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Mateus Alves: 'Falta de torneios atrapalha transição'
05/04/2019 às 09h30

Aos 18 anos, ele já está focando o profissional em 2019

Foto: Fotojump
Felipe Priante

Uma das apostas do Brasil para o futuro, o paulista Mateus Alves vai dando seus primeiros passos no profissional e enfrenta as dificuldades que os jovens tenistas brasileiros têm pela frente atualmente com a escassez de torneios menores no país. Em contrapartida, o apoio do Time Guga, que no começo de 2019 ganhou reforços de peso como o paulista Thomaz Bellucci e o mineiro Bruno Soares, serve de base para o atleta de 18 anos.

“É uma equipe em que todos se ajudam, principalmente o Guga quando encontro com ele. Ajuda bastante nessa fase de transição para o profissional”, afirma o paulista, que lamenta bastante os poucos torneios da ITF e challengers ultimamente no país. “Essa perda de torneios que tivemos prejudica o tênis nacional, estamos com poucos futures no Brasil e um ou dois challengers”, observa Mateus.

Outra questão que tem atrapalhado os jovens jogadores na saída do juvenil para o profissional, transição que Alves antecipou para seu último ano de juvenil, devendo jogar apenas torneios profissionais, é o circuito de transição da ITF. “É mais difícil para entrar nos torneios agora”, observou o tenista de São José do Rio Preto, que treina com Thiago Alves e irá compartilhar o técnico com Bellucci.

Veja a entrevista completa de Mateus Alves ao TenisBrasil:

Quais os principais desafios que você sente no processo de transição?

É um período bem difícil essa mudança do juvenil para o profissional, joguei o Australian Open agora e acho que será o último torneio juvenil que vou participar. Agora começarei a disputar mais futures e torneios profissionais. É sempre mais difícil porque você enfrenta caras mais experientes, por isso tenho que trabalhar muito duro. Sei que virão mais derrotas que vitórias, mas tenho que tirar o aprendizado e ficar focado.

Mas você ainda pretende jogar pelo menos os Grand Slam juvenil?

Sim, estava pretendendo isso, mas precisava ter ido melhor na Austrália, onde acabei ganhando só uma rodada. Conversando com os meus treinadores, decidimos que vou focar só no profissional. Talvez consiga entrar direto em Roland Garros mas, como não estou jogando mais juvenil, acho que é bem pouco provável.

Para você, que está bem nessa fase, como que tem encarado esse novo Circuito de Transição da ITF?

É mais difícil para entrar nos torneios agora, os qualis estão com menos jogadores e as chaves também. Ficou mais disputado e nessa mudança de future para challenger o pessoal está focando mais em challenger e nos de US$ 25 mil, os de US$ 15 viraram meio que um grande aglomerado.

Você é um dos membros do Time Guga. Qual a relação que você tem com ele e com esses outros que estão entrando agora como o Thomaz (Bellucci)?

É uma equipe em que todos se ajudam, principalmente o Guga quando encontro com ele. Sempre fala alguma coisa de positivo para tentar fazer a gente melhorar. Ajuda bastante nessa fase de transição para o profissional.

E como tem sido o seu contato mais especificamente com o Thomaz?

Passei esse começo de ano fazendo a pré-temporada com ele lá nos Estados Unidos, treinando na Flórida. Foi muito bom, sempre é diferente treinar com um profissional, o ritmo de bola e de jogo é outro, a mentalidade também. É bem importante isso para os juvenis.

Você é um cara alto e que gosta de definir o ponto mais rápido. Como foi a construção desse seu estilo de jogo?

É mais uma característica minha por causa do meu biotipo, então esse jogo de sempre querer buscar o ponto e querer ser agressivo vem do bom saque, já que sou alto, consigo tentar encerrar o ponto mais rápido. O saque a e direita são meus pontos mais fortes.

Esse estilo faz você preferir jogar em quadras duras?

Apesar disso, ainda prefiro o saibro por causa das condições de treino aqui no Brasil. Treinei quase minha vida toda nesse piso. No calendário juvenil também tem bem menos eventos em quadra rápida, mas gosto de jogar nela também.

Quais as principais dificuldades nesse período de transição?

No juvenil você já conhece os torneios, tem um respeito já, mas nos futures você começa lá de baixo de novo e por isso tem que saber manter a cabeça no lugar. Não dá para focar só nos resultados, mas principalmente no nível de jogo. O diferencial é o mental, de como lidar com cada semana.

Como você vê esse pessoal do NextGen já com ótimos resultados? Isso não faz com que haja uma cobrança por acelerar a busca para subir de nível mais rápido?

Esses caras têm muita diferença de maturidade, é mais isso do que o jogo que os fazem despontar tão cedo. Temos que usar eles como exemplo e não como cobrança.

Até alguns anos atrás o calendário de futures e challenger do Brasil era bem maior que o atual. Qual a falta que esses torneios fazem?

Com certeza atrapalha um pouco, atrasa a nossa transição. Quanto mais torneios profissionais você tem no país, mais juvenis podem jogar. Essa perda de torneios que tivemos prejudica o tênis nacional, estamos com poucos futures no Brasil e um ou dois challengers. Isso complica para quem sai do juvenil, principalmente agora que está ainda mais difícil de jogar os challengers.

Dos jogadores consolidados no circuito, qual tem um estilo mais parecido com o seu?

Acho que um Kevin Anderson, ou um (Jo-Wilfried) Tsonga, caras que têm um saque bem pesado e uma boa direita. Eles jogam parecido comigo e me espelho neles.

E aqueles que te motivaram a jogar tênis?

Quando comecei gostava muito do Djokovic, mas perdi um pouco disso com o tempo e passei a gostar mais do Federer. Tem também o Guga, que é nosso maior ídolo. Gosto também do Andy Murray.

Como foi sua experiência em um torneio do tamanho do Rio Open, ainda que no qualificatório?

Estava bem ansioso, foi a primeira vez jogando um ATP e logo um 500, aqui no Brasil e com a torcida a favor, foi uma experiência nova para mim e sabia que seria um desafio duro, contra caras bem mais experientes do que eu. Treinei duro para chegar até aqui e lutei por todos os pontos em quadra. Não saí com a vitória, mas saí de cabeça erguida.

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