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Stefani foca de vez no tênis e coloca metas altas
13/12/2018 às 08h33

Stefani fará sua primeira temporada exclusivamente dedicada ao tênis

Foto: Arquivo
Mário Sérgio Cruz

A temporada de 2019 será a primeira de Luisa Stefani com dedicação exclusiva ao tênis. A paulistana de 21 anos treina nos Estados Unidos desde os 14 e passou pelo circuito universitário norte-americano durante dois anos e meio. Para o próximo ano, Stefani decidiu interromper os estudos para aumentar a rotina de treinamentos e seu calendário de competições e decidiu estabelecer metas altas.

"Quero estar no top 300 até o meio do ano em simples para entrar no quali de Roland Garros, e no top 100 ou até 80 de duplas. Vou colocar uma meta alta para trabalhar duro e tentar chegar lá até o meio do ano", disse Stefani ao TenisBrasil. Ela aparece atualmente no 524º lugar em simples e 188º em duplas. 

Ex-número 10 no ranking mundial juvenil da ITF, Stefani se mudou com a família para os Estados Unidos ainda em 2011. Ela treinou na academia Saddlebrook, na Flórida, onde também fez o high school. Já a partir do segundo semestre de 2015, foi para Universidade de Pepperdine, na Califórnia, disputou o circuito universitário e também alguns eventos do calendário profissional. 

Em 2018, quando ainda dividiu atenções entre os torneios e a rotina universitária no primeiro semestre, Stefani acumulou doze vitórias e doze derrotas. No penúltimo torneio que disputou no ano, conseguiu uma boa campanha no ITF de US$ 60 mil no saibro de Colina, no Chile, onde foi semifinalista em simples e campeã de duplas. Dessa forma, atingiu as melhores marcas da carreira nos dois rankings, 520ª no individual e 182ª entre as duplistas.

Além da evolução no ranking, Stefani também vai em busca de apoiadores para sua carreira, uma vez que atualmente conta apenas com fornecimento de raquetes e cordas da parceira Head. De volta a Saddlebrook, a paulistana terá a companhia do técnico indiano Sanjay Singh, que durante muito tempo trabalhou com a lenda das duplas Leander Paes. 

Confira a entrevista com Luisa Stefani.

Você conseguiu terminar o ano com o melhor ranking da carreira em simples e duplas. Qual avaliação você faz do seu ano e o que conseguiu tirar das últimas semanas, quando conseguiu os melhores resultados?
Dá para tirar muita coisa positiva desse ano. Eu estava na faculdade até maio e a partir de junho comecei a jogar torneios profissionais. Joguei a maioria da temporada aqui nos Estados Unidos. Só na última semana do ano que eu joguei no Chile e consegui um resultado muito bom, o melhor da minha carreira até agora.

Isso ajudou muito meu ranking para começar a temporada de 2019. Vou começar a entrar em mais torneios, porque eu tive que jogar muitos qualis aqui nos Estados Unidos e as chaves estavam bem duras. Acho que terminar com um ranking bem melhor do que eu estava antes vai, com certeza, me ajudar para o ano que vem. Mas mesmo não tendo resultados incríveis durante o ano ou nas semanas anteriores, eu sentia que estava jogando bem. Aquela semana mostrou que eu posso ter um bom resultado e fez uma grande diferença para mim. Foi bem legal terminar o ano assim.

Sua carreira no circuito universitário foi bastante destacada, inclusive com dois prêmios de Jogadora do Ano em sua conferência. O que você tira de mais positivo desses anos?
Foi uma experiência única na minha vida. Tanto na parte do tênis e de jogar pelo time, quanto na parte de amizades e dos relacionamentos que você desenvolve morando na faculdade e passando tanto tempo com o time, com os treinadores, com amigos e estudando.

Na parte do tênis, uma das coisas que mais me ensinou foi o fato de eu ter tido um Freshman Year (primeiro ano) muito bom em resultados e na quadra mesmo. Jogava sem pressão, eu era nova no circuito e acho que ninguém me conhecia. Depois disso, entrar no meu segundo ano foi difícil, porque eu tinha que lidar com a pressão de ser favorita na maioria dos jogos. E mesmo assim, tinha que achar um jeito de ganhar e continuar indo bem.

Acho que isso foi bem importante porque no profissional é a mesma coisa. Quando você vai muito bem, você vira favorita e tem que aprender a jogar com a pressão e a expectativa de que você vai ganhar. E ter um treinador em quadra me ajudou a ver melhor os jogos, porque eu já tenho a ideia do meu treinador quando eu estou na quadra e não só depois do jogo. Então acho que isso foi bem positivo que eu peguei do College Tennis também.

