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Após cumprir suspensão, Bia é autorizada a voltar
22/05/2020 às 17h38

São Paulo (SP) - Chegou ao fim nesta sexta-feira o período de suspensão por doping que Beatriz Haddad Maia precisou cumprir. A brasileira de 23 anos foi punida pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e ficou dez meses longe das competições. Ela já estava suspensa provisoriamente desde 22 de julho do ano passado e recebeu o relatório definitivo do caso em 10 de fevereiro.

Bia havia testado positivo para as substâncias SARM S-22 e SARM LGD-4033, que integram a categoria S1 (agentes anabolizantes) da lista de substâncias proibidas da WADA (Agência Mundial Antidoping). O exame foi realizado no dia 4 de junho, durante torneio da série 125k da WTA em Bol, na Croácia.

A jogadora conseguiu comprovar a contaminação cruzada de um suplemento alimentar, que foi consumido sob prescrição médica. Isso atestou que ela não teria intenção de obter vantagem esportiva e se livrou de uma pena ainda maior, que poderia ser de dois ou até quatro anos.

No entanto, a situação não a eximiu de responsabilidades, expostas pela ITF. Segundo o regulamento da entidade, por mais que fosse comprovada a contaminação, Bia deveria ser consciente do risco de consumir o suplemento alimentar. No Programa Antidoping do Tênis consta que qualquer substância proibida pode aparecer (listada como ingrediente ou não) em suplementos ou medicamentos. Isso inclui a possibilidade de contaminação.

Bia falou a podcast sobre o afastamento
Em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo podcast A Voz do Tênis, comandado por Marcelo Zormann, João Araripe e Renan Nabeshima, Bia fez um relato sobre como recebeu a notícia da suspensão e sobre como teve que lidar com o afastamento. "Fui do céu ao inferno. Vinha da minha maior vitória da carreira, contra a Muguruza em Wimbledon e estava vivendo um momento incrível da minha vida. Até que chegou um e-mail da ITF. Foi como um soco no estômago".

"O choque inicial foi o mais duro. Eu não conseguia aceitar que eu tinha testado positivo em um exame antidoping. Ficava pensando se não podia ser um erro. Não fazia ideia do que tinha acontecido", acrescenta a ex-número 58 do mundo e atual 286ª colocada no ranking. "Tentei dar a notícia para os meus pais e mal conseguia de tanto soluçar de choro. Eu estava totalmente perdida. Dar essa notícia para os meus avós foi o que mais me doeu".

Bia ainda falou sobre ter que encarar a desconfiança do público geral. "Antes da notícia, as pessoas vinham falar comigo e pediam para tirar foto. Dias depois, a visão era totalmente outra. Começou aquela sensação de dúvida. As pessoas hesitavam", recorda a canhota paulista. "Alguns vinham falar comigo querendo saber, mas ao mesmo tempo ficavam sem jeito de falar".

"Liguei para cada patrocinador neste momento que exigia meu total profissionalismo e conversei com eles sobre a situação", explica a jovem jogadora, que completa 24 anos em 30 de maio. "Não foi fácil ficar em silêncio. Queria falar, mas me mantive calada pela estratégia acordada com os advogados para manter o foco na defesa e, assim, não abrir detalhes do processo. Por meses, conversei comigo mesma para ficar com a cabeça limpa".

"A regra é clara. O atleta é responsável pelo o que ele ingere. Então, é independente. Se você faz o teste e apareceu uma quantidade muito pequena ou muito grande, o atleta paga igual. A regra da WADA é bem clara junto com a ITF e é assim que funciona no circuito".

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Suzana Silva