E no quanto eu os amo". Quando Yetunde foi morta a tiros, seus três filhos tinham cinco, nove e onze anos.

"Não importa o que aconteça, minha irmã não vai voltar por bom comportamento. É injusto que ela nunca tenha a oportunidade de me abraçar. Mas também...". Serena então faz uma pausa no pensamento e completa: "A Bíblia fala sobre perdão. Devo perdoar o assassino? Ainda não consigo", reconhece a jogadora de 36 anos. "Eu gostaria de praticar o que eu prego e ensinar isso a Olympia [sua filha] também. Eu quero perdoar, tenho que chegar lá e vou conseguir".

Serena também deu detalhes sobre suas declarações nas redes sociais de que não se sentia uma boa mãe. "Eu ainda tenho que aprender a equilibrar quando eu devo estar com ela e quando tenho que pensar em mim. Estou trabalhando nisso. Eu nunca entendia as mulheres antes, quando elas se colocavam em segundo ou terceiro plano".

Uma das razões que mais mexeram com seu estado de espírito é fato de precisar parar de amamentar sua filha quando voltou a treinar com Patrick Mouratoglou na Franaça durante a preparação para Roland Garros. "É muito difícil ouvir isso de um homem. Ele não é mulher e não entende essa conexão. A melhor hora do dia para mim eta quando eu tentava alimentá-la. Eu passei toda a minha vida fazendo todo mundo feliz, tentando agradar todo mundo. E isso é algo que eu queria fazer".

"Eu olhei para a Olympia, e eu falei: 'Ouça, a mamãe precisa recuperar o corpo dela, então a mamãe vai parar agora'. Tivemos uma boa conversa. Nós conversamos sobre isso", explica a ex-líder do ranking, que irá comemorar o primeiro aniversário de sua filha em setembro, durante a disputa do US Open.

Técnico de Serena, Mouratoglou falou à Time sobre o sacríficio que sua jogadora fez para voltar a ser competitiva. "Senti que as decisões foram tomadas no ângulo da família, onde antes, cada decisão era tomada pelo ângulo do tênis", diz o treinador. "Isso é uma grande diferença. Mesmo se você for a Serena, se quiser ter sucesso no tênis, o tênis tem que ser a prioridade número 1".

Parceiro de Serena desde o segundo semestre de 2012 e presente em dez das 23 conquistas de Grand Slam da norte-americana, o treinador francês destaca a preparação feita para Wimbledon, torneio em que a ex-líder do ranking ficou com o vice-campeonato. "Eu nunca a vi trabalhar tanto antes".

Embora tenha disputado apenas seis torneios desde o nascimento de sua filha, Serena já conseguiu recuperar bastante terreno no ranking e está na 27ª posição. Próxima de completar 37 anos, ela segue disposta a conquistar seu sétimo titulo do US Open e ampliar sua galeria de troféus e garante. "Eu não terminei ainda, simples assim. Minha história não termina aqui".

Comentários
Loja TenisBrasil
Mundo Tênis