O fantástico Djokovic quer mais do que recordes e sim deixar uma herança ao futuro do tênis

Heptacampeão de Wimbledon, 24 troféus de Grand Slam, Novak Djokovic tem uma carreira fantástica. Mas não parece querer apenas bater todos os recordes do esporte, como o recente número de vitórias no All England Club, com 106 contra 13 derrotas, superando o suíço Roger Federer. Seu objetivo é deixar uma herança que possa contribuir para o futuro da modalidade. Essa sua intenção ficou clara na recente declaração de que, segundo pesquisa da PTTA (entidade que ajudou a fundar) divulgou um alerta de que a idade média dos fãs do tênis é de 61 anos.

O assunto já foi bastante debatido aqui do TênisBrasil, mas gostaria de colocar alguns pontos de vista. Absolutamente não sou contra mudanças, respeito as opiniões, interesses de público, torneios e audiência entre outros fatores. Confesso, porém, que os mais atraentes e emocionantes jogos em que vi em toda minha vida, a grande maioria foi disputado de forma épica com cerca de 5 horas de duração. Um deles a final do então ATP 1000 de Hamburgo, entre Guga Kuerten e Marat Safin. Sem contar outros duelos com Federer e Rafael Nadal. Concordo também que para muitos jovens ter atenção concentrada em um jogo por tanto tempo é sim complicado.

Vejo que já existem alternativas para um público diferente, que pede por mudanças. A ATP correu nesse sentido quando criou o Next Gen. A competição apresentou novas regras, deixando sim o jogo mais dinâmico. Mas, é claro, que é necessário preservar as tradições e isso ficaria a cargo dos torneios do Grand Slam, que sim apresentaram mudanças, mas seguem com disputas maratônicas.

Os brasileiros terão em breve a oportunidade de acompanhar de perto um evento revolucionário: o UTS (Ultimate Tennis Showdown), que será jogado no Rio de Janeiro, com participações marcantes como João Fonseca e Nick Kyrgios, entre outros. Comentei várias etapas desse circuito pela Jovem Pan Esportes e confesso que a princípio achei estranho e duvidei que daria certo. Aos poucos, porém, passei a entender que é divertido e atraente. Tudo muito dinâmico. Emoção do começo ao fim dos jogos e alguns artifícios, como uma carta bônus, podem mudar repentinamente o rumo da partida. O ambiente está longe de exibir aquela placa que era norma nos clubes “tênis exige silêncio”. Afinal, a presença marcante de um DJ e a interação do público tornam a atmosfera eletrizante.

Portanto há opções. Lembro bem de quando o US Open colocou música nos intervalos dos games, quem reclamou demais foi o então exótico Andre Agassi. Ano passado estive novamente em Flushing Meadows e o clima da Arthur Ashe, com o teto fechado, o show de leds para um jogo, por exemplo, de Novak Djokovic foi uma das coisas mais marcantes que testemunhei. Uniu um ambiente dinâmico às conservadoras regras dos Slams. Enfim, o tênis segue para mim como um dos esportes mais apaixonantes e não me importo de ficar 5 horas vendo, mas as inovações são bem vindas.

 

 

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Dilson Silveira
Dilson Silveira
14 dias atrás

Comentário perfeito,. concordo 100%. Temos que avançar nas mudanças, mesmo que gradualmente.. É muito preocupante o resultado da pesquisa sobre a faixa etária dos fãs de tênis.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
14 dias atrás

Então, caro Chiquinho. Djokovic largou a PTPA na primeira semana de janeiro. Sérvio discordou dos processos movidos por esta entidade contra ATP e WTA segundo Eurosport. E vamos combinar que Novak é alucinado por recordes …rs. Abs !

Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como Grupo Bandeirantes de Comunicações, TV Globo, SporTV e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 22, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.
Jornalista especializado em tênis, com larga participação em diversos órgãos de divulgação, como Grupo Bandeirantes de Comunicações, TV Globo, SporTV e o jornal Estado de S. Paulo. Revela sua experiência com histórias de bastidores dos principais torneios mundiais. Já cobriu mais de 70 Grand Slams: 30 em Roland Garros; 22, no US Open; 18 em Wimbledon; e 5 no Australian Open.

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