Pietra segue para o tênis universitário e se espelha em brasileiras

Pietra Rivoli (Foto: João Pires)

Em sua última temporada no circuito mundial juvenil, Pietra Rivoli optou pelo caminho do tênis universitário e seguirá para os Estados Unidos no segundo semestre. A gaúcha de 18 anos tenta seguir o caminho que outras brasileiras já fizeram, especialmente as duplistas Luísa Stefani e Ingrid Martins, que voltaram às competições profissionais após a faculdade e se estabeleceram no circuito.

O contato com Ingrid, aliás, foi decisivo pela escolha pela Universidade da Carolina do Sul, a mesma em que a carioca representou entre 2016 e 2019. A atual 68ª colocada no ranking mundial juvenil conta que recebeu várias propostas nos últimos anos e entende que o circuito norte-americano tem se fortalecido e se tornado uma opção viável para quem busca a transição para o tênis profissional.

“Acho que o circuito universitário mudou nos últimos tempos, estão colocando muito mais dinheiro no alto rendimento e se profissionalizando muito mais. Vai ser excelente para mim”, disse Pietra a TenisBrasil, durante o W35 de São Paulo. A oportunidade de se desenvolver na quadra dura, depois de um período de muito mais torneios no saibro durante o juvenil e início de carreira profissional também foi destacada.

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“É um jogo diferente e você tem que saber jogar em todas as superfícies. Sim, a quadra dura vai me ajudar em fatores como subir mais à rede e tirar mais tempo, coisas que a gente talvez não pratique tanto ao longo do ano, até porque o juvenil tem mais torneios no saibro”, avaliou a gaúcha. “O meu pai [Rodrigo] me formou desde pequena para ser uma jogadora completa. Então, independente de estar aqui ou lá, o tênis requer que você saiba jogar em todas as superfícies”.

Vinda do Recreio da Juventude, no Rio Grande do Sul, para a Rede Tênis em São Paulo, Pietra fez um balanço sobre a trajetória no circuito juvenil e as primeiras experiências em competições adultas. “É importante jogar no juvenil para se desenvolver e estar nos Grand Slam. Também joguei o quali do SP Open e os futures agora. Tudo é muito válido para ir somando maturidade para a vida real. Porque agora é vida real, acabou a brincadeira do Juniors”.

Pensando na sequência da carreira e até mesmo no futuro fora do tênis, Pietra estudará gestão esportiva e planeja estar próxima da modalidade: “É algo para que, depois que eu parar de jogar, possa ter o meu próprio negócio e empreenda. Vejo como algo que pode ser útil na minha pós-carreira, porque tenista para de jogar cedo e eu sou uma pessoa que não consigo ficar sem fazer nada”.

Confira a entrevista com Pietra Rivoli.

Você está terminando o circuito juvenil e seguindo para o tênis universitário nos Estados Unidos. Como foi essa decisão e a escolha por essa universidade?
Quando a gente decidiu que iria para a faculdade, fizemos uma pesquisa. Ainda no circuito juvenil, eles meio que te recrutam se você estiver indo bem e vão ao teu encontro. Então várias faculdades entraram em contato e a gente selecionou as três que achamos melhor e fomos visitar.

E colocando na ponta do lápis, escolhemos a que vai me apresentar melhor custo-benefício, de ter pessoas extremamente capacitadas do meu lado para que eu possa desenvolver ao máximo essa trajetória de tenista e avançar mais rápido no profissional.

A gente viu outras brasileiras que seguiram esse caminho, principalmente a Luísa Stefani e a Ingrid Martins, mas tem outras jogadoras como a Luiza Fullana e a Marjorie de Souza que voltou está jogando bem. Chegou a conversar com elas antes de se decidir? Você tinha referências do programa de tênis de lá ou dos treinadores?
A universidade que eu vou é a mesma que a Ingrid foi. Então a primeira pessoa que me falou: ‘O treinador está interessado em você. Posso te mandar o contato?’ foi a Ingrid. Ela conta só coisas maravilhosas da faculdade, de como entrou lá e como saiu, do quanto ela mudou no período em que esteve lá.

Mas não só ela e as brasileiras, as americanas quase sempre vão para a faculdade e a gente também vê muita menina de fora. A Janice Tjen que fez final no SP Open ano passado foi para Pepperdine, a mesma da Luísa Stefani. E acho que o circuito universitário mudou nos últimos tempos, estão colocando muito mais dinheiro no alto rendimento e se profissionalizando muito mais. Acho que vai ser excelente para mim e depois ter muito sucesso no circuito profissional também.

E como você avalia o período que esteve no juvenil, disputando torneios do Grand Slam e esse começo também de carreira profissional?
Acho que as vezes a gente vai no automático e nem consegue parar para pensar, só joga um torneio depois do outro. É importante jogar no juvenil para se desenvolver e estar nos Grand Slam. Também joguei o quali do SP Open e os futures agora. É legal, é algo que eu sei que estou melhorando e estou crescendo como tenista e como pessoa. Acho que foi uma experiência boa, desde o Ju até a trajetória aqui em São Paulo, tudo é muito válido para ir somando maturidade para a vida real. Porque agora é vida real, acabou a brincadeira do Juniors.

Você estava falando com sua equipe sobre mensagens que recebe nas redes sociais depois de uma derrota. Está se sentindo à vontade para comentar sobre isso? Infelizmente é bastante comum no circuito…
É direto, ainda mais quando você perde. Principalmente quando começa a jogar nos futures e que tem muito apostador. E aí os caras começam a te chamar de tudo quanto é coisa. Eu quase nem vejo, porque a equipe tenta apagar tudo. A Naná me mostrou uma outro dia, que ela recebeu, a gente riu demais… Esse povo aí não tem o que fazer.

Aqui no Brasil e nos torneios da América do Sul, joga-se muito mais no saibro e de fundo de quadra, mas o circuito caminha para ser um jogo mais voltado para a quadra dura. Acha que esse tempo nos Estados Unidos pode te ajudar nesse sentido?
O meu pai me formou desde pequena para ser uma jogadora completa. Então, independente de estar aqui ou lá, o tênis requer que você saiba jogar em todas as superfícies. Então semana passada estava jogando na grama, e agora estava no saibro. Então você tem que se adaptar rápido. É um jogo diferente e você tem que saber jogar em todas as superfícies. Sim, a quadra dura vai me ajudar em fatores como subir mais à rede e tirar mais tempo, coisas que a gente talvez não pratique tanto ao longo do ano, até porque o juvenil tem mais torneios no saibro.

E qual será seu tema de estudos na universidade? É algo que já pensa em fazer no pós-carreira?
Eu vou estudar Sports Management, a princípio é o que eu quero fazer. Mas lá nos Estados Unidos você pode mudar a qualquer momento. É algo para que, depois que eu parar de jogar, possa ter o meu próprio negócio e empreenda. Então tem coisas de business envolvidas com o esporte. Vejo como algo que pode ser útil na minha pós-carreira, porque tenista para de jogar cedo e eu sou uma pessoa que não consigo ficar sem fazer nada. Então, com certeza, depois que eu parar de jogar, eu vou querer fazer alguma coisa e saber sobre negócios e empreendedorismo, relacionado com o esporte, pode ser bom também.

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Haroldo
Haroldo
2 dias atrás

Sucesso Pietra, eu particularmente acho importante estudar, mesmo que seja um top 50 ou 100 no juvenil, pois garante um futuro após os 30 anos.

Ronildo
Ronildo
4 dias atrás

Parabéns para a Pietra. Sábia decisão. Ainda bem que estas meninas estão como que “vacinadas” contra os insultos na internet.

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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