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Como se mede a grandeza?
25/09/2022 às 20h24
Marcos Bulcao

O maior de todos se aposentou.
O que deixa a pergunta: como se mede a grandeza?
Pelo número de títulos?
Ou pelas lágrimas derramadas, tributo silencioso pelos repetidos momentos de inspiração?
Confesso que me surpreendi.
Eu estava triste, como tantos outros, mas era esperado, esse momento chega para todos.
Chega para todos os atletas.
Chega para todos os humanos.
Sempre há uma hora de se retirar de cena.
Literal ou metaforicamente.
Mas quando o fim foi se materializando, foi aí que percebi a falta que aquilo que me faria.
Minto.
Que já me fazia, mas escondia: "ele ainda vai voltar a nos encantar!"
Diante do inegável fim, me rendi às lágrimas, tímidas a princípio (vergonha?), livres em seguida.
Como uma criança, me apeguei a pensamentos mágicos, a qualquer coisa que pudesse minimizar a dor daquela despedida.
Um último ace. Um último golpe de gênio. Uma última vitória!
Como um adulto, entendi que o fechamento das cortinas já havia acontecido há muito tempo e que aquela partida já era parte do "encore", dos ensurdecedores aplausos agradecidos por tamanha grandeza.

E, entre tantas homenagens, famosas e anômimas, talvez nenhuma seja tão marcante e sincera quanto o choro de Nadal.
O grande rival. O inusitado amigo.
Reconhecimento do gênio. Reconhecimento do ser humano.

Durante anos, apaixonado por matemática como sou, tentei medir a grandeza por números e recordes.
Hoje, ficou claro que a verdadeira grandeza -- ou a mais bela em todo caso -- se mede menos por aquilo que se conta do que por aquilo que falta.
E que falta faz Roger Federer.

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