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Bruno e Murray miram grandes títulos em 2019
12/12/2018 às 08h00

Bruno destacou o ótimo segundo semestre em 2018

Foto: Arquivo
Felipe Priante

Pelo terceiro ano consecutivo, Bruno Soares fechou no top 10, terminando 2018 com as mesmas três conquistas de 2016 e 2017. Apesar dos bons resultados na temporada, que levaram o mineiro e o parceiro Jamie Murray mais uma vez ao ATP Finals, eles demoraram um pouco para engrenar, fizeram um primeiro semestre um pouco abaixo da média, mas no segundo levantaram as taças do ATP 500 de Washington e do Masters 1000 de Cincinnati, além de outros dos vice-campeonatos em Queen’s e Xangai.

“Depois de Roland Garros a coisa engrenou bem, começando por Queen’s. Vieram os grandes resultados e tivemos algumas derrotas dolorosas, como as quartas de Wimbledon. O ano foi muito bom e o segundo semestre foi espetacular”, comentou o atual número 7 do mundo nas duplas em entrevista exclusiva para Tenisbrasil. Bruno fez questão de destacar a derrota na grama do All England Club como a mais doída do ano.

“Estávamos jogando muito bem, chegamos nas quartas de final sem perder set nem saque. O jogo estava completamente encaminhado e a chave estava muito boa. Senti que estávamos jogando em um nível para ganhar Grand Slam, tive a mesma sensação de quando vencemos o US Open (2016)”, lamentou o mineiro, que também lembrou de uma situação chata nos Jogos do Rio 2016: ter perdido a chance de entrar na disputa da chave de duplas mistas.

Por causa da chuva, o espanhol Rafael Nadal teria que fazer três jogos no mesmo dia, então acabou desistindo das duplas mistas com Garbiñe Muguruza. Bruno poderia ter herdado o lugar na chave com Paula Gonçalves, que acabou sem dono, mas como eram os últimos ‘alternates’, ele já havia voltado para Belo Horizonte e perdeu a chance. “Fiquei bravo na hora, se soubesse que ia acontecer ficava uma semana esperando”.

O mineiro também contou um pouco sobre seu começo no tênis lá no Iraque, onde morou até os seis anos por causa do trabalho de seu pai. “Foi uma fase interessante. Eu era muito pequeno, mas até lembro bastante pela idade que eu tinha. Vivemos muito bem lá, onde tive meu primeiro contato com o tênis. Gostaria de voltar e queria levar meus filhos lá, só que hoje está meio complicado”, rememorou o tenista de 36 anos.

Veja a entrevista completa com Bruno Soares:

Qual a análise que você faz da temporada? O que foi positivo e o que foi negativo em 2018?

Acho que no geral foi uma temporada bem boa. Falando em nível de tênis, a gente (ele e Jamie Murray) jogou muito bem. Tivemos um primeiro semestre complicado até Roland Garros, perdemos muitos jogos que estávamos dominando e por isso não tivemos grandes resultados, exceto o título de Acapulco e uma coisinha ou outra. Perdemos muitos tiebreaks, o que machucou. Mas mesmo assim estávamos jogando bem tênis e é bem diferente de quando você perde com aquela sensação de que as coisas não estão legais. Depois de Roland Garros a coisa engrenou bem, começando por Queen’s. Vieram os grandes resultados e tivemos algumas derrotas dolorosas, como as quartas de Wimbledon. O ano foi muito bom e o segundo semestre foi espetacular. O lado positivo de não ter jogado tão bem em alguns meses é que no ano que vem temos margem para seguir crescendo e é isso que a gente espera.

Essa derrota de Wimbledon foi a mais doída? Aconteceram outras assim também no ano?

Não sou de ficar remoendo muito, mas Wimbledon me incomodou por uma série de coisas. Primeiro porque estávamos jogando muito bem, chegamos nas quartas de final sem perder set nem saque, ganhando os três jogos em melhor de cinco, e até o 7/6, 5/4 e saque, a gente seguia sem perder o serviço. Foram três jogos e meio assim. O jogo estava completamente encaminhado e a chave estava muito boa. Era para jogarmos as semifinais contra os convidados, que eram (Joe) Salisbury e (Frederik) Nielsen, que tinham mérito de estar lá, mas querendo ou não era uma chave boa. Aí viria uma possível final contra Mike (Bryan) e Jack (Sock).

