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Americana volta ao US Open após 11 anos e se destaca
31/08/2019 às 16h44

A norte-americana de 27 anos conseguiu suas primeiras vitórias em Grand Slam e já está nas oitavas

Foto: Divulgação

Nova York (EUA) - Uma das grandes histórias deste US Open pertence a Kristie Ahn. A norte-americana de 27 anos está de volta ao Grand Slam nova-iorquino depois de onze temporadas. Ela só havia disputado o torneio em 2008, ano em que furou o quali e perdeu para Dinara Safina na estreia da chave principal. Convidada para a edição de 2019 após bons resultados em eventos preparatórios, a atual 141ª colocada no ranking já conseguiu três vitórias e está nas oitavas de final.

Ahn estreou no US Open batendo a experiente russa Svetlana Kuznetsova, campeã em 2004 e vinda de um vice-campeonato em Cincinnati, por 7/5 e 6/2. Com o resultado, conseguiu sua primeira vitória da carreira em Grand Slam. Depois, passou pela também russa Anna Kalinskaya por 6/2 e 6/3. Já neste sábado, ela derrotou a ex-top 5 letã Jelena Ostapenko, campeã de Roland Garros em 2017, por 6/3 e 7/5. Além do US Open de 2008, ela só havia disputado o Australian Open no ano passado e Wimbledon este ano.

Até hoje, o melhor ranking da carreira de Ahn foi o 105º lugar. Disputando majoritariamente torneios menores, a norte-americana tentou um plano B na carreira e se formou em Tecnologia, Ciência e Sociedade pela conceituada Universidade de Stanford em 2014. "Fiz um acordo com meus pais para que eles meio que me ajudassem financeiramente de 2014 a 2017. Por três anos eles me ajudaram. Meu pai literalmente tinha uma contagem regressiva no calendário. Ele dizia: 'Está quase chegando a hora! 'Prepare-se para procurar emprego! Você tem um currículo pronto?'", lembrou a jogadora norte-americana.

Ainda em 2017, Ahn teve um bom ano em competições menores, ganhou um ITF de US$ 60 mil e outro de US$ 80 mil e terminou o ano no 106º lugar do ranking. A norte-americana conseguiu se manter no top 200 durante a temporada passada, mas caiu para a 196ª posição. O novo salto na classificação se deu apenas no segundo semestre deste ano, com três bons resultados: ela furou o quali de Wimbledon, fez semi em um ITF de US$ 60 mil nos Estados Unidos e quartas no Premier de San Jose, uma série de resultados que deram a ela o direito de receber um convite para o US Open por parte de USTA.

O próximo jogo de Ahn em Nova York será contra a belga Elise Mertens, número 26 do mundo. O jogo será especial para a norte-americana, que se recorda de um duelo anterior contra a rival. "Perdi para Elise Mertens na última rodada do quali em 2016. Pouco depois ela estava entre as 20 melhores do mundo. Aí eu pensei, isso é realmente má sorte ou eu simplesmente não aproveitei as minhas oportunidades? Todas essas perguntas começam a surgir na minha cabeça".

Ahn também fala sobre como teve que lidar com a frustração de ficar tanto tempo sem disputar o US Open. "É engraçado, porque quando eu tinha 16 anos, eu pensava 'Ah, sim, eu estarei aqui no próximo ano novamente'. Mas no ano seguinte eu estava esgotada. Recebi convite para o quali, mas nem queria jogar", disse Ahn ao site da WTA, depois de ter vencido Kuznetsova no início da semana. "Quando você é adolescente, pensa que vai acontecer de novo e você vai ter outras chances. E então, quando você chega aos 20, 21, 22... e nada. Em algum momento você começa a pensar que não vai acontecer novamente".

"Um ciclo da vida está completo agora. Sinto que finalmente posso parar de pensar no US Open de 2008. Que ele descanse em paz. Não preciso mais me comparar comigo mesma aos 16 anos. Não tenho mais esse esqueleto no armário", afirmou.

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