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'Nunca conheci o meu pai', revela Thiago Monteiro
09/07/2020 às 18h52

Fortaleza (CE) - Pela primeira vez em sua carreira profissional, Thiago Monteiro teve a oportunidade de falar abertamente sobre sua relação familiar. O tenista número 1 do Brasil e atual 83º colocado no ranking da ATP revelou que foi adotado quando criança e que sequer conheceu seus pais biológicos. Monteiro reitera que deve tudo à mãe, Fátima, que o abrigou desde pequeno, e que sonha dar melhores condições de vida à ela, ao irmão mais velho, Faber, e às irmãs Letícia, Jéssica e Flávia.

"Eu sou adotado. Quando eu nasci, minha mãe estava se recuperando de câncer de mama. Ela queria adotar porque achava que eu poderia ser uma estrela brilhante em sua vida. Eu devo tudo a ela. Eu nunca quis conhecer meus pais biológicos porque não acho necessário", disse Monteiro ao podcast Behind The Racquet, comandado pelo jogador profissional Noah Rubin, 225º do ranking. 

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"Minha mãe é quem me criou e nada pode mudar isso. Sou um dos primeiros jogadores de alto nível do norte do Brasil. Eu venho de uma família humilde, não diria pobre, mas também não era rico. Eu cresci com minha mãe, irmão e três irmãs. Nunca conheci meu pai. Ele a minha mãe estão separados e não temos contato com ele", acrescentou o atleta de 26 anos.

"É meu dever retribuir o que minha família me deu. Como não somos ricos, precisamos de dinheiro para pagar as contas e colocar comida na mesa. Quero proporcionar boas condições para minha família", complementou o atleta, que acumulou US$ 1,39 milhão em premiações durante a carreira, sendo US$ 151 mil na atual temporada.

O atual número 1 do Brasil também comentou sobre seu início no tênis e dos tempos em que treinou com Larri Passos em Santa Catarina. "Cresci jogando tênis e futebol. Aos 14 anos, saí de casa para treinar em uma academia no sul do Brasil, que ficava a três horas e meia de vôo de minha cidade natal. Morei lá por cinco anos, enquanto o tênis deixava de ser um hobby para se tornar a minha rotina profissional. Ninguém na minha cidade acreditava que eu poderia chegar tão longe, mas meu irmão mais velho apoiou muito a minha carreira. Ele chegava a passar 10 horas dirigindo para que eu pudesse jogar os torneios juvenis".

Monteiro já sofreu grave lesão no joelho
Monteiro também se lembrou de uma grave lesão sofrida no joelho quando disputava o challenger de Poprad Tatry na Eslováquia. Na época, ele tinha apenas 21 anos e ocupava a posição de número 400 no ranking. "Em 2015, eu tinha match point na rodada final do quali de um challenger na Eslováquia. Eu vencia por 9-8 no tiebreak do terceiro set e estava a um ponto de entrar na chave principal, corri para uma bola e ouvi um estalo".

"O árbitro parou a partida e chamou uma ambulância. Eu não conseguia me mexer. Fui ao hospital e no dia seguinte tive que voltar para o Brasil sozinho, onde me disseram que havia rompido completamente meu LCA (ligamento cruzado anterior). Médicos de fora do Brasil disseram que eu não precisava de cirurgia, mas os médicos daqui queriam operar porque podiam ganhar mais dinheiro. Se eu fizesse cirurgia, havia uma chance de nunca mais jogar tênis", relembrou o Monteiro.

O cearense ainda se recorda da volta às quadras e da ótima temporada de 2016, em que venceu o top 10 Jo-Wilfried Tsonga no Rio Open, conquistou seu primeiro challenger na França, e entrou no top 100. Foi naquele ano que ele pôde se firmar como tenista profissional.

"Durante quatro meses, eu não joguei nenhuma partida. Eu sentia falta do tênis. Eu não sabia como fazer mais nada. Pela primeira vez, eu não tinha certeza do que iria acontecer comigo. Eu ia para a academia e via todo mundo praticando. Quando voltei às quadras, mantive o pensamento positivo. No ano seguinte, tive a melhor temporada da minha carreira".

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