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'Não sabia se voltaria a jogar tênis', lembra Kvitova
24/01/2019 às 07h20

Kvitova disputará sua terceira final de Grand Slam, a primeira desde a volta às quadras

Foto: Ben Solomon/Tennis Australia

Melbourne (Austrália) - Finalista do Australian Open, Petra Kvitova voltou a se emocionar ao lembrar do drama vivido há pouco mais de dois anos. A canhota tcheca corria o risco de parar de jogar depois de sofrer graves ferimentos por faca na mão esquerda durante um assalto em sua casa no fim de 2016. Bicampeã de Wimbledon nos anos de 2011 e 2014, Kvitova alcança a decisão de um Grand Slam pela primeira vez desde o incidente.

"Eu ainda não estou acreditando que estou na final. É meio estranho, para ser honesta, porque eu não sabia nem mesmo se jogaria tênis de novo", disse Kvitova, depois de vencer a semifinal desta quinta-feira em Melbourne contra a norte-americana Danielle Collins, 35ª do ranking mundial, por 7/6 (7-2) e 6/0.

"Já faz cinco anos [desde sua final de Grand Slam mais recente]. Mas é por isso que eu trabalhei muito duro para estar de volta. É uma ótima sensação e estou muito feliz", comenta a tcheca, que enfrentará a japonesa Naomi Osaka na decisão.

"Para ser honesta, acho que poucas pessoas acreditavam que eu poderia fazer isso de novo, ficar em quadra, e não apenas jogar tênis, mas jogar nesse nível. Estou muito feliz por ter essas poucas pessoas ao meu redor", complementou a atual sexta colocada no ranking, que pode se tornar a número 1 do mundo se for campeã no próximo sábado.

A semifinal contra Collins teve dois momentos distintos. O primeiro set da partida estava empatado por 4/4, quando foi determinado o fechamento do teto da Rod Laver Arena para cumprir a política do calor extremo do torneio. A decisão agradou a jogadora tcheca, que venceu nove games e perdeu apenas dois com a quadra coberta.

"Eu sabia que na quinta-feira e na sexta-feira faria muito calor. Então, hoje de manhã, eu perguntei a uma representante da WTA quais eram as regras, para que eu soubesse antes de entrar em quadra. Eu acho ótimo ter essa regra. Se tivermos essa opção de ter o teto, eu acho ótimo. Às vezes é muito perigoso jogar nesse calor", avalia a tcheca, que vem de onze vitórias seguidas, já que também foi campeã em Sydney este ano.

Perguntada se fez alguma mudança signficativa em seu jogo, Kvitova negou, mas cita que trabalhou bastante na preparação física e que isso, consequentemente, trouxe benefícios também no aspecto mental. "Não acho que mudei nada especificamente. Só acho que quando eu fiquei mais em forma durante o ano passado, eu pude fazer mais corridas e ter mais horas de treinamento do que eu era capaz de fazer antes. Mas não acho que fiz algo especificamente diferente", explicou a jogadora de 1,82m.

"É claro que isso também está ajudando meu mental, porque sei que posso chegar em mais bolas, e passar mais tempo em quadra. Mesmo que seja calor, eu posso estar lá e correr e lutar contra o que estiver acontecendo. Estou feliz por isso", complementa a tcheca, que tinha como melhor resultado na segunda fase da carreira a chegada às quartas de final do US Open de 2017.

A experiente jogadora de 28 anos falou sobre seu período afastada das competições e deu detalhes sobre o longo caminho de volta às quadras. "Não era apenas fisicamente, mas mentalmente também era muito difícil. Demorou muito tempo para eu acreditar nas pessoas ao meu redor novamente, especialmente nos homens".

"Então eu não estava muito confiante em ficar sozinha em algum lugar. Eu me lembro da primeira vez que estive sozinha no vestiário em Praga, no clube, e falei com a minha equipe depois: 'Bem, hoje foi a primeira vez que estive sozinha lá e me senti bem'", recordou a tcheca, que voltou ao circuito na edição de 2017 de Roland Garros.

"Precisei de muito trabalho recuperação e tratamento com a mão. Acho que o fato de eu ser uma atleta me ajudou muito com isso, porque eu realmente queria voltar a jogar, além de querer ter uma vida normal. Então eu fiz de tudo. No lado mental, eu realmente precisava ser forte e não pensar muito negativamente nisso, mas é claro que esses pensamentos estavam lá também. Foi uma longa jornada".

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Faberg
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