Notícias | Dia a dia
Bia: 'Top 20 nesse momento é uma possibilidade real'
07/07/2022 às 08h00
Felipe Priante

São Paulo (SP) - Após passar mais de dois meses seguidos na Europa para as temporadas de saibro e grama, a paulista Beatriz Haddad Maia retornou ao Brasil para descansar um pouco e já pensar nos próximos objetivos. De volta a São Paulo, descansará até o final desta semana e no começo da próxima vai começar a preparação para a temporada de quadras duras na América do Norte.

Depois de falar em entrevista coletiva que um dos objetivos é se manter no top 25, faixa de ranking que irá ocupar a partir da próxima segunda-feira, Bia contou para TenisBrasil que pretende dar saltos maiores. “É muito louco porque o top 20 nesse momento é uma possibilidade real, posso chegar neste patamar e é meu próximo objetivo”, afirmou a canhota paulistana.

Eliminada logo na estreia em Wimbledon, após vencer dois títulos seguidos e fazer uma semi na grama, Bia espera aprender com as derrotas, tanto essa como a de Roland Garros, onde também não foi longe, parando na segunda rodada. “Esse é o caminho, um equilíbrio para sempre tentar melhorar. É pegar o que não consegui fazer tão bem e levar para o próximo Grand Slam”, analisou.

“A vida é assim, é impossível sempre ganhar, precisamos ter humildade e saber que somos seres humanos, que vamos errar e falhar, mas o importante é saber como voltar e o quão rápido consegue fazer isso”, complementou a número 1 do Brasil na WTA.

Veja como foi a entrevista completa com Bia:

Depois de vencer dois títulos seguidos e fazer uma semi, como foi lidar com a frustração interna de uma derrota logo na estreia de Wimbledon?

Foi um momento difícil, vinha jogando um tênis de alto nível e estava bem competitiva. O que me deixou bem frustrada na verdade foi que não consegui jogar em nenhum momento como vinha jogando, fazer coisas que estava fazendo. Quando está no nosso controle e não conseguimos fazer isso é uma coisa que nos deixa chateada e triste. É uma coisa que estava ao meu alcance sacar melhor, devolver melhor e ser um pouco mais agressiva. Isso faz parte, mas quando a gente olha no contexto geral a turnê de grama foi muito positiva. Claro que no momento a gente passa pelo luto, mas estou sendo trabalhada para ter uma vida equilibrada e não valorizar tanto a derrota e nem a vitória. Esse é o caminho, um equilíbrio para sempre tentar melhorar. É pegar o que não consegui fazer tão bem e levar para o próximo Grand Slam.

Dava para ver nas suas entrevistas para a TV que mesmo você ganhando na dupla feminina e na dupla mista, ainda estava meio que sentindo o fato de não ter alcançado o principal objetivo. Foi um pouco isso mesmo?

Com certeza, a simples é meu objetivo número um. A partir do momento que eu não estou com meu principal objetivo, mesmo que a dupla me preencha do mesmo jeito, me deixe muito feliz podendo ser uma jogadora competente e aproveitando também para melhorar meu nível para simples, fiquei um pouco chateada. Tenho uma qualidade que é virar a chavinha, pois mesmo sendo eliminada de simples, sabia que ainda tinha a dupla e precisava estar preparada. Sabia que tínhamos chance de ganhar o jogo e estava sempre pensando no que tinha que fazer. Depois que acaba a partida, é claro que vem uns pensamentos, você fica um pouco sem dormir, mas faz parte. Estou buscando sempre melhorar e isso é o mais importante.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Beatriz Haddad Maia (@biahaddadmaia)

Nessa série de torneios na Europa, quais foram os melhores momentos, tirando os títulos, e quais os momentos que não foram tão bons?

Os melhores momentos foram aqueles que consegui mentalmente ficar forte, pois tive muitas dificuldades em alguns jogos. Tive 3/1 abaixo contra Simona Halep (WTA de Birmingham), 4/1 abaixo contra Daria Saville (WTA 125 de Paris) no terceiro set. A maior característica dos grandes campeões é saber suportar as situações de desconforto. O que foi um pouco abaixo foi entrar nos Grand Slam com a mesma mentalidade dos outros torneios. Apesar de não ter saído tão bem, pelo menos dei 100%.

Acabei de conversar com o Rafa (Rafael Piciaroni, o técnico de Bia) e ele lembrou uma frase de Ashleigh Barty que disse que quando não estava vencendo estava aprendendo, Sente que foi isso que aconteceu nos Grand Slam para você?

Acho que até comentei algo assim em uma foto minha nos últimos posts que escrevi. A vida é assim, é impossível sempre ganhar, precisamos ter humildade e saber que somos seres humanos, que vamos errar e falhar, mas o importante é saber como voltar e o quão rápido consegue fazer isso.

Você está chegando agora no top 25 de simples e duplas. Pensando em sempre dar um passinho a mais, o top 20 é uma possibilidade? Como você olha para isso e também para trás, neste caminho para chegar até aqui?

É muito louco porque o top 20 nesse momento é uma possibilidade real, posso chegar neste patamar e é meu próximo objetivo. Mas ao mesmo tempo fico muito orgulhosa por tudo pelo que passei. Ano passado estava jogando quali de 25 mil na África do Sul, nunca diria que em um ano e meio eu estaria 25 do mundo. Só que o tênis é um esporte que te dá uma oportunidade nova a cada semana e tentei agarrar da melhor maneira possível. É por isso que estou aqui hoje.

Seu próximo compromisso é nas quadras duras norte-americanas. Depois de um bom desempenho na grama, você sai motivada e acredita que possa repetir outras boas semanas por lá?

Em relação a piso, meu jogo pode ser adaptado às três quadras. Posso buscar meus melhores resultados também nas quadras duras, principalmente com o saque e a devolução, eu consigo jogar sendo bem agressiva. Na quadra rápida as primeiras bolas são bem importantes. Em relação a resultado, é muito difícil de dizer, mas não diria que poderia ganhar 13 jogos seguidos na grama, então o céu é o limite para qualquer tenista que trabalha bem. Uma hora as coisas acontecem.

Nestas 13 vitórias seguidas, tirando as finais, teve algum outro jogo especial para você?

O da Halep foi algo muito incrível que senti durante o jogo, tanto que quando acabou eu estava com uma sensação que não queria que acabasse. Estava tão bom estar ali naquele momento, jogando 4/4 no terceiro set, que não queria nem sair da quadra. Ela estava jogando em alto nível, tanto que está agora na semifinal (de Wimbledon) e conseguiu ganhar dela bem, Isso foi muito bacana.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Beatriz Haddad Maia (@biahaddadmaia)

Comentários
Loja - camisetas
Suzana Silva