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Pospisil dispara contra a ATP e exige mudanças
07/08/2019 às 08h55

Montréal (Canadá) - A política nos bastidores da ATP continua agitada nesta temporada, que teve primeiro o anúncio da mudança no comando da entidade, com a saída de Chris Kermode no final do ano, a renúncia do norte-americano Justin Gimelstob e depois uma debandada de jogadores como o britânico Jamie Murray e o holandês Robin Haase.

Um dos integrantes do Conselho dos Jogadores, o canadense Vasek Pospisil falou sobre o atual momento no circuito. Em entrevista ao The Globe and Mail, ele disparou contra a ATP, reclamou da divisão de lucros no circuito, alegando que a maior parte da fatia fica com os organizadores dos torneios, e ainda cobrou mudanças para o futuro.

“Quando tinha 14 anos meu pai vendeu nossa casa na cidade em que cresci e nossa família de cinco pessoas e dois cachorros se mudou para um apartamento para garantir um ambiente favorável ao meu tênis. Depois de meu primeiro ano na ATP, dei dinheiro de volta aos meus pais para agradecer o que fizeram por mim”, contou o atual 205 do mundo, que reclama da divisão dos lucros.

“A mudança é brutal, há muito mais glamour no primeiro escalão do tênis. Passei a escutar os jogadores mais rodados e notei que o poder está com os torneios. Além disso, vi que os grandes contratos se resolviam nos bastidores. O tênis se tornou um negócio global e tem uma das piores divisões de lucro”, analisou o canadense de 29 anos.

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Pospisil destacou que os tenistas que vivem em challengers ou torneios menores acabam pagando para jogar. “Fora do top 100, a maioria dos jogadores perde dinheiro. Só que o dinheiro está lá, apenas não chega para esses jogadores por causa da estrutura de governo da ATP”, disse o canadense, que disparou contra a estrutura de poder da ATP.

“O Conselho da ATP tem três representantes dos jogadores e três dos torneios. Há pouco poder com os jogadores e a própria ATP tenta silenciar qualquer tentativa de formar um sindicato. Somos trabalhadores independentes e não podemos nos unir legalmente sem a ameaça de sermos processados”, reclamou Pospisil.

Para o canadense, a ATP vê os atletas como independentes, mas ele destaca que os tenistas acabam funcionando como empregados da entidade, já que não há como viver profissionalmente sem competir em seus torneios. “Não há outros circuitos de tênis. Além disso, temos obrigações para com a ATP e somos penalizados se não disputarmos os torneios mais importantes”, finalizou.

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