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Consistência e parceria com pai marcam Wozniacki
06/12/2019 às 19h19

Wozniacki conseguiu seus melhores resultados treinando com o pai, Piotr

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

Acostumada a lutar por títulos e pelas primeiras posições do ranking, Caroline Wozniacki irá encerrar sua carreira profissional em janeiro de 2020, depois que encerrar sua participação no Australian Open. Foi em Melbourne que a dinamarquesa conquistou seu maior título, em 2018. A jogadora de 29 anos e ex-número 1 do mundo teve uma trajetória profissional marcada por sua consistência no alto nível e pela parceria com o pai e treinador, Piotr.

Wozniacki conquistou 30 títulos de WTA e passou onze temporadas seguidas ganhando ao menos um torneio. Essa sequência, iniciada em 2008, foi quebrada apenas na última temporada, quando seus melhores resultados foram o vice-campeonato em Charleston e a semifinal de Pequim. A dinamarquesa também terminou onze temporadas seguidas no top 20 do ranking mundial, entre 2008 e 2018, mas encerra 2019 apenas na atual 37ª colocação.

Embora já tenha treinado com muitos técnicos renomados, os maiores feitos da carreira de Wozniacki foram na parceria com o pai, que estava ao seu lado em 28 conquistas no circuito. Piotr nunca jogou tênis profissionalmente e fez carreira no futebol, esporte que motivou sua mudança da Polônia para Odense, na Dinamarca, cidade onde a tenista nasceu em 1990. A mãe, Anna, também foi atleta profissional e fez parte da seleção polonesa de vôlei. Até por conta da origem estrangeira, ela é chamada de "Karolina" por seus pais. 

Já estiveram com Wozniacki, treinadores como o espanhol Ricardo Sanchez, os suecos Thomas Johansson e Thomas Hogstedt, o compatriota Michael Mortensen, a espanhola e ex-número 1 do mundo Arantxa Sanchez, o tcheco David Kotyza e a italiana Francesca Schiavone. Todos tiveram colaborações breves, permanecendo por poucos torneios no cargo. Títulos vieram apenas com Johansson e Hogstedt, em New Haven-2012 e Luxemburgo-2013. 

Número 1 veio antes do título de Grand Slam
Com apenas 18 anos, em maio de 2009, Wozniacki já aparecia no top 10 do ranking mundial. Naquele ano, disputou também sua primeira final de Grand Slam no US Open, mas foi superada por Kim Clijsters. A dinamarquesa assumiria a liderança do ranking mundial no dia 11 de outubro de 2010. Ela perderia o lugar para Clijsters por uma semana em fevereiro do ano seguinte, mas rapidamente retomou a posição e lá permaneceu até janeiro de 2012.

Os melhores anos de Wozniacki foram 2010 e 2011, com seis títulos em cada temporada. Já em 2014, alcançou outra final de US Open, mas viu Serena Williams levantar a taça. E apesar da consistência no alto nível, a dinamarquesa conviveu com críticas por ter sido número 1 do mundo sem título de Grand Slam e por seu estilo de jogo defensivo e cada vez menos usual em um circuito dominado por jogadoras mais agressivas.

A volta ao topo do ranking só aconteceria em janeiro de 2018, após a conquista de seu único troféu de Grand Slam. Em três passagens pela liderança, ela acumula 71 semanas como número 1 do mundo. Com isso, Wozniacki é a nona jogadora entre as que passaram mais tempo no topo do ranking, ficando à frente de nomes como Venus Williams (11), Kim Clijsters (20), Maria Sharapova (21), Angelique Kerber (34) ou Simona Halep (64).

Dinamarquesa sofria com artrite e já cogitava parar
No fim de 2018, Wozniacki revelou ter sido diagnosticada com artrite reumatoide. Ela já sabia do problema desde agosto do ano passado, mas preferiu falar sobre o assunto apenas depois de encerrar sua temporada no circuito. Mesmo reduzindo seu calendário de competições e a rotina de treinos, conseguiu ainda um título expressivo em Pequim. Foram seis vitórias seguidas em sets diretos na capital chinesa para conquistar seu último troféu e mil pontos no ranking.

Mas já se falava em uma possível aposentadoria precoce para Wozniacki ainda em 2016, quando ela tinha apenas 26 anos e vivia seu pior momento. Uma lesão no tornozelo direito durante um treino a tirou de quadra durante toda a temporada de saibro. Na volta, maus resultados e uma lesão no punho a derrubaram para o 74º lugar do ranking. Uma improvável campanha até a semifinal do US Open deu a confiança necessária para voltar a ter bons resultados e voltar a lutar pelas primeiras posições.

Disposta a voltar a ser protagonista, Wozniacki trouxe o rebatedor Sascha Bajin, que já trabalhou com Serena Williams e Victoria Azarenka, e fez uma grande temporada em 2017. Foram 60 vitórias no ano e oito finais, com títulos em Tóquio e no WTA Finals, que fizeram saltar do 19º para o terceiro lugar do ranking. Bajin deixaria a equipe no fim daquele ano para começar o vitorioso trabalho como técnico de Naomi Osaka.

A temporada de 2018 começou o ano com o vice-campeonato em Auckland. Três semanas depois, Wozniacki conquistou seu primeiro Grand Slam ao superar Simona Halep na final do Australian Open. Durante a campanha em Melbourne, salvou dois match points conta a croata Janna Fett na segunda rodada. A dinamarquesa ainda conquistaria mais dois títulos, permaneceu no top 3 e disputou novamente o Finals, mas foi eliminada ainda na fase de grupos.

Já em 2019, foram poucas alegrias, com 20 vitórias e 15 derrotas. Treinando com Schiavone na temporada de saibro, alcançou uma final em Charleston, mas perdeu para a norte-americana Madison Keys. Já no segundo semestre, destaque apenas para o último torneio do ano. Quando tentava defender o título em Pequim, a dinamarquesa venceu quatro jogos e só parou em Naomi Osaka na semifinal. Em meio às dúvidas se continuaria no circuito em 2020, anunciou nesta sexta-feira que irá se despedir dos fãs justamente no palco de sua maior conquista.

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