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Murray ainda não sabe se fará outra cirurgia
14/01/2019 às 14h31

Britânico lutou por cinco sets e 4h09 na partida contra Bautista Agut

Foto: Divulgação

Melbourne (Austrália) - Um ano depois de ter operado o quadril, Andy Murray considera a hipótese de fazer uma segunda cirurgia. O britânico, que está em sua temporada de despedida do circuito e que pretende se aposentar em Wimbledon, irá decidir nos próximos dias se irá passar por uma nova operação. Caso realize o procedimento, que visa uma melhora em sua qualidade de vida a longo prazo, o ex-número 1 não tem garantias de que poderá voltar a jogar.

"Eu tenho basicamente duas opções. Uma é parar durante os próximos quatro meses e meio, depois jogar Wimbledon. Quero dizer, embora esta noite não fosse confortável pensando no meu quadril e eu não poder andar corretamente agora, eu poderia jogar outro jogo", disse Murray, que foi superado pelo espanhol Roberto Bautista Agut, número 24 do ranking, com parciais de 6/4, 6/4, 6/7 (5-7), 6/7 (4-7) e 6/2 em 4h09 de disputa.

"Mas se eu quiser tentar jogar novamente, quero melhorar minha qualidade de vida, porque mesmo que eu leve quatro meses, eu ainda não consigo andar. Eu ainda estou com dor para fazer coisas básicas do dia-a-dia", acrescenta o britânico, citando a hipótese de não jogar nenhuma competição até o final de junho, quando começa o Grand Slam britânico, torneio onde quer marcar sua despedida oficial das quadras.

"Mas se eu fizer uma operação como essa, não há garantias de que eu possa jogar novamente. Eu estou totalmente ciente disso. É uma operação muito grande e existe a possibilidade de que eu possa voltar, porque alguns caras já fizeram isso antes. Bob Bryan está fazendo isso agora, por exemplo. Mas, como eu disse, não há garantias. Esse é o tipo de decisão que preciso tomar e saber da possibilidade de não poder fazer mais nenhuma partida no futuro", comenta o jogador de 31 anos.

"Eu provavelmente vou decidir na próxima semana. Mas é o que eu estava dizendo no outro dia. Esta poderia ser minha última partida. Se eu prosseguir com a operação e não me recuperar bem dela, então eu não jogo novamente. Estou ciente disso. Essa é a decisão que tenho que tomar. Isso vai melhorar minha qualidade de vida, eu terei menos dor fazendo coisas normais, como andar por aí e colocar meus sapatos e meias", avalia o britânico, citando exemplos de atividades cotidianas que ainda causam muita dor.

"A razão para eu fazer a operação, em primeiro lugar, seria melhorar minha qualidade de vida. Você tem que permitir que os ossos se curem e os músculos se recuperem adequadamente para dar à operação a melhor chance de melhorar sua qualidade de vida. Então, se eu tentar entrar em uma quadra de tênis depois de dois meses só porque eu estou tentando me preparar para Wimbledon pode não ser a melhor coisa para a minha saúde no futuro. Preciso fazer a reabilitação corretamente, respeitar os tempos de cura e não apressar nada. Quer dizer, eu não sei exatamente quanto tempo levaria".

Assim como já havia considerado na última sexta-feira, Murray não tem certeza se o jogo de estreia no Australian Open foi o último de sua carreira profissional. "Eu realmente não sei ainda. Mas se hoje foi meu último jogo, foi uma maneira brilhante de terminar a carreira. Isso é algo que provavelmente levarei em consideração também. Foi uma atmosfera incrível. Eu literalmente dei tudo o que tinha na quadra, lutei o melhor que pude, e me apresentei muito melhor do que o que eu deveria ter feito pelo pouco tempo que pude treinar. Eu ficaria bem comigo mesmo se este foi meu último jogo".

Murray também falou sobre o treino que fez com Novak Djokovic na última quinta-feira em Melbourne, durante um evento que serviu como teste operacional na Margaret Court Arena e contou com presença de público, imprensa, voluntários e equipe de arbitragem. Na ocasião, o britânico perdia por 6/1 e 4/1 quando decidiu abandonar o treino depois de apenas 49 minutos de sessão.

"Eu estava muito nervoso no treino com Novak. Não sei exatamente por quê. Talvez porque ele é alguém que obviamente eu respeito muito e contra quem eu competi muitas e muitas vezes. Sei que não sou o mesmo jogador que eu era. E também há um pouco de mim que, em todos os treinos e em todos os jogos no último ano, está me segurando porque não quero machucar ainda mais o meu quadril".

O veterano de 31 anos também falou sobre a emoção que sentiu já no final da partida. Murray perdia o último set por 5/1 quando foi ovacionado pelo público na Melbourne Arena (antiga Hisense) e não segurou algumas lágrimas. O britânico salvou um match point antes de confirmar aquele game de serviço, mas não conseguiria buscar a igualdade no placar.

"Eu estava emotivo naquele momento. Isso foi legal. Não acho que já tive isso antes em qualquer jogo. Não sei se aconteceu quando eu saquei para o jogo no título de Wimbledon. Foi brilhante. A atmosfera toda da partida foi incrível. Eu amei. Estou muito agradecido que as pessoas me deram essa atmosfera para jogar".

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