No período em que estava na Universidade, você disputou poucos torneios profissionais. Como surgiu o desejo de retomar a carreira no circuito?
Na verdade, desde que eu fui para a faculdade, eu nunca perdi a vontade de jogar como profissional. A minha ideia era ir, fazer um ano e trancar para voltar a jogar. Acho que no meu ano foi um dos primeiros que eles começaram a dar essa oferta de você poder fazer um certo tempo, depois voltar e terminar com a bolsa de estudos. Então, na verdade, eu não diria exatamente que perdi o desejo de jogar como profissional, mas estava mais decidindo qual era a hora certa para eu só me dedicar a isso.

Com certeza, a vinda para os Estados Unidos cedo, ou antes do high school, quando eu tinha 14 anos, me mostrou que fazer o universitário não queria dizer abandonar o tênis profissional. É mais um caminho para me ajudar a chegar lá se você não tem apoio ou não está indo bem no juvenil. Talvez não seja o caminho mais conhecido no exterior. Quando eu estava no Brasil, eu conhecia, mas não tinha essa ideia tão clara, mas quando eu vi para cá, tudo ficou bem evidente para mim.

Depois da Fed Cup em fevereiro, você jogou mais um torneio nos Estados Unidos e depois só voltou ao circuito em junho. O que te fez parar naquele momento?
Depois da Fed Cup eu joguei mais um torneio em San Diego e voltei para Pepperdine. De janeiro a maio eu estava na faculdade, jogando o circuito universitário e ficava difícil de sair muito para viajar. Consegui jogar um torneio porque era perto, mas não consegui encaixar muitas semanas de torneios nesse período.

Durante o circuito juvenil e no começo da carreira profissional, seus melhores resultados foram nas duplas. Você considera a ideia de priorizar o circuito de duplas no futuro?
Eu sempre tive melhores resultados nas duplas. Com certeza é um caminho que eu quero continuar seguindo, mas por enquanto minha prioridade ainda é em simples. No ano que vem, espero que nada me impeça de sacrificar alguma semana de simples para entrar em um torneio grande de duplas. Então, agora minha maior prioridade é subir em simples. Mas se em alguns torneios eu não entrar no quali de simples, mas entrar em duplas, eu vou jogar. Porque eu realmente acredito que as duplas ajudam em muitas coisas.

Quais são seus planos para a temporada de 2019?
Estou bem animada, porque 2019 vai ser meu primeiro ano só focando no tênis profissional, sem estar na faculdade e sem ter que dividir tempo com os estudos. Vou poder fazer um calendário completo só de torneios e treinos e minha prioridade vai ser subir meu ranking de simples e encaixar alguns torneios maiores de duplas, como eu tinha falado. Então vou começando a temporada nos torneios dos Estados Unidos, no saibro, em janeiro. E depois, por causa das novas mudanças, eu não sei exatamente onde eu vou entrar ou não. Fiz um esboço de calendário, mas ainda estou esperando para ver como vai ser para poder decidir o resto.

Vou colocar o objetivo de estar no 300 até o meio do ano em simples para entrar no quali de Roland Garros, e no top 100 ou até 80 duplas. Vou colocar uma meta alta para trabalhar duro e tentar chegar lá até o meio do ano. Como o tênis é um esporte bem interessante, a gente vai adaptando durante o ano para ver como as coisas vão. Mas estou bem animada para essa temporada.

Também comecei com um técnico novo agora. Ele se chama Sanjay, é um técnico indiano e já trabalhou com o Leander Paes também. Estou trabalhando com ele aqui e bem animada com essa nova parceria. Acho que ele já tem me ajudado bastante e quero ver onde eu posso chegar no ano que vem.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com um técnico indiano?
Esse técnico foi apresentado por um amigo da família já há uns dois anos. Só que eu ainda estava na faculdade e ele ainda estava viajando com o Leander. Aí ele se mudou para Tampa com a família. Agora, depois que eu parei a faculdade e decidi começar a jogar em maio, eu vim treinar aqui na Saddlebrook e a gente começou a trabalhar junto. E como o tio dele também já trabalhou aqui, a gente acabou conversando.

Aqui na Saddlebrook eu tenho vários técnicos, mas eu queria um mais específico e que poderia trabalhar comigo para os meus objetivos. E aí ele pareceu bem interessado e queria ajudar. Ele já esteve bastante tempo no circuito masculino, acho que nunca no feminino. Então a gente começou faz pouco tempo.

