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Técnico de Serena: 'O tênis precisa ser controverso'
14/04/2019 às 10h10

Para Patrick Mouratoglou, os jogadores precisam de maior liberdade para se expressar em quadra

Foto: Arquivo

Londres (Inglaterra) - Atual técnico de Serena Williams e dono de uma das maiores academias do mundo, Patrick Mouratoglou defende que o tênis precisa de personagens mais controverso. Em longa entrevista ao jornal inglês Metro, o renomado treinador francês acredita que o esporte não está conquistando a audiência dos mais jovens e que é preciso que os jogadores tenham mais liberdade para se expressar em quadra.

"Não se trata de mudar o jogo. Eu não acho que devemos ter sets mais curtos, por exemplo. Mas é possível fazer coisas simples para deixar as pessoas mais envolvidas com o jogo. Temos que deixar todos os jogadores se expressarem e mostrarem quem eles são", disse Mouratoglou ao Metro.

"Você terá pessoas que gostam ou não gostam de alguns jogadores e que ficam empolgadas com a partida. Se não sabemos quem é quem, porque todos estão se comportando da mesma forma, então fica chato. Nós não achamos chato porque amamos tênis. Mas alguém que não ama tênis e acharia incrivelmente chato", afirmou.

Mouratoglou cita o exemplo do polêmico australiano Nick Kyrgios como um jogador que pode atrair outro tipo de público. "A única coisa que essa pessoa vai gostar é de Nick Kyrgios. E porque? Porque ele está dando para as pessoas o que o tênis não dá a elas. É simples".

"Você assiste a um filme para ter emoções. E você assiste esportes para ter emoções. Se você cortasse toda a emoção, por que você olharia para o tênis em si? Porque você é louco com o esporte em si. Sim, mas são muito poucas pessoas. Se você quer trazer novas pessoas para o tênis, é preciso pensar em como fazer isso. Se o tênis não fizer mudanças é por causa das 'pessoas tradicionais' que recusam qualquer tipo de mudança", avalia o experiente treinador.

"Não estou pensando nos jogadores, estou pensando nos números. A idade média do fã de tênis é de 62 anos, há dez anos era de 52. Se não fizermos isso agora, vai ser tarde demais", comentou o francês. "Obviamente, o modo como o tênis é jogado em todo o mundo não é o caminho certo, porque não somos atraentes para os jovens. E mesmo para os mais velhos, eu não tenho certeza. Acho que que são fãs de tênis que vieram nos anos 70 e 80 e continuaram fiéis. Você tem que manter alguma tradição neste esporte, mas também tem que viver em seu século".

Hawk-eye é um erro, diz Mouratoglou
Mouratoglou se diz contra o desafio eletrônico em quadra (o chamado hawk-eye), deseja que os jogadores tenham maior comunicação com os técnicos e contesta o código de conduta da modalidade. "Não é o caminho certo. Hawk-Eye é um erro. Proibir o técnico de falar é um erro. Código de conduta é um erro. Grande erro. Deixe as pessoas serem elas mesmas em uma quadra de tênis, então o público terá a chance de conhecê-las e gostar ou não gostar delas. Só assim eles vão assistir a uma partida para torcer e se emocionar. Caso contrário, você não vai torcer por ninguém".

"Sobre o técnico na quadra. Veja o que acontece em outros esportes. É emocionante assistir e traz um show. No tênis você não tem interação. O cara que está assistindo não aprende as estratégias. Por que isso? Então você de repente, na final em Indian Wells (entre Bianca Andreescu e Angelique Kerber). O técnico foi ótimo, ele fez um trabalho inacreditável e a partida mudou completamente".

"A tecnologia é ótima, é fantástica. Mas não queremos que tudo seja igual. Queremos argumentar porque a bola estava dentro ou fora. Ou ficar decepcionados porque meu jogador -quero dizer, como fã- perdeu por causa daquele péssimo árbitro de cadeira. E então você tem algo para conversar com seus amigos", argumentou.

Diante de suas opiniões Mouratoglou foi perguntado se a ríspida discussão de Serena Williams com o árbitro de cadeira Carlos Ramos na final do US Open era algo bom para o tênis? "Você entende que é uma pergunta muito difícil de responder para mim", comentou sorrindo. "Mas você sabe a resposta".

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