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Bia aproveita boa fase e celebra temporada sem lesões
14/09/2021 às 17h20

Bia conquistou cinco títulos no ano, venceu 56 jogos e está invicta há dez partidas

Foto: Arquivo
Mário Sérgio Cruz

Caldas da Rainha (Portugal) - A temporada de 2021 tem sido bastante positiva para Beatriz Haddad Maia. Melhor brasileira no ranking de simples da WTA, a paulista de 25 anos ocupava apenas o 359º lugar em janeiro e já aparece atualmente na 124ª posição. Bia acumula 56 vitórias no ano, considerando todos os níveis de competições do circuito, incluindo qualificatórios, e já conquistou cinco títulos por torneios da Federação Internacional. Ela também carrega uma invencibilidade de dez jogos nas últimas semanas, vencendo torneios em Collonge-Bellerive e Montreux, em quadras de saibro na Suíça. Ela tenta manter o embalo nesta semana, jogando o ITF W60+H de Caldas da Rainha, torneio português em quadras de piso duro.

Outro motivo para Bia comemorar neste ano de 2021 é o fato de não ter sofrido com lesões. A tenista, que já superou um longo histórico de problemas físicos, afirma conhecer melhor o corpo agora e tem plena confiança na equipe comandada pelo técnico Rafael Paciaroni e o fisioterapeuta Paulo Cerruti, do time RTB. "Eu aprendi bastante nos últimos anos, fui entendendo cada vez mais como meu corpo funciona, e isso facilita o meu trabalho, facilita a minha comunicação com a minha equipe", disse Bia Haddad Maia, em entrevista a TenisBrasil nesta terça-feira.

 
 
 
 
 
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O planejamento do calendário tem sido um fator importante na prevenção de lesões. Exemplo disso foi uma pausa na temporada pouco depois do quali de Wimbledon. "A gente está sempre se cuidando e se prevenindo. Por mais que faça vários jogos, a gente conseguiu ali dar uma pausa mesmo depois de Wimbledon e foi super importante. Consegui dar uma recuperada e trabalhar um pouco mais meu físico para voltar a jogar nesse segundo bloco. Foi um ano atípico, que a gente ficou praticamente cinco meses fora, nunca tinha acontecido isso, mas eu consegui ficar bem".

Com o salto no ranking ao longo de 2021, Bia espera jogar torneios maiores na reta final do ano. "Consegui manter e me impor no nível de 25 e de 60 mil e o que eu acho que preciso melhorar e o que falta contra as meninas em torneios maiores e qualis de Grand Slam é estar nesses torneios e jogar contra essas meninas, né? Então, agora que eu vou começar a entrar e ter essa oportunidade. Acho que quando a gente começa a ter essa chance, uma hora a gente pega o jeito".

Bia também comentou sobre a evolução do tênis feminino no Brasil depois que Laura Pigossi e Luísa Stefani conquistaram a medalha de bronze nas duplas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. "Acho que o tênis feminino pode sim aumentar o número de de praticantes aqui no Brasil, da mesma forma que eu vejo como é lá fora. Nos lugares que quando a gente joga nos Estados Unidos e na Europa, o número de meninas e de crianças que jogam é muito igual ou parecido com o dos meninos. E no Brasil ainda é bem inferior. Que seja isso uma uma injeção. Para a gente conseguir cada vez mais se motivar e ver mais meninas olhando para elas e vendo que isso é possível".

 
 
 
 
 
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Confira a entrevista com Beatriz Haddad Maia.

Até agora na temporada, você já tem 56 vitórias, cinco títulos e 80% de aproveitamento. Como você avalia esse momento e você esperava ter um ano tão positivo como o que está tendo agora, depois de ter sofrido com lesões no fim do ano passado?
Realmente, esse ano está sendo muito positivo. Muitos dos objetivos que a gente tinha colocado pro final do ano a gente já acabou alcançando, e aí a gente traçou novas metas até o final do ano já. Tenho pessoas muito especiais perto de mim, tanto dentro quanto fora da quadra. Acho que toda a minha equipe me deixa um ambiente saudável, tranquilo e sem cobrança de resultado. Só focado no processo, no trabalho, e em estar bem fisicamente e psicologicamente pra poder, enfim, jogar o meu melhor tênis, jogar solta e exigir menos do meu corpo. Então, ser mais inteligente, tanto no treino quanto nos jogos e eu acho que isso que faz com que tudo esteja dando certo.

O quanto esses bons resultados que você teve esse ano são fruto de você ter passado o ano inteiro sem lesões? E o que você tem feito para se prevenir desses problemas físicos e evitar que aconteça de novo? Aquela pausa que você fez logo depois de Wimbledon foi pensando nisso?
Com certeza, eu ter ficado saudável é um fator fundamental. Eu aprendi bastante nos últimos anos, fui entendendo cada vez mais como meu corpo funciona, e isso facilita o meu trabalho, facilita a minha comunicação com a minha equipe, para eles também trabalharem. Porque cada pessoa é trabalhada de uma forma e responde de uma maneira. E cada vez mais a gente tem se conhecido. Eu acho que a gente se comunica muito bem, todos nós. Eu falo todo dia com o meu preparador, todo dia com o meu fisioterapeuta e todo dia com o meu meu treinador e isso muda muito.

