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Federer nega favorecimento: 'Cansado de ouvir isso'
30/08/2019 às 19h31

Partida contra Daniel Evans foi disputada na abertura da programação desta sexta-feira

Foto: Divulgação

Nova York (EUA) - Escalado para atuar na abertura da programação desta sexta-feira, Roger Federer viveu uma experiência incomum em seu jogo de terceira rodada pelo US Open. Acostumado a atuar na sessão noturna do Arthur Ashe Stadium ou no máximo nos finais de tarde, o suíço entrou em quadra nesta sexta-feira ao meio-dia (horário local, 13h de Brasília) para enfrentar o britânico Daniel Evans.

O horário da partida acabou desagradando Evans, 58º do ranking. Isso porque Federer disputou a segunda rodada na última quarta-feira com o teto fechado, por conta da chuva, enquanto o britânico teve que enfrentar o francês Lucas Pouille em duelo de 3h10 somente no dia seguinte e teve pouco tempo de descanso antes de desafiar o suíço. Perguntado se teve alguma influência na escolha do horário da partida, Federer nega que tenha um favorecimento por parte da organização do torneio.

"Não me lembro de ter pedido alguma coisa", disse Federer após a tranquila vitória por 6/2, 6/2 e 6/1. "No máximo eu devo ter dito que talvez seria bom fazer um jogo durante a tarde, no sol, mas certamente não fiz isso intencionalmente. Eu nem sei se a minha equipe pediu para eu jogar durante o dia. Só sei que perguntaram se tínhamos alguma preferência".

"Mas isso não significa 'Roger pediu, Roger tem'. Lembrem-se disso, porque estou ouvindo essa m... com muita frequência agora. Estou enjoado e cansado disso, de que aparentemente eu escolhos os horários dos jogos. É a direção do torneio e as emissoras de TV que o fazem. É claro que podemos dar a nossa opinião, isso é o que fazemos, mas eu tenho que acatar mesmo que eles me ponham para jogar às 4h da manhã", acrescentou o número 3 do mundo e pentacampeão do torneio.

Federer comentou especificamente sobre a situação vivida por Evans no torneio. "Independentemente da duração do jogo dele ou do horário que o jogo acabou, haveria uma vantagem competitiva para mim. Agora, faria uma grande diferença se jogássemos às 14h em vez das 12h? Eu acho que não", argumentou o suíço de 38 anos. "Sei que tem uma regra que é preciso ter descanso de no mínimo 16 horas entre semifinal e a final, para dar tempo de se recuperar fisicamente e mentalmente antes do próximo jogo".

"Eu entendo a reclamação. E vocês podem argumentar que a escala não foi favorável para ele, porque eu fiz o meu jogo com a quadra coberta na quarta-feira e pude relaxar no dia seguinte, enquanto ele disputava uma partida três horas contra o Pouille. O problema já começa aí. Mas é assim que é o tênis. É entretenimento, e o show tem que continuar. Eu também já perdi jogos em situações parecidas. Hoje a sorte estava do meu lado. Então, sim, eu entendo se o Danny estiver um pouco frustrado".

Saindo um pouco da polêmica, Federer falou sobre como teve que se adaptar às condições de muito calor e umidade. "Definitivamente, acho que o jogo fica muito mais rápido do que à noite. Até mesmo se comparado ao jogo que eu fiz na quadra coberta. A chave para vencer foi me ajustar ao vento, ao calor e à umidade. Porque tudo isso faz a bola viajar de maneira diferente", explicou.

Federer agora se prepara para enfrentar o belga David Goffin, número 15 do mundo, que venceu o espanhol Pablo Carreno Busta por 7/6 (7-5), 7/6 (11-9) e 7/5. O suíço tem ampla vantagem no retrospecto. São oito vitórias e apenas uma derrota contra o belga de 28 anos. A vitória de Goffin aconteceu na semifinal do ATP Finals de 2017.

Em sua entrevista coletiva, Evans respondeu com um sorriso irônico quando perguntado se ele poderia ter alguma contribuição na escolha da programação: "Você acha que um cara com meu ranking tem alguma influência nisso? Provavelmente, só quatro pessoas neste torneio têm voz para escolher quando vão jogar. Talvez três. É difícil para mim, mas essa não seria a primeira vez que jogadores do primeiro escalão têm essa vantagem, por assim dizer. Mas também, obviamente, o torneio precisa ter esses caras. É claro que eles preferem que Roger ganhe de mim nesse jogo, então é compreensível, sim".

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