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Nicolas Santos encerra a carreira e será técnico
27/02/2019 às 13h28

Nicolas Santos conquistou três títulos profissionais de future

Foto: Arquivo
Mário Sérgio Cruz

Pouco mais de um mês depois de completar 31 anos, Nicolas Santos anunciou o fim de sua carreira profissional no circuito. O paulista de Adamantina começou a praticar o esporte com apenas seis anos, em sua cidade Natal, e foi boleiro antes começar a participar de competições. Ele seguirá ligado ao tênis, mas irá investir na trajetória como treinador.

"Minha decisão está bem recente. Eu acabei me decidindo ontem, na verdade", disse Nicolas Santos ao TenisBrasil. "Tenho muito orgulho de sair de uma cidade de 30 mil habitantes para conhecer mais de trinta países. Pude jogar em lugares que eu nunca imaginei que eu fosse conhecer".

Nicolas Santos teve excelentes resultados no circuito juvenil, especialmente no ano de 2006, quando alcançou o 2º lugar no ranking mundial da categoria. Naquela temporada, ele se destacou em dois tradicionais torneios nos Estados Unidos, com o título do Eddie Herr e o vice-campeonato no Orange Bowl.

Como profissional, Nicolas conquistou três títulos de nível future em simples, o mais recente na Colômbia, em 2016, além de vencer três partidas de challenger. Nas duplas, ele acumula doze títulos de future em sua carreira. Seu melhor ranking em simples foi o 457º lugar, enquanto em duplas ele foi 349º colocado. Pela elite do circuito, disputou o quali do Brasil Open em 2007, na Costa do Sauípe.

Na condição de jogador experiente, Nicolas também avaliou a recente reestruturação do circuito profissional da Federação Internacional de Tênis (ITF) e acredita que as mudanças em já vigor, como a retirada dos pontos no ranking da ATP oriundos de torneios future e a redução de número de atletas no quali podem tornar o esporte mais restritivo. Acredito que a gente nunca pode excluir pessoas de tentarem seus sonhos, e acho que a ITF está fazendo isso", afirmou. "Espero que eles se sensibilizem voltem atrás nessa mudança".

Confira a entrevista com Nicolas Santos.

Como surgiu a decisão de parar de jogar?
Em dezembro de 2018, quando acabou o ano, eu estava muito indeciso se eu continuaria jogando ou se eu pararia. Aí nesses dois meses, de janeiro e fevereiro, eu fiquei sem treinar em São Carlos, onde eu vinha treinando, e fiquei em São Paulo com os meus pais, onde eles estão morando. Aí fiquei pensando muito nos prós e nos contras de seguir jogando, mas aí eu cheguei na decisão de que a melhor coisa era parar, porque eu tenho o sonho muito grande de ser treinador. E acredito que essa é a hora para começar.

Qual avaliação que você faz de seus anos como tenista profissional e quais experiências você mais destacaria?
Acredito foi uma carreira muito positiva. Tenho muito orgulho de sair de uma cidade de 30 mil habitantes para conhecer mais de trinta países, conhecer lugares incríveis e pessoas incríveis. Acho que foram várias experiências que eu vou levar para o resto da minha vida.

Tive algumas vitórias, algumas derrotas, mas o mais importante é essa bagagem de jogar em lugares que eu nunca imaginei que eu fosse conhecer, como a Nigéria, a África, e alguns países que eu nunca teria a oportunidade de ir, mas através do tênis eu consegui. Foram experiências incríveis, de jogar o Brasil Open uma vez e jogar os challengers, de ter jogado três Grand Slam como juvenil e conviver com atletas top como o Nadal, o Federer e o Guga. Foram momentos que eu vou levar para o resto da vida.

Soube que você está iniciando a carreira de técnico. Como é o projeto e com quais jogadores está trabalhando?
Minha decisão está bem recente. Eu acabei me decidindo ontem, na verdade. Então ainda não comecei a trabalhar como técnico. Eu acompanhei quatro meninos em um torneio de fim-de-semana, gostei muito da experiência, e esse foi um dos fatos de eu resolver parar também. Mas ainda não tenho nada definido. Vou conversar com meu ex-treinador, o Elson Longo, para ver se acertamos algo, mas até agora não tenho nada definido, mas tomara que dê certo de eu trabalhar com ele em São Carlos.

Na condição de um ex-número 2 do mundo no juvenil, o quanto você pode ajudar os jovens em fase de transição?
Acredito que eu posso ajudar bastante com a minha experiência de jogar grandes torneios juvenis e também acredito que posso passar para esses jovens o que realmente importa, que é trabalhar duro, ter uma postura positiva na quadra e acreditar que eles podem melhorar e ser grandes jogadores. Falta um pouco no Brasil as pessoas acreditarem que podem chegar lá e eu vou trabalhar muito para isso. Vou tentar ajudar muito as pessoas para que eles acreditem e desenvolvam seu potencial. Mesmo porque, num país como o nosso, tem muito jogador com potencial e tenho certeza que já já vão melhorar as coisas para a gente.

Qual avaliação que você faz sobre essa reestruturação do circuito, com o ranking de transição e vários jogadores saindo do ranking da ATP?
Achei muito ruim essa mudança nos rankings da ITF e da ATP pelo fato de estar excluindo os jogadores que não têm pontos na ATP e os jogadores que estão transição, mas ainda não são top 100 no ranking juvenil da ITF. Acredito que a gente nunca pode excluir pessoas de tentarem seus sonhos, e acho que a ITF está fazendo isso.

Os qualis de 24 pessoas nos futures, para mim, são a pior mudança. Você restringe as pessoas que estão começando e que não tiveram destaque no juvenil. Isso é muito duro e está desanimando muita gente. Vejo amigos que foram para a Turquia, e entravam em todos os qualis de future no ano passado, mas nesta semana ficaram duas semanas de fora. Não é todo mundo que tem a condição financeira de viajar para fora e, como o Brasil tem poucos torneios, eu acho muito difícil as pessoas continuarem a jogar com esse ranking. Espero que a ITF se sensibilize e volte atrás nessa mudança, principalmente nos qualis de 24 pessoas.

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