Então, de uma forma ou de outra, a gente está sempre se cuidando, se prevenindo. Por mais que faça vários jogos, que nem eu fiz esse ano, a gente conseguiu ali dar uma pausa mesmo depois de Wimbledon e foi super importante. Consegui dar uma recuperada e trabalhar um pouco mais meu físico pra voltar a jogar nesse segundo bloco. Foi um ano atípico que a gente ficou praticamente cinco meses fora, nunca tinha acontecido isso, e eu consegui ficar bem, então eu consegui prevenir a maior parte do tempo eu tava sem o meu físio e a gente conseguiu manter o trabalho com ele a distância, então foi super legal. Mas com certeza depois eu ter aprendido tanto com as lesões, não só do ano passado mas dos outros anos, me ajuda muito a a cuidar de mim de uma forma saudável mesmo.

Você precisou mudar alguma coisa no seu jogo por causa das lesões e cirurgias, especialmente essa última na mão? Vendo de fora, parece ter mexido um pouquinho no saque e colocado mais na quadra. Mas isso pode ter sido uma leitura específica de alguns jogos, então queria ouvir de você se houve alguma mudança.
As lesões que eu tive, na verdade, não são lesões limitantes ou algo que que me fez tomar uma decisão, uma mudança drástica na minha tática dentro da quadra ou na minha empunhadura, enfim... Eu em geral tenho uma técnica boa. Então isso já me ajuda muito a me prevenir durante o ano todo. Tanto punho cotovelo, ombro, quadril e joelho, que é muito desgastante jogar o ano. Todo mundo sente dor, todo mundo tem um incômodo. Duvido que exista um atleta que não tenha uma dor um dia. Mas o que eu fiz foi realmente me manter saudável, manter esse trabalho preventivo e conseguir cada vez mais escutar o meu corpo. Saber que quando preciso parar, o corpo é a prioridade.

E acho que estar feliz fora da quadra também ajuda. Acho que a minha vida hoje está muito encaixada fora da quadra, eu tô muito feliz e isso reflete muito dentro da quadra, eu sou uma pessoa que eu sou a Bia dentro e eu sou a Bia fora da quadra, né? A gente não é duas pessoas diferentes. Então, com certeza, estar em um ambiente bom, feliz e com uma energia positiva com pessoas que eu amo fora da quadra me ajudam lá dentro jogar solto, a jogar feliz e também me prevenir de de lesões e momentos difíceis até emocionais.

 
 
 
 
 
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A gente sabe que a principal diferença quando sobe o nível dos torneios é a consistência das adversárias. Você tem conseguido se impor nos ITF, primeiro nos de 25 e agora nos de 60. O que acha que precisa melhorar para conseguir fazer o mesmo contra as meninas que se defendem melhor e aguentam mais trocas nos torneios maiores e qualis de Slam?
Sim, eu consegui manter e me impor no nível de 25 e de 60 mil e o que eu acho que preciso melhorar e o que falta contra as meninas em torneios maiores e qualis de Grand Slam é estar nesses torneios e jogar contra essas meninas, né? Porque, eu joguei 25 mil e me fortaleci, joguei bem desde o começo acreditando em mim, depois passei essa barreira dos 60 mil também e aí pelo ranking conseguia entrar em outros 60 mil para poder enfrentar essas meninas. E eu joguei somente dois Grand Slam porque eu não tive outras oportunidades ainda, né?

Então agora que eu vou começar a entrar em quali de 250, porque ainda não joguei WTA grande, não joguei 250, não joguei 500, não joguei Masters 1000. Então, agora que eu vou começar a entrar e ter essa oportunidade. Acho que quando a gente começa a ter essa chance, uma hora a gente pega o jeito. Então é só uma questão de tempo e de trabalhar muito duro. Tenho assim muito claro os meus defeitos, as minhas qualidades, os meus buracos, os meus pontos fortes e fracos. Agora, com ranking um pouco melhor, é hora de cada vez mais tentar jogar esses torneios e aproveitar a oportunidade.

O que você tem em mente em termos de calendário até o fim do ano?
Meu calendário, mais ou menos, vai se basear assim: Vou jogar esses 60 mil aqui e uns 125 mil nos Estados Unidos. Tem a opção de jogar o quali de Indian Wellls, tem uma opção numa semana que eu vou jogar ou o quali de um 500 ou um 60 mil... Então, tem opções de torneio Challengers nos Estados Unidos ou WTA nos Estados Unidos... Vou ficar entre esse nível de torneio.

O quanto a medalha da Laura e da Luísa desperta uma motivação em você e o que você acha que pode ser feito para a gente desenvolver o tênis feminino no Brasil?
Eu acho que foi um momento muito especial que elas viveram e que elas proporcionaram para todos. Que seja isso uma uma injeção, né? Para gente conseguir cada vez mais se motivar e cada vez mais ver mais meninas olhando para elas e vendo que isso é possível. Acho que o tênis feminino pode sim aumentar o número de de praticantes aqui no Brasil, da mesma forma que eu vejo como é lá fora.

Nos lugares que quando a gente joga nos Estados Unidos e na Europa, o número de meninas e de crianças que jogam é muito igual ou parecido com o dos meninos. E no Brasil ainda é bem inferior, mas eu acho que a gente conseguindo ter resultados dentro da quadra, conseguindo ter torneios no Brasil, conseguindo fazer essas meninas poderem ver mais de frente e não ficar só numa coisa muito distante, pela televisão, e poderem ver realmente a realidade, estando perto da gente... Às vezes alguma é de São Paulo, outra do Sul, enfim, a gente não tem tantas jogadoras profissionais brasileiras, mas tentar de uma forma ou de outra estar junto delas, estar perto delas, passar um pouco da nossa experiência. Enfim, uma junção de tudo isso seria o ideal e o mais bacana pra essa próxima geração poder vir com mais força.

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