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Diretor do Rio Open: Brasil vive troca de gerações
23/11/2018 às 17h21

Próxima edição do Rio Open dará convite a um nome da nova geração

Foto: João Pires/Fotojump
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - O momento de transição no tênis brasileiro, com alguns dos principais jogadores do país chegando aos 30 anos, enquanto jovens jogadores ainda buscam se firmar no circuito é considerado "desafiador" para Luiz Procópio Carvalho, diretor do Rio Open. Pensando em dar oportunidade a novos nomes, a sexta edição do ATP 500 na capital fluminense concederá um dos convites a um nome da nova geração nacional.

"A gente está em um momento desafiador. É possível ter uma troca de guarda entre essa meninada mais jovem e os jogadores mais experientes, como o Thomaz [Bellucci] e o Rogério [Dutra Silva]. Não estou querendo aposentar eles, mas já estão caminhando para o final da carreira, com mais de 30 anos", disse Lui Carvalho ao TenisBrasil, durante a Maria Esther Bueno Cup, torneio entre oito jovens jogadores brasileiros valendo uma vaga para o Rio Open do ano que vem, que acontece entre 16 e 24 de fevereiro de 2019.

Lui também comentou sobre a opção de fazer o evento classificatório restrito a convidados nas quadras da Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e estuda rever a medida para o próximo ano. "Foi aqui que a Maria Esther cresceu jogando. Quando pensamos em homenageá-la, decidimos que tinha que ser no Harmonia. Temos visto uma repercussão enorme de público querendo ver essa meninada jogar. Isso é positivo, que talvez para o ano que vem, a gente repense".

O executivo faz um balanço positivo após cinco anos do evento. "Terminamos um ciclo de cinco anos, onde a gente tirou um evento do zero e construiu o que a gente sempre quis que é uma plataforma completa de entretenimento", avaliou Carvalho, que também fala sobre os planos de reativar o torneio feminino, que teve três edições entre 2014 e 2016. "O feminino é uma questão que a gente olha com muito carinho. Ele está alugado para um promotor de Budapeste até o final de 2019 e no ano que vem a gente vai fazer uma avaliação. Tudo isso é uma decisão de negócios, que a gente precisa aguardar com calma".

Confira a entrevista com Luiz Procópio Carvalho.

Depois de cinco anos do Rio Open, queria fizesse uma avaliação geral do torneio e do quanto ele está consolidado.
A gente comenta internamente que terminamos um ciclo de cinco anos, onde a gente tirou um evento do zero e construiu o que a gente sempre quis que é uma plataforma completa de entretenimento. A gente além do carro-chefe que é o esporte e dos atletas top 10, a gente conseguiu criar uma identidade com música, com arte, com lifestyle, com gastronomia. Então a pessoa que vai ao Rio Open, a pessoa vai além do tênis. Isso é muito importante para o evento continuar crescendo todos os anos.

Até voltando um ponto, a gente tem uma missão muito maior que o Rio Open. A gente não esperava estar tão longe depois de cinco anos, então a gente está bem satisfeito e empolgado com a evolução do evento, mas a gente almeja mais. E quando eu falo de crescer, não é só ter mais público ou mais atletas, é ter melhor opinião do público, da imprensa, de quem vai ao torneio ter um serviço melhor. Então a gente está bastante antenado nesse aspecto.

Para o ano que vem, o calendário da ATP vai mexer numa coisa, que saiu Quito e entrou Córdoba, na Argentina. O evento até vai ser num estádio de futebol. E muitas das negociações do Rio Open são feitas em conjunto com Buenos Aires. Agora, com a proximidade que eles vão ter entre eles, você acha que os torneios argentinos vão negociar mais em bloco ou menos com o Rio Open?
Acredito que o Rio Open tem uma vantagem porque é o 500 da região, então é pouco provável que um tenista jogue em Córdoba e Buenos Aires e não jogue no Rio. O evento em Córdoba faz mais sentido para a região, porque são condições mais propícias para jogar tênis que Quito. Era difícil fazer os atletas irem para lá, é uma semana difícil...

- Depois da Austrália, e às vezes com Davis.
É, pode ser direto depois da Austrália ou pode ser depois da Davis. No ano que vem, é depois da Davis, mas em 2020 a gente não tem o calendário para saber. E ajuda. Os torneios mais fortes da região ajudam a atrair mais atletas, porque afinal de contas eles não querem jogar só um. Eles jogam dois ou três, alguns jogam quatro. Então é bom que os torneios se ajudem nisso e consigam atrair mais jogadores.

Vocês conseguem fazer alguma negociação junto com o Brasil Open, de São Paulo, ou é mais difícil por conta da data?
Não tem relação com a data, não. Acho que a gente tem interesses em comum. Só nunca vingou nenhuma negociação em conjunto, mas por nenhuma razão em particular.

