Notícias | Dia a dia
Transição é dura tarefa mesmo a excelentes juvenis
24/11/2018 às 09h41

Campeão do US Open, Wild é maior destaque da nova geração

Foto: João Pires
Mauro Menezes*
Especial para TenisBrasil

Desde a quinta-feira, um torneio disputado no clube Harmonia, em São Paulo, reúne os melhores tenistas nacionais até 23 anos. Estão disputando uma vaga para a chave principal do ATP 500 do Rio de Janeiro, um prêmio e tanto.

O que essa inusitada competição mostrou é que o nível de nossos tenistas da nova geração é fantástico. Todos têm condições de atingir o disputado top 100 do ranking da ATP!

Então, por que a dificuldade na transição para o circuito profissional? Ainda mais se nossos jogadores estão sempre entre os melhores juvenis do mundo?

Acredito que seja a somatória de vários fatores:

1. O principal é o financeiro. O tenista nesse estágio tem o custo anual mínimo de US$ 60 mil apenas com despesas de viagens e equipe técnica, motivo pelo qual todo jogador busca apoios junto à Confederação Brasileira e de patrocinadores.

2. Temos poucos torneios no Brasil para pontuar no concorrido ranking da ATP. O tenista é obrigado a sair do país e passar de 7 a 8 meses fora de casa. Culturalmente o brasileiro e mais afetivo e sente o impacto dessa distância de casa.

3. No Brasil, poucos ex-profissionais (experientes por já terem vivido o circuito profissional) viajam acompanhando os jogadores. E o planejamento de carreira do tenista é muito importante, desde organizar os calendários (qual torneio participar), montar toda a equipe técnica e, o mais relevante, se direcionar dentro do estilo de cada jogador, como ele deve jogar, no sentido de tirar o máximo do potencial de cada um.

4. Também o circuito profissional da Federação Internacional (onde o tenista disputa para conquistar os primeiros pontos na ATP) é muito duro, pois o sistema atual acaba favorecendo os tenistas mais experientes e mais velhos. Espero que as mudanças para 2019 facilitem a entrada de novos tenistas desta fase de transição!

5. Alguns outros detalhes são importantes para se atingir um ranking entre os melhore 150 do mundo. O tenista tem que persistir por no mínimo três anos junto aos torneios future, challenger, ATP 250 e 500.

6. O tenista de transição passa assim por estas etapas, que são longas. Primeiro, para ganhar o primeiro ponto, o tenista tem que furar o qualificatório e ganhar um jogo na chave principal. Se perder antes disso, não ganha nada. , e na sequência, jogar:
- o quali do Future - melhorando o ranking, ele acaba entrando na chave principal do Future
- o quali do Challenger - melhorando o ranking, tenta a chave principal do Challenger (mais premiação e hospedagem)
- o quali do ATP - melhorando, a chave principal do ATP 250, 500 e 1000
- até chegar enfim no quali/chave dos Grand Slam se estiver no top 100 do ranking

Quanto maior a premiação do torneio, mais pontos o tenista ganha. Países que detém os Grand Slam faturam muito dinheiro e financeiramente apoiam os jogadores com todas as despesas pagas e infraestrutura de treinamentos, além de oferecem o convite para jogar os maiores torneios, facilitando a subida de ranking.

Espero em algum momento poder apoiar está difícil tarefa da transição!

* Mauro Menezes é ex-tenista profissional, tendo alcançado o 62º posto no ranking de duplas e o 182º de simples, além de ter integrado o time da Copa Davis como jogador e técnico. Atualmente, dirige o tênis na Sociedade Harmonia e lançou o Instituto Próxima Geração, que faz um projeto social de capacitação ligada ao tênis com o patrocínio do BV.

Comentários
Raquete novo
Mundo Tênis