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Ranking da ATP perderá 41 brasileiros em janeiro
20/12/2018 às 00h04

O gaúcho Rafael Matos é um dos que sairão do ranking na virada do ano

Foto: João Pires/Fotojump
Mário Sérgio Cruz

Com as mudanças significativas na estrutura do circuito profissional para 2019, o ranking de simples da ATP terá muitas mudanças já na virada do ano. A partir de janeiro, praticamente todos os pontos que foram conquistados em torneios da categoria 'future' deixam de valer para essa lista e serão convertidos para a um novo ranking criado pela ITF e que servirá de base para entrada em torneios maiores. Como consequência, apenas 16 dos atuais 57 brasileiros ranqueados em simples na ATP permanecerão na tabela de classificação no início do próximo ano.

Com o novo sistema de pontuação, somente cinco resultados de nível future passam a valer para a ATP. Nos torneios de US$ 25 mil, o vice-campeonato valerá um ponto e o título renderá três no total. Já nos torneios que também oferecem hospedagem, além de distribuir os US$ 25 mil de premiação, o título valerá cinco pontos, o vice-campeonato três pontos e uma semifinal renderá um ponto. A classificação ficará ainda mais afunilada em 2020, quando nenhum ponto obtido em future valerá para o ranking da ATP.

Os quatro primeiros brasileiros no ranking serão os menos afetados pelas alterações. Thiago Monteiro (123º), Rogério Dutra Silva (165º), Thomaz Bellucci (241º) e Guilherme Clezar (249º) construíram seus calendários em 2018 com torneios da ATP e também em competições de nível challenger. As posições deles no ranking devem sofrer leves oscilações, por conta de mudanças na pontuação das rodadas de challenger que também serão implementadas.

Atual quinto melhor brasileiro no ranking de ATP, João Souza, o Feijão, é um dos que irá conviver com dois rankings no começo da temporada. O jogador de 31 anos e ex-número 69 do mundo aparece atualmente no 317º lugar na ATP e terminou a temporada 2018 vencendo três futures seguidos de US$ 15 mil em solo nacional. De seus atuais 57 pontos conquistados em fases finais de future de US$ 25 mil, o que inclui um título na Itália e um vice na Alemanha, apenas sete serão mantidos, mas ele ainda tem a contablizar pontos conquistados por vitórias em challengers e qualis de ATP.

Por outro lado, o paulista de Mogi das Cruzes está muito bem no novo ranking mundial da ITF, do qual é o 14º colocado e poderá utilizar essa marca para entrar diretamente em alguns challengers no começo do ano que vem. Os torneios maiores oferecerão quatro vagas na chave principal e mais três no quali para jogadores bem posicionados na ITF.

Feijão seguirá no ranking da ATP por resultados em challenger e está bem colocado no novo ranking criado pela ITF (Foto: João Pires/Fotojump)

Um pouco abaixo, estão João Menezes e Orlando Luz. O mineiro de 21 anos é o atual 351º colocado no ranking da ATP e 30º na lista da ITF. Seus dois títulos e um vice-campeonato de futures na Nigéria foram em torneios de US$ 25 mil+H e vão valer 13 pontos na ATP a ele. Já as três vitórias obtidas nos challengers de Istambul, Lexington e Gatineau rendem outros dez pontos. Já o gaúcho de 20 anos é o atual 378º no ranking da ATP, além de aparecer no 47º lugar na classificação da Federação Internacional. Orlandinho tem um título em future de US$ 25 mil+H na Alemanha e uma vitória no challenger de Buenos Aires, que valerão oito pontos no ranking da ATP.

Outros três nomes da nova geração brasileira que permanecerão no ranking da ATP são o paranense de 18 anos Thiago Wild, o paulista de 20 anos Felipe Meligeni Alves e o pernambucano de 18 anos João Lucas Reis. Atual 532º do mundo, Wild fez quartas no challenger de Campinas e tem um vice no future de US$ 25 mil de Curitiba, que o deixarão com 18 pontos. Campeão do future curitibano, Reis é o atual 586º do ranking terá 3 pontos na ATP, mesma marca de Alves, 533º, que venceu um jogo no challenger campineiro.