Vocês tiveram o torneio feminino durante alguns anos, mas tinham uma data que era ainda mais ingrata que a da ATP, porque coincidia com Premier de Doha e Dubai no calendário da WTA. Vocês tem alguma ideia para retomar ou fazer algum outro evento feminino para o futuro. Fazer um 125 [torneio WTA 125k] talvez?
A gente olha com bastante carinho, sempre em todos os anos. A IMM ela preza fazer longos e grandes eventos, então a gente quer fazer um evento que faça sentido com o objetivo da empresa. O Rio Open feminino é uma questão que a gente olha com muito carinho. Ele está alugado para um promotor de Budapeste até o final de 2019 e no ano que vem a gente vai fazer uma avaliação se faz sentido o evento voltar, se é o momento, se existe alguma brecha para mudar o evento de data e ir ter uma data melhor para atrair mais jogadoras. Você deve estar a par, você segue tênis. Então a ATP deve fazer algumas mudanças no calendário, a WTA também estuda.

Vi algumas notícias sobre as dificuldades do torneio de Québec, naquela semana depois do US Open. Não é também a melhor data, mas...
Mas já é melhor que a nossa atual. A gente olha com carinho e tem a Bia, com quem eu trabalho também. Faria muito mais sentido se a Bia voltasse a estar entre as 60, 70 do mundo, quem sabe entre as 30. Então tudo isso é uma decisão de negócios, que a gente precisa aguardar com calma.

Como você avalia o momento do tênis brasileiro, enquanto promotor e até por sua experiência no tênis?
A gente está em um momento desafiador. É possível ter uma troca de guarda para acontecer entre essa meninada mais jovem e os jogadores mais experientes, como o Thomaz e o Rogério. Não estou querendo aposentar eles, mas já estão caminhando para o final da carreira, com mais de 30. O Thomaz ainda pode jogar mais uns cinco ou seis anos, mas é natural que comece a perder ou pouco esse poder de ganhar os jogos e os torneios, mas ao mesmo tempo é bom que a gente tem uma boa geração de jovens. Acho que essa meninada é uma das melhores gerações que a gente tem em anos, muito possível pelo trabalho que foi feito pela CBT. Essa meninada está tendo bastante oportunidade para poder jogar tênis.

- Talvez mais que a geração do Thomaz?
Eu acredito que mais que a geração do Thomaz. Acho que a CBT, por alguns anos, fez um trabalho bacana quando tinha patrocínio dos Correios. Apoiou muito essa meninada que agora tem 20 e 22 quando eles tinham 16, 17 e 18. Acho que isso está surtindo um efeito legal. Se a gente olhar nome a nome, Orlando se beneficiou bastante com isso, Rafael Matos também se beneficiou com isso e tem mais ou menos a mesma idade. O Thiago Wild é um pouco mais jovem, mas tem um coach muito bom que é o João Zwetsch. Então pouco a pouco os resultados vão aparecendo. E tem uma geração muito boa atrás desses meninos, que é o Boscardin, o Loureiro, os meninos mais jovens. Então eu vejo com bons olhos. Até a própria Maria Esther Bueno Cup é olhando essa nova safra para revelar os próximos nomes do tênis para daqui a um, dois, três ou quatro anos.

Sobre a Copa Maria Esther, por que a escolha de fazer o torneio fechado para o público? Foi uma opção do clube?
Não foi uma opção do clube, mas o Harmonia não tem uma estrutura que comporta gente de fora. É um clube privado, provavelemente um dos mais exclusivos do Brasil e a gente realmente fez a escolha de fazer o evento aqui porque é onde a Maria Esther cresceu jogando. Então quando a gente pensou em Maria Esther Bueno Cup para homenageá-la, a primeira coisa que a gente pensou foi: Tem que ser no Harmonia.

A gente realmente não esperava a repercussão tão boa do evento. Lógico que a gente sabia que o produto era legal, mas temos visto uma repercussão enorme de público querendo ver essa meninada jogar. Isso é positivo, que talvez para o ano que vem, a gente repense.

- Até porque aqui já teve um Challenger Finals, que foi aberto, em 2013.
Em 2013 foi aqui o Finals? Eu não lembrava disso. Mas enfim, eu também cresci no clube e conheço bem o Harmonia. Tem algumas coisas que é difícil você montar uma área de alimentação, o próprio banheiro para o público. É um clube que tem essas limitações, mas do outro lado tem um potencial gigantesco. O clube é incrível, você acha que você está num oásis aqui dentro. É lindo. 

E com relação aos jogadores que entraram, chama atenção a ausência do Jordan [Correia], que tem a idade e tem ranking, só está atrás do Orlandinho. Vocês chegaram a entrar em contato com ele? Teve um belo ano, está com 21 e já ganhou dois futures.
Sim. Quando a gente fez o regulamento para entrar, ele estava na lista. O João Menezes também estava, mas está machucado, e o Jordan preferiu fazer o calendário dele porque está morando na Europa. Ele não quis voltar ao Brasil para jogar o evento. Agradeceu e tal, mas a gente obviamente entrou em contato com ele. É uma pena, porque é um dos meninos que tá nessa geração legal da molecada. Quem sabe ano que vem.

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