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Sá: 'ATP e ITF estudam Davis em conjunto em 2021'
29/11/2018 às 08h50

Sá é responsável por articular as vontades da ITF com a dos atletas

Foto: Fotojump
Felipe Priante

Aposentado desde o começo do ano, o mineiro André Sá deixou as quadras de lado, mas não largou o tênis. Ao mesmo tempo que dava seus primeiros passos como treinador do paulista Thomaz Bellucci ele também acabou acumulando a função de consultor de relações com os jogadores da Federação Internacional de Tênis (ITF), que atualmente tem sua dedicação exclusiva. Em entrevista ao TenisBrasil ele falou um pouco sobre a ‘Nova Copa Davis’ e também analisou sua primeira empreitada como técnico.

Feliz com o seu pós-carreira, Sá admitiu que a data em que foram colocadas as finais da Davis, que neste novo formato da competição acontecerão em novembro, na semana depois do ATP Finals, é um dos maiores problemas desta reestruturação e por isso virou prioridade buscar uma nova. Ele também revelou que a ITF estuda juntar sua tradicional competição com a Copa das Nações da ATP a partir de 2021.

O mineiro também não deixou de falar sobre a parceria com Bellucci, que acabou não rendendo frutos esperados. Sá garantiu que o principal motivo para o término foi a necessidade do canhoto de Tietê ter alguém ao seu lado nos Estados Unidos, indo de encontro com sua pretensão de passar mais tempo com a família no Brasil. Ele também fez uma avaliação sobre seu trabalho, mostrou pontos em que pode melhorar e deixou em aberto a possibilidade de voltar a ser técnico no futuro.

Veja como foi a conversa com André Sá:

Como está sendo sua vida depois de se aposentar como jogador?

Está sendo excelente porque estou no meio do tênis, que eu gosto, fazendo essa consultoria para a ITF. Também teve o trabalho com o Thomaz por quase um ano. Sigo dentro do tênis, onde gosto de estar e em um meio que conheço bem. Tenho feito menos viagens do que antes e por isso a família agradece, mas elas continuam, pois o tênis acontece sempre longo. Só que não acontecem mais aquelas giras de seis ou sete semanas (fora de casa) e isso é positivo. Estou desfrutando e aprendendo a cada minuto, principalmente com gente desse lado mais político. Estamos com grandes mudanças, como Copa Davis e Transition Tour, então é um momento de grande trabalho.

Quanto o seu período no conselho de jogadores da ATP o ajuda na função que tem agora na ITF?

Praticamente tudo. A descrição do emprego era basicamente isso, um perfil de pessoa que tenha acesso e conheça gente lá dentro, com um bom relacionamento dentro do vestiário. Como joguei 21, 22 anos de tênis e passei seis anos no Conselho, muitas coisas aconteceram e essa experiência eu posso agregar ao que a ITF quer fazer, entendendo o que se passa na cabeça dos jogadores. Assim podemos tomar as melhores decisões.

Essa configuração da ‘Nova Copa Davis’ junto com a Copa das Nações da ATP não cria uma redundância dos eventos?

É uma preocupação que temos, com certeza. Acho que a ATP querendo criar uma competição de times por países segue no mesmo conceito da Davis. A ITF acredita na tradição dos 108 anos da Davis contra uma competição nova. Mas o objetivo dos dois é se juntarem a partir de 2021, fazendo algo gigante e benéfico para o tênis, mas antes disso, em 2019 teremos a Davis em novembro e em 2020 teremos a ATP Cup em janeiro. O que a gente espera é que primeiro a Copa Davis consiga mudar a data, que é a principal reclamação dos jogadores, de novembro para alguma região melhor do calendário, e que consigamos de alguma maneira juntar com a ATP, para que os tenistas possam não apenas defender seus países, mas também jogar com uma premiação.

Como fazer esse meio de campo com dois torneios acontecendo em momentos bem diferentes da temporada?

A principal preocupação da ITF agora é conseguir mudar a data, tirando de novembro, que não tem apoio dos jogadores, principalmente aqueles que vão para o Finals, que acontece na semana anterior (das finais da Davis) e querendo ou não eles têm razão. Ao mesmo tempo, sempre se jogou a final da Copa Davis nessa data. A prioridade é tentar mudar essa data dentro do calendário da ATP.

O peso de Roger Federer nessa tentativa de colocar a Davis na data da Laver Cup é um empecilho a mais? Há um plano B ou C?

Outras datas existem, a Copa Davis tem suas datas já fechadas, que são aquela primeira semana de fevereiro logo após o Australian Open, uma depois do Masters 1000 de Miami, setembro depois do US Open e essa de novembro, então em qualquer uma dessas quatro semanas é possível jogar, só que a gente vê como ideal jogar em setembro, pois aí também dá tempo de se jogarem os zonais que classificam para as finais. Querendo ou não, a Laver Cup é uma exibição, mesmo sendo um evento legal, então em algum momento a decisão será tomada e espero que de forma negociada. Quem sabe a Laver Cup não muda de data.

Como estão as conversas para esse projeto de união das competições da ITF e ATP?

Ainda está no começo, tivemos uma reunião positiva agora em Londres, onde todo mundo sentou para conversar. A ATP fez o lançamento da sua competição, mas já está sendo conversado que a partir de 2021 há a possibilidade de se fazer um evento em conjunto.

Qual foi o principal motivo que fez o seu trabalho com Thomaz Bellucci acabar?

Fora muitos fatores. Quando nos acertamos ele já tinha decidido mudar para os Estados Unidos. Os resultados não vieram e ele precisava de alguém mais próximo, queria alguém ao seu lado também por lá e isso não seria possível, principalmente por causa da família. Fechamos 25 semanas e ele não quis nem terminar, decidiu que se eu não podia ir para lá não havia sentido continuar. Tudo bem e vamos para a próxima.

Que avaliação você faz dessa sua primeira empreitada como treinador?

Acho que foi positivo, mas obviamente gostaríamos de ter alcançado resultados melhores. A principal lição que eu aprendi é que não tenho que chegar com todas as respostas, tenho primeiro que fazer as perguntas certas. Não posso chegar mudando isso e aquilo, falar para jogar de outro jeito, trocar raquete e tudo mais se não souber como o jogador se sente experimentando as mudanças. Isso foi o que trouxe comigo.

Você gostou de ser treinador? É uma coisa que pretende voltar a fazer no futuro?

Eu adorei, pois estava no meio que eu gosto. Não fechei a porta para ser treinador. Vou tocando o meu dia a dia e pode ser uma oportunidade.

O que você mais sente falta da época de atleta e o que mais você gosta de poder fazer agora que já se aposentou?

Da época de atleta o que eu mais sinto falta mesmo é o relacionamento com os jogadores no vestiário, uma coisa muito legal no tênis. Só quem jogou ou joga é que tem acesso. O que não sinto saudade alguma é jogar em lugar escaldante com umidade alta, isso não sinto falta nem um pouquinho.

Que análise você faz dos brasileiros neste ano na ATP?

Acho que é uma coisa de fase, o esporte vive seus ciclos. Tivemos um ano não muito positivo em simples, mas podemos dar a volta por cima a qualquer momento. O bom do esporte é isso, não tem roteiro e qualquer semana alguém pode deslanchar, como já vimos várias vezes acontecer

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