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Badosa e Sakkari relembram início de carreira no Brasil
10/11/2021 às 07h48

Hoje no top 10, Badosa disputou vários torneios em São Paulo, Campinas e Curitiba entre 2014 e 2017

Foto: Akron WTA Finals
Mário Sérgio Cruz

Duas jogadoras no atual top 10 do ranking mundial passaram pelo Brasil no início de suas carreiras. Classificadas pela primeira vez para o WTA Finals, a grega Maria Sakkari (número 6 do mundo) e a espanhola Paula Badosa (décima colocada) atuaram em vários torneios do circuito da ITF nas cidades de São Paulo, Campinas e Curitiba entre 2014 e 2017, e também disputaram o Rio Open há cinco anos, quando o torneio ainda contava com uma chave feminina. Em entrevistas a TenisBrasil durante o Finals de Guadalajara, Badosa e Sakkari relembraram o começo de suas trajetórias no tênis profissional e deixaram mensagens para as jogadoras que hoje disputam torneios deste nível.

"Eu me recordo, sim, de estar no Brasil. Estive várias vezes, entre 2014, 2016 e 2017. Sempre tenho ótimas lembranças de jogar no Brasil e também ficava muito feliz de jogar na América do Sul. Gosto muito da maneira como as pessoas nos tratam e cuidam de nós, os torneios são sempre muito bem organizados", disse Paula Badosa, vinda do maior título na carreira no WTA 1000 de Indian Wells.

"A mensagem que posso deixar para as jogadoras que estão disputando torneios deste nível é que até 2019, há menos de dois anos, eu estava jogando ITFs. Mesmo em 2020, antes da pandemia, eu ainda estava jogando ITF. E em um ano, consegui mudar totalmente a minha carreira e a minha vida", explica a jogadora de 23 anos, que só chegou ao top 100 no fim de 2019 e iniciou a atual temporada ocupando apenas o 70º lugar do ranking.

"E quero dizer a elas que se você trabalhar muito e acreditar que pode conseguir, obviamente tendo talento também, as coisas são possíveis e sonhos podem se tornar realidade. As grandes tenistas, e não apenas eu, saem desses torneios de 15 mil e 25 mil. E para chegar até aqui, todas precisam passar por essa fase. Todas têm um nível muito alto. É lá que tudo começa", acrescentou a espanhola, que está no mesmo grupo de Sakkari, além de Iga Swiatek e Aryna Sabalenka no Finals.

'O tênis feminino pode crescer muito na América do Sul', diz Badosa
"Creio que o tênis na América do Sul pode crescer pouco a pouco, há jogadoras como a Nadia Podoroska, Bia Haddad Maia e muitas outras que também são ótimas e estão no nível mais alto. Isso é muito importante, porque assim vão surgindo novas jogadoras que vão se motivar para se tornarem profissionais", afirmou Badosa, que espera contar com o apoio do público mexicano durante esta semana. "Espero ser a favorita dos fãs em Guadalajara ou que eu e Garbiñe [Muguruza] sejamos. Por sorte, estamos em grupos diferentes, então é possível que os fãs torçam por nós duas. É claro que é muito bom que haja espanholas na chave e que as latinas possam se sentir representadas no Finals".

Maria Sakkari, de 26 anos, disputou nesta temporada suas primeiras semifinais de Grand Slam em Roland Garros e no US Open. A grega corrobora com o discurso da colega de circuito em incentivar as meninas que estão atualmente nos torneios menores. "Não faz muito tempo que eu estava jogando esses torneios de 15 mil e 25 mil. É só uma questão de quem acredita mais e de quem trabalha mais. Uma coisa que tenho a dizer é que eu realmente acreditei em mim durante todos esses anos. Não o tempo todo, mas na maioria das vezes (sorrindo). Posso dizer com certeza que realmente trabalhei muito para estar aqui. É só que é uma questão do quanto você confia em si mesma".

Finals na América Latina anima Garbiñe Muguruza
Outra jogadora bastante empolgada com a possibilidade de disputar um grande torneio na América Latina é a também espanhola Garbiñe Muguruza, ex-número 1 do mundo e atual quinta colocada aos 28 anos. Ela está ciente de que o fato de haver duas jogadoras que falem espanhol no top 10 pode atrair um novo público para o esporte e inspirar jovens jogadoras. Nascida em Caracas, na Venezuela, Muguruza se mudou para a Espanha com a família quando era criança, mas não deixa para trás suas origens sul-americanas. No ano passado, durante o período mais restritivo da pandemia, participou de vídeo-conferência com várias juvenis do continente.

"Sinto que eu e a Paula podemos ser as favoritas dos fãs apenas, porque temos uma cultura semelhante, a cultura latina em geral. Eu sinto que é ótimo", disse Muguruza a TenisBrasil. Ela estreia nesta quarta-feira contra Karolina Pliskova. "Já faz muito tempo que não tínhamos duas espanholas no Finals, são 21 anos. Acho que a nossa presença no torneio vai motivar as jovens da Espanha e também da América Latina, que podem se identificar conosco ao nos ouvirem falar. Elas podem se sentir mais próximas do tênis, o que nem sempre acontece quando se vê jogadoras distantes ou estrangeiras. Sinto que desta vez elas podem estar mais perto de nós".

A espanhola diz ainda que a transferência de sede do Finals, inicialmente marcado para a China, mas levado para o México em função da pandemia, trouxe motivação extra para que ela se classificasse para o torneio. "Bom, pra ser sincera, eu nunca pensei que a América Latina pudesse realizar o Finals, porque é muito complicado, sob muitos aspectos. Quando Steve [Simon, CEO da WTA] disse que Guadalajara era uma opção, eu pensei: 'Oh, meu Deus, tem certeza? Você quer dizer Guadalajara, México, certo? Não tem outra Guadalajara (sorrindo)?' Eu estava muito ansiosa para ver isso acontecer".

Muguruza também espera que a América do Sul também possa sediar grandes torneios da WTA nos próximos anos. Atualmente, o único 250 na região ocorre em Bogotá, enquanto Buenos Aires e Montevidéu têm eventos da série 125 no calendário deste ano. Ela também já jogou no Brasil e chegou a ser finalista de um WTA que acontecia em Florianópolis ainda em 2014.

"É sempre bom jogar o WTA Finals, mas não é a mesma coisa jogar na China ou na América Latina. É uma oportunidade única na vida. Isso teve um grande efeito em mim. Eu acho ótimo porque o tênis feminino não é uma prioridade na América Latina. Eu sinto que é algo que parecia impossível, mas agora é possível. Espero que outros países fiquem mais animados. Seria incrível fazer um pequeno circuito na América do Sul em algum momento do calendário".

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