Três brasileiros de 25 anos também permanecem no ranking: o catarinense Karue Sell e os paulistas Pedro Sakamoto e Bruno Sant'Anna. Com uma semifinal de challenger no México e uma final de future de US$ 25 mil na Polônia, Sakamoto terá 30 pontos. Sell ficará com nove pontos, referentes a dois títulos de future de US$ 25 mil nos Estados Unidos e uma vitória no challenger de Savannah, enquanto Sant'Anna terá três pontos por ter vencido um future de US$ 25 mil no saibro francês de Troyes.

O gaúcho Oscar Gutierrez e o capixaba Jordan Correia, que aparecem atualmente no 388º e no 400º lugares do ranking da ATP, terão apenas um ponto a partir de 1º de janeiro, referentes a finais de future de US$ 25 mil. Correia conseguiu esse resultado na Itália, enquanto Gutierrez o fez no Equador. Quem também ficará com um ponto na ATP é o pernambucano José Pereira, atual 584º colocado, que tem uma semifinal em future de US$ 25 mil+H no saibro italiano.

Destaque da nova geração brasileira, Felipe Meligeni Alves ficará com apenas três pontos no ranking da ATP (Foto: João Pires/Fotojump)

Outros 41 brasileiros que aparecem atualmente no ranking da ATP deverão deixar a lista na virada do ano. Entre eles estão 31 atletas que tem menos de dez pontos, o mínimo que poderia ser possível para continuar na lista, já que é a pontuação distribuída até este ano para uma semifinal de future de US$ 25 mil+H. Nessa lista estão nove brasileiros que atualmente têm apenas um ponto, sete com dois pontos, cinco com três pontos, dois atletas com quatro pontos, um tenista com cinco pontos, dois jogadores com seis, outros dois com sete, e mais três atletas com nove pontos.

Os jogadores Wilson Leite, Rafael Matos, Daniel Dutra da Silva, João Pedro Sorgi, Nicolas Santos, Eduardo Dischinger, Marcelo Zormann, Carlos Eduardo Severino, Fernando Yamacita e Igor São Thiago têm dez ou mais pontos no ranking atual da ATP, mas não conseguiram pontuar em torneios que permanecerão contando para o ranking na virada do ano.

Os demais brasileiros que sairão da lista são: Alex Blumenberg, Diego Matos, Thales Turini, André Miele, Gabriel Ciro da Silva, Guilherme Osório, Alexandre Tsuchiya, Matheus Pucinelli, Gilbert Klier, Eduardo Ribeiro, Alessandro Ventre, Filipe Brandão, Luis Britto, Pedro Gabriel Rodrigues, Igor Gimenez, Fernando Romboli, Osni Junior, Gabriel Decamps, João Hinsching, Felipe Garla, Mateus Alves, Igor Marcondes, Asdrubal Gobernate, Gustavo Heide, Rafael Wagner, Rafael Marques da Silva, João Pedro Okano, Christian Oliveira, Paulo André dos Santos, Caio Silva e Enrique Bogo.

Sobre as mudanças no circuito - As mudanças visam reduzir drasticamente o número de participantes no circuito para dividir melhor a premiação dos torneios e são resultado de um estudo da ITF a partir de dados e entrevistas colhidos entre os anos de 2001 e 2013, que concluiu que em torno de 14 mil jogadores competem por ano em torneios profissionais, mas muitos desses jogadores não têm condições de se manter financeiramente no circuito. Números da temporada de 2013 mostram que o custo médio anual que um jogador masculino teve foi de US$ 38,8 mil, enquanto as mulheres gastaram em torno de US$ 40,1 mil. 

De acordo com a Federação internacional, o ranking médio para que um jogador pare de ter prejuízo é 336 para homens e 253 para mulheres e o tempo médio para que um juvenil chegue ao top 100 aumentou nos últimos anos. Com isso, a entidade pretende criar um criar um “grupo verdadeiramente profissional”, composto por aproximadamente 750 homens e 750 mulheres que possam efetivamente viver do tênis.

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