Todo Grand Slam produz suas surpresas ao longo de quinze dias de competição. Mas a edição de 2026 de Roland Garros desafia qualquer comparação recente. A chave masculina teve sua principal reviravolta com a eliminação precoce de Jannik Sinner, número 1 do mundo e principal favorito ao título. No feminino, campeãs recentes, líderes do ranking e especialistas no saibro ficaram pelo caminho. Pela primeira vez em muitos anos, os dois números 1 do mundo ficaram fora da disputa antes dos momentos decisivos do torneio, abrindo espaço para uma das edições mais imprevisíveis dos últimos tempos.
Os sinais de que algo diferente estava acontecendo apareceram cedo. Coco Gauff, que defendia o título conquistado em 2025, foi eliminada de forma prematura, abrindo ainda mais uma chave que já parecia destinada a produzir uma campeã inédita.
A saída de Iga Swiatek também teve um significado especial. Embora já não fosse apontada como a principal favorita ao título, a polonesa seguia sendo uma referência em Roland Garros graças as suas quatro conquistas em Paris. Sua eliminação confirmou que nem mesmo as maiores especialistas do saibro estavam protegidas das surpresas desta edição.
A eliminação de Swiatek foi apenas parte de um cenário mais amplo. Outras integrantes do Top 10, como Elena Rybakina, Jessica Pegula e Amanda Anisimova, também ficaram pelo caminho, evidenciando a dificuldade das favoritas em impor seu favoritismo nas quadras de Paris.
Jasmine Paolini também chamou atenção ao optar por não defender seu título de duplas. A italiana preferiu concentrar todos os seus esforços na campanha de simples, uma demonstração clara de suas ambições individuais nesta temporada.
A maior surpresa do torneio foi a eliminação de Aryna Sabalenka. Com a saída de Gauff e Swiatek, a número 1 do mundo passou a carregar o favoritismo quase absoluto. No entanto, acabou derrotada pela russa Diana Shnaider, alterando definitivamente o cenário da chave feminina.
O resultado de tantas quedas foi histórico. As quartas de final femininas passaram a ser ocupadas integralmente por tenistas oriundas do antigo bloco do Leste Europeu, evidenciando a força de uma escola que continua produzindo talentos em série e que encontrou em Paris o cenário ideal para reafirmar sua relevância no circuito.
Mas Roland Garros 2026 também foi o torneio da confirmação. Apontada há anos como um dos maiores talentos da nova geração, Mirra Andreeva transformou a expectativa em realidade ao conquistar seu primeiro título de Grand Slam. Em meio às eliminações das favoritas e às constantes reviravoltas da chave, a russa mostrou que seu talento já não pertence ao futuro, mas ao presente do tênis feminino.
Se a campeã representou a confirmação de uma promessa, a vice-campeã simbolizou o inesperado. Vinda do qualificatório, a polonesa Maja Chwalińska iniciou o torneio praticamente fora dos holofotes e terminou como uma das grandes histórias desta edição. Sua trajetória desde o quali até a final reforçou o caráter imprevisível de um torneio que derrubou favoritas e revelou uma protagonista improvável.
O Brasil também teve motivos para comemorar. Luísa Stefani alcançou as semifinais nas duplas, enquanto Guto Miguel conquistou o título juvenil, confirmando seu nome entre as grandes promessas do tênis nacional.
Entre surpresas, quedas de favoritas e trajetórias inesperadas, Roland Garros 2026 ficará marcado como um torneio de transição. Um torneio em que a antiga ordem foi desafiada e uma nova geração passou a ocupar definitivamente o centro do palco.










Belo texto, Patrícia, e excelente análise sobre os tropeços das principais favoritas e a abertura das chaves para tenistas que não apareciam como prováveis participantes das fases mais agudas da competição. Se o Aberto de Paris trouxe inúmeras surpresas e teve também a agradável confirmação de que a jovem Mirra tem potencial para brigar pela ponta, também deu pistas de um possível e sempre bem-vindo começo de nova etapa de transição, como você bem apontou. E isso tudo às vésperas de um novo e aguardado retorno de Serena Willians, do alto de seus 44 aninhos e 23 títulos de slam, nada menos que sete AO, três Rolando Garros, sete Wimbledon e mais seis US Open.
Vc Só esqueceu de mencionar João Fonseca nessa história.
A Patrícia Medrado fala de tênis feminino aqui no site, Joanisson. O Blog, aliás, se chama Tênis com Elas.