Podia lembrar também do US Open, mas lá jogamos tão mal e as condições estavam tão ruins para mim com o lance do sol, que nem tem muito o que remoer. Jogamos mal, os caras ganharam e pronto. Os tiebreaks também machucam, mas a de Wimbledon foi a pior. Senti que estávamos jogando em um nível para ganhar Grand Slam, tive a mesma sensação de quando vencemos o US Open (2016) e até comentei com um dos meus amigos que estava lá.

Uma derrota dessa quanto tempo leva para você esquecer?

Leva uns minutos, passa rápido. Eu sou um cara que sai do jogo, toma o banho e já esqueci. Depois é apenas refletir na parte técnica e prática, de onde melhorar, onde erramos e onde acertamos. Ali levou um tempinho, foi um jogo que acabou tarde e fiquei batendo um papo com o Hugo, que é meu treinador. Mas de noite já estava com a cabeça boa.

Dá para destacar algum título ou alguma vitória importante de 2018?

Acho que o principal é o título de Cincinnati, pois vencer um Masters 1000 é sempre muito importante. Foi o primeiro do Jamie e ele já estava com aquele negócio engasgado. Eu já tinha vencido antes, mas ele não e nós dois juntos havíamos perdido quatro finais já. Por isso foi muito importante ter conquistado esse título e ter tirado essa sensação ruim dele. Acabamos perdendo mais um Masters 1000 depois, em Xangai, mas foi outra grande campanha. No geral, o segundo semestre é que foi muito positivo, não só de resultados, mas também no nível. Esse ano tivemos problemas nos Grand Slam, fizemos duas quartas de final, que é um resultado bom, mas para o que a gente quer não é o suficiente.

Este ano você não participou da Copa Davis. Ano que vem voltaremos a receber um confronto no Brasil e queria saber como está a sua relação com a competição e qual sua opinião desse novo formato?

Estou totalmente à disposição na Copa Davis. Esse ano expliquei o motivo de eu não jogar, foi por causa do nascimento da minha filha. Infelizmente a família não conseguiu viajar nada e por isso tive que abrir mão de alguma coisa para conseguir voltar um pouco mais. Ano que vem estou de volta. Quanto ao novo formato, em particularmente gosto. É interessante, novo e dinâmico e acho que tem tudo para dar certo. Podemos entrar naquela eterna discussão de história e tradição, mas isso é outra coisa. A Davis precisava de uma mudança, de algo novo, e eles estão tentando. Por muito tempo acusamos a ITF de não fazer nada e agora não podemos falar isso, eles estão pelo menos tentando. Vamos ver se dá certo.

Poder jogar a Davis de novo em Minas Gerais é especial? Como você vê o confronto com a Bélgica?

Para mim e para o Marcelo (Melo) é muito legal jogar em Minas. Jogar a Davis no Brasil sempre é especial, jogar em Minas adiciona um pouco a mais. Achei muito legal a escolha de Uberlândia, uma cidade do interior de Minas, mas que é forte economicamente e um lugar muito legal. Esses eventos em uma cidade como Uberlândia, que recebe pouca coisa desse tipo, faz com que o povo abrace melhor.

Qual a avaliação desses três anos jogando ao lado do Jamie?

Eu e o Jamie nos damos muito bem fora da quadra, o que é importante para o relacionamento. Independente dos altos e baixos, somos muito positivos em relação ao que temos que fazer. Ele é um cara muito esforçado, sempre muito focado nos treinos e nas rotinas, o que me ajuda e também me puxa. Tenho alguns anos a mais do que ele e ter um cara com essa pegada ao seu lado me motiva mais. Estamos bem empolgados para 2019, focados no que temos que fazer e em busca de mais títulos.

Como estão os objetivos da parceria para a próxima temporada?

Conversamos agora em Londres, tivemos nossa reunião, e continuamos nessa linha de tentar ganhar Masters 1000, ganhar Grand Slam e ir para o ATP Finals, que é o resultado do ano inteiro. O importante é trabalhar para buscar os torneios grandes.

Você jogou com uma bandana nas últimas finais e também a usou no ATP Finals. Podemos dizer que é uma nova superstição?

