Brasil se destaca em diferentes pisos e nova geração mostra consistência

Nauhany Silva, Victória Barros e Guto Miguel (Foto: Felipe Gomes/ESPN)

Assim como havia acontecido em Roland Garros, o Brasil terminou o torneio de Wimbledon com mais um título de Grand Slam no juvenil. E ainda mais importante, é uma conquista que não vem isolada, mas acompanhada de boas campanhas.

Líder do ranking e vindo de título em Roland Garros, Guto Miguel colocou mais um troféu de Grand Slam em sua galeria, ao vencer o torneio de duplas ao lado do esloveno Ziga Sesko. O goiano de 17 anos se tornou apenas o terceiro juvenil brasileiro a ser campeão de Wimbledon, juntando-se à parceria de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

E por muito pouco, o Brasil não saiu com uma conquista de Grand Slam juvenil no feminino, já que Nauhany Silva e Victória Barros ficaram com o vice-campeonato de duplas, superadas em três sets pelas tchecas Jana Kovackova e Katerina Zajickova no último sábado.

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Antes delas, a única juvenil brasileira a ter disputado finais de Slam havia sido Beatriz Haddad Maia, nas duplas em Roland Garros em 2012 e 2013. Uma das finais foi contra a forte dupla tcheca Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova, que mantiveram a parceria no circuito profissional e conquistaram os principais torneios do circuito.

Também no juvenil, a paranaense Eduarda Gomes foi semifinalista da categoria 14 anos em Wimbledon. Duda já havia vencido recentemente um título de duplas na grama em sua categoria no circuito da Tennis Europe no início de junho. E também foi semifinalista de simples e campeã de duplas no J30 de Manchester, enfrentando adversárias até quatro anos mais velhas. Com 14 anos recém-completados e experiência em dois Grand Slam, ela segue na Europa nesta semana e joga o J100 de Moenchengladbach no saibro alemão.

Há pouco mais de um mês, o título de Guto Miguel em Roland Garros veio acompanhado das semifinais de Victória Barros e Leonardo Storck nas chaves juvenis. Foi também o melhor Grand Slam da carreira de João Fonseca como profissional, chegando às quartas de final em Paris, o que mostra uma maior variedade de nomes e até mesmo de estilos de jogo na nova geração brasileira, cenário diferente de outras conquistas de jovens promessas nos últimos anos.

Falta pouco para Stefani
Kristina Mladenovic, Hanyu Guo, Gabriela Dabrowski e Luisa Stefani (Foto: Simon Bruty/AELTC)

Entre as profissionais, Luísa Stefani conseguiu o melhor resultado da carreira em Grand Slam nas duplas femininas, a final inédita em Wimbledon, ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. O título ficou com a francesa Kristina Mladenovic e a chinesa Hanyu Guo, mas Stefani atinge o melhor ranking da carreira, no quarto lugar. E a parceria com Dabrowski já é a segunda melhor da temporada, com títulos em todas as superfícies e três semifinais de Grand Slam.

Também finalista de duplas mistas no ano passado, Stefani é apenas a segunda mulher brasileira a disputar uma final de Wimbledon, juntando-se à lendária Maria Esther Bueno, com seus três títulos de simples e cinco nas duplas. A última final de Maria Esther havia acontecido em 1967 e o título mais recente no ano anterior. Isso dá a dimensão exata da façanha obtida pela paulistana. E a temporada consistente no circuito ao lado de Dabrowski dá toda a impressão de que o tão sonhado Grand Slam é questão de tempo. Falta pouco.

Uma campeã sem pular etapas
Linda Noskova (Foto: Jonathan Nackstrand/AELTC)

Desde a definição das finalistas, falamos sobre como a República Tcheca forma tantas jogadoras de alto nível. E na decisão realizada no último sábado, Linda Noskova comemorou seu primeiro título de Grand Slam aos 21 anos, depois de vencer a compatriota Karolina Muchova em três sets. É uma conquista que premia uma jogadora que passou por todos os processos de desenvolvimento, sem pular etapas.

Monitorada de perto desde muito jovem, Noskova fez parte de equipes tchecas nos mundiais de 14 e 16 anos entre 2018 e 2019. Ela também conquistou um Grand Slam juvenil em Roland Garros ainda em 2021. Ela recebeu as primeiras oportunidades na WTA em cada, jogando o torneio de Praga e foi escalando no ranking até se firmar na elite do circuito. Há menos de um ano, quando chegou à final do WTA 1000 de Pequim e foi superada por Amanda Anisimova na decisão, a tcheca entrava no top 20 e se dizia feliz com a própria evolução, mas consciente de que a distância para o alto ainda parecia muito grande.

