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Meligeni sobre Davis: 'Não tem a mínima chance'
21/02/2019 às 21h00

Meligeni criticou duramente as mudanças na Davis

Foto: Fotojump
Felipe Priante

Rio de Janeiro (RJ) - Um dos primeiros nomes que veio à tona desde o anúncio da saída de João Zwetsch do posto de capitão da Copa Davis, Fernando Meligeni não será o próximo a comandar o time brasileiro na competição. Em entrevista a Tenisbrasil, ele refutou totalmente qualquer chance de voltar a dirigir o time, como fez em 2006.

“Para ser capitão na Davis tem que ter um motivo. Pode ser um cara que vai viajar bastante, ou um que vai mais pelo lado político na CBT. Sou carta totalmente fora do baralho, apenas não é o meu momento. Não tem a mínima chance. Pode parecer arrogância ou desprezo, mas não é nenhuma das duas”, explicou Meligeni.

O dono de três títulos no circuito cobra planejamento da CBT na escolha do novo comandante da equipe. “Agora eles serão cobrados. Enquanto estão com o mesmo técnico há um motivo para deixá-lo lá, mas agora na próxima decisão eles vão mostrar qual é o teu planejamento e o que espera de um capitão. Você vai botar um cara que é amigo dos jogadores, vai colocar um cara que é político, vai escolher um cara mais de planejamento. Tem que explicar o porquê”.

Meligeni ainda analisou os resultados dos últimos anos na Davis. “Nosso time não foi tão forte mesmo tendo uma dupla absurda, não fizemos nada além de passar do playoff e perder na primeira rodada. Não vejo demérito nenhum nisso, foi o que deu para fazer. Claro que houve algumas derrotas que não eram para acontecer, mas não estou aqui para criticar”, observou o ex-top 25.

Ainda sobre a Davis, ‘Fininho’ não poupou críticas às mudanças na competição e foi direto na explicação pelos motivos da reformulação. “Eles venderam a alma para o diabo, se venderam por dinheiro. Não podem tratar a gente como ignorantes, estou no circuito desde 1989, sabemos por que um top joga ou não joga. É por causa do dinheiro, não vamos ser hipócritas. Os jogadores que irão disputar a fase final da Copa Davis é para buscar um caminhão de dinheiro do Piqué”, disparou.

“O Federer está brigando por que? É por causa da Laver Cup, não precisa ser gênio para saber disso. Não sou contra as pessoas ganharem dinheiro, trabalho para isso também. A grande besteira é que poderiam fazer esse campeonato de nações, como era Dusseldorf, e continuar com a tradição da Davis”, ponderou.

Questionado sobre as mudanças promovidas no esporte pelo novo governo federal, o ex-tenista profissional pediu calma em um primeiro momento e cobrança no futuro. “Não posso julgar um governo que tem dois meses. O que eu quero ver é que tenha um planejamento para o esporte. Não sou da direita e nem da esquerda, sou daqueles que fazem. Se o Bolsonaro não fizer nada, serei contra ele, mas se fizer eu serei a favor”, opinou.

Meligeni disse entender o fato de terem paralisado momentaneamente a liberação de verbas pela lei do incentivo, mas pediu agilidade no processo. "Eu brecaria também. Só que tem que ser rápido para resolver, senão acaba com o esporte. Entendo a decisão, mas precisa ser ágil para resolver, não pode parar".

Por fim, ele comentou sua saída da ESPN e seus planos para o futuro. “Eu fui mandado embora da forma mais digna que hoje se manda embora: reduzindo o salário. Fui surpreendido, baixaram meu salário de uma forma absurda, ofereceram 80% de redução. Nem eu nem ninguém em sã consciência aceita. Não teve conversa, apenas foi colocado o que tinham para mim”, contou Meligeni.

“Vou anunciar um projeto daqui um mês, um mês e meio, mas prefiro não falar ainda. Quando ficar pronto e acabar as gravações, aí vou falar dele com o maior prazer”, finalizou.

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