É uma leve superstição, comecei com isso em Washington, meio que do nada, e aí fomos campeões. Usei de novo na final de Cincinnati e fomos campeões de novo, então decidi que em finais eu iria jogar. Quando chegamos no Finals resolvi jogar com ela em todos. Quando coloquei lá em Washington o pessoal gostou, ficou um 'look' legal e por isso acabou também começando a usar, mas não tem muito de superstição.

Recentemente você falou do seu começo no tênis no Iraque. Quais as memórias que ficaram daquela época?

O Iraque foi uma fase interessante. Eu era muito pequeno, morei lá até os 6 anos. Naquela época era uma ditadura, já com o Saddam (Hussein), mas o povo árabe é um povo muito legal e amistoso. O problema é que sempre tem uns radicais, que acabam queimando a reputação da grande maioria. Vivemos muito bem lá, onde tive meu primeiro contato com o tênis. Tenho memórias muito especiais do Iraque, um lugar para o qual eu gostaria de voltar, queria levar meus filhos lá. Hoje está meio complicado, mas espero que no futuro dê certo. Foi uma fase especial para toda minha família, quem estava lá naquela época passou bons momentos.

Dá para lembrar como era o lugar?

Eu lembro dos acampamentos que a Mendes Junior, empresa que meu pai trabalhava, construiu para a gente morar. Não ficava todo mundo em Bagdá, tinha um acampamento principal onde ficava o colégio Pitágoras, um colégio de BH muito forte. Tenho memória também do clube que eu frequentava e via meus pais jogando tênis. E algumas memórias de Bagdá, onde moramos num apart-hotel. Tenho lapsos de tudo na minha cabeça e acho que até lembro bastante pela idade que eu tinha.

E como foram os seus primeiros passos no tênis lá?

Os primeiros contatos foram lá no clube, onde meus pais jogavam. Tinha uns 4 ou 5 anos e ficava vendo, queria dar raquetadas. Tinha um paredão do lado e eu ficava brincando lá. Quando tinha 5 anos, mudamos para Bagdá e no apart-hotel em que morávamos tinha uma quadra de tênis com professor e aí foi que comecei. Foi lá que fiz minhas primeiras aulas.

Além do tênis, você nunca tentou praticar outro esporte quando criança?

Fiz natação e competi, na época que morava em Fortaleza, e fiz futebol de salão até os 10, joguei campeonato mineiro e tal, mas quando tive que optar a escolha foi o tênis. Foi uma escolha fácil, lembro que na época não sofri por deixar o futebol.

E você era bom no futebol?

Cara, é difícil falar por causa da idade, mas eu era bom. Era do time principal, jogava no Barroca, um clube perto da minha casa. A gente disputava o campeonato mineiro, jogava legal e metia meus golzinhos.

Nas Olimpíadas do Rio, surgiu uma desistência de última hora nas duplas mistas, mas você já havia pedido com o Marcelo e tinha ido embora. Como foi perder essa oportunidade?

Me incomodou um pouco, mas na verdade eu não tinha muito o que fazer porque a gente era o último alternate das mistas, literalmente o último. Era por ranking e se não me engano éramos nono ou décimo, tinha que fazer uma chave de novo. Só que deu um dia em que o Nadal ia jogar e acabou que, se não me engano, choveu e embolou tudo. Aí aconteceu um caminhão de coisas e me ligaram às 16h perguntando se dava pra jogar. Obviamente era uma pena, seria muito legal jogar a dupla mista com a Paulinha (Gonçalves). Como tinha que ir para Cincinnati logo depois, aproveitei e fui para casa ver minha família. Claro que antes nós olhamos a lista, mas como éramos os nonos decidi não ficar à toa e ir para casa. Foi um negócio de ser no mesmo dia, se fosse no outro de manhã eu pegava um voo e voltava para o Rio, mas o Nadal desistiu e a gente tinha que entrar meia hora depois. Claro que eu fiquei puto na hora, se soubesse que ia acontecer ficava uma semana esperando, mas o lance é que a chance era uma em um milhão e ela aconteceu.

E como está sua expectativa para os Jogos de Tóquio em 2020?

Estou muito ansioso, primeiro por poder representar o Brasil mais uma vez nas Olimpíadas, algo que não precisa nem explicar. Além disso por ser no Japão, um lugar pelo qual sou apaixonado. E também porque batemos duas vezes na trave, parando nas quartas de final. Ficou engasgado um pouquinho, embora Londres nem tanto, já que perdemos meio fácil, mas no Rio era um jogo duro em que perdemos no terceiro set.

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