“Pode parecer que estar no top 20 me torna uma grande atleta, mas muitas vezes estive apenas no lugar certo na hora certa. Existe uma diferença enorme entre estar no top 5 e no top 20. Não coloco pressão em mim, tenho muitas jogadoras à frente. Então vou levar com calma”, declarou Noskova em outubro de 2025. “Ainda preciso melhorar o forehand, o backhand, o saque, os voleios, os smashes, as curtinhas… tudo de uma vez e também a parte física. Não estou muito focada no número que tenho no ranking. O que tiver que acontecer, vai acontecer”.

Apenas nove meses depois, Noskova é mais uma tenista tcheca a conquistar o torneio de Wimbledon, a terceira nos últimos quatro anos.

Depois de ter perdido cinco match-points no segundo set e permitido a reação de Muchova na partida, a campeã falou na coletiva de imprensa que ver a sala de troféus no caminho para o vestiário a ajudou a recuperar a motivação: “O que realmente me ajudou foi o primeiro passo que dei fora da quadra, os troféus estavam lá. Eu pensei, ‘Eu não vou levar o pequeno para casa. Eu vou levar o grande. Eu estive tão perto. Isso seria provavelmente a decepção da minha vida’. Eu estava olhando para o grande e pensei: Eu vou levar este, nem que eu tenha que deixar a alma em quadra no terceiro set”.

Merece destaque também o emocionante discurso na cerimônia de premiação, homenageando a mãe, que faleceu em 2024, depois de um longo tratamento do câncer: “Tem uma pessoa que eu gostaria de agradecer, que é a minha mãe. Eu não estaria aqui se não fosse por ela. Então, muito obrigada”.

Surpresas e revanche nas decisões do juvenil

Na final feminina da chave juvenil, a russa Anna Pushkareva surpreendeu a chinesa Xinran Sun, líder do ranking, com a vitória por 5/7, 6/3 e 6/4. Foi a segunda derrota de Sun em uma final de Grand Slam, depois do vice-campeonato de Roland Garros no mês passado. O resultado também serviu de revanche para a russa, que havia perdido duas vezes da chinesa, uma no J300 de Milão e outra na final de um torneio profissional no Egito. Ela ocupa o 1.015º lugar da WTA, enquanto Sun é a 620ª colocada com apenas 15 anos.

Anna Pushkareva (Foto: Daniel Kopatsch)

Pushkareva, de 17 anos e então 28ª do ranking, sequer havia vencido um jogo na grama antes de Wimbledon, já que foi eliminada na estreia do J300 de Roehampton. “Se alguém tivesse dito, algumas semanas atrás, que eu seria campeã de Wimbledon, eu teria respondido: ‘Está brincando comigo?’”, disse Pushkareva após a conquista. “Eu diria que era uma piada de mau gosto, porque perdi na primeira rodada do J300 de Roehampton. Achei que perderia na primeira rodada aqui também”.

No masculino, o campeão foi o norte-americano Jordan Lee, 16 anos e 47º do ranking juvenil. Vindo do quali, Lee disputa sua primeira chave juvenil de Grand Slam e derrotou na final o australiano Cruz Hewitt, filho do ex-número 1 Lleyton Hewitt por 4/6, 6/4 e 7/5. Lee é o primeiro tenista dos Estados Unidos a vencer o torneio juvenil de Wimbledon desde 2021, quando Samir Banerjee venceu o compatriota Victor Lilov na decisão. Na história, o país tem agora 13 campeões no torneio. O último tenista vindo do quali a ser campeão foi Noah Rubin, em 2014.

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Evandro
Evandro
7 dias atrás

Valeu pelo post. Muito bom

Rodrigo
Rodrigo
7 dias atrás

Excelente resumo!

Leonardo
Leonardo
7 dias atrás

Essa nova geração vem forte, especialmente do Brasil, nunca tivemos “tanto” talento junto. Coloco entre aspas porque não são muitos em quantidade, mas em qualidade, sim parece uma era de ouro. Já temos o Fonseca dando resultados e com exelente potencial para muito mais. Guto Miguel, campeão de RG em simples, de Wimbledon em duplas. E tem o Leonardo Storck também que perdeu na semi de RG exatamente para o Guto Miguel. E essas meninas, Victoria e Naná, tem muito potencial. Foram vice de duplas em RG mas podem ir muito longe, lembrando que ambas tem somente 16 anos, Victoria somente 3 a 4 meses mais velha que Nauhany. Boas expectativas de futuro

Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.
Jornalista de TenisBrasil e frequentador dee Challengers e Futures. Já trabalhou para CBT, Revista Tênis e redações do Terra Magazine e Gazeta Esportiva. Neste blog, fala sobre o circuito juvenil e promessas do tênis nacional e internacional.

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