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David Ferrer, de operário à final de Roland Garros
08/05/2019 às 20h12

Ferrer recebeu homenagens durante seu último jogo da carreira em Madri

Foto: Mutua Madrid Open
por Mário Sérgio Cruz

Um dos grandes nomes do tênis ao longo da última década encerrou sua trajetória nas quadras nesta quarta-feira. David Ferrer disputou o último jogo de sua carreira profissional na quadra Manolo Santana, palco principal do Masters 1000 de Madri, e foi superado na segunda rodada do torneio pelo número 4 do mundo e atual campeão Alexander Zverev, com parciais de 6/4 e 6/1.

Ferrer recebe homenagens de estrelas do circuito

A rápida partida de 1h10 em Madri contrasta com a sempre característica de luta do espanhol em quadra. Mas um dia antes, Ferrer ainda pôde brindar o público dando mostras de seu melhor tênis na última vitória de sua carreira profissional diante do compatriota e amigo Roberto Bautista Agut por 6/4, 4/6 e 6/4 após 2h36 de intensa partida.

David Ferrer sempre foi um símbolo de esforço e trabalho duro no circuito. Contemporâneo de lendas do esporte, como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray, o espanhol construiu uma carreira vitoriosa, com 27 títulos de ATP, uma final de Roland Garros em 2013, a terceira posição do ranking mundial e 734 vitórias na elite do circuito. Em premiações de torneios, acumulou mais de US$ 31,4 milhões.

Ferrer já trabalhou como pedreiro
Filho de uma professora, Pilar, e de um contador, Jaime, David Ferrer nasceu em Javea no ano de 1982. O casal ainda teve mais um filho, Javier. O espanhol começou a jogar tênis aos oito anos e teve que sair de casa com apenas treze. Durante sua formação como atleta, passou dois anos em Gandia antes de se mudar para Barcelona.

Uma das pessoas mais importantes na carreira de Ferrer foi o técnico Javier Piles, que o acompanhou desde quando o atleta tinha apenas 18 anos até a temporada de 2013. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Piles contou que Ferrer pensou em parar de jogar ainda muito jovem e chegou a trabalhar até como pedreiro.

"David falou que não queria mais jogar tênis. Seu pai, então, disse que ele teria que trabalhar. David aceitou porque ganharia seu próprio dinheiro e teria os fins de semana livres", contou o treinador, em agosto de 2013. "Jaime, seu pai, falou com um amigo que trabalhava na construção civil e disse a ele para apertá-lo o máximo possível. O fato é que David foi peão por uma semana, carregando e trazendo tijolos e carrinhos de mão. Ao chegar no sábado, nem teve forças para sair com os amigos".

Os números e as principais conquistas
De volta às quadras, Ferrer conquistou seu primeiro título de ATP no saibro de Bucareste em 2002. O troféu mais recente veio em julho de 2017, em Bastad, na Suécia. Ele também venceu o torneio sueco em 2007 e 2012. Outras cidades especiais na carreira do espanhol foram Auckland e Buenos Aires. Ele possui quatro títulos na Nova Zelândia e três seguidos na capital argentina, em 2012, 2013 e 2014.

O título mais importante de sua carreira individual foi o Masters 1000 de Paris, em 2012. Naquele ano, superou nomes como Stan Wawrinka e Jo-Wilfried Tsonga antes da final contra o surpreendente polonês Jerzy Janowicz. No ano seguinte, disputou sua única final de Grand Slam em Roland Garros e só foi superado por Rafael Nadal. Também alcançou outras cinco semifinais de Slam, duas na Austrália, uma em Paris e mais duas no US Open. O espanhol também fez parte de três times campeões da Copa Davis, em 2009, 2011 e 2013.

O legado para o circuito e o futuro fora das quadras
Em entrevista coletiva antes do Masters 1000 de Madri, Ferrer teve a oportunidade de falar sobre o legado que deixa para o tênis. "Acho que fui tenista muito regular. Talvez eu não tenha vencido algo grande, como um Grand Slam, mas acho que contribuí com minha parte para o tênis espanhol. Acima de tudo, acho que as Copas Davis foram muito importantes em nível nacional e pessoalmente com meus colegas. Eu acho que tive momentos muito legais nesta competição. Foram três Davis nas quais praticamente fomos os mesmos jogadores. Sou grato a todos com quem eu pude compartilhar isso".

"Para mim, foi uma surpresa o reconhecimento que tive de todo o público e dos meus próprios companheiros, com quem convivi toda a minha carreira no tênis. Eu nunca teria esperado tanto apoio. Para mim, essa foi a melhor coisa na aposentadoria. Independentemente de jogar melhor ou pior. Eles me valorizaram como atleta e, acima de tudo, como pessoa. É isso que eu posso deixar", comenta o veterano de 37 anos.

Casado com a companheira de longa data Marta Tornel desde novembro de 2015, Ferrer se tornou pai do pequeno Leo em maio do ano passado. Já veterano no circuito e sem repetir os mesmos resultados de outrora, decidiu ainda em setembro que faria uma turnê de despedida. O espanhol escolheu apenas seus torneios favoritos para atuar em 2019. Seu calendário foi composto pelos torneios de Auckland, Buenos Aires, Acapulco, Miami, Barcelona e Madri.

 
 
 
 
 
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Bienvenido Leo!!! Gracias a todos por las felicitaciones!!

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Ferrer também fala de seus planos para o futuro. "Tenho certeza que vou continuar ligado ao mundo do tênis, porque eu amo isso. Neste momento, não sei de que maneira, porque preciso desse descanso para desconectar. Preciso estar com minha família. É algo que neste ano é necessário para mim. É verdade que há uma academia que meu irmão e seu sócio tomam conta. Eu estarei ligado a ela. Também posso jogar alguns torneios no Sênior Tour. Neste momento, não tenho um projeto futuro. Meu plano, no curto prazo, é minha família: minha esposa e meu bebê".

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