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'A antiga Ons teria perdido a semi', diz a tunisiana
13/07/2023 às 18h41

Jabeur ficou a dois games de uma eliminação em sets diretos, mas conseguiu se recuperar

Foto: AELTC

Londres (Inglaterra) - Classificada para a final de Wimbledon pelo segundo ano consecutivo, Ons Jabeur destacou o poder de reação na semifinal desta quinta-feira contra Aryna Sabalenka. A tunisiana ficou a dois games de uma eliminação em sets diretos, mas conseguiu se recuperar com uma grande virada. Aos 28 anos, ela se sente mais forte mentalmente para disputar jogos desse nível e acredita que, em outros tempos, não conseguiria reverter a desvantagem no placar.

"Foi um jogo louco. Estou muito feliz por ter permanecido na partida, jogando cada vez melhor. Estou orgulhosa de mim mesma. A 'antiga Ons' teria perdido a partida e estaria indo para casa agora. Mas hoje eu consegui encontrar forças", disse Jabeur, após a vitória por 6/7 (5-7), 6/4 e 6/3 sobre Sabalenka em Wimbledon. A tunisiana chegou a estar perdendo o segundo set por 4/2.

"Estou trabalhando muito. Vocês não têm ideia do que estou fazendo. Sempre que tem alguma coisa, sou muito dura comigo mesma, tento melhorar tudo. Muito impaciente às vezes, o que não é bom. Talvez as lesões tenham me ensinado a ser mais paciente e a aceitar o que está acontecendo", declarou a número 6 do mundo. "Sempre acreditei na preparação mental. É o que tenho feito nos últimos anos, desde os meus 10 anos, porque sei que se você não está preparada fisicamente e também mentalmente, não pode vencer. Provavelmente foi o que aconteceu nas duas últimas partidas".

Game decisivo no segundo set
O sétimo game do segundo set foi decisivo. Sabalenka estava no saque e venceu dois ralis incríveis, mas cometeu uma dupla falta no 40-iguais e errou um forehand no break-point. Com isso, Jabeur conseguia quebrar o saque da rival pela primeira vez no jogo e ganhou confiança. A tunisiana terminou o set vencendo quatro games seguidos e voltou a quebrar na parcial decisiva, sem enfrentar mais break-points até o fim do jogo.

"Para mim, era apenas um game. Eu só queria tentar quebrar. Foi muito difícil para mim devolver o saque dela. Especialmente porque ela variava muito as posições e velocidades da bola. Honestamente, eu pensei só pensava em acertar minhas devoluções (sorrindo). Ela errou algumas bolas que me ajudaram a permanecer no jogo. Eu estava muito em todos os pontos e apenas esperamos por uma chance em algum momento do jogo e foi isso que aconteceu", avaliou a tenista, que disputará sua terceira final de Grand Slam.

Vitórias sobre quatro campeãs de Slam
Jabeur venceu quatro vencedoras de Grand Slam seguidas. A série começou contra Bianca Andreescu na terceira rodada, passou por Petra Kvitova nas quartas e pela atual campeã Elena Rybakina nas quartas, antes do duelo com Sabalenka. Sua adversária no próximo sábado às 10h (de Brasília) é a tcheca Marketa Vondrousova, 42ª do ranking. O histórico de confrontos está empatado por 3 a 3, mas Vondrousova venceu dois recentes duelos este ano, na Austrália e também em Indian Wells.

"Ela é uma grande jogadora. Já perdi para ela duas vezes este ano, então vou para mais uma revanche. Tem funcionado!", brincou a tunisiana, citando as revanches que tem conseguido em todo o torneio. Seu retrospecto contra Sabalenka era negativo. "Estou cada vez mais perto de ganhar o Grand Slam que sempre desejei. Ano passado foi minha primeira final e eu diria que sempre acreditei. Mas às vezes você se questiona e duvida se isso vai acontecer. Estar nas últimas fases com mais frequência ajuda a acreditar mais. Pude aprender muito não apenas com a final de Wimbledon, mas também com a final do US Open. Talvez tenha sido um ano para tentar duas vezes e acertar na terceira".

Chance de fazer história para o tênis africano
Chamada de 'Ministra da Felicidade' em seu país, a tunisiana está acostumada a fazer história para as mulheres e africanas e falou sobre o apoio incondicional que recebe. Ela pode ser a primeira jogadora do continente africano a vencer um Slam. "O bom dessas pessoas é que sempre me dizem, ganhe ou perca, nós amamos você. Essas são ótimas palavras de se ouvir. Sempre tento me lembrar disso, mesmo sabendo que todo mundo quer que eu vença".

"Eles são engraçados, porque alguns fãs estão enviando mensagens de texto para minha psicóloga, dando-lhe conselhos sobre como me treinar (sorrindo). Tenho certeza de que eles também mandaram mensagens para Issam [Jellali, seu técnico] e Karim [Kammoun, marido e preparador físico]. Espero poder fazer história não apenas para a Tunísia, mas para toda a África".

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