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Matos busca evolução após ano de altos e baixos
27/11/2018 às 14h42

Rafael Matos chegou a ter o melhor ranking da carreira em maio

Foto: Luiz Pires/Fotojump
por Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - Nome promissor do tênis brasileiro, o gaúcho Rafael Matos acredita ter jogado "o melhor tênis de sua carreira", ano em que venceu um título de future em São Paulo e alcançou seu recorde pessoal no ranking. Entretanto, o canhoto de 22 anos lamentou os altos e baixos que o fizeram terminar a temporada em posição muito próxima da que começou e busca uma evolução em 2019.

Natural de Porto Alegre, Matos vinha treinando em Santa Catarina nos últimos anos, mas retornou ao Rio Grande do Sul e atualmente trabalha com o técnico Rodrigo Ferreiro e o preparador físico Miguel Cantori. O gaúcho falou ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, na semana passada em São Paulo, e foi vice-campeão no evento que valia vaga na chave principal do Rio Open de 2019.

Matos falou sobre o desafio de se manter financeiramente nos torneios de nível future. "Se tu faz um resultado médio na semana, paga as contas. Se tu ganha o torneio, talvez dê para tirar um pouquinho, mas se tu vai mal, paga para jogar e sai devendo", explicou o gaúcho, que também busca resultados nas duplas. "Numa boa semana de duplas, dependendo do resultado, dá para dobrar o prize money da semana".

O jovem jogador também falou sobre sua curiosa condição de canhoto para o tênis, mas destro para todas as demais atividades. "Sou destro para tudo no dia a dia. Mas quando eu comecei a jogar, é até curioso, eu trocava de mão e jogava com dois forehands. Não sei te dizer por que e nem quando eu comecei a bater com a esquerda".

Confira a entrevista com Rafael Matos.

Você começou o ano como 530º do mundo, termina como 510º, chegou a ser 440º do mundo em maio e ganhou um future. Queria que você avaliasse um pouco como foi a temporada.
Acho que tive altos e baixos nos torneios em relação a resultados, e também a desempenho. Cheguei a jogar meu melhor tênis na carreira, mas não consegui manter muito isso. Em questão de ranking, comecei e terminei no mesmo lugar praticamente. Acho que faltou essa constância, que faria a diferença para eu ter feito mais resultados, como na semana de São Paulo, que eu ganhei, e ter dado uma alavancada um pouco maior.

A gente sabe que o circuito future tem muito custo para vocês e nem sempre tem retorno financeiro. Vocês acabam pagando para jogar em alguns momentos. Como você tem feito para se manter financeiramente? Vi que você jogou até beach tennis no ano passado.
Nesse torneio de Beach Tennis, eu estava de férias já. Era em Garopaba, um lugar legal para ir. Foi mais para me divertir, fui com amigos e minha namorada, então era mais por causa disso.

Mas com relação à essa questão, se tu faz um resultado médio na semana, paga as contas. Se tu ganha o torneio, talvez dê para tirar um pouquinho, mas se tu vai mal, paga para jogar e sai devendo. Então é bem difícil. Desde os 11 até os 19 anos eu treinei no IGT (Instituto Gaúcho de Tênis), tinha bastante apoio lá, e desde então é meu pai quem tem ajudado mais e investido em mim.

E o quanto jogar duplas ajuda nesse sentido? É uma premiação a mais e você ganhou cinco torneios neste ano.
Eu gosto de jogar duplas, mas muitos jogadores buscam mesmo por esse extra. Se você vai bem em simples, as vezes não é tão bom ficar na dupla, porque às vezes é desgastante ficar no clube até tarde. Mas se tu faz uma boa semana de duplas, dependendo do resultado, dá para dobrar o prize money da semana.

E boa parte de seus títulos de duplas são com o [Marcelo] Zormann, que está passando por um momento difícil, lidando com a depressão e afastado das competições. O quanto você tem mantido contato e dado apoio para ele?
A gente fala direto. Sou muito amigo dele. Treinamos uns três anos juntos. Até na semana passada a gente estava em Uberaba, na casa do João Menezes. A gente reuniu o pessoal porque fazia tempo que a gente não se encontrava. Eu vejo ele bem, só está dando um tempo no tênis e pensando no que ele quer fazer depois.

Você falou do Menezes também, que desistiu do torneio. Como ele está?
Ele está com uma lesão no ombro, mas na segunda-feira agora já começa a pré-temporada. Ele até poderia ter jogado, mas não está 100% e não compensaria arriscar machucar mais.

A partir do ano que vem, os torneios futures não darão mais pontos no ranking da ATP, vocês vão ter que entrar no circuito de transição. O quanto vocês têm conversado sobre isso e planejado a próxima temporada?
Este ano eu acabei não somando os pontos para a ATP, que seriam nos challengers ou talvez ir bem nos torneios de 25 mil. Vou continuar jogando os torneios de transição agora, que mudou o nome, e esperando um pouco o ano que vem para ver o que vai acontecer. Eu não vejo muita diferença, é mais como vão chamar mesmo. Então, é continuar focando no desempenho na evolução que o resto acaba vindo.

São poucos os canhotos no circuito. Como surgiu a ideia de jogar como canhoto? Você já escrevia com a mão esquerda desde a época da escola?
Na verdade, eu faço tudo com a direita, escrevo com a direita, sou destro para tudo no dia a dia. Mas quando eu comecei a jogar, é até curioso, eu trocava de mão e jogava com dois forehands. Não sei te dizer por que e nem quando eu comecei a bater com a esquerda e o backhand na direita, mas não foi nada planejado.

Então seu caso é parecido com o do Nadal e da Kerber, que só jogam com a esquerda, mas assinam com a direita. Você se inspira em que tipo de jogador?
Gosto muito de ver o Federer jogando. É um cara difícil de se inspirar porque ele joga diferente de todo mundo, mas acho que tem que pegar um pouco de cada um, a raça do Nadal e inteligência tática dele, a solidez do Djokovic. Acho que a gente tem que tentar se inspirar um pouquinho em cada um para evoluir.

Em termos de meta para o próximo ano, você tem alguma específica?
Este ano eu fiquei um pouco abaixo da meta que eu queria, que era terminar entre os 400. Não cheguei a conversar ainda com meus treinadores ainda, mas tenho que primeiro tentar bater essa meta para ver a próxima.

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