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Halep fala de Pavel e Henin, cirurgia e seletividade
30/09/2020 às 11h05

Bucareste (Romênia) – Simona Halep, número 2 do mundo, campeã de Wimbledon (2019) e de Roland Garros (2018), foi entrevistada no programa de uma emissora de TV romena chamado “Team of 10".

A série apresenta entrevistas com 10 dos melhores esportistas romenos, entre eles Ilie Năstase e Gheorghe Hagi, ex-futebolista. A ideia do projeto surgiu durante a pandemia, para inspirar as pessoas e partilhar as duras experiências da carreira destes 10 atletas.

Simona conta que por volta dos 14, 15 anos foi a época decisiva no seu tênis. De sua mãe veio o conselho para nunca deixar de “ser humana, de ser uma pessoa antes de tenista, de ser sociável, de respeitar as pessoas, mostrando a educação recebida em casa”. O pai lhe disse para sempre acreditar que era a melhor, nunca desistir e não ter medo de errar.

Campeã juvenil de Roland Garros em 2008, Simona conta que em 2007 foi ver um jogo do compatriota Andrei Pavel e, com vergonha, pediu seu autógrafo na munhequeira. Sorrindo, Halep conta que desde então essa munhequeira nunca saiu de sua bolsa. “Ele foi uma verdadeira inspiração para mim”, afirma. “O fato de ele ter sido campeão juvenil de Roland Garros me fez desejar o mesmo. E ele me guiou, mesmo sem saber disso.” Do meio-campista Hagi, ela aprendeu a focar e buscar sempre a perfeição.

A belga Justine Henin foi outro modelo para a romena, especialmente por terem a mesma altura. "Isso me mostrou que eu tinha uma chance e que altura não era tão importante. Se você trabalha duro, pode conseguir grandes coisas, mesmo não sendo tão alta.”

Em 2018, mais experiente, Halep conquistou Roland Garros. Em 2019, menos estressada, ela diz que “foi pura euforia”. Na final, “era tudo ou nada e realmente não me importava por estar enfrentando Serena.”  

Durante a carreira, tomou algumas decisões difíceis e corajosas, mas sempre tendo em vista o melhor para seu jogo. Foi assim com a decisão de diminuir os seios, que prejudicavam sua coluna. O tênis é sua principal preocupação, mas agora que conseguiu quase tudo o que queria, pode se permitir desfrutar um pouco mais da vida.

Halep afirma que é muito seletiva com tudo o que vem de fora. Depois de alguns momentos de tensão com a imprensa romena e com pessoas dizendo o que fazer ou não, questionando suas decisões, ela mudou. “Me isolei e parei de deixar que as pessoas se aproximassem sem minha permissão. Respeito, mas nem todos têm acesso a mim. Sou muito seletiva com tudo o que vem de fora e faço isso pelo tênis.”

Quanto ao futuro, ela espera ter uma academia de tênis para crianças, desde que tenha um bom suporte. E quase no fim da entrevista, relembra dois momentos difíceis na carreira que foi deixar Constanta, sua cidade natal, aos 16 anos, para ter com quem treinar e melhorar seu desempenho e a cirurgia, de que pouco fala. "Não comento porque é um assunto pessoal. Meus pais estavam comigo. Fiz pelo tênis e porque se não a fizesse minhas costas iriam piorar."

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Suzana Silva