Além disso, também estou tentando encaixar a parceria da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) com a BTT (Barcelona Tennis Team) para quando estiver na gira da Europa. Queria dar uma passada lá e ver como funcionam as coisas, e usufruir um pouco do Léo [Azevedo] no ano que vem. Isso quando der tempo, não sei exatamente o meu calendário.

A partir do ano que vem, os torneios de US$ 15 mil não darão mais pontos no ranking. Acredita que isso pode atrair mais jovens jogadores para o tênis universitário norte-americano?
Para ser bem honesta, eu não sei como esse novo sistema vai desenrolar. Já li bastante sobre as regras e sobre o que vai mudar, mas estou meio ansiosa para ver como tudo vai funcionar, quando realmente estiver acontecendo. Mas creio que sim. Essa nova ideia do tour de transição vai ajudar juvenis a chegar ao profissional e espero que ajude mais jovens brasileiros, e também juvenis em geral, a pensar duas vezes antes de ir para o circuito profissional. Especialmente se a pessoa não tiver claro o que ela quer para o futuro. Talvez demore um pouco mais para os juvenis chegarem ao profissional e eles possam usar esses anos para se decidir.

Você foi muito jovem para os Estados Unidos, primeiro para treinar em Saddlebrook e depois na Universidade de Peperdine. Como você avalia a vida e a rotina de treinamento lá em comparação com o que encontra aqui no Brasil?
Eu vim bem cedo para os Estados Unidos, quando eu tinha 14 anos, em 2011. Foi bem diferente. Foi um choque de cultura, podemos dizer. Mas na Saddlebrook e na Pepperdine foram coisas bem diferentes. Na Saddlebrook, o que mais me impressionou quando eu cheguei foi a quantidade de meninas que tinham treinando na academia e competindo nos torneios de todas as idades, de 12, 14, 16 e 18 anos. Além de assistir de perto aos profissionais e nomes de peso treinando na academia, o que era raro ver no Brasil. Ver um pessoal de alto nível treinando na quadra ao lado ou fazendo trabalho físico na academia é uma atmosfera legal e mostra que eles também são normais e também estão treinando. Essa foi uma das coisas legais.

A minha rotina era ir para a escola de manhã e treinar no período da tarde. Eu não parei de estudar enquanto estava aqui. E o estilo de jogo também foi uma mudança bem diferente. Meninas jogando bem mais rápido, mais plano, obviamente por causa da quadra dura. Comparado com o que eu estava acostumada no Brasil que tinha o spin e mudavam muito a bola de direção, acho que essas foram as maiores diferenças.

Enquanto na Pepperdine eu tive a sorte de ter um técnico muito bom [Per Nilson], dentro e fora das quadras. Acho que aprendi bastante com ele, então ele me ajudou a manter uma rotina de treinamento que encaixava com as aulas, porque na faculdade não dava para treinar full-time porque eu também tinha que estudar. Os treinos eram diferentes porque eu tinha que trabalhar mais em equipe, então você aprende um pouco a não pensar só em você. No tênis, que é um esporte tão solitário e tão egoísta, pensar um pouco nos outros quando estava treinando não foi fácil, mas foi uma coisa que eu aprendi.

Quais jogadores profissionais de destaque você pode ver de perto treinando em Saddlebrook?
John Isner, Martina Hingis, os irmãos [Mischa e Alexander] Zverev, Samantha Stosur e Caroline Garcia já passaram por aqui.

Aqui no Brasil temos uma cultura muito do saibro, enquanto nos Estados Unidos a maior parte dos torneios é em quadra dura. Como você avalia seu jogo nesses dois pisos?
Eu sempre gostei de jogar no saibro, até porque eu cresci lá. Tenho mais tempo, é mais lento, posso usar ângulos para abrir a quadra, usar curtinhas, e isso dá um jogo mais completo de mexer a bola pela quadra toda. Mas acho que desde que eu vim para os Estados Unidos e joguei em quadra dura, mudei um pouco o jogo e me adaptei também. Aprimorei bastante o meu saque, pude bater mais chapado e entrei um pouco mais na quadra. Acho que isso eu melhorei bastante e foi uma das coisas que mais pegou quando eu mudei do Brasil para cá. Fui pegando essa mudança de jogo e de estilo, e acho que é por causa da quadra e da filosofia do tênis americano.

Como está atualmente sua situação na Universidade? Está próxima de se formar?
Eu tranquei em maio de 2018, então eu completei dois anos e meio, mais ou menos, e tranquei para jogar profissional agora. Planejo voltar no futuro para fazer esses dois anos que tenho para me formar, mas não sei quando ainda. Agora estou só focando no circuito. Vou começar a me dedicar só ao tênis.

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