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Campeão de Wimbledon atua como duplista e técnico
28/02/2019 às 07h00

O dinamarquês Frederik Nielsen é parceiro de Demoliner no circuito

Foto: Alexandre Carvalho/DGW
Mário Sérgio Cruz

São Paulo (SP) - Parceiro do gaúcho Marcelo Demoliner neste início de temporada, o dinamarquês Frederik Nielsen vive uma dupla jornada no circuito mundial. O veterano de 35 anos ainda segue em atividade nos torneios de duplas, mas também divide suas atenções com o início de uma nova carreira como treinador, trabalhando ao lado do jovem sueco de 20 anos e 206º do ranking Mikael Ymer.

O maior feito da carreira de Nielsen como jogador foi a conquista de Wimbledon em 2012, quando atuou ao lado do britânico Jonathan Marray, que está com 37 anos e já se aposentou do circuito. O dinamarquês tem mais um título de ATP, conquistado em Chennai no ano de 2014, e disputou outras duas finais sempre ao lado do sueco Johan Brunstrom.

Embora tenha alcançado o top 17º lugar no ranking de duplas da ATP em 2013, Nielsen demorou para efetivamente priorizar o circuito da modalidade. O atual 48º colocado jogou torneios de nível challenger e até mesmo futures de simples até o ano passado, já veterano. Individualmente, sua melhor marca foi a 190ª posição, alcançada ainda em 2011.

"Nunca joguei pelo dinheiro ou pela fama ou qualquer coisa assim", disse Nielsen ao TenisBrasil, durante a disputa do Brasil Open, em São Paulo. "Estava muito feliz por continuar jogando e nada me faria mudar isso".

A decisão de priorizar apenas a modalidade em que teve seus resultados mais expressivos acabou motivada também pela reestruturação do circuito profissional. "É bem difícil continuar jogando em simples, porque eu não consigo mais entrar nos torneios depois que fizeram as mudanças no circuito. Não há mais qualificatório nos challengers e tenho zero interesse em jogar 'Transition Tour'".

Sobre a experiência como treinador, o dinamarquês garante que, apesar do pouco tempo disponível, a relação é proveitosa. "Sei que não é o ideal passar parte do tempo jogando e parte treinando um outro jogador, mas se eu sentisse que não poderia trabalhar com ele, eu não faria. Temos uma boa relação profissional e temos ótimas pessoas envolvidas na equipe, então isso funciona bem".

Confira a entrevista com Frederik Nielsen.

Qual foi o impacto de seu título de Wimbledon em 2012 para você mesmo e para a Dinamarca?
Na Dinamarca não teve muito impacto, foi só uma grande história quando aconteceu, mas logo depois aconteceram as Olimpíadas e o assunto foi superado. Não mudou muita coisa no tênis. Obviamente, foi um grande feito para mim, o meu maior resultado, abriu muitas portas para mim e me trouxe grandes experiências. Depois disso, foi difícil lidar com expectativas e atenções diferentes.

Isso também me ajudou a crescer como ser humano e me desenvolver. Em alguns momentos era bem difícil porque eu queria fazer as minhas coisas, mas haviam muitas expectativas de fora para que eu fizesse outras. Então, é claro que houve um grande impacto para mim, por ser o maior resultado que eu tive.

Você jogou regularmente os challengers de simples até 2017, quando já estava com 34 anos, em vez de jogar grandes torneios em duplas como o Marcelo [Melo], Bruno [Soares] ou o Horia Tecau fazem. O que te motivou a investir mais tempos jogando torneios menores em simples, em vez de buscar outros títulos importantes nas duplas?
A razão por eu jogar tênis, em primeiro lugar, é que eu nunca joguei pelo dinheiro ou pela fama ou qualquer coisa assim. Quando eu comecei, eu estava tão feliz por poder jogar e não tinha nem certeza se eu poderia ter um ponto na ATP. Então, eu consegui ótimos resultados nas duplas, mas não queria mudar minha mentalidade, porque eu estava muito feliz por continuar jogando e assim eu segui pelo máximo de tempo que eu pude, porque era isso o que eu queria fazer na minha vida. Nada iria me fazer mudar isso. Foi bem simples, porque não foi uma decisão que eu tive de tomar. Eu apenas segui a minha vida e estava muito feliz com isso.

Agora, você está focado exclusivamente nas duplas ou ainda pensa em jogar simples?
É bem difícil continuar jogando em simples, porque eu não consigo mais entrar nos torneios depois que fizeram as mudanças no circuito. Não há mais qualificatório nos challengers e tenho zero interesse em jogar 'Transition Tour'. O tênis que eu continuo jogando é principalmente em duplas, mas eu também estou trabalhando como técnico. Então é assim que eu tenho usado o meu tempo.

