Notícias | Dia a dia
André Sá sonha treinar jovens e ser capitão da Davis
17/09/2018 às 09h23

Sá foi o técnico de Thomaz Bellucci durante um ano

Foto: João Pires/Fotojump
por Mário Sérgio Cruz

Depois de encerrar a carreira como jogador profissional em fevereiro e ter sua primeira experiência como treinador durante um ano com Thomaz Bellucci, André Sá deixa as portas abertas para dar continuidade à carreira de técnico. O mineiro atualmente se divide entre várias atividades, como palestras e eventos, e segue viajando pelo circuito ao atuar como consultor de jogadores da ITF, com trânsito entre os atletas e representantes de torneios.

Sá falou a TenisBrasil durante o 1º Pro-Am de Tênis JHSF, realizado pela Try em Porto Feliz (SP), e comentou sobre o momento do tênis brasileiro. O mineiro, que jogou até os 40 anos, avaliou a experiência de jovens jogadores treinando no exterior, aposta em carreira longa para os duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares e sonha um dia ser capitão da equipe nacional da Copa Davis. "Seria um sonho estar envolvido com a Davis. Sempre achei a melhor competição que o tênis tem. Então, estar ali, com certeza, seria um dos meus objetivos".

A respeito das mudanças no formato da centenária competição entre países, o mineiro leva em consideração o aspecto comercial para defender seu ponto de vista. "Comercialmente era melhor para a Copa Davis mudar para essa data e para esse formato. Então era necessário. Obviamente quando você faz mudanças drásticas não dá para agradar todo mundo".

Confira a entrevista com André Sá.

Qual avaliação você faz do período que treinou o Bellucci, em termos de experiência pessoal e de passar seu conhecimento a outro jogador.
Foi uma experiência boa. Acho que teve muita coisa positiva. Foi o meu primeiro jogador, tive muito aprendizado sobre como preparar um cara e deixar ele bem pronto e focado para os jogos. E isso para mim foi muito legal. Pude viajar com ele e ter uma experiência de fora de quadra, tentando fazer de tudo para que seja ele esteja preparado para jogar. Foi uma experiência positiva.

Pretende repetir a experiência de treinador no futuro, talvez com jogadores mais jovens?
Pretendo. Estou deixando as portas abertas. Tenho alguns projetos com a ITF e coisas aqui no Brasil com palestras e eventos, mas também deixando a porta para seguir como treinador.

Muitos brasileiros estão indo treinar no exterior, especialmente na Espanha nos Estados Unidos. Como você avalia esse momento?
Isso é uma decisão pessoal. O principal para você ter uma condição jogar bem no tênis profissional é ter um bom ambiente. E eles estão decidindo que o melhor ambiente para eles é lá fora. Então eu acho positivo. É uma decisão difícil. A gente é um povo muito apegado ao ambiente familiar, mas eles estão conseguindo. O ambiente na Europa é obviamente excelente, nos Estados Unidos também. E é também mais barato para viajar e disputar torneios mais próximos. Acho excelente.

Você jogou até os 40 anos. Vimos agora também o Mike Bryan sendo número 1 do mundo também aos 40, o Lindstedt jogando aos 41, Nestor parando agora só com 46, Paes ainda em atividade aos 45... Acredita que jogadores da geração de Marcelo Melo e Bruno Soares possam também jogar até essa idade?
Claro, ou até mais. Hoje em dia está tão elevado o nível de condicionamento físico, de alimentação, e o jeito de eles cuidam do corpo. E uma das coisas principais é a mentalidade. Com todos esses exemplos que você acabou de citar, eles vão pensar: 'Se esses caras fizeram, eu também consigo'. Com certeza, eu acho que o Marcelo e o Bruno vão passar de 41.

Atualmente, Bruno Soares e Jamie Murray são os jogadores de duplas presentes no conselho de jogadores da ATP. Você tem acompanhado as reinvidincações deles e o quanto você pode contribuir com a sua experiência no conselho?
Eu tive seis anos no conselho e acho que eu passei para eles tudo o que eu aprendi. É uma situação difícil porque todo mundo é muito individual e tem sua própria opinião, e você tem que relevar tudo isso e tomar decisões que sejam melhores para todos. Isso é uma coisa que eu tenho que passar para eles. A decisão não pode ser a melhor para um grupo ou outro, mas sim o que for melhor para o esporte.

Depois que parou de jogar, você assumiu o cargo de consultor de jogadores da ITF. Como tem sido esse trabalho? Continua viajando o circuito?
O trabalho tem sido excelente. Acho que depois dessas mudanças na Copa Davis, o meu departamento é mais focado na Copa Davis. Com essas mudanças no formato foi um momento bem turbulento, com muita conversa com os jogadores em certos aspectos da Copa Davis: 'O que vocês acham de dar ponto no ranking?', 'O que vocês acham da data', e isso está sendo muito legal. Estou no meio, que é o que eu gosto de fazer, e com meus amigos por perto.

Como que os jogadores receberam esse formato da Copa Davis?
Alguns gostaram, outros não gostaram. Mas o principal é que comercialmente era melhor para a Copa Davis mudar para essa data e para esse formato. Então era necessário. Obviamente quando você faz mudanças drásticas não dá para agradar todo mundo. Criticar é fácil, mas para apoiar geralmente você segura e espera, principalmente em rede social. Na maioria das vezes é mais usado para criticar que para dar um elogio. Mas era necessário, a ITF achou que era necessário, mas agora a pressão está do lado deles também. Precisam entregar um evento de ponta que os jogadores vão adorar e continuar jogando.

Ainda sobre o cargo: Existe algum trabalho nesse meio-de-campo entre jogadores e torneios para orientar os tenistas que são vítimas de ofensas e ameaças em redes sociais?
Eles fazem um trabalho sobre isso aí, mas é difícil de controlar muito. O que dizem para o jogadores é dizer 'Olha. Aconteceu isso', só para não deixar engolir, mas é complicado controlar tudo.

Recentemente, a Associação Argentina trocou toda sua gestão e passou a ser comandada por ex-jogadores profissionais. Acredita na possibilidade de algo parecido no Brasil?
Eu acredito e torço por isso. Acho que todos os nossos ex-atletas e ex-jogadores precisam estar envolvidos no tênis. É um esporte que você precisa de experiência, ter passado por coisas para poder contribuir. E é exatamente o que aconteceu na Argentina. Mas a gestão também tem que estar muito ruim para que isso aconteça. Aqui no Brasil está bem. Acho que o [Rafael] Westrupp e o [Eduardo] Frick (presidente e gestor esportivo, respectivamente) estão fazendo um bom trabalho e acho que temos que dar continuidade a isso. Mas acho que os ex-jogadores sempre têm algo a contribuir.

Você recebeu convite para assumir o cargo de capitão da Davis? Se não, considera a hipótese?
Não recebi, mas obviamente considero. Como falei antes, deixo as minhas portas abertas e vamos ver o que vai acontecer. Seria um sonho estar envolvido com a Copa Davis, eu sempre achei a melhor competição que o tênis tem, uma competição por equipes e centenária. Então, estar ali, com certeza, seria um dos meus objetivos.

Comentários
Loja TenisBrasil
Mundo Tênis