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Adiamento renova o sonho olímpico de Stefani
25/03/2020 às 09h24

Stefani vinha em bom momento no circuito quando as competições foram suspensas

Foto: Arquivo
por Mário Sérgio Cruz

O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, por conta da pandemia do Covid-19, acabou renovando as esperanças de Luisa Stefani de disputar a competição pela primeira vez. Embora viva um bom momento no circuito de duplas, com resultados positivos neste início de temporada, Stefani ainda estava distante da zona de classificação para o torneio olímpico, mas terá um ano pela frente para tentar melhorar sua marca.

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Brasileira mais bem colocada no ranking das especialistas em duplas da WTA, Stefani aparece atualmente na 46ª posição, apenas um lugar abaixo de seu recorde pessoal. No entanto, apenas as dez primeiras no ranking da modalidade entram diretamente na chave e têm o direito de escolher qualquer parceira no top 300. As demais duplas são designadas a partir da soma dos rankings das duas jogadoras, que podem até se inscrever utilizando o ranking de simples.

Stefani reconhece que suas chances aumentaram por conta de uma situação atípica, mas tenta aproveitar a pausa no circuito da melhor maneira possível. "Pensar na saúde é mais importante que pensar que minhas chances aumentaram. Mas com certeza, vamos tentar usar essa oportunidade", disse em entrevista ao TenisBrasil. "Uma pausa pode ser benéfica de várias formas. Acredito que todo mundo no circuito vai voltar diferente".

Paulista de 22 anos, Stefani vive nos Estados Unidos desde a adolescência. Grande parte de sua formação como tenista foi na academia Saddlebrook, na Flórida. O complexo fechado conta com condomínios residenciais, onde ela mora atualmente. A jogadora também passou quatro anos no circuito universitário norte-americano quando estudou em Pepperdine, na Califórnia. Para ela, é positivo poder ter uma estrutura de treinamento à disposição mesmo nesse importante período de distanciamento social.

Confira a entrevista com Luisa Stefani.

Como você recebeu a notícia dos cancelamentos dos torneios e da suspensão do circuito? Primeiro em Indian Wells e Miami e depois das demais competições.
Eu recebi a notícia do cancelamento de Indian Wells quando já estava lá. Eu já havia treinado duas vezes no complexo e fui tomar banho. Quando saí, 15 minutos depois do treino, meu técnico falou que tinham cancelado o torneio. Então acho que todo mundo foi pego de surpresa. Eu nem sei por onde eles anunciaram, na verdade, não recebi nenhuma mensagem direta do torneio. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Até que depois de uns dias, tudo começou a ficar mais claro.

A gente ainda não sabia o que fazer, mas decidimos ir jogar um torneio 125k em Guadalajara, no México. Compramos as passagens e já estava tudo certo, mas ainda tinham muitos rumores sobre cancelar o torneio de Miami e não e sobre a gente não poder voltar para os Estados Unidos. Então decidimos esperar alguns dias antes de tomar qualquer decisão. Só então, anunciaram que iriam cancelar tudo por seis semanas. Pelo menos, deu para saber que todo mundo estava no mesmo bote, mas foi um acontecimento que ninguém esperava.

Você continua nos Estados Unidos? Consegue manter alguma rotina de treinos mesmo em casa?
Depois que cancelaram os torneios por seis semanas, a ideia era passar uma semana na Califórnia. Fui para um Parque Nacional fazer trilhas na natureza. Tenho amigas lá de quando estudei na Pepperdine e achei que seria uma boa oportunidade para ficar afastada de tudo o que estava acontecendo. Eu iria passar uns dias lá e depois voltar para a Flórida para treinar por cinco semanas, como se fosse uma pré-temporada.

Até que uns dias depois, eles cancelaram tudo até junho e mudaram um pouco as condições. Cheguei à Flórida na semana passada e agora estou treinando físico e tentando manter a forma mesmo dentro de casa. Sorte que aqui na academia tem um gramado bom e dá para ficar afastada de todo mundo, mas a gente tem que respeitar as indicações das autoridades e dos médicos, porque cada um precisa fazer sua parte. Mas que bom que aqui está dando para fazer as coisas também.

Seu momento no circuito era muito bom, com resultados positivos. É lógico que a prioridade é a saúde de todos, mas o quanto essa parada pode prejudicar esse ritmo?
Então, eu estava bem animada para jogar em Indian Wells e Miami, principalmente. Seria o meu primeiro ano jogando esses torneios maiores. A gente teve um bom começo do ano, relativamente. Estou com o melhor ranking da carreira e tive boas experiências.

Mas essa pandemia e tudo o que está acontecendo é muito maior que os torneios e que o momento que eu estava tendo em quadra. Pode ser que prejudique o ritmo um pouco, mas uma pausa pode ser benéfica de várias formas. Acredito que todo mundo no circuito vai voltar diferente. Tem coisas que não estão no nosso controle. Espero que quando o circuito voltar, a gente consiga manter esse ritmo nos torneios.

Sobre as Olimpíadas, o quanto o adiamento pode ser bom para você? No cenário atual, você estaria ainda fora da zona de classificação, já que só as top 10 entram direto e puxam alguém. Tendo um ano pela frente, essa meta passa a ser mais realizável?
Eu já estava esperando que as Olimpíadas seriam adiadas. Eu achava muito difícil eles continuarem com tudo isso que está acontecendo. É muito bom por um lado, porque eu tenho muito mais chances de conseguir me qualificar. Obviamente é uma tarefa grande ainda, mas bem mais possível do que se fossem neste ano. Mas a gente sabe que só está sendo adiada por uma razão muito ruim mundialmente.

Não dá nem para começar a pensar nos torneios seguintes, porque a gente não sabe quando o circuito vai voltar a acontecer. Se vai voltar em junho mesmo, como está planejado, ou se vão postergar mais ainda. Então, acho que é uma coisa de cada vez. O mais importante é lembrar que as Olimpíadas estão sendo adiadas por uma razão de saúde e pelo bem estar dos atletas e mundial. Pensar nesse lado é mais importante que pensar que minhas chances aumentaram. Mas com certeza, vamos tentar usar essa oportunidade. E o mais importante é voltar a jogar. Não adianta nada ter sido adiada, mas não poder jogar os torneios. Vamos cada um fazer sua parte e torcer para que tudo voltar ao normal eventualmente. 

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