Nielsen conquistou o Grand Slam londrino em 2012, atuando ao lado do britânico Jonathan Marray

Como você avalia seus primeiros meses com o Demoliner?
Tivemos um bom começo na Austrália, mas nos últimos torneios foi um pouco decepcionante porque sofremos algumas derrotas muito duras e tínhamos boas oportunidades de ir melhor. Nas duplas, o jogo é muito rápido e definido por pequenos pontos e somos, um pouco, vítimas disso nas partidas que mudam facilmente a narrativa. Se nós tivéssemos aproveitado esses pontos, talvez estaríamos em outra situação e teríamos melhores resultados. Gosto de jogar com o Marcelo, é um grande cara, mas exceção feita a um jogo, nós não conseguimos jogar no nível que apresentamos na Austrália.

Você disse anteriormente que estava trabalhando como técnico. Pode falar um pouco mais sobre essa experiência?
Nós começamos no ano passado. Ele é um jovem jogador sueco que me pediu para ajudá-lo. Achei interessante e avisei que eu continuaria a minha carreira, mas que poderia auxiliá-lo em alguns momentos. Ainda estamos fazendo isso. Sigo jogando o meu tênis e, quando posso, eu vou ajudá-lo. É um projeto interessante e motivador para se trabalhar. Gosto de passar meu tempo com ele. Sei que não é o ideal passar parte do tempo jogando e parte treinando um outro jogador, mas se eu sentisse que não poderia trabalhar com ele eu não faria. Temos uma boa relação profissional e temos ótimas pessoas envolvidas na equipe, então isso funciona bem.

A Caroline Wozniacki é a principal jogadora da Dinamarca hoje, mas está com 28 anos, caiu para número 13 do ranking da WTA e tem sofrido com lesões e problemas físicos neste começo de ano. Acredita que esta pode ser a última temporada dela no circuito ou que ela pode voltar às primeiras posições?
Vai ser interessante ver como ela lida com a situação, porque agora ela tem uma doença crônica [NR: Wozniacki foi diagnosticada com artrite reumatoide no ano passado], o que é muito difícil. Ela não consegue treinar tanto quanto gostaria, porque sente dor. Acho que ela é uma jogadora que gosta de jogar muitas partidas então ela teve uma falta de sorte com essa doença, porque não pôde jogar em Doha e Dubai, que são torneios importantes para ela, onde ela costuma jogar bem e ter bons resultados. Não é fácil para ela, que é uma jogadora física, mas vamos ter que ver o que acontece. Seu tênis ainda é muito bom, sua mentalidade é ótima, ela tem uma boa equipe de apoio e um bom noivo. Acho que tudo vai depender se ela vai conseguir se manter bem fisicamente, o tempo irá dizer.

Se ela continuar no circuito, seria um objetivo para você jogar com ela nas Olimpíadas do ano que vem?
Certamente, seria.

Há uma nova geração de tenistas da Dinamarca, como a Clara Tauson, Emilie Francati, Mikael Torpegaard, Benjamin Hannestad e Holger Rune. O que você tem a dizer sobre eles?
Na verdade, a Francati já não está mais jogando tanto. Clara Tauson é, obviamente, uma grande esperança para nós porque já ganhou o Australian Open juvenil e está com apenas 16 anos, além de já ter vencido alguns torneios profissionais. Ela muito boa jogadora.

Hannestad está na faculdade nos Estados Unidos, e temos alguns outros jogadores disputando o circuito universitário norte-americano, o que é muito bom. Torpegaard é provavelmente o melhor jogador que temos agora. É muito bom que tenhamos um jogador consolidado no masculino e que possa abrir caminho para os mais jovens nos próximos anos. Será interessante ver o que acontece com os meninos que estão na faculdade. Temos dois meninos de 15 anos que estão entre os melhores do mundo, Holger Rune e Elmer Moller, que são muito bons. Rune é o melhor do mundo na idade dele e está entre os 30 na ITF [NR: é o atual 28º colocado].

Então temos grandes expectativas, eles têm muito potencial e acho que eles podem fazer a diferença sobre como vemos o tênis dinamarquês. Tem um ex-jogador que está começando investir em jovens talentos da Dinamarca para que eles tenham mais ajuda financeira e tenham uma carreira mais fácil. Não temos muita infra-estrutura de tênis na Dinamarca e para que os jovens jogadores se tornem profissionais, mas será interessante. Esses jovens são extraordinariamente bons e mesmo os que estão um pouco atrás deverão ter a chance de ir para a faculdade. Temos o potencial para novas estrelas e também para outros jogadores muito bons e sólidos. Vai ser interessante ver o que acontece.

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