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Sakamoto: 'Mudança na mentalidade fez diferença'
03/10/2019 às 07h51

Em 2019, Sakamoto disputou seu primeiro ATP e alcançou o melhor ranking da carreira

Foto: João Pires/Fotojump

Mário Sérgio Cruz

A temporada de 2019 tem sido de marcas importantes para Pedro Sakamoto. O paulista de 26 anos conseguiu, pela primeira vez, furar um quali de ATP e disputar a chave principal do Brasil Open, em São Paulo. Ele também alcançou uma semifinal de challenger, apenas a segunda de sua carreira, na cidade mexicana de San Luis Potosi. Além disso, atingiu seu recorde pessoal no ranking, o 348º lugar, em agosto.

Para Sakamoto, o bom momento no circuito se deu por conta de dois fatores. O primeiro foi uma melhora de seu nível técnico. "Comparando com os outros anos, eu estou melhor mesmo, meu nível de tênis subiu e os resultados vieram junto com isso", disse em entrevista ao TenisBrasil durante o challenger de Campinas. Ele está nas oitavas de final do torneio após duas vitórias e enfrentará o chileno Nicolas Alvarez nesta quinta-feira.

A outra razão para sua grande fase foi uma mudança em sua mentalidade. "Oscilei muito menos mentalmente, no quesito de conseguir lidar com a expectativa", afirmou o experiente paulista, que vem cumprindo as metas estabelecidas para a temporada. "Meus grandes objetivos nesse ano eram me consolidar nos torneios challenger, conseguir vitórias importantes e jogar partidas que possibilitem entrar em torneios maiores. Neste ano não coloquei números e está dando mais certo que os outros".

Assim como muitos outros jogadores que estavam além do top 300 no ranking, Sakamoto precisou fazer ajustes em seu calendário por conta da reestruturação do circuito profissional. Durante o primeiro semestre, os torneios de nível future só davam pontos na ATP aos finalistas dos eventos com premiação de US$ 25 mil. "Isso afetou muitos jogadores, principalmente na minha faixa de ranking. Não foi bom para mim, porque por um momento eu não sabia o que eu jogava. Foi um grande erro que fizeram. Menos mal, que conseguiram voltar atrás".

Confira a entrevista com Pedro Sakamoto.

Este ano você jogou uma semifinal de challenger, furou um quali de ATP e atingiu o melhor ranking da carreira. Como você avalia sua temporada até aqui?
Estou muito feliz pelo momento que estou vivendo, principalmente em nível de tênis. Comparando com os outros anos, eu estou melhor mesmo, meu nível de tênis subiu e os resultados vieram junto com isso. E esse ano, eu oscilei muito menos mentalmente, no quesito de conseguir lidar com a expectativa. Consegui viver mais o dia a dia dos torneios, vivendo cada semana de cada vez, não pensando nem para frente e nem para trás. Isso eu acho que foi bem importante para esses resultados virem.

Às vezes você vê uma meta que está próxima, mas tem que dar alguns passos importantes. E isso te gera muita ansiedade. Você sempre está pensando muito no futuro. Na verdade, você tem que prestar atenção no que está fazendo agora. Isso foi uma grande chave para eu conseguir me encontrar melhor.

Uma de suas vitórias neste ano foi sobre o [Alexander] Bublik, que já era um top 100 na época e depois fez duas finais de ATP. Esse tipo de resultado traz motivação para você tentar torneios maiores e ganhar confiança no circuito?
Com certeza. Para mim, os challengers aumentaram muito o nível nos últimos anos. E vira-e-mexe, a gente encontra tenistas que estão entre os 100 do mundo, como o Bublik e outros que já estiveram ali. Então, uma vitória como essa me ajuda muito a ver que o nível de tênis está aparecendo. Isso me motiva mais para saber que estou no caminho que pode me levar a um resultado diferente dos outros anos.

Durante o primeiro semestre, os futures não estavam dando pontos na ATP. Essa regra acabou caindo em agosto e esses torneios voltaram a valer. Essas mudanças te afetaram de alguma forma e o que você achou dessa regra?
Foi um grande erro que fizeram. Principalmente como fizeram, com rankings diferentes, que restringia muito os jogadores de poder participar dos torneios. Quando você restringe isso, você meio que tira um dos objetivos do jogador que é pontuar para conseguir jogar torneios maiores. Isso afetou muitos jogadores, principalmente numa faixa de ranking mais alto. Acho que afetou todos de 300 para cima e eu tô nessa faixa de ranking no momento. Isso não foi bom para mim, porque por um momento eu não sabia o que eu jogava e isso fica complicado.

Mas a partir do momento que eles deram a informação que voltariam os pontos, começamos a reformular o calendário e você passa a dar uma importância maior para jogar toda semana, porque você sabe que toda semana está contando.

Com certeza consultaram alguns jogadores, mas não sei quem foi consultado e não sei que tipo de pesquisa eles fizeram. Mas no final das contas eles conseguiram ver que cometeram alguns erros e agora, menos mal, que conseguiram voltar atrás.

Atualmente, você treina com alguns nomes da nova geração brasileira, como o Thiago Wild e o Gilbert Klier, no Rio de Janeiro. O que você consegue passar para esses jogadores mais jovens?
Estou mais próximo do Thiago, porque a gente joga praticamente os mesmos torneios. Com o Gilbert, eu só jogo os mesmos torneios em algumas semanas do ano. E quando estamos no Rio, a gente está muito próximo e treinamos juntos todo dia.

Tento aconselhar às vezes, porém eu deixo mais com a comissão técnica porque eles têm mais autoridade e conhecimento para fazer isso, mas uma coisa que eu tento demonstrar é a disciplina e a vontade que você tem que ter diariamente para ter um resultado diferente.

Pouco antes de você vir jogar os challengers aqui na América do Sul, você sofreu algumas eliminações precoces na Europa, até mesmo em torneios future. Foi mais uma questão de falta de confiança ou você teve algum problema físico?
Foi um pouco dos dois. Eu voltei para o Brasil e treinei uma semana só, mas fiquei doente e já viajei em seguida. Já estava tudo marcado, com as passagens e os torneios. Eu não estava 100%, mas pensei: 'Vou mesmo assim'. Também foi um momento em que tive mais dúvidas do que em outros momentos do ano e resultou nisso.

Tudo bem que o nível dos torneios estava legal e tinham bons jogadores, mas eu não consegui jogar o meu melhor. Foi muito custoso viajar até lá e sofrer essas derrotas precoces, mas isso faz parte do ano do tenista. Em alguns momentos você vai estar muito bem e pode ganhar torneios. E em outros, você tem que saber lidar e continuar com a cabeça firme.

Quais são suas expectativas para o restante da temporada nos challengers sul-americanos? Tem alguma meta em termos de ranking ou resultado?
Meta de ranking ou de resultado eu não tenho. Meus grandes objetivos nesse ano eram me consolidar nos torneios challenger, conseguir vitórias importantes e jogar partidas que possibilitem torneios maiores e ter resultados maiores. Acho que estou caminhando legal nesse quesito e isso vem muito decorrente de viver o presente. É isso que vai me fazer mudar de ranking expressivamente.

Não é por medo de eu falhar ou não, ou por medo de me frustrar depois, mas sim por evitar de viver o futuro. Esse é o grande desafio que eu tenho nos últimos anos que é não viver de expectativas, mas sim viver o que está acontecendo agora. Neste ano não eu não coloquei números e está dando mais certo que os outros.

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